Give me love.
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Una acordou com a cabeça dolorida. Sentou-se na cama e percebeu que não estava em sua casa, olhou para si mesma e viu que vestia uma camisa azul masculina, abotoada totalmente errada e as meias de ontem, meio assustada ela procurou ao redor o possível dono do quarto, suas asas ficando pesadas e tensas atrás dela, a garota havia ate esquecido de sua existência e precisava estica-las.
—Bom dia, dorminhoca. – Arth apareceu de uma porta apenas com uma toalha amarrada em sua cintura e os cabelos molhados.
O coração de Una falhou uma batida. O que ela havia feito deuses? Ela tentou lembrar-se da noite passada e vários flashes confusos invadiram sua cabeça. Ela havia beijado um cara, mas não era Arth, isso ela tinha certeza. Seus olhos pousaram novamente no garoto, que agora balançava as mãos como se tentasse alcançar a garota, que claramente estava com o pensamento longe.
-A gente... ? – ela não conseguiu terminar a frase.
—Nãao! Embora uma pena. – ele deu um sorriso malicioso para ela, que retribuiu com um olhar fuzilante.
—O que aconteceu então?
—Caralho, você não lembra mesmo? – ele riu e se sentou ao seu lado na cama.
A garota deu uma boa olhada em seu corpo que estava praticamente inteiro a mostra, ele era um garoto muito bonito. Não era atoa que todas as garotas queriam sair com ele, segundo Thom. Seria ate divertido, pensou, mas logo afastou o pensamento absurdo de sua cabeça.
—Eu me lembro de algumas coisas, sim. – ela encarou as próprias pernas.
—Bom, nada demais aconteceu. Depois das pílulas a gente voltou a dançar, viramos mais alguns copos, Kurt tentou te beijar mais algumas vezes, mas logo você pareceu cansar dele, o que foi ótimo. – nessa parte sua voz soou uma mistura de alivio com um riso leve. – pulamos na piscina, você e Flora começaram a reclamar de frio e eu dei minha camisa pra você, a mesma que você tá vestindo agora. Suas roupas tão na maquina de lavar agora.
—Ufa. Achei que tínhamos feito algo.
—Como já disse, infelizmente não. – ele sorriu, e a garota revirou os olhos, dando um leve empurrão nele, o que o fez sorrir ainda mais. – Olha só, evoluímos para um empurrãozinho amigável? É isso mesmo? Progresso isso. – ele disse rindo e a empurrando de volta.
—Nossa, cala a boca. – mas ela não conseguiu não rir do garoto.
Ele levantou e pegou roupas limpas no armário, voltando para a portinha, que depois descobriu ser o banheiro, para se trocar.
—Por que eu não fui embora com a Flora?
—Porque ela foi dormir no Thom. Você acredita que esses dois estão saindo?
—Tem que ser muito idiota pra só ter percebido isso ontem. – ela riu.
—Eeei. – ele colocou a cabeça para fora do banheiro, tentando olhar feio para ela, que riu mais ainda.
Ela se levantou e procurou seus tênis, encontrando-os embaixo da cama, sentou-se no chão e os vestiu. Aproveitou que o garoto estava no banheiro e permitiu que suas asas se esticassem, elas bateram levemente no teto. Claro que o garoto não poderia enxergar suas asas a não ser que ela permitisse que ele fizesse isso, mas ela não iria arriscar, só por garantia.
—Aliás, você tá com fome, Una? –ele disse, voltando para o quarto.
A garota paralisou ao ouvir seu nome. Tensa. Como ele sabia? Será que ela havia contado coisas para eles? Droga. E para piorar ela nem lembrava seu nome falso para tentar desconversar.
—Como você sabe meu nome? – sua voz saiu ríspida.
—Antes de você dormir, você deitou na minha cama, me abraçou e fez “Shhi, eu tenho um segredo” – ele fez o gesto de silencio com os dedos, imitando-a – e te perguntei o que era e você disse que seu nome era Una e. capotou antes de continuar.
