Glowing Eyes

11 Tenerife Sea


Notas iniciais
DESCULPAS DE NOVO, MESMO! Estou em semana de provas e também tive que cuidar do meu primo que estava doente então não tive tempo para escrever, revisar e postar. I'M SO SORRY. Porém, nesse final de semana, resolvi fazer um esforcinho. Então aqui está! Capítulo fofinho pra vocês porque sim sz Boa leitura!

— Como assim o que isto significa? Mãe, pelo amor de D...

— Não. Não mencione o nome de Deus — disse Natalie, com um tom enojado.

— Liam é... Ele é a pessoa no qual eu estava te falando mais cedo — expliquei.

— Eu não acredito, William... Só te disse aquelas coisas porque eu pensava que era alguma menina. Como foi que isso aconteceu? Depois de tudo o que já falamos...

— O quê? O único que não consegue acreditar aqui sou eu. Eu não acredito que minha mãe, que eu achava que era a mais cabeça-aberta do mundo, é homofóbica! — ela ficou em silêncio, ainda com uma expressão de nojo e decepção no rosto — Pois bem, é isso mãe. O seu filho é gay! E sim, ele está namorando outro menino, se você não consegue aceitar isso, é melhor eu não ficar aqui por hoje, ou quem sabe pelo resto da vida.

Subi as escadas para o meu quarto, decidido, arrumando uma mochila com algumas roupas, o pouco do material escolar que precisaria, o meu carregador e os fones de ouvido. Era isso, todos esses anos criando uma relação de amizade para ir tudo por água abaixo. Só porque eu estou gostando de alguém.

Enquanto botava as coisas na mochila, liguei para Liam:

— Alô, Will?

— Oi, Liam. Olhe, eu posso passar a noite na sua casa?

— Claro, mas por quê? O que aconteceu? Você está bem?

— Sim, eu estou bem. Só preciso de um lugar para ficar. Quando chegar aí eu te explico tudo. Agora tenho que ir, tchau!

Desliguei a chamada sem esperar por ele se despedir. Limpei o rosto no banheiro do meu quarto antes de descer as escadas. Decidido, passei pela sala em direção à porta da frente. Mas sem antes ouvir o que minha mãe estava falando, quer dizer, gritando.

— Não ouse sair por esta porta, William Harding!

— Oh, e quem irá me impedir? — respondi, com sarcasmo.

— Sabe, eu vou ligar a mãe desse tal de Liam — tentou ameaçar, mas sem sucesso.

— Faça isso! Quem sabe se você conversar com alguém matura talvez você adquira alguma coisa, porque você sabe, ela aceita a sexualidade do filho dela muito bem.

— Se David estivesse aqui isso não estaria acontecendo... — lamentou Natalie.

— Não. — agora ela conseguiu me irritar de verdade — Eu não admito você culpar papai. Não sabia que você poderia ser tão baixa a ponto de usar ele para fazer chantagens.

E com isso, saí de casa, rumo ao Liam e a minha liberdade pessoal.

+++

Toquei a campainha, Liam abriu a porta logo em seguida, com um sorriso no rosto, falou:

— É a segunda vez em 24 horas que você aparece por aqui.

— Melhor não ir se acostumando — brinquei, passando pela porta em direção à sala. Tirei a mochila e a botei no chão, perto de mim. Liam se sentou no sofá e fez um sinal para eu me sentar também.

— Sua mãe está em casa? — indaguei.

— Não, ela foi visitar minha tia que está doente, em outra cidade, só volta amanhã.

— Ela vai me deixar ficar?

— Claro que vai! Então, quais motivos o trazem até aqui nesta bela noite de domingo? — ele perguntou, curioso.

Comecei a contar a história, desde a minha ida ao Instituto, observando suas expressões. Ficou um pouco confuso no começo, depois espantado e até com um pouco de raiva da minha mãe. O disse para se acalmar, e peguei a sua mão. Devo dizer que isso teve muito mais efeito do que ficar repetindo “Liam, acalme-se, está tudo bem”.

— Então você é um Caçador de Sombras sem treinamento.

— Até onde eu sei, sou sim.

Ficamos em silêncio por um momento.

— Puta merda — disparei, passando a mão pelo meu cabelo, mudando de assunto — amanhã tem aula!

— Pois é, parece que sim.

— Uma coisa que eu sempre me perguntei é onde você estuda?

— Na SRH. Quer dizer, vou começar — respondeu Liam.

— Como eu nunca te vi lá?

— É que até ano passado, eu estudava em uma escola em Franklin, mas aí com tudo o que estava acontecendo eu acabei me esquecendo de fazer a matrícula aqui. Por isso que atrasou tudo.

— Então amanhã é o seu primeiro dia de aula.

— Sim, muito empolgante não é? — ele tentou parecer sério, mas na verdade estava segurando o riso.

— Ah, sim, totalmente empolgante — continuei com a brincadeira.

Logo Liam também mudou de assunto:

— Então, o que você vai querer jantar? — perguntou ele.

