Glades

7 Vejam no noticiário


Notas iniciais
Hey, guys!! Me emocionei muito ao ler os comentários! Vocês são uns amores ♥ Por isso, tem presentinho pra vocês nesse capítulo! Papinho IMPORTANTE nas NOTAS FINAIS, nos vemos lá! Boa leitura! ♥

Oliver Queen

5...4...3...2...1.

“Contagem concluída”.

Havia fechado os olhos enquanto esperava a contagem. Voltei a abri-los quando ouvi a voz mecanizada anunciar que a contagem havia chegado ao fim. Encarei o pequeno visor da bomba de nêutrons, agora desligado. Era uma cilada afinal.

Ouvi minha irmã suspirar, aliviada, e me virei para olhar para ela. Ela abraçava Roy, o apertando contra seu pequeno corpo. Me virei um pouco mais e vi que Felicity havia abaixado a arma.

Não sabia o que pensar sobre ela. Ela atirava sem hesitar e era realmente boa nisso. Não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Pensava que alguma coisa não estava certa, mas meu coração disparava, ansioso, cada vez que eu olhava para a loira. Tinha vontade de abraça-la, de prende-la em meus braços. Foda-se o bom senso. Era o que eu faria.

Me aproximei de Felicity e envolvi meus braços em sua cintura, a puxando contra meu corpo e a apertando em meu abraço. Por um momento, ela não teve reação. Mas logo envolveu seus braços em meu pescoço e retribuiu o abraço. Não sei por quanto tempo a mantive assim, em meus braços. Soltei o abraço apenas quando ouvi a voz de Roy.

— Parece que foi enganado, tira. – Não sabia dizer se era deboche ou outra coisa que eu detectava em sua voz. – O que vamos fazer com essa merda?

— Com quem você deveria pegar o código? – Ouvi a voz de Felicity e me permiti a voltar a olhar para ela.

— Major Reno e Prefeito James. – Respondi, tentando analisar sua expressão. Ela desviou o olhar para baixo, seus olhos indo de um ponto qualquer a outro no chão. Conhecia aquele olhar. Estava pensando, ligando os pontos.

— Vamos devolver o dispositivo então. Tenho uma ideia. – Ah, aquele sorriso de Felicity. Eu conhecia bem esse sorriso também. Aquele sorriso vitorioso de quem tem certeza de que sua ideia é brilhante. – Me passa o celular. – No meio da confusão, o celular tinha ido ao chão. Thea foi quem se abaixou e pegou o aparelho para entrega-lo a Felicity. – Sua linha é encriptada, sargento? – A loira voltara a olhar para mim.

— Sargento? – Sorri de lado ao ouvi-la. Eu estava acostumado a ser chamado assim. Mas meu sorriso se fechou. Não mantive contato e minhas informações sobre meu tempo nas Forças Armadas eram confidenciais, considerando que eu servi em dois grupos, inclusive em um time que oficialmente não existia. – Como sabe que sou sargento? – Felicity apenas ergueu uma sobrancelha. Que merda. Isso tudo estava muito estranho. Primeiro os tiros precisos, sem hesitação. Agora as informações confidenciais. Teria uma conversa bem séria com Felicity mais tarde. – A linha é segura. – Me limitei a dizer, por hora. A observei discar algo e aguardar.

— Jolly Roger, 82741.- A ouvi dizer. Puta merda. Não pode ser. Após alguns segundos, ela continuou – Foxtrot Mike Sierra, 364. – Puta que o pariu! Não acreditava no que estava ouvindo. Olhei para o lado por um instante e percebi que tanto Roy quanto Thea não faziam ideia do que estava acontecendo. – Chefe, ainda temos o contato daquela xereta? – Voltei a olhar para Felicity, incrédulo. Não podia acreditar. Terminara com ela por uma carta, para não prende-la, para não faze-la esperar por mim. Queria que ela fosse feliz. Queria que ela se cuidasse. Queria que ela estivesse longe de qualquer relato de guerra que eu poderia jogar sobre ela. Não era isso que eu tinha em mente. Estava puto com a loira. E nem entendia direito o porquê. – Ótimo. Diz a ela que vai ter um furo e tanto. Prefeitura. Em mais ou menos... – Olhou para mim e moveu os lábios. “E.T.A”. Tempo estimado de chegada. Ah, que merda. Movi meus lábios. 20. E ela repetiu em voz alta – 20 minutos. – Observava sua expressão. Algo mudou de repente. – Ok. Assim que terminar... – Uma pausa. – Sim, senhor. – Suspirou audivelmente. Desligou o celular e estendeu a mão, me devolvendo o aparelho. Segurei em seu pulso ao invés de pegar o celular e fixei meu olhar em seus olhos.

