Give Your Heart A Break
16 Capítulo 16 - Say Something
Notas iniciais
POV Caroline
Como eu consegui chegar em casa, sem bater em um poste, ou atropelar alguém, nem eu sei. Cheguei aliviada em saber que minha mãe estaria trabalhando e que ela não iria me ver bêbada e ainda por cima triste, pois Klaus havia me deixado de lado a noite inteira.
Abri a porta e entrei indo direto para o banheiro do meu quarto. Tirei meu vestido e abri o chuveiro para tomar um banho pois precisava tirar toda a maquiagem e ver se a tontura que eu estava sentindo iria passar.
Depois de 30 minutos no banho, me enxuguei e coloquei meu pijama e a única coisa que eu queria naquele momento era dormir e esquecer aquela noite. Deitei em minha cama e esperei ate que o sono viesse tentando evitar pensar em tudo que tinha ouvido e visto.
***
Às 7:00 meu celular vibrou. Era um sms de Elena falando que iria passar o dia comigo. Respondi dizendo que tudo bem e que a esperaria para tomar café. 20 minutos depois, Elena tocou a campainha e eu desci para abrir a porta para ela.
– Hey Car. — Elena me abraçou. — Bom dia.
– Oi Lena. — retribui ao seu abraço. — Bom dia.
– Então... por que saiu tão cedo da festa ontem?
– Longa história...
– Bom, eu tenho o dia todo para ouvi-la, porque não me conta enquanto tomamos café?
Sentamos a mesa e tomamos café enquanto eu contava a ela sobre o que havia acontecido.
– É, Klaus vacilou feio dessa vez. — Ela falou enquanto mordiscava um pedaço de pão.
– Tudo bem Lena, as vezes não era para ser mesmo...
– Ok, não quero te ver triste assim. Hoje à noite vamos ao Grill, até porque hoje é dia de karaokê e até agora, você foi a única que não cantou. — Elena abriu um sorriso travesso. — Vamos beber e aproveitar bastante.
– E eu vou ter que ficar de vela pra você e Bonnie? Sei não hein? — Disse rindo.
– Você nunca fica de vela e sabe disso...
– Ah Lena, não sei se é uma boa ideia...
– Vamos Car... — Ela me olhava com uma carinha triste e fazendo bico.
– Ok, eu vou. — disse sorrindo e revirando os olhos.
***
Bonnie havia chegado em minha casa e começamos a nos arrumar. Optei em deixar meus cabelos cacheados, coloquei um short preto, com meu scarpin vermelho, e uma blusa branca. Elena optou por uma saia jeans e uma blusa vinho, com uma sapatilha preta, enquanto Bonnie vestia uma calça jeans e uma blusa verde, com uma sapatilha preta. Nos maquiamos, passamos nossos melhores perfumes e no carro de Elena, fomos à caminho do Mystic Grill. Assim que chegamos, encontramos Stefan, que estava mexendo em seu celular e ao seu lado Kol, ambos estavam na entrada esperando Elena e Bonnie. Cumprimentei Kol e Stefan.
– Eu não deveria ter vindo, sem contar que amanhã temos aula... — Comecei a resmungar.
– Eu não acredito que Caroline Forbes está mais preocupada com a escola do que beber com seus amigos. — Stefan disse.
– Eu sempre me preocupei, e você sabe disso, Salvatore. — Falei com cara de deboche.
– Car, amanhã você dorme na aula do Ric, fala que está passando mal, a não ser que prefira dormir na Educação Física e a gente perca o treino de líder de torcida. — Elena falou.
– Nem pensar dormir na Educação Física, nós temos muitas meninas para treinar!
– Ok meninas! — Stefan revirou os olhos evidentemente desinteressado pelo assunto. — Agora nós podemos entrar?
– Tá bom, senhor apressadinho. – Respondi rindo para ele.
***
Já estávamos na segunda garrafa de tequila quando as pessoas começaram a usar o karaokê. Muitas cantavam terrivelmente desafinadas, o que nos fazia rir até faltar o ar.
– Ok Miss Mystic Falls. — Bonnie me puxou pela mão e me empurrou em direção ao palco. — Não tem ninguém lá agora, portanto é sua vez de cantar.
– Ah não, não, não! Eu não vou pagar esse mico sozinha. — Reclamei me sentindo tonta por causa das tequilas.
– Vai sim! Você riu da gente nos outros dias em que tivemos de cantar sozinhas. Sua vez agora!
Elena que tinha vindo atrás de nós, me deu um tapa no bumbum e me empurrou de novo.
– Hei! — Protestei.
– Vai logo! — As duas disseram em uníssono e por trás delas, pude ver Stefan e Kol rindo.
– Ok então.
Suspirei fundo tendo plena consciência de que no outro dia me arrependeria de ter pago esse mico. Peguei o microfone e olhei a lista de músicas que tinha disponível. Acabei escolhendo 'say something' do A Great Big World com a Christina Aguilera que era uma das que eu mais gostava de ouvir quando estava deprimida.