— Bem, que tal nós pedirmos uma pizza? — sugeri — De pepperoni, por favor.

— Hmm... E se nós fizermos uma?

+++

— Pelo cheiro deve estar uma delícia — comentei, quando Liam tirava a pizza (pepperoni, claro) do forno e botava em cima da mesa. Abri a geladeira e peguei o refrigerante, servindo em dois copos vermelhos de festa.

Liam pegou uma fatia e comeu, fechando os olhos e soltando um “humm” baixinho. Comecei a rir de sua cara e também peguei um pedaço para mim, o levando a boca.

— É, até que dá pro gasto — brinquei.

— Dá pro gasto? Dude, isso ‘tá maravilhoso! — exclamou ele, depois de beber um gole do refrigerante.

— Sabe o que devíamos fazer? Tirar uma foto! — disse, já tirando o celular do bolso. Liam limpou a boca em um guardanapo e chegou perto de mim, me abraçando. Sorrimos para a câmera. Abri a foto, tinha ficado linda.

— Adorei, vou postá-la! — avisei, abrindo o Instagram.

Lembrei de um trecho de uma música do Ed Sheeran e a botei como legenda: “All that you are is all I’ll ever need” (Tudo que você é, é tudo o que eu vou precisar). Liam leu em seu celular e me beijou logo em seguida, dispensando palavras.

Em poucos minutos a pizza já havia acabado e a nossa foto tinha várias curtidas e comentários. Estávamos cheios e, como já estava tarde, resolvi perguntar:

— Onde eu vou dormir?

— Você pode dormir no meu quarto, eu fico com o de hóspedes — indicou Liam.

— Não vai querer dividir a cama comigo? — indaguei.

— Você disse parar irmos devagar, lembra? — Ele estava corando, que adorável! Resolvi o deixar mais envergonhado ainda.

— Ah, mas não é como se a gente fosse transar loucamente a noite inteira, não é mesmo? — Botei meus braços em seus ombros, sorrindo.

— Will, é melhor você parar de provocar...

— Eu? Provocando? Que nada! — me aproximei ainda mais de Liam, o beijando lentamente. Ele sorriu. O sorriso dele era uma das coisas mais lindas que eu já tinha visto — É que você fica extremamente fofo quando está envergonhado, sabia?

— Acho que nunca fiquei desse jeito com ninguém...

— Pode ir parando, Sr. Dunbar. Isso já está virando muito clichê! I can’t. — sorri para ele novamente.

— Bem, vamos logo tomar banho porque hoje a noite promete! — brincou Liam.

— Promete sim, muitos roncos e sonhos lindos.

— Você ronca? — perguntou.

— Talvez...

— O que eu fiz para merecer um namorado que ronca?

— Cale a boca e vamos logo.

+++

Quando tirei as ataduras que estavam no meu braço, percebi que não tinha marca nenhuma. Nem mesmo uma cicatriz. Que estranho, pensei. Seria isso os meus poderes se revelando? Ri da minha própria estupidez.

Saí do banho antes que Liam. Dobrei as roupas que eu estava usando e as botei na mochila. Comecei a ajeitar-me na cama, que estava arrumada. Chequei as notificações do celular “Duas chamadas perdidas de ‘Mãe’”.

Naquele momento, Liam entrou no quarto só com a toalha de banho na cintura. E então eu pude ver o corpo definido que até então eu havia apenas sentido.

— Eu me esqueci de pegar minhas roupas, desculpe — disse ele, novamente corando.

— Sem problemas! Pode se vestir, eu não vou olhar — falei, me virando para o lado oposto em que ele estava.

— Will, nada de espiar pelo reflexo do celular!

Suspirei e botei o celular em cima do criado mudo que ficava no lado da cama.

— Você não se importa se eu dormir só de cueca, não é? — perguntei.

— Nem um pouco, também estou assim.

Algum tempo depois, ele foi para a cama comigo, me dando um beijo na bochecha. Ele me abraçou. Dormir de conchinha, como eu disse, meu relacionamento era um completo clichê. Eu conseguia sentir sua respiração na minha nuca. Droga, meu ponto fraco.

— Você é tão maravilhoso, meu Deus. Isso é real?

— Liam, eu sei que isso não é bem o que eu estava dizendo com “ir devagar” — Quem dorme com alguém um dia depois de ficarem pela primeira vez? Mas enfim, controle-se.

— Ok, desculpa. Boa noite, Will.

— Boa noite, Liam.

Caí no sono fazendo movimentos circulares na parte de cima da sua mão com o meu dedo. Pela primeira vez em muito tempo, dormi sem nenhum rastro de pesadelos ou coisas fora do normal.

Notas finais
POXA VIDA! Pra quem ficou se perguntando se a Natalie ia apoiar ou não o relacionamento do Will e Liam, tá aí essa resposta. De uma hora pra outra ela resolver virar uma mulher religiosa, estranho? Talvez. Desculpas novamente e até a próxima att, xx