— Nós vamos conversar sobre isso. – Falei firme. Soltei seu pulso e peguei o celular, o guardando em meu bolso. Esperava qualquer outra reação de Felicity, menos aquela.

— Sim, senhor, sargento. – Rebateu em tom de deboche, sorrindo de lado.

— O que está acontecendo aqui? – Roy perguntou. Ainda não havia soltado minha irmã.

— Não importa. – Felicity se apressou em responder. – Vamos, temos 20 minutos antes do show!

Malcom Merlyn

Me juntei ao prefeito Carter James, ao Major Reno e a Damien Johnson. Queria estar com eles no momento da explosão. Queria poder sorrir abertamente e dizer “Eu disse que era um bom plano”. Estávamos na sala do prefeito, sentados confortavelmente em volta de sua mesa.

Podia ver as expressões de James e Reno. Podia dizer que estavam não só ansiosos, como estavam nervosos. Eu não compartilhava esse sentimento. Estava confiante.

Me lembrei do dia em que imaginei esse desfecho.

Flashback On

Estávamos em uma das salas de reunião da prefeitura. Em volta da longa mesa, estavam os representantes da minha linda Star City. Os vereadores, os conselheiros, o representante militar escolhido para se responsabilizar pela área dos Glades depois de declarar Lei Marcial, o prefeito e eu. Sobre a mesa, havia uma linda maquete. Era aquilo que eu queria. Era o meu lindo projeto.

— Senhores, este projeto é um foco de luz na nossa cidade escura. – Enquanto eu falava, gesticulava, mostrando pontos da maquete bem elaborada. – Residências ecológicas, lojas e escritórios exclusivos. Tudo situado em 80 mil metros quadrados da mais valiosa propriedade que esta cidade possui. – Gesticulava agora, apontando para os presentes. – Agora, com a sua ajuda e o seu apoio, podemos recuperar a glória de Star City.

— Senhor Prefeito, — Um dos vereadores se recusava a olhar para mim, dirigindo-se ao prefeito. – Este local é hoje o bairro dos Glades. Para que um projeto seja erguido, o outro tem que vir abaixo.

— Que futuro imagina para quem atualmente mora lá? – Major Reno questionava, mas este olhava diretamente para mim.

— Bem, junto ao prefeito, garanto que tomaremos conta de todas as pessoas desta bela cidade. – Abri um largo sorriso enquanto estendia a mão e pegava a taça de champanhe à minha frente. Vi todos os presentes espelharem meu gesto. Ergui suavemente a taça antes de dizer – Senhores, pelo futuro.

Flashback OFF

Mesmo antes daquele dia, eu já tinha o prefeito em meu bolso. Ele era completamente manipulável se recebesse a quantidade certa de dinheiro. Comprado. Ele se vendia fácil. Major Reno também não ficava muito atrás. Foi só oferecer para acabar com sua carreira e lhe garantir uma bela aposentadoria, que ele embarcara em meu projeto sem pensar duas vezes. Damien Johnson, falso Secretário de Defesa, era na verdade, meu funcionário. O pagava bem, para que ele acessasse todo tipo de informação para mim. Para ele se juntar a mim, bastou ameaçar sua família e prometer um bom dinheiro quando tudo isso acabasse.

Não prestara muita atenção na conversa ansiosa entre os homens até agora. Ouvi o major bufar ao meu lado e virei o rosto em sua direção.

— Não consigo contatá-lo. – Disse, tirando o celular da orelha.

— Se a bomba tivesse explodido, nós teríamos ouvido. – Disse Damien, olhando para baixo.

— Não gosto disso. – O prefeito balançava a cabeça. – Eu não gosto nada disso.

— Ele é o nosso cara. Vai entrar em contato. – Me posicionei na conversa. Oliver era muito certinho para não cumprir uma missão passada pelos líderes da cidade.

Nesse momento, o celular do major tocou e ao atender, sua expressão se tornou séria, preocupada.

— Como assim eles estão dentro do prédio? – O ouvi dizer.

