Give me love- Fabine
9 Plínio Campana
Notas iniciais
Narrador(a)
Malu logo deu um jeito de sair do jantar e dar uma passadinha no Canta Aí, onde a festa do Bento estava acontecendo. Giane quando viu a moça logo fechou a cara, até avisou ao amigo que tinha alguém querendo vê-lo, mas isso não significava que estava gostando da situação.
De longe observava os dois conversando animados, sorriam, riam, se tocavam, para Giane não tinha necessidade de tanto, o que lhe restava, revirar os olhos com a situação.
— O que foi filha? – Silvério notou que a filha estava incomodada com algo.
— Nada não pai, nada não – Giane resolveu tomar um pouco de ar, para não explodir de ciúmes ali mesmo.
— Algum problema Giane? – Charlene se aproximou da jovem.
— Caramba, mas o que é que esse povo tem que sempre pensa que há algum problema comigo?! – Giane levantava as mãos para o céu, como se pedisse uma resposta divina.
— Calma Giane, eu só queria ajudar, eu notei que você ficou desconfortável de repente, principalmente após a chegada dessa moça, a Malu.
— Eu não fiquei desconfortável com nada – Tentou desconversar.
— Olha, eu sei muito bem que você tem um pé atrás comigo, por causa da minha amizade com o Bento, mas eu quero que você saiba que somos apenas amigos, eu até gostaria de me apaixonar por ele, tudo seria tão mais fácil, mas não tem jeito, é só amizade mesmo.
— Mas vocês vivem de conversinha que eu bem sei – a jovem soltou as palavras tão fáceis que nem percebera.
— Mas é só amizade Giane, pode confiar, agora – aproximou-se da jovem – Eu já notei que você sente algo especial pelo Bento.
— Eu não sinto nada, viajou?! Bento é meu amigo e só.
— Tudo bem, se você prefere assim, mas se você quiser, pode falar comigo, sou boa ouvinte e quem sabe a gente não possa nos tornar amigas também — Charlene despediu-se de Giane voltando para a festa.
A festa terminou e a pessoa que tanto Bento aguardava acabou não indo à festa, o florista então passou a noite toda conversando com Malu, quando a moça foi embora o dia já havia amanhecido e Giane pode ver que haviam passado a noite toda juntos, o que a deixou de mau-humor.
Fabinho
Eu não vou esperar pela Malu para conseguir falar com o meu pai, logo vi que ela é bem difícil e o que eu preciso agora é que as coisas aconteçam o mais rápido possível, o dinheiro que eu tenho já está quase acabando, vai demorar um pouco para receber lá da Class Mídia e com certeza não é muito. O que eu posso fazer agora é agilizar as coisas, eu vou pessoalmente, sem intermédio, resolver a minha vida.
Por sorte consegui com uma das filhas da Bárbara, os filmes que meu pai dirigiu, tantos filmes chatos, pelo menos eu saberei o que falar com ele, não vou cometer o mesmo erro que cometi com a Malu. Só espero que meu papaizinho seja melhor que a minha irmãzinha, garota difícil.
— Plínio Campana?! Fábio Queiroz – O abordei na entrada de casa – Gostaria muito de falar com o senhor, me desculpe lhe abordar assim, mas é que eu sou um grande admirador da sua obra, licença, Fábio Queiroz – apresentei-me novamente.
— Como vai Fábio? – Ele apertou minha mão me cumprimentando.
— Bem – sorri – Eu sei que o senhor, deve ser uma pessoa bastante ocupada, mas será que a gente pode conversar um pouquinho? Se não der agora tudo bem, eu...
— Eu tenho uma reunião agora no MIS, no Museu da Imagem e do Som, mas a gente pode tomar um cafezinho.
— Sei nem como agradecer – Finalmente conseguiria falar com o Plínio.
...
— Quer dizer que você gosta dos meus filmes?! – Citei um filme que ele produziu e o assunto parecia fluir, mas logo notei que ele é casca dura também igual a Malu, é, pode não ser tão fácil me aproximar dele.
— Outro filme seu que adoro também é aquele que você faz uma crítica sobre as celebridades, eu acho incrível você ter feito isso depois de ter sido casado com a Bárbara Ellen, aliás, na casa de quem eu fui jantar ontem.
— Então você conhece a Bárbara?!
— Eu trabalho na Class Mídia, acabei ficando muito amigo do Natan, do Maurício, a Amora, me apresentou a eles
— E você também conhece a Amora?
— A Amora, A Amora é minha amiga de infância, a gente se conheceu lá no Lar do Tio Gilson, enquanto a Amora chegou lá com uns nove anos eu cheguei com uns cinco dias de vida, a mulher que me deixou lá, é a minha mãe.
