Give me love.

12 Capitulo 12


Se desvencilhou dos braços de uma Flora ligeiramente bêbada que a abraçava demais e cumprimentou Thom, que tinha os lábios inchados causados pelos beijos da garota de cabelos pretos. Arth já estava ao lado deles novamente e Una não conseguiu conter um resmungo, que foi notado por Flora, a garota pegou na mão da loira e a puxou para um canto.

—Vocês se beijaram? – Gritou no ouvido dela.

—Mas que coisa. Obvio que não. – Una rolou os olhos para a garota, que deu um sorriso esperto.

—Imaginei que não. Se tivessem, Arth estaria com o melhor humor do mundo.

—Não seja tonta, Arth beija todas as garotas da festa se quiser. Não precisa beijar a minha para ficar de bom humor.

Flora riu com as mãos na boca, mostrando que discordava da fala de Una, que a deu um leve empurrãozinho no ombro.

—Bom, se não houve beijo alguma coisa aconteceu entre vocês. – Ela ainda sorria.

—Ele disse que queria me beijar, apenas isso. – Ela rolou os olhos para a amiga que aumentou o sorriso.

—E você?? Una, você não queria beijar ele?

—Claro que não. Eu afastei ele. Não estava tão bêbada assim. – Balançou a cabeça para afastar a lembrança de Arth tão próximo dela, dizendo que a queria.

—Hm... Então acho que preciso te deixar mais bêbada. – A garota riu e recebeu um soco no braço da loira que forçava uma cara brava.

—Deixe de ser tonta. Vamos voltar para lá por favor. – Una pegou na mão da garota novamente e a arrastou de volta para a pista onde os garotos estavam.

Thom segurava dois copos de liquido azul e Flora pegou um e o entregou a Una, que não recusou, dando um gole na bebida gelada e doce. Sorriu com o canudo preso nos dentes e percebeu que Arth a observava quieto, quando seus olhares se encontraram ele liberou seu sorriso de lado e a garota rolou os olhos para ele.

Lembrou que estava ali a trabalho quando sentiu seu celular vibrar, então suas asas pareceram mais pesadas em suas costas, deu mais uns goles em sua bebida antes de olhar relutante para a tela do aparelho. Nela havia uma mensagem de seu pai dizendo que haviam mais de cinco flechas para serem colocadas naquele lugar. Se a noite tivesse esse ritmo todo precisaria dar um pulo em casa para pegar mais flechas.

—Vou até o banheiro. – Anunciou alto para o grupo e fez que não com a cabeça quando Flora fez menção de a acompanhar.

Andou pelo clube, as luzes coloridas atingido seus olhos, mas isso não atrapalharia sua missão, ela tinha a mira perfeita como a de Apolo. Suas bochechas esquentaram ao lembrar do deus lindo e irritante. Afastou as nuvens de memorias que as vezes invadiam sua mente e se concentrou em encontrar suas vítimas.

Logo avistou um casal que dançava perto demais e disparou as flechas na direção deles, andando mais um pouco conseguiu mais duas flechadas. Avistou Arth vindo em sua direção e guardou o arco rapidamente, bufando em impaciência para o garoto, que trazia mais bebidas em suas mãos.

—Achei você! – Ele sorriu se aproximando.

—Grande feito. – Resmungou a garota e pegou um dos copos de sua mão, este de uma coloração alaranjada, dando um gole rápido.

Seu sorriso aumentou e ele chegou mais perto, fazendo a garota entrar em estado de alerta e se afastar os passos que ele havia dado. O sorriso do garoto murchou.

—Arth, pare. – Ela pediu, embora seus olhos encarassem os lábios dele.

Ouviu o garoto suspirar frustrado e evitou um sorriso quando o mesmo fez uma careta de triste para ela. Ergueu as mãos em rendição e deu mais um de seus sorrisos de canto antes de piscar para ela e sair andando. Não muito tempo depois ela já o encontrou abraçando uma garota qualquer, revirou os olhos para a cena e seguiu com seu trabalho.

Flora se aproximou de Una com Thom logo atrás, ela vinha meio cambaleante e rindo de algo que o garoto dizia.

—Você, pare de sumir por favor! – Disse, meio enrolada, com o dedo apontando para a loira, que riu.

