Give Your Heart A Break

18 Capítulo 18 - Ressentimentos


Notas iniciais
Olha só quem está aqui novamente haha primeiramente eu gostaria de agradecer por vocês não nos abandonarem, e Annie Targaryen Stark, muito obrigada pela recomendação, nós amamos, mesmo! Então, é só isso mesmo haha Boa leitura.

POV Damon

– Vamos cara, levanta daí!

Um braço me puxava e uma mão tirava algo da minha mão. Abri os olhos tentando me adaptar a claridade que adentrava no quarto. Demorou para eu ver Stefan e Klaus parados na minha frente.

– Bom dia bela adormecida alcoolizada! — Klaus me cutucava na coxa com a ponta do sapato.

Olhei ao redor e percebi que estava sentado ao lado da lareira do meu quarto. Uma garrafa de Bourbon vazia estava aos meus pés e eu ainda estava vestido com a roupa do dia anterior. Flashbacks da noite anterior piscavam na minha cabeça ao mesmo tempo que uma dor terrível se propagava e pulsava em minhas têmporas.

Ótimo Damon, — pensei comigo mesmo — não basta a humilhação com a Katherine na noite passada, a humilhação agora com seu irmão e seu primo, tem que ter uma maldita ressaca.– Fechei os olhos querendo desmaiar.

– Vamos bebum! Levanta dai! — Stefan pegou meu braço me puxando.

– Ah, por favor! Será que eu não posso curtir minha ressaca em paz?

– O que você acha que foi? — Klaus falava com meu irmão como se eu não estivesse ali. — Toco? Dívida? Paixão não correspondida? — Ele pegou meu outro braço ajudando Stefan a me levantar.

– Isso tem cara de algo específico: Katherine. — Ao ouvir seu nome, meu coração bateu desregulado e eu despenquei na minha cama.

– Calem a boca vocês dois. Vão cuidar de suas namoradas e fechem as cortinas antes de sair.

– Aquele teu plano mirabolante deve não ter dado certo. — Stefan murmurava enquanto tirava meu sapato.

– Nossa! — Exclamei fingindo estar surpreso. — Descobriu isso sozinho, Sherlock?

– Ah, larga de ser reclamão e supere isso como um homem de verdade. — Klaus falava rindo enquanto enchia o copo que ficava minha cabeceira, de água.

– E como seria isso? Passando o dia no plantão do hospital? — Respondi acidamente.

– Não. — Ele sorriu maliciosamente. — Bebendo mais com seu primo e seu irmão. — Estendeu o copo com água para mim.

Levantei para pegar o copo e retribui seu sorriso.

– Primo, você sabe como animar alguém!

Stefan revirou os olhos rindo.

– Vamos pudim de mágoa e cachaça. Você tem 10 minutos para se arrumar, descer e irmos encher a cara. — Meu irmão bateu nas costas de Klaus e ambos fazendo gracinhas saíram de meu quarto fechando a porta.

Suspirei e levantei da cama tirando a camiseta que vestia. Um som chamou minha atenção enquanto caminhava para o banheiro.

Meu celular.

O nome de Katherine piscava no visor enquanto ele vibrava.

Eu poderia atender, mas eu realmente não queria falar com ela depois de tudo aquilo que havia ocorrido ontem. Ao mesmo tempo que tudo estava bem entre nós, tudo desmanchava a nossa volta. Ela me confundia, me irritava, me excitava e me deixava louco ao mesmo tempo.

O celular continuava a tocar.

– Katherine. — Atendi do jeito mais frio que eu poderia.

– Damon? Ah, Damon! Finalmente! Por que você não me atendeu ontem? Onde você estava? — Sua voz beirava a histeria e ao mesmo tempo que ela parecia aliviada, ela pareceu começar a se irritar.

– O que você quer? — Perguntei no mesmo tom sem vida de antes.

– Como assim, "o que eu quero"? Estou tentando falar com você desde ontem, mas você não me atendeu. Por que, Damon?

– Porque eu não quis, obvio.

Ela inspirou profundamente do outro lado da linha.

