Give me Love
4 Baby it's cold outside
Notas iniciais
– Rádio on -
Last Christmas I gave you my heart
But the very next day, you gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special
– Rádio off -
– Bom dia querida! — Minha mãe fala entrando e se sentando ao pé da minha cama.
– Mãe são 7 horas da manhã, isso nunca vai ser um bom dia
– Depois que você começou a sair mais com o Shane e com a Lauren a sua vida só começa depois do meio-dia. -Realmente, tenho saído muito esse meio tempo mas o que a minha mãe não sabe é que a verdadeira culpada era a Reagan.– Já tem um mês que você só querem sair e se divertir quase todos os dias e o mais estranho é que parece que a Karma nunca existiu na sua vida, sem comentários ou visitas inesperadas. Você não acha que ela mereça as suas desculpas?
– Mãe, a própria Karma pediu para eu sair da vida dela quando eu a procurei, estou seguindo em frente. Você não me acordou tão cedo para me dar lição de moral, certo?
– Claro que não querida. Hoje é dia 24 de dezembro e eu pensei que você se lembraria da tradição de vocês e gostaria que eu te acordasse. Se não se sentir melhor não precisa ir. Podemos fazer biscoitos e acabar de enfeitar a casa para ceia de hoje, sua avó vem e você sabe como ela fica histérica no Natal.
– Esqueci completamente que eu e a Karma ficamos de ajudar o asilo da cidade hoje. Acho melhor eu ir, os idosos não podem sair prejudicados por nossa causa. De tarde eu te prometo que te ajudo com a decoração.
– Não se preocupe com isso, a Lauren também vai me ajudar e já está quase tudo pronto. — Nossa relação tinha mudado bastante desde que eu cheguei bêbada em casa e falei mil bobagens sobre não ser a filha perfeita e tudo mais, agora ela me tratava com mais carinho e conversava mais comigo. Não queria desapontar-la mas tinha que falar sobre a Reagan e como eu estava feliz por ser aceita.
Logo que a minha mãe saiu do quarto tentei sair da cama mas o clima não ajudou muito, era véspera de natal e estava tão frio que eu conseguia sentir cada centímetro do meu corpo congelando mesmo de baixo das cobertas. Tomei coragem e fui tomar um banho e colocar uma roupa qualquer. Desci as escadas, peguei o meu carro na garagem e fui em direção ao asilo. Espero que a Karma não vá hoje, ainda não nos acertamos e não quero que voe sopa e dentaduras pra todos os lados. Esse juramento de fazer uma coisa boa na véspera de natal sempre acaba comigo.
–Flashback on-
– Vamos fazer algo diferente esse natal.
– Não posso, minha mãe e eu vamos passar o dia no asilo com a minha avó. Elas querem conversar e eu vou precisar ir. Quer vir comigo?
– Seria muito legal, posso levar o meu violão pra cantar pros velhinhos.
– Karma, vamos lá pra tomar sopa e ver televisão com velhos abandonados, isso não é divertido.
– Vai sim, podemos servir a sopa e depois cantar para eles. Essa pode ser a nossa nova tradição.
–Flashback off-
– Que merda de tradição que eu fui inventar
Simplesmente amo dirigir nessa época e ver a cidade toda enfeitada mesmo com o medo que me consumia só em pensar que teria de passar algumas horas com ela. A neve faz falta mas ainda assim o natal nunca perde a graça. É incrível como todos esperam um milagre nesse dia, e o único milagre que eu esperava era ter uma manhã agradável com a pessoa que há algum tempo considerava a minha melhor amiga (o que eu achava ser impossível). Não nos falamos desde o dia da boate e nesse meio tempo venho saindo com a Reagan quase todos os dias e eu sentia que ela era diferente de todas as pessoas que eu conhecia, o egoísmo que já estava acostumada não era usado para descrever ela. Era humilde, trabalhadora, engraçada, bonita e sempre se importava comigo, se eu pudesse listava todas as suas qualidades e eu nem me importaria com seus defeitos.
Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock
Jingle bells swing and jingle bells ring
Snowing and blowing up bushels of fun
Now the jingle hop has begun
Mal estacionei o carro e já vejo o carro do Liam parado na porta do asilo, mais precisamente parado na minha vaga. Como eu queria socar-lo há algum tempo por causa dessa história com a Karma a minha vaga foi a gota d’água, tive que estacionar há uma quadra do asilo e ir me arrastando até o saguão o mais rápido possível.
Chegando lá falei com todos os velhinhos e seus ajudantes, era bom ver rostos conhecidos e novos também eram bem vindos mas é bem difícil saber que alguns eu nunca mais veria, Procurava o Jack entre todos os rostos, ele foi o namorado da minha avó quando ela passou alguns meses por aqui antes de se mudar para a Flórida. Vou na recepção e pergunto por ele mas ninguém sabe seu paradeiro.
– Ele tem 76 anos e mal conseguia andar sem a ajuda da muleta, como uma equipe de 10 médicos e ajudantes conseguem perder ele?
– Não sei senhora, comecei a trabalhar aqui semana passada e nunca ouvi esse nome. Talvez ele não esteja mais conosco, essas situações fazem parte desse trabalho. Desculpa.
Quando eu ouvi isso senti meu coração diminuir e só consegui sentar no chão e chorar. Vi as botas de couro falso laranja favoritas da Karma passando na minha frente, olhei para cima e lá estava ela parada na minha frente e me encarando. Ela queria algo de mim e a única coisa que eu poderia oferecer naquele momento são as lágrimas pelo Jack. Por um momento pensei em a abraçar e chorar no seu ombro mas me lembrei que não era o certo, então enxuguei as lágrimas, levantei e fui até a sala de televisão fazer companhia aos que ainda me restavam.
Vimos alguns filmes de natal como “esqueceram de mim“ e “grinch”, conversamos sobre netos e colas para dentadura, até tentei aprender a tricotar porém uma das ajudantes da cozinha pediu para que eu ajudasse com a sopa. Até aí não tinha nem sinal da Karma, ela deveria estar dando para o namoradinho em algum quarto desocupado. Mas foi só eu pensar nisso que dou de cara com os dois pombinhos se preparando para servir todos os velhinhos. Pego a minha touca descartável e as luvas indo em frente às panelas cheias de sopa de tomate com macarrão, coloco um sorriso no rosto e começo o meu trabalho rezando para terminar logo.
Ao terminar de servir a maior fila de idosos famintos que já vi na vida e levar os restos da sopa para cozinha, peguei a minha bolsa e me despedi de todos entregando alguns cartões e chocolates que havia comprado mais cedo. Fui em direção à saída até que eu senti uma mão puxando o meu braço tão rápido que não tive reação, era ela. A mão de Karma no meu braço me fazia tremer e gaguejar, sentia falta do seu toque mas não podia.
– Sei que ficou chateada com o lance do Jack, ele também era importante pra mim. Meus pêsames.
– Karma, não preciso da sua compaixão, ele foi importante em nossas vidas mas Deus faz o que é melhor na vida das pessoas.
– Só queria tentar te ajudar nesse momento.
– Ajudar?? Olha quem tá falando em ajudar, senhora “nunca mais fala comigo”
– Não dei um tempo no meu orgulho pra você debochar de mim desse jeito.
– Já estou de saída, faz como a nossa amizade e me esquece.
Saí do asilo sem olhar para trás e caminhei até o meu carro, não sabia se estava realmente mais quente ou era uma reação do meu corpo à todos os meus sentimentos.
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