—Eu não sumi. Estava resolvendo umas coisas para meu pai.

—Aqui? No meio da festa? – Thom pareceu confuso.

—Sim. Ele também trabalha com organizações de clubes e essas coisas. – Mentiu, a garota nem sequer se lembrava de que profissão havia dito para eles que o pai exercia. –E falando nisso, preciso ir em outro lugar agora, vamos?

—Mas Una, somos menores de idade, não vão deixar a gente entrar. – Flora disse com uma voz chorona, enquanto os dois a seguiam.

—Não se preocupem com isso. – A garota sorriu para os amigos que a olhavam confusa. – Vão pedindo um taxi lá fora enquanto encontro o Arth.

Eles concordam e Una os acompanha com os olhos enquanto eles saem da festa, subindo pelas escadas. Procura Arth pelo espaço lotado a sua volta, sem encontrar o garoto, então anda até o bar, onde o encontra pressionando a cintura de uma garota com seu corpo, o rosto dela perdido em seu pescoço. Una bufa e revira os olhos para a cena, caminha até eles e o cutuca no ombro de um modo nada delicado.

—Flora e Thom estão lá fora nos esperando. – Sua voz sai fria, no tom esperado. – Vamos para outro lugar, você vai? Ou vai ficar aí? – Aponta com a cabeça para a garota que estava pendurada nele.

Ele afasta a menina de si assim que seus olhos pousam em Una, por um momento parece envergonhado pela situação e suas bochechas ganham certo rubor, mas logo seus olhos ganham um brilho sagaz e ele sorri de lado para ela.

—Claro que vou acompanhar vocês. Embora aqui esteja bem divertido. – Ele encara a menina em seus braços e sorri para ela. –Preciso ir agora, querida. – Diz, depositando um selinho longo nos lábios da garota, que é interrompido por um resmungo da parte de Una.

Ela vira as costas para a cena de Arth e começa a andar na direção da saída, logo percebe a presença do garoto bem atrás dela. Empurra a porta pesada de metal e ao ser fechada atrás deles o escuro invade o ambiente, junto com o silencio.

Una leva as mãos para a parede de pedra para ganhar apoio na escuridão, e seus dedos magros encontram sem querer a mão de Arth que utilizava a parede para se guiar também, por um momento ela congela, sentindo suas bochechas esquentarem quando os dedos se tocam inesperadamente, ela sente os músculos enrijecerem em tensão e percebe a mesma movimentação no garoto, junto de uma modificação em sua respiração. No escuro seus sentidos de semideusa ficavam muito mais aguçados, podia sentir a sua asa tensa entre os dois, embora ele não a pudesse sentir, sua respiração quente batendo nas penas. Una sentiu um arrepio percorrer seu corpo, que foi intensificado quando o garoto resolveu reagir, colocando sua mão em cima da dela e entrelaçando os dedos em cima da pedra fria, embora já não pudesse enxergar nada Una fechou os olhos e sentiu a mão quente proteger seus dedos frios, um leve aperto para mostrar que ele estava bem ali atrás dela. Era como se conseguisse ouvir a cabeça dele tentando pensar em um próximo movimento, ela mesma estava batalhando consigo mesma em relação a isso, lutava entre retirar sua mão da parede e seguir subindo os degraus a escura enquanto queria retribuir o aperto leve em seus dedos apenas para saber como o garoto reagiria, o álcool brincando em sua mente, deduziu, e então se deixou levar, seus dedos retribuindo o toque dele.

E então, como se estivesse apenas pedindo essa permissão para a garota, ela sentiu a outra mão dele em sua cintura e logo estava encostada na parede fria com o corpo de Arth colado no seu e os olhos arregalados em surpresa. Sua respiração ficou acelerada e mais forte ao sentir a dele tão perto, não era preciso de luz para saber que o garoto se encontrava tão perto que ela conseguia sentir o cheiro de bebida misturada com chiclete de menta, deixou um suspiro escapar por seus lábios quando sentiu seu corpo a prensando de leve, ficando ainda mais próximo. Ela fechou os olhos. Queria resistir, ela não deveria deixar que aquilo acontecesse, era um caminho muito errado, mas o álcool estava mexendo com sua cabeça, era a única explicação que dava a si mesma quando se viu permitindo que o garoto chegasse a roçar seus lábios no dela, sentindo de leve a textura macia de sua boca e soltando certo gemido de frustração quando a porta lá de cima foi aberta fazendo com que a luz os banhasse quase que por completo, isso a acordou do transe que o garoto exerceu sobre ela, Una empurrou ele para longe com os olhos arregalados e chacoalhou a cabeça, em uma tentativa de retirar as ideias que por ela permeavam.

