Notas iniciais
e uma nova personagem surge...
Música: Tchubaruba - Mallu Magalhães

The Dancing Sunflowers

Érico voltava para casa, à passos lentos, claramente presente naquela rua só de corpo. Sua alma estava em outro lugar, uma espécie de campo florido, Girassóis de Van Gogh. Ele ouvia o tempo todo as palavras de Klaus.

“Eu acho que eu te amo.”

“Eu acho que eu te amo.”

Evidentemente o beijo era importante, mas tornava-se insignificante para ele, se posto ao lado daquelas lindas e doces palavras que o sucederam. Uma confissão um tanto quanto apressada, é claro, mas que deixou uma sensação de conforto e expectativa ainda maior. E ele continuava andando; os girassóis continuavam a balançar com o vento dentro de seus pensamentos.

Érico entrou em casa. Eram mais de dez da noite, sua tia já devia estar dormindo, afinal ela não costumava dar atenção à ele. Mas ele sabia que outra pessoa o estaria esperando, obviamente.

— Érico, onde você estava? — disse uma garota sentada no sofá, quando ele entrou e bateu a porta. Ela estava deitada no sofá, com a televisão ligada e claros sinais de impaciência.

— Pelo que eu conheço de você, tenho certeza que se eu falar a verdade você vai rir. — ele aproximou-se do sofá e ela rapidamente sentou-se, dando lugar para ele – Ela já está dormindo?

— Sim, há um longo tempo. Ela disse que não ia esperar... — a garota hesitou — ...esperar você voltar pra ter que ouvir alguma mentira sua como explicação. Porquê demorou tanto?

— Kiara, – ele olhou bem no fundo dos olhos dela – eu posso confiar em você?

— Não seja idiota! Conte de uma vez.

— Eu estava... — ele balbuciou por um instante – Estava em um encontro.

Kiara, a menina ruiva de olhos castanhos, aparentemente mais velha que Érico, soltou uma gargalhada.

— Eu disse que você ia rir... Agora cale a boca, vai acordar sua mãe.

— A essa hora, — ela recompôs-se — uma escola de samba poderia passar debaixo da janela do quarto dela e ela nem ia notar. Mas vamos logo ao que interessa. Você disse um encontro? — ela soltou outra risadinha pelo canto da boca.

— Sim, é isso. E prepare-se pra rir mais.

— Por quê?

— O encontro foi com um garoto. — Érico baixou os olhos, sentindo-se meio envergonahdo em estar revelando esse fato incontestável.

— Deixe de ser idiota, desde que nós tivemos a primeira conversa sobre namoros você já tinha me confessado que era gay – ela demonstrava prazer em disparar aquela última palavra contra Érico.

— Eu sei, mas...

— E como ele é? Como é esse outro pecador? Conta logo!

Érico pensou por um instante. A primeira coisa que lhe ocorreu foi comentar sobre os olhos. Mas só agora, com a pergunta de Kiara, ele percebeu que Klaus não era apenas um par de lindos olhos, ele era lindo por inteiro. Fez uma rápida ponderação:

— Ele é um pouco mais alto, — começou – cabelo completamente negro, um rosto divinal e – ele hesitou – o mais belo e estonteante par de olhos azuis-ciano que eu já vi na vida.

— Uau! Você nem esconde que está apaixonado falando dessa forma!

Érico fez um muxoxo e baixou os olhos.

— E esse \'belo e estonteante par de olhos azuis-ciano\' tem nome? — ela gesticulou e claramente ironizou esta última frase.

— É K... — ele fez uma pausa, ao lembrar que \'K\' não era o nome dele. — Klaus.

Em um instante a expressão de Kiara mudou. Ela faz uma cara desapontada, o brilho nos olhos e o sorriso dos lábios desapareceram. Érico não pôde deixar de notar.

— O que foi?

— Nada, — ela disse rispidamente – eu quero saber de tudo. Vai, fala!

— Vou lhe contar tudo – ele iniciou – mas quero que prometa que isso não sairá daqui. Ela não pode saber.

Kiara pensou um instante e falou com uma expressão grotesca.

— Você não sabe o quanto eu sou confiável.

Depois de muitas perguntas, esclarecimentos e confissões, Érico já havia confidenciado tudo. A trombada no parque, as mensagens, o encontro. Tudo nos mínimos detalhes, como lhe foi exigido por Kiara.

— Então, logo no primeiro encontro – ela tomou as rédeas da conversa – ele te beija e diz que \'acha\' que te ama?... Isso não me cheira bem.

Érico estancou.

Se o objetivo de Kiara era plantar nele a semente da discórdia, ela havia cumprido muito bem seu papel. Klaus disse que achava que o amava, não que efetivamente nutria algum sentimento concreto.

— E o pior de tudo é que – ele fez uma breve pausa – eu acho que estou apaixonado por ele. — Érico afundou então o rosto nas mãos.

Logo em seguida, viu a gargalhada fatal, a mais alta e desenfreada de Kiara. Soava quase demoníaca.

— Mas... que seja. Me mantenha informada de tudo o que vier a acontecer. Estou curiosíssima para saber de todo o resto... Isso se houver algum resto.

Érico não entendeu a última colocação da garota, mas acreditava que ela estava sendo sincera. Afinal, por ela ser a única familiar próxima dele – mesmo que apenas como sua prima adotiva – ela era sua única cúmplice, e quem o ouvia, desde criança.

Érico deitou-se em sua cama, mais uma vez com o pensamento longe. Esqueceu-se quase que completamente de sua recente conversa com a prima, abandonou-a em um plano e deixou ela pra escanteio.

Em primeiro e dominante plano, ele não conseguia esquecer a frase de Klaus e seu gesto, logo em seguida.

“Eu acho que eu te amo.”

Nada mais chamava sua atenção. Ele via o mundo inteiro, com todas suas belezas e maravilhas, na frase e nos olhos daquele garoto. Ele adormeceu e, agora em forma onírica, mais uma vez o campo rodeado de girassóis dançando ao vento dominava sua cabeça. E a frase de Klaus ressoava e ecoava em seus campos elísios.

“Eu acho que eu te amo.”

“Eu acho que eu te amo.”

“Eu acho que eu te amo.”

~~> Olá!

Gente, espero que aqueles que estejam acompanhando a história estejam gostando, e prometo que novas emoções surgirão em seguida. A peridiocidade dos capítulos está rápida demais para as minhas capacidades, portanto por favor, não reclamem ^^

beeijoonasbrothers!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.