— A tua história é praticamente uma telenovela
— Preferia que fosse um filme de Plínio Campana, mas com um final feliz – sorri — Eu fui adotado por uma família rica de Ribeirão Bonito, mas logo viemos morar novamente aqui em São Paulo e a Amora foi adotada pela Bárbara.
— Finais felizes são muitos discutíveis sabe?!
— Você diz isso por mim ou por causa da Amora? Eu te pergunto porque muita gente diz que a Amora é uma marionete da Bárbara, mas desde criança, ela sabe muito bem o que quer.
— E você?! Também sabe o que quer?!
— Quero ser seu amigo, aprender mais com você, conversar mais com você, não só porque você é o grande Plínio Campana, mas é porque eu tenho a impressão de que te conheço de uma vida inteira.
— Eu tenho que ir – Ele falava olhando o relógio.
— Será que eu posso ir com você? Sempre tive vontade de conhecer o Museu da Imagem e do Som – Eu precisava de mais tempo, eu precisava me aproximar dele.
Giane
Quando cheguei a casa do Tio Gilson notei que o clima estava pesado, Bento reclamava de alguém, logo descobri que era do Wilson, o dono do Kim Park, esses dois nunca se deram bem, o interessante é que de todas as pessoas que conhecemos, esse Wilson é o único que consegue tirar o Bento do sério.
— Ih Bento, você vai continuar com essa cara amarrada? – Perguntei quando chegávamos a Acássia Amarela.
— É esse cara, ele sempre consegue me deixar assim, nunca fui com a cara dele e acho que nunca irei – Bento permanecia irritado.
— Eu sei que você ficou bem chateado com ele por causa do que ele fez quando você completou seus dez anos, mas é só esse o motivo dessa raiva toda? – O perguntei.
— Nem eu sei, toda vez que a gente se esbarra, só dá confusão, sempre foi assim, mas eu não quero falar sobre isso, tudo bem?!
— Claro, não está mais aqui quem perguntou.
— Eu acho que você deveria era procurar uma outra pessoa para ser fã – Ouvi a voz de Jonas, ele parecia irritado.
— Mas ela me ajuda mesmo, ela não mentiu – Socorro tentava convencê-lo de algo.
— Mas o que é que está acontecendo aqui? – Bento se aproximou tentando conter a discussão.
— A Amora que falou naquele programa da Sueli Pedrosa que vem sempre aqui visitar a gente, que ajuda sempre que pode, desde quando aquela patricinha veio aqui.
— É, pelo visto a dondoca já deixou a máscara cair – falei.
— Deve ter sido um mal-entendido gente, a Amora não falaria isso da gente.
— Como não Bento acorda, aquela ali nunca pisou aqui e agora vem dar uma de boazinha na frente das câmeras?!
— Eu concordo com a Giane Bento, a Amora tá passando a ideia errada sobre a gente.
— Vocês não entendem a Amora, se vocês conhecessem ela, veriam a pessoa maravilhosa que ela é.
— Você já passou da hora de acordar também Socorro, ela nem gosta de você e você fica aí se arrastando atrás dela.
— Eu nunca vou abandonar a Amora, nunca – Socorro saiu fazendo drama.
— Eu vou falar com a Amora, ela vai esclarecer isso – Como sempre, o Bento defendendo essa patricinha, quando será que ele vai acordar e perceber que a Amora não está nem aí para ele.
Fabinho
Tentei a todo momento puxar assunto com o Plínio, mas ele parecia fechado, quase não respondia minhas perguntas e logo se incomodou com algumas sobre a Bárbara e principalmente sobre a Irene, minha mãe.
— Por que razão você citou a Irene Fiori?
— Eu li que você foi noivo dela, antes de casar com a Bárbara, minha mãe adotiva era muito fã da Irene Fiori, até foi a uma peça dela lá em São José do Rio Preto, fico me perguntando por que que uma atriz tão bonita, tão talentosa desistiu da carreira, desapareceu daquele jeito.
— De fato a Irene era uma ótima atriz, uma excelente pessoa e foi uma pena ela ter deixado a carreira, agora eu preciso ir.
— Plínio, mas passou tão rápido, eu queria conversar mais com você, será que a gente pode marcar um outro encontro?
— O quê? Tem alguma coisa que você queira me dizer?
— Muitas na verdade, eu...
— Me manda um e-mail – Me interrompeu e entregou o seu cartão
— Você não sabe o prazer que foi para mim, obrigado.
Plínio, Plínio, quando você souber que eu sou o seu filho, você com certeza vai me tratar melhor.
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