—Vou ver se encontro eles! – Ouviu a voz de Flora lá fora.

Seus olhos encontraram com o olhar esperto e convencido que Arth mandava para ela e o devolveu com um olhar frio e irritado, o que só provocou um sorriso esperto do garoto.

—Não precisa! – Ela gritou para que a amiga ouvisse – Já estamos subindo.

Una correu pela escada, ouvindo seus passos no chão de pedra e logo os passos de Arth a acompanhando. Thom conversava com o motorista do taxi enquanto Flora segurava a porta para os amigos, ela lançou um olhar esperto para eles e Una revirou os olhos irritada, não sabia se ela tinha olhado para a escada a tempo, porém se a resposta fosse sim teria que aguentar a amiga falando sem para sobre a cena, o que ela não estava nada disposta a fazer. Entrou com tudo no carro pela porta aberta por Thom, sabia que sua cara deveria estar das piores, então o garoto apenas entrou logo em seguida, sentando entre ela e Flora para evitar conversas, o que Una agradeceu mentalmente ao garoto. Arth entrou por último no banco da frente, e agora encarava absorto os prédios que passavam por eles.

—Você pode nos deixar em frente ao 302. – Ela disse o nome do clube e conseguiu ver os olhos de Thom arregalarem.

—Una, você sabe que essa balada é impossível de entrar? – Ele indagou.

—Fora que super exclusiva, muito cara e... – Flora apontou seu documento para afirmar que eles não poderiam entrar.

—Ai deuses. – Una riu dos amigos. – Relaxem, eu pedi para meu pai nos colocar na lista Vip.

O queixo de Thom caiu e Flora sorriu de orelha a orelha, seus olhos foram para Arth, mas o garoto não esboçou reação, parecia perdido nos próprios pensamentos. Não conseguiu deixar de observar o garoto, seus olhos castanhos escuros apertados, focados nos prédios que passavam rápido por eles, o vento bagunçado ainda mais o cabelo já propositalmente desarrumado, os dedos batucando na janela em que o braço se apoiava, os lábios levemente avermelhados, ao encarar estes, sentiu os seus formigarem a lembrando do momento que tiveram há pouco, sua boca selada na dele por breves segundos. Isso fora errado demais, não poderia repetir o erro, esse garoto não era apenas uma das pessoas que Una se permitia deixar-se divertir por uma noite em uma festa aleatória, ela sentia que se deixasse que algo acontecesse seria uma chamativa para problemas maiores, grandes dores de cabeça que envolviam aquela maldita flecha partida. Os olhos do garoto cruzaram com os dela pelo espelho retrovisor e um sorriso convencido brincou em seus lábios, fazendo as bochechas dela esquentarem em um misto de raiva e vergonha por ter sido pega o encarando, ela rolou os olhos para ele, que apenas riu silenciosamente.

O carro parou e Arth abriu a carteira entregando o dinheiro trocado para o motorista antes que Una pudesse protestar, desceram todos do carro e se encontraram de frente para uma enorme e iluminada porta, com o letreiro em neon indicando o nome do clube. Flora conteve um gritinho de animação e Thom sorriu para a namorada, a cena fez com que todos acabassem rindo juntos. Uma enorme fila cheia de pessoas hiper arrumadas se encontrava depois de uma cordinha azul que separava o espaço da porta de entrada para a calçada, com dois seguranças em frente, controlando quem entrava e saia por um tablet. Una caminhou confiante até um deles e deu sua melhor tentativa de sorriso simpático.

—Olá! Meu nome é Una Agápi, Eros disse que estaria na lista com direito a mais três acompanhantes. – Sua voz saiu confiante e certeira, embora se sentisse exposta ao ouvir seu nome inteiro e o de seu pai serem mencionados em alto e bom som perto de seus amigos.

