Glacius- Habitantes do Desconhecido

5 CAPÍTULO CINCO – O caos que une


Notas iniciais
Penúltimo capítulo infelizmente 3 foi um sonho que se entendeu muito e eu fiquei impressionada com o que consegui desenvolver dele, realmente eu fiquei. Preciso agradecer mais uma vez a Sami pela linda recomendação e dedicar esse capítulo á ela ♥ Boa leitura!

Os segundos pareciam intermináveis, foram tantos pensamentos me acertando de uma única vez que pude sentir tudo parar repentinamente, meus pés me levaram para trás, o medo pareceu evaporar de meu ser enquanto eu era acarretada por uma onda intensa de uma coragem desconhecida, e eu simplesmente corri em direção ao prédio ao lado, foi tudo tão rápido, eu estava ao lado de Josh e depois meu corpo estava rolando pelo chão de cimento arenoso, a dor me acometeu com uma intensidade agoniante e eu rolei alguns centímetros sentindo meus braços arderem.

E aqueles míseros segundos lentos voltaram a rolar de forma normal e lá estava eu estirada sob o chão encarando o céu, meu peito elevando-se com força, o ar que entrava em meus pulmões queimava, eu realmente havia pulado, demorei a recobrar a atenção e quando o fiz apenas mirei um Joshua pasmo do outro lado, os barulhos da porta sendo forçada agora eram ensurdecedores, eu o encarava com os olhos tão arregalados quanto ele, minhas mãos trêmulas gesticulavam para que viesse de uma vez, era um pulo um pouco longo e uma queda dolorosa, mas, ainda assim, era melhor do que encarar o que poderia acontecer vindo daquela coisa.

Ele andou algumas vezes para trás e num impulso pulou, prendi a respiração no momento, e ele tocou o chão de uma forma muito menos vergonhosa que a minha, quando ergueu-se a primeira coisa que fez foi vir até mim e tomar meu rosto em suas mãos.

— Você está bem? É uma maluca, você pulou...— Seus lábios se curvaram em um sorriso enquanto eu balançava a cabeça diversas vezes.

— Eu tô morrendo de medo, jamais vou fazer isso de novo, realmente pulei!— Ele continuou sorrindo enquanto eu falava de forma atrapalhada devido ao medo que começava a fluir por todas as partes de meu corpo, eu era uma pessoa que morria de medo de aturas, por mais que não fossem tantos andares sentir o corpo no ar por milésimos foi terrivelmente assustador.

Meu rosto continuava envolvido pelo toque quente das mãos dele e aqueles olhos negros não me deixavam desviar um segundo sequer, senti minhas bochechas corarem com aquilo, eu estava começando a ficar sem graça, Joshua ainda tinha o sorriso bobo nos lábios os quais era a única coisa que disputavam atenção com seus olhos. Instintivamente mordi o lábio inferior e senti meu corpo ir de encontro ao dele como uma atração.

Era uma cena digna de um bom filme de ação coma aquela típica pitada de um pouco mais, as batidas ao longe, o céu acima de nós, as nuvens dançando em um rodopio infinito, os lábios dele nos meus, e tanta coisa passando pela minha cabeça que eu apenas desliguei para poder sentir por completo, eram macios e quentes, e as mãos ainda envolviam meu rosto, a barba dele estava por fazer e roçava minha face causando uma sensação diferente. Eu estava beijando alguém desconhecido depois de pular de prédio, estávamos sendo perseguidos por algo muito estranho, mas era um beijo realmente bom. Os segundos se perderam e tudo a volta falhou…

— Beijo de fim de mundo!— A voz rouca dele sussurrou quando nossos lábios se separaram, ao abrir meus olhos dei de cara com os dele sorrindo de volta.

— Beijo de fim do mundo...— repeti, sorrindo abertamente logo em seguida.— Mas se a gente não correr, vai ter sido a última coisa que teremos feito.— Eu não queria cortar o clima que se estabeleceu, mas deveríamos prezar por algo muito mais importante; nossas vidas.