– Desculpa, Damon. Me perdoa por ontem. Eu...

–Katherine, eu não quero conversar com você agora. Vou desligar, ok?

– Damon, eu não...

Não continuei ouvindo e desliguei a chamada. Joguei o celular na cama e com uma sensação triste mas ao mesmo tempo aliviada, fui para um banho rápido.

Por mais que eu me esfregasse, que o sabonete adentrasse em meus poros e a água quente escorresse e queimasse por meu corpo, eu não conseguia parar de sentir o cheiro daquela garota em mim. Ela estava impregnada em minha pele como tatuagem e eu já me sentia como a alguns anos atrás: novamente apaixonado por Katherine e ao que me parece eu ia me ferrar novamente.

Ou talvez não.

Talvez umas noites de farra, bebedeira e varias mulheres arrancariam essa tristeza esmagadora que eu estava sentindo. Desliguei o chuveiro e fui vestir minha roupa rápido antes que Stefan batesse na porta do meu quarto reclamando.

***

– Se essa anta não demorasse tanto no banho!

Ao invés de meu irmão, era Klaus quem reclamava por minha demora enquanto dirigia o carro.

– Ah largue de reclamar primo! Além do mais, demorei porque Katherine me ligou.

Olhei para o retrovisor e encontrei o olhar de Stefan que estava sentado no banco da frente.

– O que vocês conversaram? — Ele questionou.

– Você sabe, as mesmas besteiras que se conversa quando esta chateado com alguém.

– Ela ao menos pediu desculpas?

– Sim, mas eu não prolonguei muito a nossa conversa.

– Até que enfim um pouco de amor próprio em você.

Stefan zombava, mas era notável sua preocupação comigo.

– Bem, — Klaus falou enquanto fazia a curva em uma rua que eu conhecia. — vamos esquecer Katherine e focar na bebedeira de hoje, porém antes eu preciso passar rapidinho na casa de Caroline.

Estava explicado o porquê de eu conhecer a rua.

– Por Deus, Klaus! Você não pode falar depois com a Barbie? — Exclamei exasperado.

– Ate poderia, mas não quero. Além do mais, tenho que entregar a cópia chave do meu apartamento do centro pra ela, para podermos nos encontrar depois do bar. — Klaus respondeu com seu sorriso sinistramente torto.

Meu primo estacionou o carro na porta de Caroline que já o aguardava na porta e após alguns minutos de conversa e depois de um beijo exageradamente meloso para irritar a mim e a Stefan que buzinávamos para ele se apressar, ele finalmente voltou para o carro.

– Até que enfim! — Stefan gritou — Já estava para fazer uma ligação direta no carro e te deixar ai.

– Cale a boca, Stefan! — Klaus ria dando partida no carro — Você é pior com Elena.

– Os apaixonadinhos querem fazer o favor de andar logo? — Reclamei — Se vamos falar de amor, eu preciso estar bêbado pra isso.

***

– WOW! OLHA ESSE BAR! — Stefan gritava para que pudéssemos escutá-lo através da musica alta que tocava.

Era ainda início de noite, mas o bar já estava cheio. Eu nunca tinha ido naquele lugar que ficava em uma cidadezinha pertinho de Mystic Falls. Apesar de ser um pouco pequeno, era muito confortável, sem contar que havia muitas mulheres bonitas e diferentes das de minha cidade.

– Olá olhos azuis! — Uma loira siliconada com um decote provavelmente maior que o cérebro sussurrou ao passar por mim.

Limitei-me a sorrir para ela.

– O que um belo par de olhos azuis proporciona, não é mesmo? — Stefan ria. — Vou passar a usar lentes agora para ver se mais loiras burras prestam atenção em mim.

– Como se seu belo par de esmeraldas não tivesse o mesmo efeito sobre elas, né? — Klaus retrucou.

– Além do mais, o que será que Elena acharia disso? Ela por um acaso sabe que você está aqui? — Questionei.

A testa de Stefan franziu.

– Noops. — Ele respondeu já sacando o celular do bolso e depois de discar o número e esperar alguns instantes, Elena atendeu. — Meu amor... — Stefan disse saindo de perto de nós provavelmente procurando um lugar com menos barulho.