O segurança em sua frente conferiu o tablete que tinha em mãos e logo sorriu de volta para ela, liberando a cordinha que os separavam.

—Sejam bem-vindos! Aproveitem a noite. – Disse simpático e gesticulou com a mão para que eles entrassem.

Na fila pode-se ouvir resmungos de pessoas que provavelmente estavam ali faziam horas, Una não conteve um sorriso pelos privilégios do pai e entrou pela porta, seguida pelos três. Caminhou até o balcão de recepção onde um moço não muito mais velho que eles sorriu, ela o entregou seu cartão que foi imediatamente cadastrado e ele o devolveu junto com uma ficha para os consumos do bar. Quando Flora fez menção de ir até o balcão fazer o mesmo Una riu e a impediu.

—Meu pai faz questão de pagar a noite. – Ela disse em um sorriso firme.

—A-acha, que absurdo. – Flora disse meio engasgando, mas o sorriso de Thom cresceu o que fez Una rir.

—Relaxa, isso não é nada para ele. – Ela diz revirando os olhos ao pensar no pai, que tivera todo o tempo do mundo, literalmente, para juntar bastante dinheiro.

O casal deu de ombros concordando e Una levou os olhos para Arth, que não havia comentado nada até o momento, ele deixou um sorriso brincar em seus lábios e piscou para ela, que automaticamente olhou para os amigos checando se eles teriam visto a audácia do garoto, mas eles já estavam caminhando para a pista. Ela rolou os olhos para Arth e foi atrás deles.

—Vamos pegar algo para beber, eu ‘to começando a ficar sóbria de novo. – Ela gritou para Flora, tentando superar a música alta.

A garota apenas concordou com a cabeça. Uma música eletrônica tocava alto e luzes bagunçavam o ambiente, que era totalmente lúdico com pinturas neons e jogos de contrastes nas paredes, tintas espirradas até no teto, fazendo com que as pessoas tivessem dificuldade em acertar o tamanho do lugar. No bar elas encararam um cardápio muito diversificado e com nomes engraçados, as bebidas eram todas servidas em copos enfeitados e eram todas muito coloridas. Ao entregar a ficha para o garçom ele sorriu e fez sinal com o dedo para que esperassem, as garotas se entreolharam curiosas, mas logo ele voltou com quatro taças gordas com um liquido que fazia um degrade de vermelho, um dourado brilhante cobria a borda da taça, onde um espeto transparente cheio de morangos e cerejas estava apoiado e mergulhado pela metade na bebida, embaixo de uma das taças havia um bilhete escrito em um dos clássicos pergaminhos que Una logo reconheceu como os favoritos de seu pai. Ela bufou ao pegar o bilhete, que em sua caligrafia perfeita estava escrito:

“Espero que aproveitem a noite filha. Você foi perfeita no dia de hoje, encerre seus trabalhos por aqui e aproveite com seus novos amigos! Espero que gostem do drink criado especialmente em minha homenagem, o Cupido. Ele é fantástico! ”

Ela leu rapidamente o bilhete e o amassou, enfiando o pedaço de papel de qualquer jeito em sua bolsa aljava. Depois deu um sorriso forçado para a amiga que a encarava sem entender nada e pegou uma taça, entregando para ela, que rapidamente aceitou.

—Obrigada! – Sorriu falsamente para o garçom, pegando sua ficha de novo, e depois entregando a segunda taça para Flora e as outras duas para si.

—O que foi isso? – A garota gritou para que ela pudesse ouvir.

—Um presentinho do meu pai. – Deu de ombros tentando mostrar-se indiferente.

Flora apenas assentiu, a garota já havia percebido que o pai era um assunto delicado para a amiga, embora não entendesse o porquê.

—Vocês querem conhecer a área vip? – Una perguntou aos amigos, assim que entregaram suas bebidas.

—Sim, sim, sim! – Thom disse animado, e Arth sorriu concordando.

