Give me love.
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Una desceu do taxi já meio arrependida, caminhou na direção de uma casa com um grande jardim na frente, que deveria ser muito bonito mas que agora se encontrava cheio de latas de cerveja pela grama. A porta estava escancarada e de lá saia uma música alta e alguns gritos. Respirou fundo e adentrou o bagunçado jardim, sentou-se em um banco de pedra e pegou seu celular. Seus irmãos estavam euforicos com a ideia de ela sair para uma festa, e sinceramente ela gostaria que eles estivessem lá com ela.
Procurou o contato de Flora e digitou “Oi, já estou aqui.” Pensou por uns segundos se deveria enviar a mensagem, ou só sair andando daquele lugar e ir embora, mas clicou no “enter”e a mensagem foi enviada.
Suspirou e olhou ao redor, vários adolescentes chegavam, fazendo muito barulho como se uma festa fosse a melhor coisa do mundo e despertasse o “modo animal em liberdade” deles. Una revirou os olhos.
Seu celular vibrou e ela rapidamente o desbloqueou para ler a nova mensagem, que era de Flora, a tela do seu celular brilhava, um pontinho de luz naquele grande jardim escuro.
“Acabamos de chegar! Aonde voce está?” Una olhou ao redor procurando por ela, encontrando-a com os dois garotos, saindo de um carro.
“Estou sentada em um jardim, na frente da casa.”, enviou a nova mensagem ainda os observando ao longe.
Flora olhou para seu celular e logo começou a procurar a garota com os olhos, enquanto o garoto ruivo guardava as chaves e o moreno parecia ansioso olhando ao seu redor, Flora deu uma cotovelada nele e disse alguma coisa, depois voltou seu olhar encontrando Una e acenou para ela, vindo em sua direção, com os meninos logo atrás.
—Oi!! – disse a garota com uma animação que Una não conseguia ter.
—Olá. – ela respondeu tentando dar um sorriso simpatico, queria demonstrar menos da frieza que ela estava tão acostumada.
—Desculpe nossa demora, esses dois bestas ficaram enrolando por um jogo de video game. – ela revirou os olhos para os garotos, o que deixou o ruivo corado e fez Una rir.
Eles formariam um casal fofo, Una havia acertado certinho.
—Aah! Me esqueci totalmente. – a garota se virou novamente para Una – Esses são Thomas – ela apontou para o ruivo – e Arthur.
—Mas pode me chamar de Thom, por favor, Thomas é formal demais. – ele sorriu sendo simpatico e Una assentiu com a cabeça.
Arthur apenas sorriu para ela, ele sabia que já havia se apresentado para a garota. Ou pelo menos Una achava que ele se lembrava, e esperava que ele se lembrasse muito bem que ela não fazia questão de falar com ele. Então encarou o garoto de volta, mas sem sorrir, mas com um olhar ameaçador que o fez desviar o olhar dela e sumir seu sorriso. Pelo menos por hora.
—Voces querem entrar? – perguntou Flora, meio que já indo na direção da porta.
—Claro..! – Una respondeu, tentando forçar uma animação que não existia.
“Aonde raios eu me meti??” pensou.
Eles entraram pela porta da frente, que dava para uma sala grande, cheia de fumaça e luzes coloridas, vários adolescentes com copos e garrafas na mão, riam e falavam alto para tentar se ouvir em meio ao barulho que o som do Dj fazia. Da sala saia um corredor, que a ultima porta estava aberta e dava para os fundos da casa, aonde se podia ver outro jardim com uma piscina, algumas pessoas já estavam lá também.
—Eeeei Arth! – uma garota muito bonita se aproximou deles e levou seus braços direto para o pescoço do garoto. – Já estava pensando que voce não viria... – ela fez um biquinho como se estivesse triste e depois deu um sorriso malicioso para ele.
—Aqui estou eu, Bia, não precisa mais ficar triste. – ele sorriu para a garota e passou a mão em volta da sua cintura.
Una sorriu por dentro ao ver a oportunidade obvia de flechar aquele garoto.
—Vamos pegar uma bebida? – Bia já saiu puxando-o pelo braço sem esperar sua resposta, mas ele a seguiu sem problemas.
Flora olhou para os dois saindo e revirou os olhos, o que fez com que Una e Thom rissem.
—Bem, não sei voces, mas eu também quero uma bebida. – Thom falou, indicando uma porta que provavelmente levava até elas.
—Ai, por favor. – Flora já se adiantou e saiu em direção ao corredor.
Una seguiu os dois, que entraram pela porta que Thom havia indicado, e encontraram uma cozinha toda bagunçada, com vários copos em cima da pia e da bancada, duas geladeiras e alguns coolers pelo chão, em cima de uma mesa havia algumas vodkas e sucos.