– Eu só espero que ela não acabe com a nossa alegria. — Disse sentando no banquinho do bar enfrente ao balcão, chamando o garçom.

– Acho pouco provável, mas também espero que não. — Klaus respondeu pensativamente.

– Caroline não achou ruim?

– De início sim, mas depois ela viu que não tinha motivos para isso. E também mais tarde a gente vai fazer a nossa própria festinha.

– Uh, poupe-me dos detalhes.

O garçom já estava servindo nossos whiskys quando Stefan voltou com uma cara não muito boa.

– Deixa eu adivinhar: a polícia anti-diversão mandou você voltar? — Perguntei revirando os olhos.

O rosto de meu irmão permaneceu sério por mais alguns instantes, mas depois um sorriso sacana brotou em seus lábios.

– Você é muito previsível, Damon. É óbvio que ela não disse nada, já que entre nós três, eu sou o que mais tem juízo, então eu que cuidarei de vocês.

– Ai Deus! Ele quem é a policia anti-diversão! — Klaus exclamou e nós rimos.

– É irmãozinho, mas você não vai ser babá de ninguém. A farra é integral hoje. — Falei acenando para o garçom trazer um copo para meu irmão. — Além do mais, você me chama de óbvio, mas aposto que nunca transou com nenhuma mulher pelos becos da nossa querida Mystic Falls.

Nesse momento, vi whisky saindo como chuveiro da boca de Klaus e Stefan me olhando chocado.

Bingo!

– NÃO CREIO! QUEM FOI SUA PARCEIRA DE CRIME NESSA INSANIDADE? — Stefan gritava chocado enquanto Klaus limpava a boca e ria.

– Começa com Kath e termina com Erine, gênio.

– Vocês são loucos! Como que conseg...

Klaus falava, mas uma mulher ruiva o interrompeu praticamente se jogando nos braços dele.

– Niklaus Mikaelson! — Ela deu um beijo demorado em seu rosto.

Eu a conhecia, mas não sabia de onde... Seu nome estava na ponta da minha língua... Joana? Jussara?

– Jessica. — Klaus respondeu sem nenhuma animação e enchendo novamente seu copo de whisky.

Jessica! Até que ela era bem bonita, mas se eu não estava enganado, ela já tinha fodido com a vida de meu primo algumas vezes. Olhei para Stefan que observava Jessica e quando ele me olhou de volta eu sabia muito bem o que significava aquela expressão com a sobrancelha arqueada e o nariz um pouco franzido: ENCRENCA!

Klaus por pura educação nos apresentou a mulher.

– Você obviamente conhece meus primos Damon e Stefan.

– Claro que sim! — Ela nos olhou de cima a baixo como só uma verdadeira piranha conseguiria fazer. — Vejo que a beleza é de família. Prazer em revê-los rapazes. — Eu e meu irmão nos limitamos a sorrir educadamente. — Eu e minha amiga ali — Ela apontou para a loira que falou comigo quando chegamos ao bar que estava sentada em uma mesa — podemos nos sentar com vocês?

– Desculpe Jessica, mas é uma noite só para os garotos. — Stefan respondeu.

– Ah, mas o que seria dessa noite sem algumas garotas para divertir vocês? — Jessica perguntou com a voz manhosa acariciando Klaus.

– Eu não quero ser deselegante com você, Jessica. Vá embora e me deixe em paz de uma vez. — Klaus respondeu.

Era notável como ele estava desconfortável e irritado com aquela situação. Ela se abaixou o suficiente para que sua boca alcançasse a orelha de Klaus.

– Tudo bem meu amor. — Provavelmente ela achava que estava sussurrando, porem eu e Stefan conseguíamos ouvir o que ela dizia. Neste instante eu tive a sensação de ver um flash de câmera na nossa direção, mas ao olhar em volta não vi ninguém com celular ou câmera na mão. Jessica continuou. — Mas se mudar de ideia, vou estar por aqui.