Poucos segundos depois, ouvi a porta se abrir sob a força de dois homens. Roy e Oliver. Os dois seguranças armados que estavam perto da porta se afastaram para não ser atingidos e se apressaram em apontar as armas para eles, mas eles eram espertos. Se abaixaram e puxaram o tapete, agindo juntos, ao mesmo tempo, fazendo os seguranças caírem e atirem contra o teto. Assim que eles caíram, Oliver e Roy os desarmaram, tomando suas armas e as apontando para nós. Todos nós estávamos de pé agora.

Felicity Smoak entrou logo depois disso, também empunhando uma arma.

— Vocês conhecessem Oliver e Roy, rapazes? – A loira disse enquanto se aproximava. – Uau, senhor Prefeito, que beleza de lugar. Se importa se eu trouxer mais alguns convidados? – Assim que ela disse isso, alguns homens vestidos de preto entraram na sala. Dois deles carregando uma case que me era familiar. Os dois homens se aproximaram da mesa e colocaram a case sobre ela. – Em nome dos cidadãos dos Glades, no recém-nomeado xerife e do nosso famoso herói local, nós decidimos trazer um presente a vocês.

Os homens abriram a case, e pudemos ver a bomba de nêutrons ali.

Dispositivo ativado. O dispositivo anunciou em sua voz mecanizada.

— O que está acontecendo? – Questionou o prefeito.

— Acredite ou não, eu esqueci o código. – Oliver Queen. Petulante como sempre. Se aproximou da loira, parando ao seu lado em frente a mesa. Estavam bem próximos ao dispositivo sobre a mesma. – Qual era mesmo? 4...8... – Enquanto falava, pressionava os números do painel do dispositivo.

— Detetive, nós assumimos daqui. – Damien disse. Nem ao menos sabia disfarçar seu nervosismo. Eu assistia até então em silêncio.

— 2...1... – Seguia pressionando os números. Olhou para Felicity.

— 6. – Ela se limitou a dizer.

— Tem certeza? – Olhava para a loira, mas logo se virou para Roy. – Você disse que não poderia ser 6 porque esse era o código postal dos Glades e isso seria coincidência demais.

— Você disse que era coincidência. – Ah, outro garoto petulante.

— Eu disse que eles queriam nos explodir. – Disse Felicity. Não esperava isso dessa garota.

— Eu acho que pular em terraços soltou os parafusos de vocês. – Oliver gesticulava, fazendo gestos para dizer que seus companheiros eram loucos.

— Senhores, muito obrigado, mas nós assumimos daqui... – Major Reno agora tentava argumentar.

— Eu tenho certeza que o último número é 6. – Felicity insistiu.

— Senhor prefeito, quer apertar o botão? – Dizia Oliver enquanto posicionava seu dedo sobre o número 6 no painel.

Tentava acreditar que eles estavam blefando, mas agora não tinha certeza. Oliver iria apertar aquele botão.

— Parem! Já chega! – Finalmente me pronunciei. A atenção de todos se voltou para mim. Encarei Oliver. – Que merda aconteceu lá? Recebeu uma ordem direta.

— Tentaram me enganar assim como enganaram meu pai. – Me surpreendi com sua resposta, mas não contive um sorriso ao responder.

— E sua empatia amoleceu você, assim como amoleceu seu pai. – Meu sorriso era de lado, quase malicioso. – Aqui, nós temos que tomar as decisões difíceis pela cidade e eu mandei uma bomba para lá para eliminar o maior problema.

— Você sabe. – O prefeito se juntou a mim no discurso. – Eles não passam de animais.

— Quem são os animais? Homens lutando para sobreviver ou os que destruiriam uma comunidade de mulheres e crianças carentes? – Roy voltara a ser petulante.

— Como prefeito... – O prefeito agora ajeitava o terno -, eu e meus aliados temos que fazer o que é melhor para as pessoas dessa cidade.

— As que trabalham duro. – Completei por ele.

— Refere-se as ricas? – Oliver me encarava.

— Àquelas que contribuem. – Rebati. – Àquelas que estão cansadas daquela merda.

— Merda? Você tem que acordar. O povo está se erguendo. – A postura de Oliver continuava firme.

— E o povo... – Agora era a loira petulante quem falava. Ergueu a camisa que vestia e começou a puxar dali um microfone de lapela. – Se cansou de vocês. Dê uma olhada. – Apontou para a janela. Olhei imediatamente para a direção que ela apontou. Havia um homem com uma câmera de vídeo no prédio ao lado, assim como um drone voando próximo à janela. – Vejam no noticiário em mais ou menos 5 minutos.

