Give Your Heart a Break
2 Sim, isso é uma Aula- Ágata
Notas iniciais
ÁGATA

Coloquei minhas apostilas embaixo da cadeira e minha bolsa no braço da mesma, depois me sentei. Todos estavam em silêncio naquela sala, o professor era o único que estava em pé arrumando algumas coisas em sua mesa, ao meu lado. Vi que sua cadeira não estava ali, mas sim no centro da sala. Não intendi o porquê daquilo, muito menos porque tanto silencio e apreensão.
–¿Estás bien ¿ (Você esta bem?) – Alguém me perguntou em um tom baixo, em espanhol, virei-me em sua direção, tratava-se de uma menina, deveria ter minha idade ou um ano a mais, usava óculos e aparelho ortodôntico, tinha a voz fina– um pouco enjoativa na verdade- cabelos curtos, avermelhados, traços latinos e uma pela mais bronzeada do que a minha, olhos de um escuro profundo e usava piercing na sobrancelha direita e alargadores – deveriam ter uns 3mm cada um.
¿eh? Sí, estoy bien( Hum? Sim, estou bem)- respondi, em espanhol– umas das línguas que sou fluente- em um tom de voz próximo ao dela, meio atrapalhada.
– — Pensé que estabas enfermo (Pensei que tivesse passando mal)- ela disse se justificando e rindo.
Ri baixo... – — Gracias por la preocupación, ese día podría haber sido un poco mejor para mí (Obrigado pela preocupação, esse dia poderia ter sido um pouquinho melhor para mim) – Respondi constrangida, tentando amarra meus cabelos em forma de coque e prendendo-os com uma caneta.
–Relájese. El día está todavía lejos de terminar (Relaxa. Esse dia esta longe de terminar.) ela disse e logo em seguida estendeu a mão para me cumprimentar – Perdón por no presentándome, soy ...( Desculpe por não ter me apresentado, sou... )
– Ainda não estávamos na hora de apresentações – Interrompeu o loiro nos olhando severamente. A menina recolheu sua mão e apenas sorriso, mas quando o homem se virou ela ainda cochichou, mas não em espanhol.
– Grosso. Quando ele chegou, não se apresentou, só disse para arrumarmos as cadeiras na sala, colocou a dela ai no meio e não falou mais nada.
Ela estava emburrada com o que o professor havia feito, era bem visível em seu rosto.
– Relaxa, ele deve está querendo nos assustar. Cansei de ver, nos seriados estudantis, os professores fazendo isso no primeiro dia de aula. No final você vai ver, ou ele será um professor super bacana ou em chato. – falei sorrateiramente para ela observando os movimentos do professor, ele estava de costas enquanto eu falava , e se sentava na cadeira e dava alguns giros nos observando.
– Estranho, você fala como se nunca tivesse enfrentado um primeiro dia de aula, mas deve ter razão- Ela disse, iria respondê-la, mas fomos interrompidas de uma forma indireta pelo professor, então apenas dei um riso abafado.
–Sejam bem vindos ao curso de Relações Internacionais, crianças. – Apenas disse ainda se girando na cadeira e nos observando. A sala possuía janelas de vidro que permitiam a entrada da luz do sol, os raios solares faziam aquele homem parecer ainda mais belo, quase divido.
– Vamos começar as apresentações agora – Ele disse encarando a mim e a menina ao meu lado.
Hoje foi um dia estranho, e ainda não são nem 12hs... Pessoas estranhas estão aparecendo, já sei que meu professor não é muito normal e eu preciso urgentemente saber que ele é. Com toda a certeza ele saber controlar seu cosmo, temo por isso. Ele não me parece uma ameaça, é uma mistura de ripe com nerd, não sei explicar, só sei que ele é lindo. Hoje eu estou tão pervertida.
Comecei a sentir dores de cabeça que dificultavam meu raciocínio, até meus pensamentos estavam misturados. Apertei os olhos por um segundo e decidir apenas ouvir, sem pensar e sem tentar desvendar aquele homem. O professor começou a passar algumas explicações de repente.
– Eu tenho uma caixa e nela estão algumas prendas, nada de muito radical e Tenho uma lista com os nomes de vocês em ordem alfabética– Ele se interrompeu e olhou para mim- Criança pode pega-la para mim, esta encima da mesa.
– Sim- apenas respondi e logo me levantei. Na mesa dele tinham muitos folhas, um bolsa com estampas chamativas em tons vermelhos e uma prancheta, a peguei virando-me para ele e perguntei:
– É essa? – mostrava a prancheta.
– Essa mesmo. Dei-me– ele disse estendendo a mão.
Dei alguns passos, acho que uns quatro, o som do salto do meu sapato podia ser ouvido em alto e bom som. Aproximei-me dele e entreguei a prancheta.
*Por favor, na próxima aula, venha com um salto que não faça tanto barulho e quem é você?**, ele disse, mas sem mover os lábios, olhei rapidamente para os outro para ter certeza se era apenas eu que tinha ouvido aquilo e constatei: ele falou comigo através da mente. Ótimo me perseguira agora.