Klaus revirou os olhos e virou o resto do whisky do copo, enquanto Jessica saia rebolando em seu vestido curto.

– Mas que bela vadia, hein primo? — Perguntei fazendo piada para aliviar o clima tenso.

– Pode ficar com ela pra você.

– Ah não! — Levantei os braços. — Eu passo. Você quer irmão?

– Na verdade eu estou querendo que o garçom venha encher meu copo de novo, porque estou a fim de ficar bêbado logo.

– Sábias palavras irmãozinho. Sábias palavras.

E como se tivesse ouvido o recado, o garçom apareceu com mais uma garrafa de Bourbon para ajudar na nossa felicidade.

***

00:42, 4 garrafas e meia depois, não tão bêbados, mas também muito alegres, resolvemos que já era hora de ir, já que Klaus iria encontrar Caroline e Stefan dormiria com Elena. Eu provavelmente terminaria a noite com a velha e boa garrafa de Bourbon no Mystic Grill.

– Quem, humpf, quem está em melhor condições de dirigir? — Klaus perguntou tentando tirar a chave do carro do bolso. De nós três, ele parecia ser o que estava pior.

– Você com certeza que não é. — Stefan ria descontroladamente.

Tomei a chave das mãos de Klaus.

– Vamos, seus frouxos! Eu levo a gente.

Peguei três garrafas d'água pra ver se eles chegavam um pouco melhor em Mystic Falls.

– Já podem começar a beber estas águas se não quiserem apanhar das namoradas de vocês.

Enquanto nos encaminhávamos para a saída do bar, a tal de Jessica surgiu em nossa frente.

– Já vai tão cedo, meu bem? — Ela questionou segurando Klaus pelos ombros.

Todo desajeitado ele tentou se livrar das mãos dela.

– Não é da sua conta, vadia.

OPA!

– Nhaa, também te amo!

E dizendo isso ela se lançou a frente, dando-lhe um selinho que se ele não tivesse usado todo seu controle de bêbado, teria se tornado um beijo. E novamente eu tive a sensação de ter visto um flash...

– Moça, por favor, você pode nos dar licença? — Falei já sem muita paciência com aquela piranha enquanto Klaus limpava a boca de um jeito engraçado parecendo estar enojado.

Ela tinha um sorriso diabólico nos lábios, porem não disse nada permitindo a nossa passagem.

– Ok seus pudins de whisky, — falei enquanto entrávamos no carro — sejam bem vindos ao Expresso Salvatore. Próxima parada: Mystic Falls.

***

– Cacete Damon, diminui essa velocidade! — Klaus que agora estava um pouco mais consciente, se segura no banco do carro. — Você sabe quantas pessoas dão entrada por dia em um hospital por causa de acidente de carro?

– Relaxa ai, Doutor! — Respondi manobrando o carro na frente do prédio. — Você já está em casa. Boa trepada. — Pisquei o olho enquanto ele saia do carro e Stefan dava a volta para sentar no banco da frente.

– Cala a boca, idiota. — Klaus disse e se virou para entrar no prédio.

Manobrei o carro novamente e olhei para Stefan que estava calado o caminho todo.

– O que você está pensando? — Questionei arrancando em velocidade com o carro.

– Que você poderia dirigir mais devagar antes que se envolva em algum acidente. — Ele respondeu, mas sabia que eu não estava acreditando em sua resposta. Dando um suspiro, ele prosseguiu. — Você não achou estranha a atitude da tal Jessica na hora que estávamos saindo?

Mordi o polegar enquanto segurava o volante com uma mão só.

– Sim, eu achei. Mas eu não consigo fazer a ligação dos fatos.

– Eu também não, mas acho que ela vai se aproveitar dessa noite para fazer algo contra nosso primo.

– Não duvido nada. Ela tem cara de quem adora infernizar os outros. — Refleti.

– Só espero que ela não resolva interferir no namoro de Klaus e Caroline. — Stefan tirava o cinto de segurança, uma vez que já estávamos na rua da casa de Elena. — Não vai descer? — Ele perguntou.

