Glitter In The Air

18 Capítulo 18 - Eu só posso estar ficando louca


Eu gostaria de dizer que não me importava, que eles podiam se ferrar e compartilhar germes o quanto quisessem mas, uma forcinha extremamente irritante vinda de dentro de mim fazia com que meus olhos começassem a arder e uma sensação horrível de terror se espalhasse pelo meu interior.

Eu queria, com todas as minhas forças, conseguir desviar meus olhos daquela cena nojenta, levantar-me daquele observatório de cobras e fugir para um lugar onde ninguém pudesse me encontrar, talvez mandasse um SMS para Alexia, já que a mesma não tinha nada a ver com meus problemas.

Então, após o término do "maravilhoso" show, Jack olhou para mim de um modo estranho. Não entendi o que ele queria dizer com aquela expressão, mas, provavelmente seria algo do tipo " você não vale a pena " ou algo como "o quão repugnante você é". O que, mesmo que não devesse, mecheu comigo. Me fez sentir culpa, como se tudo aquilo estivesse acontecendo apenas porque eu quis que fosse daquele jeito. Mas... E se tivesse?

- Hayles! — a voz de Alexia me fez quebrar contato visual com Jack e sumiu com meus pensamentos anteriores. — Eu sei que você disse que estava sem fome mas... Trouxe um chocolatinho pra você mesmo assim. — ela dizia com receio e eu apenas ri.

- Obrigada. — disse enquanto pegava o chocolate, era um de meus preferidos: Talento Intense. — Não sei como você tem ânimo pra enfrentar uma fila tão grande pra acabar pegando uma barrinha de cereais e um chocolate.

- Ah, o bom da fila grande é que me desanima de pegar tudo o que eu realmente queria. — ela disse dando de ombros e eu a olhei confusa. — Sabe como é... Hamburgueres, tortinhas doces e salgadas, uma coca cola básica... E por ai vai. — ela disse e eu ri,

- Se eu fosse você, nem fila eu pegaria. Odeio ficar em pé por muito tempo, ainda mais vendo as pessoas saindo sorridentes com suas comidinhas e meu estômago roncando. É tortura demais para o coitadinho.

- Ah Hayles, só você! Tem que deixar de ser tão sedentária, menina!

- Quem sabe um dia.

- " Quem sabe um dia " coisissima nenhuma. Olha só, eu corro todos os sábados de manhã, vou começassar a passar na sua casa pra você me acompanhar. — e quando eu ia protestar...- E eu não aceito não como resposta. — ela disse sorrindo e eu apenas revirei os olhos. Foi então que o sinal tocou e tivemos que ir para as nossas próximas aulas.

A hora parecia não passar nunca e, tudo isso tornou-se ainda mais intenso quando o sinal para a última aula tocou e eu me lembrei que a teria com Jack. Senti meu estômago revirar só de imaginar como seria estar num mesmo espaço com ele outra vez. A imagem da troca de germes ainda não havia sido apagada da minha mente e, provavelmente, assim que eu os visse juntos novamente, a minha ação involuntária seria vomitar.

Corri para a aula de matemática, não porque eu gostava de chegar primeiro mas, apenas para não correr o risco das pessoas ficarem me olhando com aquela cara de dó irritante só porque agora o imbecil do Johnson resolveu passar para o lado das decerebradas. Claro, como se tudo isso já não estivesse premeditado.

Eles deveriam saber... Eu deveria saber. Bom, eu sempre soube mas... Porque parecia tão difícil por isso em prática? Esquecer todos os curtos momentos nos quais ele me meteu em encrenca não deveria ser tão difícil! Eu me sentia tão ridícula agora! Muito mais do que quando sai da minha casa com as novas roupas que minha mãe comprara para mim. Eu parecia haver recém voltado de uma guerra na qual todo o meu interior tivesse sido afetado, como aqueles homens que voltam e precisam passar por um intenso tratamento psicológico, sabe?

Essa era a única explicação para tudo o que estava acontecendo comigo. Minha cabeça nunca fora uma das melhores mas, de uns dias para cá ela tem piorado. As coisas que passam por ela não fazem sentido algum! E essa necessidade repugnante de fixar meus olhos num ser irritante e encantador piora ainda mais a minha situação.

Eu só posso estar ficando louca... Claro, só pode ser isso!