Ela então os guiou até uma cortina preta que quase não era visível com todas as luzes coloridas pelo local e apresentou sua ficha para a segurança que estava na frente, que assentiu com a cabeça e abriu a cortina para que eles passassem. O ambiente era mais limpo visualmente que o do salão principal, mas as paredes mantinham a aparência lúdica e o jogo de cores, as luzes, no entanto não eram tão invasivas, algumas mesas com bancos estofados estavam dispostas pelo local e um pequeno bar que servia doses coloridas e bebidas mais diversificadas se encontrava no meio, como uma ilha, mais ao canto um outro balcão era encarregado das comidas, servidas em pequenas porções muito arrumadas. O lugar estava cheio, mas uma mesa os esperava, reservada para Agápi. Una caminhou até lá e se sentou, os amigos que encaravam o local fizeram o mesmo, Arth se sentando ao lado dela, o que já era esperado, mas a deixou ligeiramente incomodada.

—Acho que devíamos brindar. – Flora declarou.

—An? – Thom a encarou, com a taça nos lábios e o conteúdo já pela metade.

Arth riu do amigo e Una sorriu junto, se repreendendo depois. Ela encarou o próprio drink, que estava intocado e deu de ombros, o estendendo para Flora, que sorriu e bateu um pouco mais forte do que deveria na taça da amiga, que apenas riu. Então Thom suspirou e colou sua taça junto, seguido logo depois por Arth, que sorria para eles. Um sorriso sincero e sem malicia, como era de costume do garoto, Una não pode deixar de observar. Então depois cada um deu um longo gole de seu copo, e a garota logo reconheceu o gosto do chá idiota preparado por seu pai, quis bater nos copos dos amigos e impedir que eles continuassem bebendo do liquido, mas eles pareciam ter gostado pois sorriam para o copo. Ou poderia ser apenas o efeito da bebida avermelhada misturada com álcool. Mas Una precisava concordar que a mistura havia ficado aceitável, e a borda da taça banhada com chocolate branco pintado da cor favorita do deus juntamente das frutas havia deixado tudo bem especial.

Logo a íris de seus amigos começara a se tornar ligeiramente rosas, o que preocupou Una. A essência de Eros não surtia quase nenhum efeito na garota, na maioria das vezes pelo menos, mas ela sabia muito bem o que aquele liquido fazia nos mortais comuns. A bebida criava um estado de paixão instantânea em quem o bebesse, liberando serotonina e acionando os hormônios, além de acalmar a mente, relaxar e deixar as pessoas mais soltas e confiantes, também possuía um cheiro e gosto extremamente afrodisíaco, chamando as pessoas para perto de quem bebesse do liquido. Mas claro que tudo isso era apenas efeitos causados em mortais, Una sentia apenas um grande relaxamento e calma, confiança, as vezes era pega pelo aroma afrodisíaco, mas sempre sentia repulsa pela bebida do pai, que era feita com a essência pura do deus, seu sangue dourado, misturado com uma serie de ervas e pós encantados que eram usados na fabricação de suas flechas.

Seu pai havia encantado seus amigos. Quando esse pensamento ocorreu, Una se sentiu extremamente irritada, mas sua mente começou a ficar bagunçada pelo álcool e o efeito relaxante da poção de Eros e ela não conseguia sequer protestar para que os amigos parassem de beber, e antes que pudesse pensar em algo, um garçom já trazia novas taças para eles. Ela grunhiu de raiva, era um plano um tanto obvio o de seu pai, que claramente não queria que a filha descansasse do árduo dia de trabalho, e sim que a garota tivesse que enfrentar a situação de amigos enfeitiçados por ele, junto do clube inteiro que claramente estava consumindo a nova bebida. Ele havia mandado muito trabalho extra para a garota.

Como era esperado, Flora e Thom começaram a se beijar ferozmente do outro lado da mesa, se normalmente os dois já se atracavam sob o efeito da bebida a coisa ficaria muito mais selvagem. Una encarou os dois e depois olhou em volta, percebendo a mudança na atmosfera, que agora parecia estar envolta por uma nevoa rosa idiota, a garota bufou irritada.

—O que foi? – Arth indagou, já perto demais.

—Nada. – Tentou soar ríspida falhando um pouco, mas não afastou o garoto. Era como se a nevoa a estivesse levando junto, pensou.

—A gente podia continuar o que foi interrompido na escada...