Descer significava encontrar Katherine e ter que fingir que nada tinha ocorrido para manter as aparências para sua família e eu não estava no clima pra isso.

– Vou ignorar sua pergunta. — Respondi colocando o carro em ponto morto em frente a casa dos Gilbert, pra ele descer. — Te vejo amanhã. Obrigado pela diversão de hoje.

Stefan saiu do carro e sorriu.

– Cuidado no volante. — Ele advertiu

– Sempre tenho. — Senti meu sorriso torto desenrolar sobre meu rosto.

E assim, cantando pneu, parti para terminar a noite no Mystic Grill.

***

– Vamos Donovan! Enche logo essa porcaria de copo.

– Damon, eu não vou deixar você ir embora dirigindo desse jeito não. Além do mais, já chega por hoje. Acho que você nem sabe onde mora. — Ele riu.

– Desde de quando garçom virou babá? — Perguntei sentindo a cabeça leve e as pálpebras pesadas. Definitivamente eu estava bêbado.

– E quem disse que eu vou ser sua babá? — Matt questionou arqueando uma sobrancelha. — Há pessoas que podem fazer isso melhor do que eu. — Ele olhou para trás indicando com a cabeça e eu repeti o gesto.

Ah não. Não era possível.

– Matt Donovan, amanhã quando eu já estiver livre da ressaca, eu socarei estes teus olhos azuis até eles ficarem roxos.

De todos os habitantes de Mystic Falls, do planeta, do universo, ele tinha que ter chamado Katherine.

– Vamos Damon.

– Quem disse que eu vou embora com você? — Virei o resto de whisky do meu copo.

– Eu estou dizendo. Vamos embora. — Seu olhar demonstrava como ela estava irritada.

– Vai achando bebê. — Falei levantando e colocando um monte de notas em cima do balcão para pagar a garrafa inteira que eu havia consumido.

Katherine continuou na minha frente não permitindo que eu passasse. Nas condições que eu estava, tive de me apoiar no banco para não cair.

– Você pode me dar licença?

– Me dê a chave do carro.

– Licença.

– Chave do carro.

– PORRA KATHERINE! SAI DA MINHA FRENTE! — Explodi sentindo o mundo girar mais rápido.

Seus olhos se arregalaram por um instante, mas depois ela deu um passo a frente se aproximando de mim. Suas mãos voaram para a lapela de minha jaqueta e ela me puxou com força contra si. Nossos rostos estavam a centímetros um do outro e ela trazia a expressão mais sinistra que eu já tinha visto.

– Escuta aqui, seu idiota, — Katherine sibilou olhando direto nos meus olhos — eu até entendo que você esteja chateado e desconte as mágoas no whisky, mas você não pode ser tão estúpido ao ponto de encher tanto a cara e querer dirigir, portanto me dê a porra da chave desse maldito carro, ou eu vou ter que te apagar e te carregar ate lá.

Seu rosto era duro e inflexível me deixando completamente sem reação. Ela alguma vez já havia falado comigo daquele jeito? Aquilo era sexy. Muito sexy. Parte da minha consciência alcoolizada imaginava ela me dominando na cama, enquanto a outra parte de minha consciência retirava a chave do meu bolso e entregava para ela que ainda me segurava. Eu não conhecia esse lado autoritário, portanto era melhor não desafiá-la.

– Ótimo. — Katherine finalmente soltou minha jaqueta, mas me segurou pelo braço para me auxiliar, deu um breve aceno para Matt e assim fomos para o estacionamento.

– Você está tão cheirosa! — Murmurei enquanto ela se debruçava sobre mim para prender o cinto de segurança.

– E você está cheirando a Bourbon.

– Então definitivamente estou mais cheiroso que você. — Katherine riu.

– Idiota.

Ouvi o clic do cinto de segurança travando e aqueles pequenos olhos castanhos agora me observavam cautelosamente. Uma de suas mãos foi para minha bochecha e me acariciava. Não pude deixar de me inclinar para o seu toque, mas ai de novo o mundo girou violentamente e eu fiz uma careta.

– O que foi? — Perguntou preocupada.

