Glitter In The Air

20 Capítulo 20 - Início de uma boa amizade


Notas iniciais
Fala galerinha! Como eu disse, não iria abandonar vocês e aqui estou novamente! Não é aquele tipo de capitulo que você fica PQP! Maaaaaaas coisas interessantes estão a caminho :)

Aquele dia demorara mais que os outros para chegar ao fim. Sempre que eu olhava em direção ao relógio tinha a sensação de que os ponteiros zombavam da minha cara girando cada vez mais devagar. Quase dei pulos de alegria quando o sinal da última aula soou, mas me contive. No meu caso, cantar vitória muito antes do dia terminar é quase como um atestado de “prepare-se, algo de ruim vem a caminho”.

Depois da aula de matemática não vi mais o Jack e dei graças à Deus por isso. Não sei se agüentaria ficar no mesmo espaço físico que ele novamente, ainda mais agora que ele andava que nem um cachorrinho atrás da Sharon. Por mais que eu soubesse que um dia aquilo aconteceria e que eu não deveria me importar tanto assim, era bastante difícil aceitar a realidade.

Caminhei rapidamente em direção aos armários para deixar alguns livros e pegar o de Biologia. Essa coisa de voltar a começar a estudar era algo novo pra mim, mas acho que seria um bom passatempo, ainda mais levando em consideração que teríamos uma prova muito importante em duas semanas, e, ainda, que sou uma completa acéfala em biologia, estudar um pouco não me mataria, e eu precisava de pontos para passar de ano. Era isso que acontecia quando você simplesmente se esquece que o mundo existe ou trata de ignorá-lo.

Quando estava em frente ao portão do colégio percebi um vulto ruivo correndo em minha direção. Parei no lugar que estava assim que percebi que aquela era Alexia.

- Por acaso estava fugindo de mim? – ela disse cansada, enquanto tentava voltar a respirar normalmente.

- Que eu saiba não. – disse rindo e ela revirou os olhos.

- Pensei que você ia me esperar no final da aula. Sabe como é, colocar os babados do dia em dia, tomar um sorvete, lambuzar a cara de chocolate... – ela dizia com os seus olhos gigantes brilhando sem parar para respirar um segundo sequer.

- Nossa... Eu... Não sabia. – disse um pouco sem graça. Eu realmente não sabia que as pessoas realmente tinham animo para fazer aquilo depois das aulas. Normalmente eu só chegava em casa, colocava um pijama e ia dormir.

- Tudo bem Hales, ta perdoada. – ela disse sorrindo já de volta ao seu estado normal de respiração. – Mas o que você me diz? Vamos? – ela perguntava animada.

- Ah... Não sei não... – comecei um pouco desanimada. – Eu tenho que dar um jeito de recuperar algumas notas... Acho que você já sabe o porquê. E tem aquela prova de biologia...

- Sabe o que a gente pode fazer? – a olhei com as sobrancelhas arqueadas enquanto esperava que a mesma respondesse à sua própria pergunta. – A gente sai pra comer, toma um sorvetinho, se lambuza de chocolate e então eu te ajudo a estudar para sua prova.

- Hm... Tem certeza que quer fazer isso?

- Claro! E deixa de ser chata Hales. Vai ser legal, e juro que serei uma brilhante professora.

- Se você diz... – ainda não estava muito animada, mas do jeito que Alexia estava confiante deixei passar. Tudo bem que não era muito do meu feitio aceitar as coisas assim tão facilmente, mas acho que uma mudança de vez em quando e com as pessoas certas até que vale a pena. Por mais que adentrar em um campo novo á essa altura do campeonato não fosse lá uma coisa tão segura pra mim. Recentes experiências já tinham me comprovado isso, mas acho que o importante é chutar a bola pra frente. Como já diria a minha avó, não adianta ficar remoendo o passado porque ele já foi, o importante é seguir o presente sem se importar o que te espera no seguinte instante.