Sentiu um alivio passar por todo seu corpo. Ok. Não houve muitos danos.
—Eu tenho vergonha do meu nome. –mentiu. –Ele é estranho.
—Ele não é comum, mas é um nome muito bonito. Único.
Revirou os olhos e ele riu. Seu sorriso era bonito.
—Você deve estar com fome. Quer ir ate a cafeteria do parque comer algo? – sugeriu.
—Pode ser. – ela concordou e se levantou.
De repente ela se lembrou do arco! Onde estava seu arco? Automaticamente suas mãos foram ate suas costas, buscando a bolsa entre suas asas e não encontrando nada.
—Er, Arth, por acaso você sabe aonde eu deixei minha bolsa? – tentou soar calma, mas por dentro estava puro desespero.
—Aquela esquisita e meio comprida?
—Essa mesma.
—Tá no carro, você pediu pra guardar ela ontem no meio da festa.
Alivio.
—Obrigada. Mesmo. – ele não entendeu o agradecimento da garota, mas se ela perdesse aquela bolsa as coisas podiam dar muito errado.
***
Chegaram ao café em frente ao parque da cidade, o mesmo aonde ela já havia visto o grupo. Sentaram em uma mesa na varanda e o sol da 13h brilhava intensamente sobre eles. Ela estava faminta.
—Eu vou pegar um café grande extra e um sanduiche de queijo. Já sabe o que quer? – ele a encarou.
—Um frapuccino de caramelo e um sanduiche de queijo também. – depois meio pensativa acrescentou – Acho que vou querer uns bolinhos de mirtilo depois.
Ele riu e concordou com a cabeça, depois se levantou e foi fazer o pedido.
Ela o encarou por um tempo, ele de costas, apoiado sobre o balcão. Seu celular tocou, ela não o checava desde ontem no começo da festa. Havia muitas mensagens na conversa de seus irmãos, ela passou os olhos rapidamente por elas, vendo que não havia nada de importante, havia também algumas de seu pai, vários mapas indicando as pessoas que ela deveria encontrar hoje e os caminhos que elas iriam fazer, Una bufou, era chato voltar para sua realidade. A última mensagem era de Flora.
“Ontem foi ótimo! Pena que tive que acordar super cedo para o trabalho. Quer me encontrar no shopping depois? Preciso de um pouco de conversa de garota kkk”
Una rapidamente digitou a resposta “Claro, nos vemos lá pelas 19h?”.
Quando Arth voltou, seu celular vibrou novamente. “19:30h, minha pausa para o lanche”.
—Flora? – ele adivinhou. A garota concordou com a cabeça. – Thom me chamou para sair hoje. Diz que precisa de conversa de garoto.
—Olha, ela veio com o mesmo papo.
Logo uma moça veio ate nós com o nosso pedido, colocando os pratos sobre a mesa e saiu sorrindo para Arth. Se estivesse com as flechas a postos, ela poderia resolver o problema “Arth” rapidinho, pensou.
Eles comeram em silencio, ate por que a fome era maior que qualquer vontade de conversar.
—Quer que eu peça os bolinhos? – ele perguntou.
—Não, eu pego pra viagem. Preciso ir. Mas obrigada por tudo. – ela agradeceu e se levantou jogando a bolsa entre suas asas.
Ele se levantou e eles ficaram em um estranho momento aonde não sabiam se davam as mãos ou um abraço de despedida, que gerou um aceno de Una ligeiramente sem graça e Arth com as bochechas coradas. Ela foi ate o caixa, acertou e pegou os bolinhos e uma agua com gás.
Atravessou a rua correndo e sumiu pelo parque, dando uma ultima olhada para trás, vendo o garoto agora sorrindo maroto e conversando com a garçonete que antes havia sorrido para ele. Ate pensou em parar e resolver logo isso com uma flechada, mas seu celular vibrava com mais mapas, ela teria que resolver o problema “Arth” depois.
***
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