– Acho que o whisky já esta deixando seus efeitos.

Katherine correu para o banco do motorista e antes mesmo de colocar o seu cinto, já estava manobrando o carro com uma mão só, em alta velocidade.

– Depois ainda dizem que eu quem sou doido pra dirigir.

– Bem, é melhor eu correr antes que você comece a vomitar nesse bebê aqui. — Ela bateu de leve no volante. — Você comeu alguma coisa?

– Não que eu me lembre, mas eu não estou lembrando de muita coisa no momento.

Senti ao invés de ver seu olhar de censura em cima de mim enquanto ela aumentava mais ainda a velocidade.

Meu Deus!

Se continuássemos correndo daquele jeito, ou eu vomitaria de fato, ou acabaríamos no hospital.

– Por favor. — Falei fechando os olhos e encostando a cabeça no banco. — Vá devagar!

– Não preciso mais correr. Chegamos.

– Graças a Deus! — Dei um suspiro e tirei o cinto.

Quando sai do carro, acabei me desequilibrando e caindo de cara no chão.

– Merda! Merda, merda!

Katherine ria de mim enquanto eu tentava me levantar.

– Não podia esperar eu sair do carro pra te ajudar, né? — Ela perguntou estendendo a mão para me ajudar, me puxando contra si.

***

Acho que acabei cochilando ou algo do gênero, porque em um instante eu estava na garagem de casa com Katherine tentando me levantar, e no outro eu já estava na minha cama com ela em cima de mim.

– Vamos Damon, acorde!

Abri meus olhos com relutância para ver ela com as pernas ao lado de meus quadris, curvada sobre mim e me dando tapinhas no rosto.

– Katherine, eu não vou conseguir transar com você no estado em que eu estou. Além do mais, a gente não tem mais nada um com o outro, lembra.

Ela não disse nada, apenas me puxou para que eu ficasse sentado e retirou minha camiseta. Saindo de cima de mim, ela retirou meus sapatos e calça, me deixando só de cueca. Depois foi no banheiro e voltou com uma toalhinha úmida e ficou passando levemente na minha testa.

Minha consciência e meu raciocínio já estavam um pouco mais despertos e eu tentava entender o porquê de ela estar ali cuidando de mim daquele jeito. Por que ela se deu o trabalho de sair de sua própria casa para cuidar de um bêbado que evitou falar com ela por dois dias? Será que algo tinha mudado com relação aos seus sentimentos por mim?

– Você não esta muito comunicativa hoje. — Afirmei enquanto ela se sentava na cama e continuava a passar a toalha na minha testa.

– Não há nada para ser dito. — Respondeu friamente.

– Ouch!

Meu estômago se contorceu e senti o vômito vindo.

– Katherine, eu acho que vou...

Ela se apressou e puxou um balde que estava ao lado da cama. Onde ela tinha arranjado ele? Meu corpo convulsionou e eu comecei o martírio de uma sequência de vômitos e contrações abdominais. Katherine segurava minha cabeça e apoiava o pano fresco na minha testa. Quando os vômitos cessaram, ela recostou minha cabeça em seu colo.

– Por favor, não quero beber whisky tão cedo. — Murmurei com os olhos fechados.

– Duvido muito. — Ela riu baixinho.

Um longo instante de silêncio se estendeu entre nós.

– Obrigado. — Murmurei.

– Por?

– Por ter vindo cuidar de mim mesmo depois de tudo.

– Claro, sou eu quem sempre te salvo de enrascadas.

– Ou me põe nelas.

Ambos rimos.

– Você sabe que a gente ainda precisa conversar, né? — Katherine questionou.

Suspirei fundo me levantando de seu colo.

– Sim. Eu não queria, mas tem que ser.

Katherine fez uma careta e se levantou.

– Se você quiser pode ser amanhã quando estiver melhor... Bom, eu vou indo.

– Não! — Exclamei segurando a sua mão. — Não vá! Fique comigo hoje.

– Damon, nós não estamos juntos...

– Eu sei, mas eu quero que você fique. — Era nítida a batalha interna que ela lutava entre a vontade de ficar e a sensatez de ir. — Por favor? — Pedi novamente.