*- Tudo bem-* respondi mentalmente e tratei de volta ao meu lugar.
– Obrigado senhorita– ele disse em alto e bom som e depois voltou a sua explicação.
– Chamarei cada um de vocês, um de cada vez. . – serei a primeira... [pensei] –... Em ordem decrescente... – Ufá, ainda bem que não vou ser a primeira pelo menos [ era a primeira vez que essa feliz por ser a ultima] — quem eu chamar levantara e se apresentara da maneira que melhor convir e depois virar aqui e tirara um cartãozinho e fara o que for pedido.
Houve uma pequena agitação na sala que sessou assim que o primeiro nome foi chamado.
– Senhoria Zoe Garcia, por favor- Disse o gat... digo, o professor.
– Sou eu! – a menina que conversava comigo ainda a pouco disse levantando o braço direito. O professor virou-se para ela, assentiu.
– Por favor, seja a primeira a se apresentar, diga de onde é, o que gosta, idade, o que achar melhor... — Ele disse simpaticamente.
– Esta bem- ela respondeu- Como já sabem sou Zoe Garcia, tenho 18 anos sou mexicana, mas moro na Grécia a uns cinco anos com minha mãe e meus dois irmão. Adoro musica, meu estilo favorito é o Rock, banda favorita é SOAD– Ela ressaltou-, amo ler, falo espanhol fluentemente assim como inglês e Grego, escolhi esse curso porque busco intender as relações entre povos, nações. Quero conhecer o mundo e acho que essa é uma das melhores áreas. Bem, resumindo é isso. Esta bom? – ela fez uma rápida apresentação e perguntou ao professor.
Ele ficou alguns segundos a observando – só faltava ser um depravado com as alunas. Ele depois sorri e disse:
– Prazer em conhecê-la senhoria Garcia, esta bom sim. Com um tempo todos nos iremos nos conhecer melhor. – eu tive uma leve impressão que ele ficou me olhando nesse momento... Por favor, venha ate aqui e retire uma cartão e leia para nos.
“Escolha alguém aleatoriamente. Essa pessoa deve recita um poema qualquer”
Ela olhos para os presentes, em um momento até para mim – Só faltava ela me escolher– mas, para minha felicidade, ela optou por um rapaz de pele clara e camelos caramelado, ele era bonitinho a meu ver, percebi que Zoe ficou com os olhos brilhantes quando o viu assim como algumas outras meninas daquela sala.
– Recite um poema de sua preferencia... Ela disse sorrindo para o garoto, entregou o cartão para ele voltou a se senta, o menino se levantou e olhou para todos, no fundo ele parecia tímido, mas estava se esforçando para cumpri a missão e foi incentivado pelo deus grego da sala.
– O que ira recitar?
– que tal um poema de Edgar Allan Poe? – ele disse um tanto temeroso.
– Perfeito, o palco é seu – disse o professor afastando-se do menino em sua cadeia.
“Annabel Lee” um dos mais belos poemas de Edgar Allan Poe havia sido recitado de maneira belíssima, eu fique encantada com aquilo , assim como boa parte das meninas da sala e até alguns meninos, mas vi que aquele poema acabou sendo o direcionando a uma pessoa e ela estava ao eu lado, quase babando, me seguirei para não cair na risada– pelo visto amor a primeira vista existir.
A dinâmica seguiu, entre muitos risos e aplausos, descobri algumas coisas sobre a turma, são 13 meninas e 17 meninos, entre eles existem no mínimo três bi e 3 homo afetivos o resto era hetero – ate hoje não tenho certeza disso- tem gente de todos os continentes, EUA, México, Argentina, Espanha, Japão, Austrália... Mas o melhor não foi isso, mas sim as prendas, tinha cada coisas naqueles cartões, de recitar poemas ate a plantar bananeira, encenações de tragédias clássicas, discursos, mimicas...- fiquei com dó do menino que teve que se apresentar em no mínimo duas línguas distintas (ele usou 4). Todos já estavam se interagindo muito melhor naquela sala, inclusive eu, que já falava com as pessoas ao meu lado, além da Zoe, então percebi qual foi à intenção daquele professor, ele queria que nos conhecêssemos da melhor maneira possível, que fosse com diversão, mas não deixei de notar que o tempo todo ele sempre dava um jeito de invadir minha mente, esta ficando mais reclusa em relação a ele tentando confundi-lo em meus pensamentos, mas ele era habilidoso com seu cosmo e sua psico- telecinese- as coisas estavam ficando complicadas para mim.
– Chegamos ao primeiro da lista- o professor anunciou foi ai que percebi que em nenhum momento eu havia sido chamada para fazer algo e que eu era à única que não havia me apresentado.
– Senhorita Ágata Benevides– ele disse e nesse momento todos se calaram me olhando.
– Oi- disse constrangida ao me levantar, dei dois passos para frente e mentalmente lhe dizendo:
* Agora saberá quem sou*
Todos estavam atentos a mim naquele momento, percebi que era muito diferente de qualquer um. La estava eu, parecendo uma colegial em meio a pessoas que já se portavam como adultas e cheias de personalidade, me senti incomodada por um momento, mas tivesse minha atenção restaurada pelo professor.