Filhos da puta.

Oliver Queen

Saímos da prefeitura com a sensação de dever cumprido. Podia ver nos rostos de Roy e Felicity que eles tinham essa mesma sensação.

— Vou me encontrar com Thea. – Anunciou Roy. – Ela ainda está abalada pela experiência.

Roy deu um tapinha em meu ombro e um beijo no rosto da irmã. Ele não parecia particularmente surpreso em ver a irmã disparando armas daquela forma. Balancei a cabeça. Ainda estava puto com Felicity por isso. Seu plano, por outro lado, realmente tinha sido brilhante. Malcom Merlyn, Damien Johnson, Carter James e Reno seriam presos. Não demoraria muito para que os representantes da cidade se posicionassem sobre o ocorrido e eu não duvidava de que eles iriam propor a demolição do muro que separavam os Glades do resto da cidade. Estava feliz por isso. Tive ajuda e, mais rápido do que eu pensei, resolveria o problema dos Glades. Mas estava muito confuso em relação a Felicity.

— Hey, pode me emprestar seu celular de novo? – Meus pensamentos foram interrompidos por Felicity. Tirei o celular do bolso e o entreguei a ela. Observei enquanto ela voltava a cumprir o mesmo procedimento, informando os mesmos códigos. – Jolly Roger, 82741. – Pausa. – Foxtrot Mike Sierra, 364. – Alfabético fonético. FMS. Felicity Megan Smoak. Reconheci também os demais códigos, mas ainda buscava da memória de onde eles eram. – Boss, alguma novidade? – Mais uma pausa. Observei enquanto a expressão de Felicity me entregava que estava preocupada. Mas não demorou para sua expressão mudar. — Mas, chefe... – Parecia que ela tinha sido interrompida. – Sim. Eu informo a eles. – Mais uma pausa. Estava começando a ficar impaciente. – Até amanhã então, nos vemos no bunker. – Encerrou a chamada, mas voltou a discar e levar o aparelho a orelha. Após alguns segundos, ela voltou a falar – Diggle... – Diggle? O que ela tinha a ver com Diggle? – Parece que temos informações sobre ela. – Ela? Ela quem? – Amanhã, 10 a.m., no bunker. – Mais uma vez, encerrou a chamada. Dessa vez, me devolveu o celular.

— Vou ter que perguntar mesmo? – Guardei meu celular no bolso e cruzei os braços. Estávamos parados ao lado do meu carro. Havíamos recuperado meu brinquedo no beco e o usado para chegar a prefeitura. Não havia ninguém ali além de Felicity e eu. Fora por isso que ela ficara tão confortável em fazer aquelas ligações. Ela respirou fundo e suspirou.

— Me dá uma carona e eu te falo o que precisa saber. – Fácil assim? Eu a conhecia melhor que isso. Peguei as chaves em meu bolso e destranquei o carro. Abri a porta do passageiro e esperei que Felicity entrasse antes de fechar a porta. Me lembrei na mesma hora que costumava fazer isso quando namorávamos. Eu sempre abria as portas para ela. Fechei os olhos por alguns segundos antes de dar a volta e entrar do lado do motorista.

— Onde está ficando? – Questionei enquanto dava partida.

— Mesma casa de sempre. – Ela respondeu mecanicamente.

Dirigi em silêncio por alguns minutos. Podia ver pelo canto do olho que Felicity olhava para mim. Virei o rosto em sua direção, mas logo voltei a olhar para frente.

— Amanhã você também tem que ir ao bunker. – Finalmente ela começara a falar.

Bunker? – Questionei, esperando que isso a incentivasse a continuar. Se ela não falasse por vontade própria, eu começaria a pressionar.

— Me busque amanhã às 9 a.m. e vamos juntos até lá. – Olhei para ela quando ela fez uma pausa. A vi desviar o olhar e apertar os dedos sobre suas pernas. – Olha, eu ainda não estou autorizada a te contar muita coisa, mas eu tenho certeza de que vou poder responder sua pergunta depois de amanhã.

— Felicity... – Balancei a cabeça, voltando a olhar para frente. – Vai responder mesmo? As minhas perguntas? – Quando o assunto era desconfortável, Felicity sempre tivera o hábito de desviar. Eu só sabia das coisas, quando namorávamos, porque eu a conhecia bem e sabia como faze-la falar.