—Ou você podia procurar qualquer garota aleatória como faz toda noite. – Ela tentou um sorriso frio, que foi amolecido ao sentir o hálito quente do garoto bater em seus lábios quando ele riu.

—Una, estou começando a achar que você é ciumenta. – Ele sorriu de lado para ela, seus olhos castanhos grudados nos violeta.

Ela soltou um sorriso nervoso e irritado o encarando de volta. Então como se estivesse cada vez mais envolvida na aura criada pelo pai, passou seus braços pelo pescoço de Arth, mas ao invés de colar os lábios nos dele, como os olhos fechados do garoto claramente pedia que fizesse, foi até seu ouvido, soltando uma leve risada.

—Eu não tenho ciúmes de você Arth. – Ela disse, mas ao invés do tom frio habitual, sua voz era aveludada, e então depositou uma mordida no lóbulo da orelha do garoto, sentindo a pele em sua nuca se arrepiar debaixo de sua mão. Sorriu e se afastou dele.

O garoto a encarava confuso, um sorriso nos lábios, mas os olhos expressavam um misto de confusão e desejo. Una não entendera sua atitude, mas culpava a aura magica que envolvia o lugar. Virou sua bebida e saiu da mesa antes que Arth pudesse dizer algo.

Caminhou já meio cambaleante pelo espaço iluminado indo até o bar, precisava descobrir como a bebida de seu pai havia viralizado no ambiente e de uma agua gelada. Debruçou sob o balcão e entregou a ficha para a moça que lhe atendeu.

—Uma agua por favor. – Rapidamente a bebida foi colocada em cima do balcão – Me diz uma coisa, — tentou um sorriso simpático – essa bebida nova está em promoção ou coisa do tipo?

—Não. – A moça sorriu simpática e afetada, o que era ligeiramente suspeito – Seu pai mandou que distribuíssemos amostras para todos essa noite.

Una rosnou baixo, e saiu da área vip em pisadas fortes, deixando a garçonete sem entender a reação irritada da garota. Ao sair pela cortina que separava os ambientes encontrou um caos romântico, uma guerra de flertes, ela quase riu da situação ridícula, então sacou uma flecha e preparou seu arco já disparando certeiro no casal logo a frente, assim se seguiu em mais sete casais seguidos. Retirou sua bolsa-aljava do ombro e contou suas flechas, a situação era caótica e ela não tinha armas o suficiente para aquele espaço cheio, bufou irritada. Precisava pensar com clareza, ela havia bebido demais, o álcool e a essência de Eros embaralhavam sua mente, caminhou decidida até o banheiro, se debruçando na pia e salpicando agua gelada no rosto. Ao encarar-se no espelho cheio de adesivos colados daquele ambiente de iluminação neon e com paredes cheias de rabiscos e desenhos ela não conseguia se sentir nem um pouco mais sóbria.

Ajeitou rapidamente os cabelos em um rabo bagunçado e passou as mãos molhadas em volta do pescoço, seus olhos se encarando no espelho, mas o banheiro a sua volta parecia se mover pelo reflexo, apoiou novamente as mãos na pia apertando com força a louça branca até os nós dos dedos ficarem na mesma cor, ela precisava voltar. Caminhou de volta para o caos e deu logo de cara com Arth, trombando com as costas do garoto que virou para encara-la, seu rosto se iluminando assim que seus olhos se encontraram, ele sorriu e Una já podia prever o garoto entrando em seu “modo flerte” com aquele sorrisinho de lado dele. Ele era tão previsível para ela.

—Perdida? – Ele pergunta, chegando mais perto, seus olhos castanhos salpicando de diversão e o sorriso sugestivo em seus lábios, a aura de Eros claramente afetando o garoto para flertar tão descaradamente com ela, pensou.

—Não, mas você parece estar. – Respondeu afiada, embora não tenha se afastado do garoto como deveria.

—Claro. – Seu sorriso não diminuiu, seus olhos a encarando profundamente, o que fez um arrepio percorrer o corpo de Una.

—Vem, vamos voltar para a o casal. – Diz, quebrando o contato visual para a tristeza de Arth.