– Finalmente saberemos quem é nossa atrasadinha– disse tripudiando- vamos senhorita, todos estamos curiosos para conhecê-la, não é mesmo?- Ao fazer a pergunta, múrmuros ocorreram pela sala positivamente. Ele tinha um sorriso controlado o que me irritava, mas eu iria na onda dele.
–Tenho certeza que querem saber um pouco de mim, mas lhe garanto professor que o senhor possui a apresentação mais esperada por todos, disse rapidamente.
Ele continuava com aquele sorriso, então decidir provocar: ajeitei a alça da minha blusa e tirei a caneta que prendia meu cabelo, sacudir a cabeça para desembaraça-lo e o arrumei rapidamente. Coloquei a caneta encima da minha cadeira e comecei a andar pela sala elegantemente, esbanjava um sorriso convidativo e provocante – sabia fazer isso quando queria.
– Bom dia a todos, como já sabem me chamo Ágata Benevides, sou Portuguesa e vim para a Grécia para estudar, cheguei hoje de viajem na verdade. Tenho 17 anos e essa é a primeira vez que estou em uma sala de aula. Passei a morar com meu Tutor depois que meus pais morreram e sempre estudei em casa– essa foi à história que criei com o mestre Aioros — Adoro jogos, principalmente os de raciocínio logico, ver filmes, ouvir musicas escrever e cantar mesmo na gostando de minha voz * Risos*. Não tenho muitas perspectivas profissionais futuras, meus caminhos já estão traçados, encaro esse curso como uma distração já que passarei grande parte da minha vida nessa cidade a parti de agora.
Fui breve em minhas palavras e obtive reações diversas naquela turma, o que já esperava. Porém, pela primeira vez o professor questionou.
– Você é interessante senhorita Benevides...
– Pode me chamar de Ágata, professor. Prefiro ser tratada assim.
– Como deseja, mas me diga, se você ver esse curso como distração, então porque o escolheu?
– Por que eu gostei do curso.
– Simples assim?– Ele me questionou intrigado
– Sim, simples assim, algum problema com isso?
– De forma alguma. Venha até aqui e vamos ver o que você fará
Fui até o senhor nariz empinado, que nunca tirou aquele sorriso da cara, já estava me dando nos nervos o simples fato de não ter abertura para quebra-los. Retirei o cartão e tenho certeza que sorri ao ver o que estava ali.
– O que fará Ágata?–Ele me pergunta
– “O que nos faremos” o senhor que dizer...- Falei o fitando.
– Hum?- Ele ficou confuso, ocorreram alguns cochichos na sala então li o cartão.
“ Você e mais uma pessoa, de sua preferencia devem cantar a agradar a todos”
– Bom, eu escolho o querido professor- disse em tom de deboche.
– Quem disse que eu posso ser escolhido?- Ele me perguntou e eu respondi sarcasticamente
– O senhor, a partir do momento que disse que essa dinâmica era para nos conhecermos melhor. Não esta com vergonha né? O senhor já fez cada um fazer cada coisa aqui, cantar não seria algo tão ruim para o senhor fazer. Concordam comigo ou não? – perguntei a turma e puxei o coro
– CANTA, CANTA, CANTA, CANTA....
Ele se levantou perante aquilo passou por mim sem falar nada, deixou suas coisas na mesa e pegou o celular. Depois foi ate uma estante que tinhas varias aparelhos, entre ele uma aparelho de som, conectou o celular no mesmo e depois me perguntou:
– Conhece War Of Change?
– O senhor tem certeza?
– Você ficar com as partes mais tranquilas.
– Se é assim que deseja.
Fui andando para o centro da sala, não estava acreditando que cantaria uma musica assim como o professor, trocava palavras com algumas pessoas enquanto o instrumental da musica tocava. Ele me alertou:
– Essa é só instrumental, então cante direito.
– Eu que lhe digo isso, Querido Professor. – Disse-lhe e comecei a cantar
Quem diria que além de deus grego ele sabia cantar. Ao abri a boca aumentou a musica o que animou a todos e me surpreendeu – foi empolgante ele estava gostando também, parecia uma criança. Infelizmente fomos interrompidos – acho que a musica estava alta demais- vi pela janela da porta, não parecia esta bravo, mas olhava direto para o professor enquanto batia na janelinha, não o vi muito bem, mas assim que o Prof. O viu imediatamente desligou a musica, abriu a porta e foi ao seu encontro, não ficou nem um minuto conversando com o homem, porém ao fechar a porta ele estava com outra cara. Nos todos estávamos o observando, não sabíamos o porquê daquilo. Ele apenas nos disse:
– Não façam barulho, arrumem as cadeiras em fileiras.
Fizemos o que ele mandou sem questionamento, fiz questão de ser a primeira da fila bem na frente de sua mesa. Ele ligou o Datashow onde mostrava um slide sobre o curso. Ele começaria a falar – acho que ele tem alguns problemas de comportamento, do nada mudou. Mas alguém bateu na porta. O reconheci, era o Reitor.
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