— Vai ter sido uma boa última coisa.— Ele piscou para mim pegando em minha mão e me puxando em direção a uma porta que havia a frente.

…

— Pela janela não parecia tão assustador aqui embaixo.— constatou Joshua, ofegante por nossa corrida recente, estávamos bem afastados do prédio onde tudo teve seu início, eu já não conseguia distinguir onde minhas dores começavam e onde terminavam, mas apenas por poder pisar em solo firme eu podia me sentir um pouco mais segura.

Não havíamos tido tempo de observar tudo com calma, mas o que nossos olhos puderam pegar de relance enquanto nossos pés nos levavam o mais longe possível era um cenário de completo caos, era quase como se realmente fosse o fim do mundo, como aquele pesadelo que te atormenta, fazendo seu coração pular no peito até doer, mas você olha pela janela e o mundo continua o mesmo, calmo da sua maneira. Só que agora o mundo estava calmo de uma forma que era não natural.

Eram tantas informações para assimilar em tão pouco tempo que eu temia parar e realmente me dar conta de que eram mais do que alguns destroços e carros por todos os lados, eu sabia que corpos estavam por entre os destroços, e por isso estávamos correndo, não queríamos nos tornar apenas mais duas pessoas jogadas lá, fazendo parte do fim.

— Precisamos descansar, Josh, se eu correr mais um pouco, sinto que minhas pernas não vão aguentar.— Eu estava ofegante e sentia as panturrilhas queimarem, assim como meus pulmões que recebiam o ar com uma dificuldade enorme. Parei apoiando minhas mãos nos joelhos e sentindo a cabeça girar, eu nunca fui muito esportiva. Joshua parou e veio até mim, abaixando para poder encarar meu rosto suado.

— Tudo bem, vamos encontrar um lugar, aquela maldita coisa vai levar um tempo para nos achar, já estamos bem afastados.— Ainda sim precisávamos andar um pouco mais para que encontrássemos um lugar onde poderíamos relaxar por milagrosos minutos sem ter que encarar o caos.

Quando enfim pudemos sentar e respirar fundo, sentindo o ar naquela noite que se tornava mais fria a cada minuto entrar em nossos pulmões eu me dei conta; não era uma coisa pouca, estávamos correndo um perigo enorme, podia fascinar com a beleza desconhecida, mas aquilo havia destruído meia cidade, pessoas estavam mortas jogadas pelos cantos como se não importassem para o que quer que fosse aquilo.

— Joshua.— chamei baixo depois que alguns minutos se passaram, o silêncio não era algo acolhedor, ele assustava, pois sabíamos que não estávamos sozinhos. Ele me encarou com os grandes olhos negros, neles eu podia ver tudo que o eu sentia, medo, ansiedade, mas havia uma coisa diferente, ele parecia ter raiva.— Obrigada, sabe, por me fazer companhia no quer que estejamos, eu não sei se teria acolhido uma jovem toda ferrada que invadiu minha sala…

O vi sorrir de eleve enquanto depositava a arma ao lado de onde estava sentado, o lugar em que conseguimos abrigo era como uma pequena banca de revistas misturada a uma mercearia, pequena e modesta, estávamos sentados em alguns caixotes atrás do balcão, nem mesmo os diversos doces que tinham lá me fizeram ficar mais calma, mesmo que açúcar sempre sirva para espantar qualquer coisa má, era uma situação diferente demais para ser amenizada.

— Ah, Sofia, eu que preciso fazer isso, agradecer por entrar na minha sala, por ter escolhido logo aquele prédio, quem sabe se não fosse você invadindo daquela forma aquela coisa já tivesse feito o que fez com essas pessoas ai fora.— Ele me olhava com uma intensidade que fez com que minhas bochechas corassem, era idiota e ao mesmo tempo imaturo, mas eu me sentia segura ali come ele, não nos conhecíamos, mas estávamos passando por aquilos juntos.