Depois de um tempo me olhando, finalmente Katherine se sentou ao meu lado na cama e começou a tirar suas botas de salto e depois sua blusa, ficando só de calça e sutiã.

– Deite-se, seu pidão.

Ela sorria imitando o sorriso bobo que se estendia em meu rosto enquanto eu deitava. Katherine levantou novamente.

– Você não vai vir? — Perguntei de repente preocupado.

– Você não espera que eu durma de jeans, né? — Ela pegou um de meus shorts no meu guarda-roupa e tirou sua calça vestindo-o.

– Na verdade, eu esperava que você viesse dormir comigo nua.

Ela riu e revirou os olhos.

– Sem chance, Salvatore.

Deitando-se na cama ao meu lado, ela me olhava e depois estendeu a mão para me fazer um cafuné. Eu não conseguia resistir àquela mulher. Se a gente não transaria, eu precisava ao menos ter minha pele em contato com a dela. Pegando-lhe de surpresa, deitei a cabeça em seu colo inspirando fundo para sentir o doce cheiro de sua pele. Katherine continuou fazendo cafuné em mim e eu fechei os olhos apreciando o raro momento de tranquilidade entre nós dois.

Eu estava apaixonado por ela isso não era de agora. Sua volta a Mystic Falls só serviu para reascender algo que estava adormecido em mim. Algo que me dominava por completo e que eu tinha certeza que provavelmente ainda me daria muita dor de cabeça e também no coração, mas todos esses transtornos poderiam ser recompensados se acabassem como a gente estava ali agora. Estávamos unidos de um jeito que era quase impossível ficar separados um do outro e hoje era a prova real disso.

Katherine me amava, só ainda não queria assumir isso. Ninguém sairia de sua zona de conforto para cuidar de alguém com quem havia brigado mais cedo e ela não me pressionou para saber se eu estive com alguém como havia feito na noite em sua casa.

Pensar nisso sobre essa perspectiva era revelador e trazia um grande alívio. Eu não poderia perder aquela mulher novamente e se era para eu quebrar a cara futuramente, que quebrasse desde que ao menos tivesse valido a pena por um dia.

Seu cafuné em minha cabeça foi se tornando mais devagar e eu tinha a sensação que ela já estava praticamente dormindo.

– Katherine? — Chamei baixinho.

– Hmmm? — Ela perguntou.

– A gente pode tentar começar novamente?

Ouvi seu coração bater irregular. Sua mão puxou meu cabelo suavemente para poder olhar em meus olhos. Passou um longo tempo com a gente fitando um ao outro e sem ela dizer uma palavra.

MEU DEUS, QUE AGONIA GAROTA!!

– Claro que sim!

Katherine sorriu enquanto me dava um selinho, mas eu estava tão feliz e aliviado naquele momento que apenas um selinho não seria o suficiente para mim. Minha boca foi para seu pescoço enquanto minhas mãos desciam pelo seu corpo apertando, sentindo. Logo já estávamos perdidos um no outro da maneira que sabíamos que curaria todas as tensões daquele dia insano.

POV Klaus

Damon me deixou na portaria do meu prédio e saiu cantando pneu com Stefan. Doido! Eu tinha a impressão que qualquer dia desses eu atenderia ele no hospital por causa de um acidente. Sacudi a cabeça tentando evitar esse pensamento e cumprimentei o porteiro com um aceno. Peguei o elevador para o meu andar ansiando que ele fosse mais rápido para que eu encontrasse logo com Caroline.

Cheguei no apartamento e para a minha surpresa, a porta estava entre aberta.

– Caroline? — Chamei baixinho.

Ela estava sentada na sacada, de costas para a porta e pareceu não me ouvir.

– Hey! — Murmurei abraçando-a por trás. — O que você está fazendo aqui fora nesse frio?

Caroline se desvencilhou sutilmente dos meus braços e se levantou da cadeira para me olhar. Seus olhos claros estavam mais escuros e ela tinha uma expressão dura no rosto, como se estivesse furiosa. Senti um arrepio gelado descer da minha nuca para minha coluna.

