Glacius- Habitantes do Desconhecido

1 CAPÍTULO UM - Quando o caos se instala


Notas iniciais
Bem vindos caros leitores, prontos para embarcar em um sonho meu? Ajeitem-se em seus lugares e vamos imergir nos desconhecido. Boa leitura.

— Quando você disse cidade pacata eu imaginei algo calmo, com algumas atrações e coisas do tipo, mas isso, fala sério, só pode ser brincadeira.— Revirei meus olhos ao escutar as palavas carregadas de tédio do ser que eu ousava chamar de amiga. Era exagero, tínhamos conseguido enfim chegar a um lugar civilizado depois de horas numa estrada deserta pedindo carona porque ela acreditava na porcaria do google maps.

Podia não ser a melhor cidade americana em que passaríamos nossos dias, mas fala sério, estávamos fora do nosso país, em um local diferente, com uma cultura nova, era maravilhoso para mim, podia não ser uma Londres ou uma New York, mas eu era o tipo de pessoa que conseguia ver o bom de tudo, como um sonho realizado, com pouco dinheiro e muito menos glamour, mas era tudo que eu imaginava.

— Ah que isso, olha, ao menos temos Starbucks.— Sorri balançando o copo em minhas mãos, ela abriu um sorriso de forma debochada e me olhou daquele jeito que só eu conseguia compreender.

— Você nem gosta dessa merda de chá gelado, disse que parece capim líquido.— Fiz uma cara de indignação e ergui minha cabeça dando um grande gole no líquido verde e espeço, sorri de forma sínica enquanto sentia aquilo descer por minha garganta, ela segurava um riso enquanto seu namorado observava tudo com uma expressão curiosa, como se estivesse vendo algo muito novo.

— Temos muita coisa para fazer aqui, ok?— Era uma meia verdade, eles queriam diversão, mas eu era diferente, queria poder vagar por entre as ruas de prédios antigos, me sentar em um pub daqueles que vemos em filmes e apreciar a vista, conversar com um morador mais antigo, ouvir histórias e voltar para o quarto minusculo da hospedaria antiquada que conseguímos nos hospedar.— Vejam ali na frente, um ponto turístico, “monstruosidade da engenharia elétrica”.

Era realmente algo monstruoso, as ruas daquele bairro pareciam todas ladeiras intermináveis que davam para um fim onde diversas torres de eletricidade minavam um campo, possivelmente, aquele era todo o fornecimento de energia da cidade, não era fascinante, mas não se via isso todo o dia.

— Sorte que isso não está sendo pago do meu bolso...— Grunhiu o garoto, com a face carrancuda olhando em volta.

— Foi mal se eu consegui passagens surpresa pra algum lugar do mundo e acabou dando nisso, achei apenas que meus melhores amigos fossem querer ir numa merda dessas, se fosse uma NY da vida acha que sorteariam as passagens?— soltei em auto e bom som, atraindo alguns olhares para nós, era estranho, falávamos em português quase sempre e nos olhavam como se fossemos de outro mundo.

. . .

O destino parece querer brincar com os menos afortunados quando está com tédio; os gritos ecoavam por todos os cantos da velha hospedaria, as paredes pareciam ainda mais finas naquele momento, o estrondo de alguns minutos atrás fora ensurdecedor, como se algo enorme tivesse entrado em contato com o chão, estávamos com medo de sair para checar o que havia acontecido, milhares de coisas passavam por nossas cabeças, é claro, ataque terrorista? Eu teria caído na risada se não fosse tão atormentador os gritos que ouvíamos vindos da janela.

Quando descemos nos deparamos com um completo caos, pessoas correndo para uma única direção, carros e polícia e uns dois dos típicos carros de bombeiro, todos desciam a enorme ladeira que era a rua, indo em direção a monstruosidade da engenharia elétrica.

