Glitter In The Air

22 Capitulo 22 - É um dom


Notas iniciais
Eu tenho consciência de que desapareci por mais de dois anos. Minha vida foi uma loucura nesse período: fiquei muito travada até mesmo porque muita coisa que eu planejava fracassou e eu precisava arrumar novos meios de rearranjar minha vida. Ela ainda não está como eu planejo, mas com certeza está muito melhor do que antes; Sei que não posso exigir o mesmo retorno que tinha antes de vocês, até porque reconheço que muitas já devem ter deixado o site, mas espero que, de coração, me perdoem por esse abandono temporário. Estou voltando, de verdade, só que aos poucos. Espero que tenham paciência e que se lembrem que é quase como um novo recomeço pra mim :)

Duas semanas haviam se passado desde aquele encontro desnecessário com o clã. Alexia e eu tinhamos estudado mais do que eu sequer imaginara que fosse possível, afinal, desde que me lembro por gente, nunca fiz o tipo filha estudiosa que se ultraja com uma nota inferior a A+, para ser sincera, nem uma nota inferior a C- era capaz de me ultrajar.

O ritmo do colégio não mudara tanto desde então. Na verdade, assim que Jackson decidiu aceitar a ordem natural das coisas, tudo tem sido mais normal ainda do que deveria ser. Ele fazia parte do time principal de basquete, e soube por alguns murmúrios nos corredores que ele iniciara a pouco sua inscrição no time de natação. É claro, caras como ele detinham o poder de realizar o que quer que quisessem com maestria, enquanto reles mortais como nós não sabíamos nem para que direção andar nos corredores escolares.

Respirei fundo assim que me sentei em minha carteira. Era terça feira e o céu estava nublado, provavelmente choveria muito e eu seria obrigada a ser espremida por inúmeras pessoas dentro do transporte público, já que — como inúmeras outras vezes — não atendi às ordens de minha mãe de pegar o guarda chuva. Eu nunca acreditava nessas baboseiras que ela dizia e sempre voltava para casa encharcada. É, eu acho que deveria começar a ouvir melhor a minha mãe… Só acho.

Depois de poucos instantes ouvi passos ritmados da professora que adentrava a sala calmamente. Segundos depois, uma Alexia agitada entra correndo e pede desculpas, logo sentando-se em um lugar livre qualquer e desejando-me boa sorte. Ri com aquilo, uma entrada calma e pontual não tinha nada a ver com aquela garota. A professora revirou os olhos de modo discreto, como se já estivesse acostumada com aquela cena. Um pacote grosso já estava depositado em suas mãos e tremi com aquilo. Eu nunca fora o tipo de pessoa que se importava com a escola, mas de uns tempos pra cá, as ocupações escolares têm sido as únicas coisas capazes de me desligarem do mundo, e claro… Alexia também o conseguia, afinal, aquela garota era louca, e sempre me conseguia tirar de casa para fazer algo ridículo e desnecessário. Lembram-se das corrias aos sábados de manhã? É, ela não estava brincando quando disse aquilo.

– Só gostaria de lembrá-los que esta é uma prova muito importante. Vale 25% da nota final de vocês, dessa forma façam-na com calma. Não se esqueçam que ela deve ser entregue a tinta e escrituras que não estejam nas margens serão desconsideradas… — ela fazia seu monólogo como se já o tivesse gravado em uma fita qualquer e só o estivesse reproduzindo. Se aquilo era para deixar os alunos tranquilos, estava falhando consideravelmente.

O bloco de páginas atingiu minha carteira e foi como ouvir uma bola de demolição batendo contra uma parede. Era uma nova e estranha sensação… Eu tinha medo de falhar. Aparentemente, pela primeira vez na minha vida eu não tinha vontade de mandar tudo para o espaço e simplesmente me esquecer das demais pessoas que me circundavam, e eu não sabia se gostava daquilo.

Folheei as páginas da prova e me surpreendi ao perceber que sabia boa parte das respostas, sorri comigo mesma. Naquele momento me esqueci completamente de todos os dramas que se passavam em minha cabeça e me foquei apenas no bloco de páginas que estava sobre minha carteira.

[...]



– Essa foi por pouco. — Alexia acabara de se sentar com uma barra de chocolate e um sanduiche natural em sua bandeja, logo depositando a barra em minhas mãos. — O idiota do meu irmão reprogramou meu despertador e me fez perder a hora.

– Acontece. — dei de ombros enquanto mordia um pedaço da minha barra de chocolate.

– Ah, mas não é como se isso fosse ficar assim. — ela comentou decidida. Franzi a testa, definitivamente não sabia o que aquilo significava. — Quando ele menos esperar…

– Não acha que está exagerando? Ele só tem seis anos!

– Você diz isso porque não convive com ele há seis anos! — Alexia deu uma mordida em seu sanduiche e respirou fundo, tranquilizando-se. — Eu sei que estou fazendo drama, mas é inevitável. — ri junto dela. — Mas diga-me. Como foi a prova?

– Como vou saber? — perguntei com as sobrancelhas arqueadas.

– Por Drácula, Hayley! A gente sabe se pelo menos conseguiu escrever alguma coisa além do nome! — ri de sua exaltação e sua invocação. Alexia era ao mesmo tempo a garota mais menininha que conhecera em minha vida, e ainda assim, uma fã lunática de clássicos do terror.

– Melhor do que eu era com certeza foi. — dei de ombros e ela sorriu.

– Muito melhor.

[...]

– Velhos hábitos nunca mudam, não é mesmo? — reconheci a voz que nessas ultimas semanas eu estava evitando mais do que qualquer coisa. Permaneci com meus fones de ouvido postos e a cabeça baixa escondida pelo capuz do moletom. Esperava veemente que ele acatasse meu sinal de “Fora daqui”; mas quem eu queria enganar? Jackson nunca fora a melhor pessoa para se exigir semancol. — Eu sei que você está acordada. — afirmou e arrancou os fones do meu ouvido e abaixou meu moletom. Desejei ser o ciclope para ter poderes de laser nos olhos.

– O que você quer? — perguntei seca.

– Conversar com você. — disse logo que tirou minha mochila do banco e sentou-se ao meu lado. Olhei-o com descrença.

– Pelo que eu saiba, você anda muito ocupado; e se me lembro bem, disse que se manteria longe. — respondi com uma frieza que já tinha até mesmo me esquecido que sabia usar.

– Por que você tem que fazer as coisas serem tão difíceis? — ele bufou enquanto levava as mãos aos cabelos e os desarrumava em sinal de frustração.

– É um dom — disse com um sorriso sínico enquanto pegava minha mochila do chão e me preparava para sair.

– Não vai assistir à aula? — perguntou me segurando pelo pulso. Dei-lhe um olhar cortante em direção ao meu braço e ele logo o soltou.

– De repente eu comecei a não me sentir muito bem por aqui.

Notas finais
Sei que nada de extraordinário aconteceu, mas tenham calma! Minha criatividade tem voltado aos poucos e já me veio à mente umas cenas bastante inusitadas para nossos queridinhos rs.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.