Notas iniciais
A todos que pediram, a continuação!
Música: Rain - Breaking Benjamin


2. Glimpse Of Heaven (Klaus\' version)

Sentado no chão do quarto, entre o sofá e a cama, com o notebook sob as pernas e um documento na mão, ele agora não podia acreditar. Klaus pensava apenas em uma única coisa: o menino do parque.

Sua mente foi tomada de súbito, após um encontro desajeitado, e ele não conseguia desviar seus pensamentos de Érico, observando sua fotografia no documento.

O ocorrido era inimaginável. Klaus nunca havia passado por algo semelhante, nunca havia sentido tanta atração e sua mente nunca esteve presa a uma única pessoa. Olhando para a foto, Klaus relembrava cada momento do que havia acontecido.

Ele havia saído de casa, naquele sábado ensolarado, em busca de ar fresco. Foi até o parque para respirar um pouco enquanto fazia um trabalho da faculdade, que lhe consumia grande parte da semana.

Mal sabia que o que encontraria lá o faria esquecer o tal trabalho e também os problemas da universidade por muito tempo.

Ao entardecer, quando estava prestes à ir embora, resolveu dar uma passada no banheiro do vestiário. Lá, lavou as mãos e o rosto, em meio aos malditos meninos que agiam como porcos no local. Ele olhou de relance seu relógio, e espantou-se. Já eram seis da tarde, e ele deveria enviar o trabalho pronto à um colega até as sete horas. Resolveu se apressar, e saiu correndo do vestiário, com planos de pegar o carro e chegar em casa o mais rápido possível. Quando saiu correndo pela porta, sua pressa desapareceu. Suas coisas voaram pelo chão e misturaram-se com outras que não eram suas, mas isso não importava.

Ele esbarrou em um menino. O menino...

Klaus bateu de frente nos ombros do garoto, e os dois tiveram o chão como destino. Detalhe importante é que Klaus caiu sobre o menino, e por alguns instantes, deitado quase em cima do outro, a sensação que lhe ocorreu não o deixou sair dali; ele teve um vislumbre do paraíso.

Klaus nunca havia visto um menino tão lindo. Ele teve a sensação de estar vislumbrando o paraíso, ou algo o mais próximo possível disso. Os olhos castanhos, o rosto, o corpo; tudo parecia ter sido esculpido minuciosamente, sem características errôneas.

Aquela tarde de dezembro lhe proporcionou uma das melhores sensações que sentira até então. Quando os poucos instantes de observação começaram a ficar longos demais, Klaus viu a situação embaraçosa à qual estava submetendo o outro menino. Ele estava deitado em cima dele, com os rostos próximos. Sua vontade era a de...

Ele levantou-se, e o mesmo fez o outro. O menino ficou parado, e Klaus, juntando as coisas de ambos no chão, olhou pelo canto do olho e viu que o outro estava com um olhar desconcertante. Os olhos do menino aparentavam estar vendo algo diferente.

Klaus recolhia as coisas do chão e, como não conhecia o garoto, pensou que nunca mais iria vê-lo. Foi então que, quando enxergou um documento do menino entre algumas coisas, discretamente o pegou para si e colocou-o entre suas coisas. Ele não teve hesitação nenhuma em pegar o documento, tinha uma única certeza: o que ele viu era perfeito demais pra escapar-lhe pelo resto da vida.

Ele levantou-se então, olhou para o menino cujo nome ainda não sabia e entregou-lhe suas coisas. Faltando uma pequena peça, é claro. Pediu suas sinceras e doces desculpas, enquanto olhava fixamente para o rosto do menino. Este lhe retribuiu o gesto aceitando o pedido de desculpas, e seus olhos davam a Klaus a impressão de estar suplicando para que ele não fosse embora. Klaus não responderia ao pedido mudo agora, mas seus planos o aliviavam, sabendo que tinha o nome e a foto do garoto entre suas coisas.

Ambos perceberam que não poderiam se contemplar eternamente, e cada um foi para uma saída diferente do parque. Antes, é claro, se viraram quase que sincronizadamente para um último vislumbre. Este foi o momento mais desconcertante, pois ambos perceberam a reciprocidade dos olhares.

Entrou no carro e foi para casa. O trabalho não importava mais. Chegou, subiu rapidamente para seu quarto e sentou-se no chão, com o notebook sobre as pernas e o documento nas mãos.

Acordou de seu devaneio e procurou o nome do menino na internet. Érico era o seu primeiro nome, e encontrar sua página pessoal não foi difícil. Buscou seu e-mail e então deu mais uma olhada na foto do menino.

Abriu sua conta eletrônica; sabia o que deveria fazer: tentar.

Digitou rapidamente:

“ Desculpe-me pela invasão, mas quando nossas coisas se misturaram, um documento seu ficou junto das minhas coisas e estou com ele aqui. Com seu nome, busquei você no Orkut e, lá, descobri seu e-mail. Estou enviando isso para marcarmos algo e eu poder entregar-lhe o documento. Sei que sou um desconhecido, mas me sinto na obrigação de devolver-lhe o tal documento, pode lhe ser útil...

Klaus hesitou, releu o que havia escrito e decidiu ir além. Precisava ser mais enérgico, impactante:

Certo, não sei mentir e esconder o jogo. Não é por causa do documento que estou escrevendo. É pelo fato de ter percebido claramente nossa troca de olhares em meio àquela confusão. Não sei onde estou com as idéias, mas o fato é que ainda estou vivendo aquela confusão. Pode ser coisa da minha cabeça, mas resolvi tentar, ou morreria com a aflição. Espero uma resposta.

Deus, não acredito que fiz isso.

Me desculpe se estou sendo invasivo.

K.”

Antes mesmo que pudesse se arrepender do que acabara de escrever, enviou a mensagem.

Não havia mais saída, agora ele apenas esperava uma resposta positiva de Érico. Ele sabia que ela viria, uma voz interior chamada amor lhe dizia que o paraíso atenderia seu pedido.

~~>olá!

bom, isso era um oneshot, mas os pedidos da galera me motivaram a prolongar...

esta é a visão do ponto de vista do outro menino, e acho que vou seguir a história assim, mostrando os dois lados.

espero que gostem!

~~reviews?