Give Your Heart A Break
3 Capítulo 3 - Uma nova pessoa.
Notas iniciais
Tinha se passado duas semanas depois daquele dia em que encontrei Junior no sétimo andar. Eu ainda ficava admirando ele quando ele atravessava, era o único momento em que eu me permitia olhar para ele, na escola, eu fingia que ele não existia e nem para cara dele eu olhava.
Eu mantinha minha rotina chata e sem graça. Eu dormia muito e ao mesmo tempo não dormia nada, continuava faltando a escola, minhas olheiras estavam fundas.
Eu tinha aquele ar cansado de sempre, ser solitário era triste, mas eu fingia que não. Eu estava em casa, assistindo TV, uma coisa rara, eu mal ligava a televisão desde que ganhei meu computador. Estava assistindo alguma sitcom americana, eu não estava realmente prestando atenção. Minha mãe não estava em casa, meu irmão também não. Era noite, devia ser umas sete ou oito horas. Eu desliguei a Tv e fui pro meu quarto, sentei em frente do computador e deixei as musicas tocando aleatoriamente. Fui até um bauzinho que eu tenho desde os 12 anos, ele estava escondido, tirei de lá de dentro um maço de cigarro, uma caixa de fósforo e uma gilete. Tudo o que eu precisava no momento.
Fui até a cozinha, peguei um copo e enchi do vinho tinto de minha mãe, voltei pro meu quarto e comecei meu pequeno ritual intimo. Acendi o cigarro e comecei a fumar, com uma das mãos estava o cigarro e na outra o copo de vinho, eu sugava o cigarro, enchia meus pulmões de fumaça, deixa lá por alguns segundo e em seguida solta ele para o ar. Tomei um gole de vinho, ele desceu rasgando minha garganta, eu odiava vinho tinto, mas como não havia outra coisa...
Coloquei o copo de vinho na mesa do computador, peguei a gilete, no braço direito, um pouco acima do pulso, eu passei-a, no mesmo instante uma linha vermelha brotou, pequenas gotinhas de sangue se formaram e se uniram, antes mesmo de cair, eu passei a gilete no braço de novo.
A sensação era revigorante, era quase um gozo, me preenchia por alguns segundos. Inspirei o ar e fechei os olhos, era o meu botão de escape. Eu me sentia vazio e isso me enchia por alguns segundos. Eu não sentia amor, raiva, nada. E acho que tesão não é um sentimento, então pra me preencher eu fazia isso de vez em quando. Adriele me entendia, ela fazia o mesmo, só que pelas razões diferentes. Ela não tinha atenção dos pais, não tinha muitos amigos, os pais estavam se separando, era briga todo dia e ela era meio que a ''esquecida'' da casa ou algo do tipo, eu a ouvia, mas não me me importava realmente. Como eu já disse, eu não ligava pra nada e nem pra ninguém.
Depois de terminado, eu joguei o resto do cigarro pela janela, lavei o copo, escondi tudo, e limpei meu quarto com desinfetante. Tudo isso só pra minha mãe não descobri o que eu tinha feito.
No dia seguinte, eu estava no meu tédio de sempre na escola. Já era hora do intervalo, então já tinha visto Junior atravessar a rua naquele dia, minha cota de admirar ele tinha acabado por aquele dia. Eu estava distraído, quando um garoto veio andando pelo corredor da escola, eu estava encostado na porta da minha sala. Ele tinha um andar engraçado, ele era rígido, parecia que tava com gesso pelo corpo, o seu andar parecia o de um pinguim com assaduras. Ele entrou na minha sala e começou a conversar com todo mundo, fazia graça e palhaçadas. Começou a zoar Lucas, um garoto lerdinho da minha sala, mas Lucas parecia não se ofender ou não demostrar isso.
–Lucas, você é alto pra caralho, man. — disse o garoto. — Tem quantos metros, jovem?
–1,92. — disse Lucas rindo timidamente.
Eu já tinha visto ele antes, no começo do ano, mas não me importei muito com ele. No meu primeiro dia de aula, Verônica disse que ia me apresentar a ele, ela sabia como eu bebia e fumava e ela disse que ele era a mesma coisa, era conhecido na escola, mas não chegava a ser popular como o Junior. O nome dele? Rodrigo.
–Com esse tamanho, imagino que o seu filho vai ser do tamanho de um meteoro. Tadinha da mãe. — disse eu, e Rodrigo riu e olhou pra mim. Olhar dele era sexy, não porque ele forçava isso, não estava querendo me seduzir, era algo dele.
Porém, ele não era nenhum deus grego. Sua beleza era embaçada. Seus cabelos eram cacheados e de um loiro sujo. Seu olhos eram claros, mas eu não conseguia saber a cor, eram tão claros que quase não se via a pupila. Ele era mais bonito quando estava sério, seu sorriso era estranho. Mas ainda assim, eu o achei bonito, e isso me deu raiva. Ódio. Repulsa.
E depois daquele dia, essa raiva não saiu da minha cabeça e por consequência, Rodrigo não saiu da minha cabeça. E eu esqueci quem era Junior.
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