Arth estava lá, com uma cerveja na mão e a garota sentada em cima da bancada segurando um copo, ria de alguma coisa que ele falava e passava a mão em seu braço. Aquela necessidade de tocar as pessoas que Una não conseguia entender. Assim que ele viu seus amigos se afastou um pouco da menina e seus olhos encontraram Una, que estava servindo vodka para ela e para Flora.
—Obrigada! – agradeceu a menina, pegando seu copo.
Una tentou sorrir para ela e deu um gole no próprio copo.
—Então, Gabriela, o que voce faz aqui na cidade? Flora disse que acabou de se mudar. – Arth havia se aproximado delas e a olhava firme, se apoiou na mesa para ficar ao seu lado.
Una demorou uns segundos para perceber que ela era Gabriela, engoliu sua bebida devagar e o olhou, fazendo uma leve careta para o gosto do alcool.
—Meus pais tiveram que se mudar. Coisas de trabalho. – mentiu, seca.
—O que eles fazem?
Una se julgava boa mentirosa, mas agora precisava pensar. Levou o copo até a boca novamente e enrolou para beber afim de ganhar tempo.
—Meu pai é jornalista e minha mãe fotografa.
—Que massa! – ele falou animado e sorriu para ela.
Ela apenas concordou com a cabeça e olhou para os lados procurando Flora, que estava ali perto com Thom, depois seus olhos pararam na garota que havia puxado Arth logo que eles chegaram, ela parecia meio emburrada encarando eles. Una viu a oportunidade.
—Hm, acho que sua amiga quer falar com voce. – e fez sinal com a cabeça apontando para a garota de olhos puxados e cabelo bem arrumado que ainda os encarava.
—Ahn, sim! Já volto. – e saiu, o que fez Una suspirar de alivio e ir na direção de Flora, que estava rindo da cena ao lado de Thom.
—Acho que Arth gostaria de beija-la. – ela disse ainda rindo.
—Nossa. Que pena. – Una revirou os olhos para a garota e deu um sorriso ironico.
—A maioria das garotas não ligam de beijar ele. – Thom deu um leve cutucão no braço de Una, o que a fez fuzilar o garoto com os olhos mas o garoto apenas riu.
—Eei! Eu não gostaria de beijar o Arth. – reclamou Flora.
—Obrigada. – Una disse, concordando com a garota e se permitiu rir.
Seu celular vibrou no bolso de seu shorts e Una o pegou e encarou a tela, que dizia “Uma nova mensagem de Ian”, que ela logo abriu e leu “Tente se divertir um pouco hoje! Aproveite! É serio. Beijoos!”, ela sorriu, um sorriso sincero e respondeu “Prometo tentar. Beijoos.” E voltou a guardar o celular.
Flora e Thom estavam conversando entretidos e pareciam não se importar que Una não participasse da conversa 100% do tempo, na verdade nem metade, o que fez a garota agradecer silenciosamente aos deuses. Terminou sua bebida ao ver que a mesma estava esquentando em sua mão e olhou para o copo vazio de Flora.
—Quer que eu pegue mais? – ofereceu aos dois, ambos concordaram e ela foi ate a mesa de bebidas novamente.
Começou a servir os tres copos e notou que Arth não estava mais ali com a garota, uma faisca acendeu dentro dela e ela sabia que devia usar suas flechas, se era neles, ela não sabia dizer, mas saberia assim que os encontrasse, e ficaria muito feliz se fosse.
—Acho que vou explorar o lugar. – ela declarou ao voltar até o casal, entregando seus respectivos copos e saindo antes de ouvir uma resposta.
Podia ouvir o barulho leve que suas asas faziam enquanto ela andava até o jardim com a piscina, que agora se encontrava mais cheio, com pessoas rindo, dançando e flertando por todos os lados, e para sua felicidade, nenhuma delas parecia nota-la. Rodeou o lugar com os olhos, fazendo uma busca rápida mas não os encontrando, até que seus olhos bateram em uma parte mal iluminada do jardim, com algumas arvores que bloqueava a luz do lugar com alguns bancos.
Una foi se aproximando do lugar devagar e já retirando seu arco de suas costas e pegando uma das flechas, ao chegar mais perto apurou os ouvidos e concluiu que estava certa, havia pessoas ali. Se enconstou em uma das árvores para não ser notada e os observou, era exatamente quem Una procurava.
Preparou sua flecha e mirou primeiro no garoto Arth, soltando a mesma com um certo prazer, vendo-a explodir certeira no garoto e mesmo na penumbra conseguia ver seus olhos mudarem ligeiramente de cor, confirmando o efeito da flecha. Sorriu. Pegou outra flecha e atirou agora na garota de cabelos arrumados, mas para seu espanto e frustração, ao bater de encontro com a garota a flecha se quebrou e virou um pó cinza logo em seguida. Os dois continuaram com os amassos, como se nada tivesse acontecido ali, e Una suspirou frustrada e saiu de lá pisando forte. Virou o que restava de bebida em seu copo e se sentou em um banco que estava mais próximo.
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