— Vou... – Suspirou audivelmente. – Não é como se você fosse aceitar ficar sem respostas. – Bom, ela também me conhecia bem. Se ela não me contasse, tinha meus métodos para saber o que eu queria.

— Ok. – Apertei os dedos no volante, tentando conter minha ansiedade. – Vou esperar que me conte. Mas se não contar, vou descobrir sozinho.

— Eu vou contar. – Insistiu. – Amanhã.

Voltei a dirigir em silêncio até chegar ao velho e conhecido endereço de Felicity. Bem à entrada dos Glades. Costumava ser uma rua bem tranquila, uma vizinhança agradável. Mas agora estava desconfortável em deixa-la ali. Assim que estacionei em frente a sua casa. Felicity olhou pela janela, em direção a porta de entrada.

— Merda. – Falou baixinho. Segui seu olhar até a porta e vi que a mesma estava aberta. Enquanto Felicity passava a mão sobre os cabelos, tirei a chave do contato e desci do carro. Dei a volta e abri a porta para ela. – Não precisa fazer isso.

— Força do hábito. – Respondi. – Vamos. Vamos verificar.

Acompanhei Felicity até a porta. Ela ainda estava com a Glock e eu com a arma que tirei do segurança na sala do prefeito. Nós dois entramos na casa, empunhando as armas. Era estranho ver Felicity com uma arma na mão. Não era algo fácil de se acostumar.

Avançamos devagar pela sala. A loira olhava em direção a sala e eu em direção a cozinha. Olhamos um para o outro e eu fiz sinal para que avançássemos para o corredor. Seguimos andando devagar, segurando as armas a frente. Verificamos o quarto de hóspedes, o banheiro e por fim seu quarto. Não havia ninguém ali.

— Levaram minha televisão, meu computador. – Ela reclamava. – Ainda bem que não deixei nada importante aqui.

— Tem certeza de que quer ficar aqui? – Questionei. Haviam entrado ali, roubado suas coisas. Ainda ia demorar até que tudo se normalizasse no bairro. E apesar de ter visto Felicity empunhar armas com segurança e atirar com precisão, me via preocupado com sua segurança.

— Vou ficar bem. – Ela disse, enquanto colocava sua arma sobre o criado-mudo ao lado de sua cama.

Não sei o que me levou a fazer isso, mas quando me dei conta já havia me aproximado de Felicity. Coloquei a arma que segurava junto a dela no criado-mudo. Estava parado bem a sua frente, bem próximo a ela. Meu olhar preso em seus olhos azuis que me olhavam de baixo.

— Oliver... – Ouvi-la dizer meu nome em tom baixo fez com que meu coração batesse forte em meu peito.

Fui eu quem decidi afastar Felicity. E para que fosse mais fácil para ela, não mantive contato. Queria afasta-la da guerra que eu lutava. Do sangue em minhas mãos. Queria que ela não estivesse presa a mim. Que ela tivesse uma chance de cuidar de si mesma, sem se preocupar comigo. Queria que ela fosse feliz. Fantasiei que ela iria terminar a faculdade e encontrar um bom emprego. Lutei contra o pensamento de que ela poderia encontrar uma pessoa que a fizesse feliz, mas sabia que essa era uma possibilidade. Todos esses anos que a mantive afastada não foram o suficiente para me fazer esquece-la. Durante minhas missões nas Forças Armadas, eu carregava uma foto da loira. Não se passava um só dia em que não pensasse nela, em que eu não me perguntava e imaginava onde ela estaria, como ela estaria, o que estaria fazendo. Quando voltei para casa, imaginei que ela não estava na cidade. Mas agora, ela estava ali. Estava diferente do que eu me lembrava, mas ao mesmo tempo parecia ser a mesma pessoa. Ouvir sua voz, vê-la.... Trouxera de volta um emaranhado de lembranças, de pensamentos e sentimentos.

Ergui uma das mãos e a levei ao rosto de Felicity. Deslizei o polegar gentilmente ao lado de um ferimento superficial. Olhava diretamente para o ferimento naquele momento, mas não demorei a voltar a olhar em seus lindos olhos. Podia ver um turbilhão de sentimentos naqueles lindos olhos azuis, mas não me permiti analisa-los. Me aproximei ainda mais, mantendo a mão em seu rosto enquanto levava a outra até sua cintura, onde apertei um pouco os dedos antes de puxá-la contra meu corpo.