Ela saiu andando em direção a cortina, mas Arth segurou sua mão e a virou para ele novamente, sem que ele fizesse esforço a garota se aproximou dele, seus corpos próximos demais, ele entrelaçou seus dedos e Una não fez nenhuma objeção.

—Arth... – ela suspirou, colocando a mão livre espalmada no peito do garoto, seus olhos violeta faiscaram ao encontrar os castanhos ansiosos dele.

O garoto não esperou que ela terminasse a frase, se é que ela realmente tivesse uma formada, acabou com a distância entre eles colando seus lábios nos dela. Por um momento, os olhos violetas se arregalaram em surpresa, o beijo do garoto era inseguro, Una podia sentir o medo de ser rejeitado mais uma vez por ela, acontece que ela não queria rejeita-lo em nenhuma das vezes. Ficaram um instante imóveis, os lábios colados e os pensamentos de Una a mil, ela sabia que deveria se afastar e sair correndo daquela situação, mas por outro lado queria que o garoto ganhasse espaço em sua boca e aprofundasse aquele beijo. E então, de forma tímida demais para o Arth que ela conhecia, ele levou suas mãos para a cintura dela e a puxou para mais perto, Una se deixou levar pelos movimentos dele, que encarou como um sinal positivo para aprofundar o beijo. Sua boca tinha gosto de chiclete de menta com hibisco, uma das ervas de Eros, ela pensou por um momento se teria um gosto bom para ele assim como ele tinha para ela, mas seus pensamentos se dissolveram assim que o garoto a grudou na parede, intensificando o beijo enquanto apertava sua cintura. Ela levou as mãos para o pescoço do garoto, uma das mãos puxando levemente seus cabelos enquanto a outra passeava com as unhas pela nuca arrepiada dele, o beijo havia se tornado urgente, mostrando o quanto o garoto havia esperado por aquele momento e Una não deixava de demonstrar o mesmo, por mais que odiasse o fato.

Se separaram por necessidade de ar, ambos com a respiração forte e coração acelerado, mas sem se distanciarem um mínimo, Una conteve sentiu um arrepio percorrer seu corpo quando o garoto lhe depositou um beijo no canto da boca e foi fazendo uma trilha de beijos até chegar em seu pescoço, soltou um gemido leve quando ouviu o garoto rir malicioso perto de sua orelha, depositando ali uma mordida, afundou ainda mais as unhas em sua nuca o que o chamou novamente para seus lábios, recomeçando o beijo. Suas bocas já se conheciam agora, e queriam mais uma da outra, Una mordiscou o lábio dele e sentiu um sorriso ali o que a fez sorrir junto.

Quando se separaram os lábios do garoto estavam inchados e ainda mais bonitos, e seus olhos brilhavam de um jeito que ela conhecia muito bem, o que a fez acordar do transe que havia entrado com ele, levando a mão ao seu peito e o afastando ligeiramente, por mais que não quisesse colocar distancia alguma entre eles. O brilho nos olhos castanhos ganharam um ar de confusão, como se o garoto não entendesse o porquê de Una o afastar e ela quis explicar tudo para ele naquele momento, queria dizer que era impossível aquele brilho nos olhos direcionados para ela, que seria impossível corresponder aquilo, e deuses como ela queria poder corresponder, queria dizer que se ele continuasse insistindo naquilo iria acabar se quebrando, que ele provavelmente só a encarava daquela forma por conta de uma flecha partida misturado com o efeito de uma poção idiota preparada por seu pai, mas ela apenas sorriu levemente para ele e deixou quando ele quebrou a distância novamente para depositar um selinho em seus lábios.

Ela sorriu encarando aqueles olhos castanhos faiscantes e seu último pensamento embaralhado pelo álcool foi que seu pai teria que aceitar que seu plano falhara quando percebesse que ela simplesmente havia ignorado todos os corações disponíveis para serem flechados naquela noite.

***

Notas finais
Oii queridos, tudo bem?? suhauhshu vim aqui pra pedir que comentem,pois sou uma pessoa muito insegura e sempre acho que ta ficando ruim e preciso muito de opiniões, e o que vocês tiverem pra falar é muito importante pra mim! Então é isso, se puderem deixar o que estão achando e tals aqui, vou ficar bem feliz hehe Obrigada por acompanharem!! Beijinhos