Caminhamos devagar até o shopping mais próximo do colégio. Foi impossível não me lembrar do episodio dos canelones e de como o Jack havia despachado a Sharon como se ela fosse uma pessoa inútil qualquer. Poderia dizer que aquele tinha sido um dos momentos mais engraçados da minha vida, ainda mais depois daquela cara de morte que ela fez. Respirei fundo. Acho que seria melhor começar a esquecer esses momentos e fingir que eles nunca aconteceram. Com certeza essa seria a melhor opção. Iria me deixar em sã consciência e as coisas mais fáceis, ainda mais que tínhamos boa parte das aulas juntos. E claro, se eu fingisse que nada tivesse acontecido, nada que ele fizesse de agora em diante poderia me afetar, certo?

Só percebi que tinha perdido tempo demais pensando nele novamente quanto Alexia me puxou para que sentássemos em uma mesinha na praça de alimentação.

- Pensando na morte da bezerra?

- Oi?

- Qual é Hales. Vai demorar quanto tempo pra você admitir que ta caidinha pelo Jack e que o fato dele estar andando agora com a Sharon está te matando por dentro? – ela despejou tudo sem dó nem piedade na minha cara. Eu acabei demorando alguns instantes para assimilar cada palavra que ela tinha pronunciado.

- Eu realmente não sei do que você esta falando. – tentei parecer firme, mas acho que nem uma criança de cinco anos acreditaria na minha atuação fajuta. – Então, o que vamos comer? – desconversei e ela suspirou derrotada.

- Ah, eu acho que vou querer uma pizza. Quer dividir uma comigo? A brotinho não me enche, mas também comer uma média sozinha eu não consigo. – Alexia dizia enquanto analisava o cardápio e eu apenas rira. Nunca achei que alguém como Alexia fosse do tipo que comesse pizza e muito menos que admitisse que pudesse comer mais que uma brotinho em publico. Seu corpo era tão invejável que parecia mentira o fato dela comer tanto. Tudo bem que eu não era lá um bom exemplo de quem come pouco pra não engordar, mas vocês me entenderam. Ela poderia concorrer ao Miss Universo com seus cabelos naturalmente ruivos e ondulados, além de seus gigantes olhos amendoados.

- Por mim tudo bem. Só não pede nada com camarão.

- Você não gosta de camarão? – ela me perguntou como se aquilo fosse o maior crime do mundo. – Como alguém pode não gostar de camarão?

- Ah, o cheiro é ruim e a cara é feia. – disse dando de ombros. Ela continuou perplexa, ainda mais com a minha estúpida explicação, mas ao final, acabou por pedir uma pizza de um tal de lombo canadense, que ao final descobrirmos ser apenas um presunto, mas que tinha um gostinho muito melhor que o convencional.

Comemos bastante e depois fomos ao Mcdonalds atrás de sorvete. Nos lambuzamos como crianças que vão pela primeira vez ao fast food enquanto ela me contava algumas coisas sobre um garoto de sua aula de historia que ela estava interessada.

Foi um ótimo inicio de tarde, Alexia era uma ótima pessoa, e acho que eu precisava de uma amiga, por mais que eu sempre dissesse que relações interpessoais fossem mera babaquice. Depois de tomarmos o sorvete Alexia ligou para seus pais dizendo que passaria o dia em minha casa para estudarmos.

Caminhamos em direção à minha casa, era um pouco longe, mas não o suficiente para pagarmos por um ônibus ou taxi. Alexia se mostrava cada vez mais ser uma pessoa encantadora, meio louca as vezes, mas bastante honesta. Talvez esse fosse um sinal que os deuses estavam com peninha de ferrarem tanto com a minha vida e então decidiram mandar alguém legal para o meu lado. Sorri com meu pensamento estúpido, era quase absurdo algo de bom acontecer comigo por tempo prolongado, mas eu não estava nem um pouco interessada em saber quando é que aquilo iria acabar.