Eu podia jurar que já ouvira de alguém que momentos de completo medo e adrenalina podem fazer com que duas pessoas se conectem de uma maneira que não pode ser explicada, podia ser o que estava acontecendo, pelo visto éramos as duas almas vivas daquela cidade até o momento, e por mais que fossemos diferentes e desconhecidos aquilo havia nos unido.

Fomos tiramos de nosso momento de paz quando o som de vidro se quebrando ecoou pela rua da mercearia. Instintivamente nos abaixamos e Josh tomou a arma em mãos, checando pela milésima vez naquela noite se as balas estavam realmente lá, ele me lançou um olhar apreensivo antes de erguer o corpo um pouco para poder ter um vislumbre da rua, tratei de ser útil daquela vez e engatinhei até um canto onde havia um taco de beisebol escorado, não era como uma arma, mas definitivamente era melhor que andar por ai acreditando que uma arma de fogo poderia ser o mais inteligente a se usar, haviam mais coisas daquelas, e nós sabíamos, atirar seria uma idiotice sem tamanho. Precisava ser o nosso último recurso.

— Desgraçado, está atrás de nós, com toda certeza. Eu acho que tenho um plano, mas é certo que não vai gostar muito dele...— sussurrou voltando a se esconder atrás do balcão, quando viu que eu empunhava o taco com uma determinação vergonhosa ele sorriu e balançou a cabeça positivamente.

— Só não me diga que seu plano inclui algo com sair por aquela porta e encarrar aquela coisa mais uma vez nos olhos, você não tem noção do eu senti lá no prédio, era como se pudesse estar em minha mente.— Ele fez uma carreta mordendo os lábios, arregalei os olhos e bufei, ele estava completamente maluco se achava que eu sairia de lá para topar com aquilo mais uma vez, poderia nem ser o mesmo, disso eu sabia, era muito mais do um simples, não sei como chamar aquilo, mas não estava só.

— Na verdade é quase isso.— Ele chegou ainda mais perto e pôs uma das mãos em meu rosto me fazendo ficar presa ao seu olhar.— Preciso que saia pela porta dos fundos enquanto eu distraio esse maldito, nos encontramos na rua sete, fica um pouco longe daqui, mas tem muitos lugares que pode se esconder, e se achar alguma daquelas coisas só precisar gritar, bater, correr, mas não podemos correr o risco de sermos achados por esse…

— Você está enlouquecendo? Não podemos correr o risco de nos separarmos, você tem a sua arma, ótimo, mesmo que eu não concorde que vá ajudar, ainda sim está mais equipado que eu.— Balancei o taco enquanto ele ainda tinha sua mão em minha face.

— Sofia, esse não é como aquele que vimos lá atrás, ok?— Ele disse de forma urgente olhando para trás quando mais alguns barulhos de coisas sendo jogadas ao chão foram ouvidos.— Ele tem algo que parece uma arma, não parece estar apenas procurando. Rua sete, é a que tem a fonte, é ampla, pode ter uma boa visão de tudo por lá, eu acho você.

Sem me dar tempo para fazer objeções ele aproximou o rosto e buscou meus lábios com urgência, foi uma beijo rápido, mas, mesmo assim, fez com que eu me sentisse diferente, foi como ser invadida por tudo ao mesmo tempo, ansiedade e medo dançavam juntos ao som das batidas ritmadas do meu coração.

Joshua se ergueu por completo e me olhou uma última vez piscando para mim, respirei fundo e vasculhei o lugar pouco iluminado em busca da minha saída, engatinhei o quanto podia antes de abrir a porta que por um enorme milagre se encontrava aberta, quando sai dei de cara com um enorme beco onde eu tinha duas opções a escolher, quando consegui decidir o lado que rezava para ser o mais seguro pude ouvir a voz de Josh ao longe gritando algumas palavras desconexas, era minha deixa.

Notas finais
Não quero acabar com tudo, mas espero que entendam minha gente, nosso próximo capítulo será o último, mas eu amei essa jornada com vocês ♥ Beijinhos gélidos em seus corações ♥