Senti as mãos de Felicity espalmadas em meu peitoral. Se manteve em silêncio. A observei morder levemente o lábio inferior. Ela tinha o hábito de fazer isso em diversas situações diferentes, inclusive quando estava nervosa. Mas aquele simples gesto, não só me entregava como ela estava, como também tinha um efeito imediato em mim. Como sempre teve. Rompi o restante da distância entre nossas bocas. Não fui delicado. Minha boca cobriu a dela com rudez, a exigindo com urgência. Só por aquele momento, eu iria esquecer do porquê estava puto com a loira. Iria esquecer que ela se enfiara na vida que eu tive tanto esforço em mantê-la longe. Iria esquecer de todos os problemas, de toda a confusão. Iria me esquecer de tudo e apenas me concentrar em Felicity.

Por um momento, ela não teve reação. Mas logo deixou escapar um suspiro e correspondeu ao meu beijo. Suas mãos deslizaram por meu peitoral até alcançar as laterais de meu pescoço. As minhas, por sua vez, buscaram o caminho para suas costas, a pressionando contra meu corpo, para então descerem. Uma mão em sua cintura, outra um pouco mais abaixo, quase em seu quadril. Apertei os dedos ali antes de levantar Felicity, sustentando seu peso sem dificuldade e a colocar deitada sobre a cama. Não quebrei o beijo em momento algum. Precisava daquele beijo, mais do que havia admitido para mim mesmo durante os anos. Tinha fome daquela boca, daquele corpo. Ter Felicity ali, presa entre a cama e meu corpo, fez com que meu corpo reagisse ainda mais. Podia sentir cada pedacinho do corpo da loira contra o meu. Suas mãos desceram por meus ombros, quebrando o beijo quando o ar foi necessário. Enquanto ela tomava fôlego, levei meus lábios ao seu pescoço, pressionando-os contra sua pele, inspirando seu cheiro. Mesclei ali beijos, mordidas e sugadas leves. Subi em direção ao lóbulo de sua orelha, raspando os dentes ali de leve. Senti a loira estremecer e sorri. Ainda me lembrava com clareza de todos os seus pontos fracos.

Deslizei meus lábios por sua pele, deixando beijos marcarem meu caminho de volta a sua boca. Voltei a beija-la. Queria sentir o gosto tão familiar de seu beijo. Precisava sentir que mesmo que ela estivesse diferente, de alguma forma a minha Felicity ainda estava ali. Mas o momento se quebrou. A loira apoiou ambas as mãos em meus ombros e empurrou, tentando me afastar dela. Quebrou o beijo em seguida.

— Não. – Estava ofegante e falava baixo. Voltou a me empurrar e então tirou seu corpo de baixo do meu quando eu finalmente sustentei meu peso em meus braços e me afastei um pouco. Felicity saiu da cama, ficando em pé ao lado da mesma e passando as mãos em seus cabelos. Me sentei, olhando para ela. Não sabia por que ela estava me afastando e não sabia no que pensar. Ainda estava envolvido na sensação de ter Felicity em meus braços depois de todos esses anos. – Não posso fazer isso.

— Felicity... – A chamei, tentando chamar sua atenção ao mesmo tempo em que tentava firmar meus pensamentos.

— Não, Oliver. – Agora ela olhava para mim. Mais uma vez pude ver um turbilhão de sentimentos naqueles olhos azuis, mas não fui capaz de lê-los naquele momento – Não antes de a gente ter aquela conversa.

Ah, a conversa. Se antes já estava ansioso para aquilo, agora quase não conseguia conter a ansiedade.

Notas finais
Tadãaan! ♥ E aí, curtiram o capítulo de hoje? Gente, como eu ainda tenho alguns capítulos prontos, eu decidi ir postando aos poucos enquanto continuo a escrever. Não prometo postar todos os dias porque eu continuo trabalhando normal e tendo aulas da faculdade (online, ao vivo) mesmo com essa loucura que estamos vivendo, mas vou postando à medida do possível! Vou aproveitar o tempo que tiver livre para também continuar escrevendo as demais fics. Vocês querem ser notificados sobre as atualizações da fic de alguma forma? Se sim, por onde? Instagram, twitter... O que querem? That's all for now Luv ya squad ♥