– Klaus, de tudo o que a gente viveu, da minha história que vivi com Tyler antes de te conhecer, pela minha personalidade, por tudo, você deveria saber que eu não sou idiota e que eu não tolero esse tipo de coisa. — Ela sibilava estreitando os olhos.

– Do que você está falando, meu amor? — Perguntei confuso estendendo a mão para tocá-la.

– Não me chame de meu amor e nem ouse me tocar. — Caroline falou algumas oitavas mais alto e deu um passo para trás. — Você perdeu esse direito quando achou que poderia me enganar e me fazer de idiota.

– Por Deus, Caroline! Do que você esta falando?

– Disso!

Ela sacou o celular do bolso e virou para mim, onde havia uma foto minha e com Jessica praticamente em cima de mim.

– Ah não. — Sussurrei baixinho.

– Ah sim, Niklaus. Você por um acaso achou que ia conseguir esconder isso indo para outra cidade para se encontrar com ela? Como você teve coragem de fazer isso comigo? Eu confiei em você!

– Car, me escute! Eu não estou te traindo. Eu estava com Damon e Stefan no bar, mas a Jessica ja estava lá. Acredite em mim meu amor, por favor!

– Acreditar em você? — Ela gritou. — Você quer que eu seja uma idiota em suas mãos? Veja essas fotos, Klaus. Como eu posso pensar em acreditar nas suas palavras?

Caroline jogou o celular para mim e realmente havia mais uma foto em que parecia que Jessica estava me beijando. Eu não conseguia lembrar daquilo direito e isso me irritava. Qualquer resquício de bebida que tinha no meu corpo havia evaporado naquele momento.

– Eu não estou te traindo, Caroline! Você tem que acreditar é em mim, não em fotos que mandam pra você. Aliás, quem mandou essas porcarias de fotos? — Perguntei indignado.

– Isso realmente importa?

– Claro que importa, Caroline. — Respondi começando a me irritar. — Alguém quer manipular sua cabeça contra mim e você acha que isso não importa? Eu estou te jurando que eu não estou tendo um caso com a Jessica. Ela estava no bar, se insinuou para mim, mas eu não dei moral. Damon e Stefan estão de prova, eles estavam lá comigo. — Comecei a falar mais alto. — Se você não acredita em mim, pergunte a eles.

– Eu não vou perguntar a nenhum deles, porque quem garante que eles não estão ao seu lado? — Caroline gritava de volta se aproximando de mim e me cutucando no peito. — Deus sabe a quanto tempo vocês estão juntos me fazendo de idiota.

– CAROLINE, PARE COM ESSA PORRA DE PARANÓIA! — Gritei.

– ALÉM DE TUDO VOCÊ AINDA ME CHAMA DE LOUCA? — Ela batia em meu peito. — COMO VOCÊ PÔDE KLAUS? COMO VOCÊ PÔDE JOGAR TUDO O QUE VIVEMOS NO LIXO?

– CHEGA! — Segurei seus pulsos para ela parar de me estapear. — EU ESTOU FARTO DESSAS SUAS CENAS PATÉTICAS DE CIÚMES, EU ESTOU FARTO DE VOCÊ NÃO ACREDITAR EM MIM. EU NÃO SOU SUA PROPRIEDADE CAROLINE.

Abaixei suas mãos com violência enquanto ela me fitava parecendo estar um pouco assustada, mas muito furiosa.

– Já que você não me aguenta mais, a gente termina aqui.

Caroline se virou e jogou a chave que estava com ela em cima do sofá e saiu do apartamento batendo a porta com muita força.

Fiquei encarando a porta por mais alguns minutos enquanto pensava em tudo aquilo que tinha acabado de acontecer. Caminhei até minha cama e desabei lá querendo que o sono me levasse para alguma dimensão paralela onde Caroline não fosse tão ciumenta e louca e onde a gente poderia ser feliz.

Notas finais
Espero que tenham gostado amores! Não esquecem de recomendar, comentar, favoritar, enfim haha Até o próximo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.