Não passou por nossa cabeça naquele momento que era algo perigoso, éramos jovens sozinhos sem regras de pais para nos manter a salvo, corremos junto com as pessoas, com nossas mentes carregadas de curiosidade e ansiedade.

A cena que presenciamos foi como estar em um filme, o medo tomou conta de mim no mesmo instante, por entre as diversas torres de energia um avião jazia em pedaços, sendo consumido pelas chamas, pessoas imploravam, corriam e gritavam em volta da enorme cerca que dividia o campo da rua, alguns tentavam escalar a cerca enquanto os carros de polícia e de bombeiros seguiam para dar a volta, o fogo se intensificava cada vez mais, e eu não queria estar ali para presenciar a explosão que, com certeza, viria a acontecer.

— Meu deus, parece um pesadelo muito ruim...— Olhei de canto para minha amiga que pareceu compreender muito bem o que acabara de falar, aviões em queda ou caindo eram um dos meus pesadelos mais recorrentes e um dos que mais me causavam medo, e agora estava ali, materializado diante de mim.

Permanecemos observando tudo sem poder fazer nada, afinal, o que três jovens estrangeiros podiam fazer para ajudar a porra de uma queda de avião numa extensa área de rede elétrica? Eletricidade, apenas a pronuncia dessa palavra me fazia tremer, tudo se tornava mais perigoso quando essa força se envolvia.

Meus olhos corriam por todo o canto, observando e escutando o máximo de informações que eu conseguia, minhas mãos tremiam dentro dos bolsos do grosso casaco que eu vestia, aquilo parecia tão errado, tão perigoso… Certas vezes eu me amaldiçoava por pensar demais, jamais ser otimista como todo mundo costuma ser, uma grande explosão fez com que diversas pessoas se afastassem com medo, as torres mais perto do avião cederam sendo jogadas uma contra a outra como dominós gigantes e elétricos.

— As cercas, ai meu deus...— Sussurrei mais para mim do que para qualquer outra pessoa, minha amiga me olhou e gritou um do que você está falando?.— Eles precisam se afastar das cercas, olha, uma das torres vai cair muito perto e você acha que vai ser apenas um estrago pequeno?

As vezes eu a odiava por não pensar na mesma frequência que eu, mas ela levou apenas alguns segundos para compreender o que eu estava falando, nos aproximamos um pouco e com nosso sotaque nada americano começamos a gritar para todos que se afastassem das cercas, em vão é claro, quem nos escutaria?

— Precisamos nos afastar agora, se essa gente não quer nos ouvir ao menos precisamos sair daqui o mais rápido possível, não tô muito a fim de ficar aqui pra ver a merda que isso vai dar.— O namorado dela não abria a boca para falar boas coisas, mas esse era um momento raro em que eu daria ouvidos pra ele sem contestar nem um segundo.

Começamos a correr meio desesperados passando por entre as pessoas que pareciam ter se acumulado ainda mais, eu agradecia mentalmente por ter escolhido coturnos ao em vez delicadas sapatilhas, a hospedaria ficava apenas algumas quadras, mas parecia que as ruas haviam misteriosamente sido tomadas por carros e pessoas correndo, não era uma cidade minúscula, mas de onde teriam vindo tantos? Foi então que eu tive a grandiosa ideia de nos metermos dentro do prédio mais próximo que víssemos aberto, não havia muito como falarmos naquele momento as explosões pareciam ter aumentado e os gritos cessaram por alguns segundos onde apenas o barulho atormentador de eletricidade correndo podia ser ouvido.

Era tarde, a noite logo cairia e nós estávamos em meio a um caos que eu não tinha planejado para essa viajem, meu coração batia descompassado enquanto eu tinha que ouvir meus amigos brigando por terem aceitado meu convite.

Notas finais
Pelas minhas contas teremos seis capítulos ou oito, está terminada, postarei sempre que possível, e quero que isso seja de dois em dois dias ♥ Espero que gostem de tudo, e obrigada por vir. Beijinhos gélidos em seus corações quentes!