Fechei os olhos enquanto os primeiros toques do piano começavam e tentei controlar a minha respiração que estava acelerada. Pude ouvir Stefan gritando "VAI FORBES!" me fazendo rir, porém não abri os olhos e assim comecei a cantar:
" Say something I'm giving up on you
I'll be the one if you want me to
Anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you "
Todo o Grill estava em silêncio naquele momento e eu tinha a sensação de que todos olhavam para mim, mas continuei cantando de olhos fechados
" And I
Am feeling so small
It was over my head
I know nothing at all
And I
Will stumble and fall
I'm still learning to love
Just starting to crawl "
Cantar aquela música me trazia as memórias do pouco tempo que estive com Klaus. De todo os bons momentos que passamos juntos, de todas as vezes que ele me chamou de 'meu amor' e que ele acariciava meu cabelo. Eu queria chorar desesperadamente, gritar e por para fora toda aquela angustia, mas eu só conseguia cantar de olhos fechados, presa nas minhas recordações.
" Say something I'm giving up on you
I'm sorry that I couldn't get to you
Anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you
And I
Will swallow my pride
You're the one that I love
And I'm saying goodbye "
Eu podia sentir seu cheiro.
Eu podia ver seu sorriso tímido.
Eu podia ver seu olhar sempre desperto e ávido por coisas e informações novas.
Mas todas essas boas memórias sumiam e davam lugar para os fatos que aconteceram na noite anterior.
" Say something I'm giving up on you
And I'm sorry that I couldn't get to you
And anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you
Say something I'm giving up on you
Say something "
Era isso.
Eu tinha acabado de cantar — chorar por dentro — em frente da cidade toda. Houve um momento de silêncio enquanto eu vagarosamente abria os olhos e observava a parte dos fundos do bar, pude perceber que todos no grill estavam de pé e assim começou uma alta salva de palmas e gritos para mim. Agradeci rindo feito uma idiota e olhei para meus amigos que sorriam também me aplaudindo, mas um gesto de Elena me chamou atenção. Virei para o lado que ela indicava e o vi na base da escada que dava acesso ao palco.
Klaus me fitava de forma intensa, tentando conter alguma emoção que eu não consegui decifrar naquele momento.
Hipnotizada por seu olhar, fui em sua direção.
– Klaus. — Balbuciei.
– Eu não sabia que você cantava. — Ele disse parecendo estar realmente impressionado.
– Há muitas coisas sobre mim que você não sabe.
– Eu queria desvendar seus mistérios, Caroline. Precisamos conversar.
Klaus se aproximava de mim perigosamente de forma sedutora, mas ergui o braço fazendo ele parar.
– Escute Klaus, a gente tem mesmo que conversar, mas hoje eu estou cansada e sem vontade nenhuma para isso.
– Por favor Caroline! — Ele suplicou segurando meu braço.
Olhei sua mão que me segurava possessiva e fiz um movimento delicado para me livrar dela.
– Não Niklaus.
Virando de costas para ele e me segurando para não voltar para seus braços e chorar, fui em direção a mesa de meus amigos que ficava perto da porta. Passei por eles parando apenas para pegar uma garrafa de água e outra de cerveja.
– Você esta bem? — Elena sussurrou.
– Ahrram. Só preciso tomar um ar.
E saindo do bar, sentei na calçada e fiquei olhando as pessoas que caminhavam e se divertiam pela praça enquanto eu tomava minha cerveja e lamentava por minha situação.
– Tequila e depois cerveja? Amanhã você não vai acordar nada bem.
Até com os meus sentidos afetados eu reconhecia aquela voz.
– Uh, além de ex, você virou meu pai ou a polícia da sobriedade agora? — Murmurei enquanto observava Klaus sentar no meio fio ao meu lado, com um sorrisinho no rosto.
– Então eu já virei seu ex?
Apesar de ele estar sorrindo, pude notar que ele ficou magoado.
– Dada as circunstâncias, sim. — Respondi sem filtrar minhas palavras. — Você é mesmo insistente, hein?
Seu sorriso aumentou.
– Eu não me dou por vencido facilmente, querida. Além do mais, você não me deu a chance de falar e me defender.
– Ótimo! De médico à advogado, que maravilha! — Suspirei revirando os olhos.
– Hei! — Senti sua mão em meu rosto me obrigando a olha-lo. — Eu só estou pedindo uma oportunidade para me explicar e desculpar e se depois de tudo que eu disser, você ainda não me querer de volta, eu não te procuro mais.
Ouvir "eu não te procuro mais" fez meu estômago se contorcer violentamente.
Tomei o resto da cerveja e assenti para que ele continuasse falando.
Klaus deu um pequeno suspiro de alívio e começou a falar.
– Elijah chamou Jessica para o seu casamento. Eu já esperava isso, pois eles dois são amigos, mas não acreditava que ela teria coragem de vir. Quando ela me viu lá, veio conversar sobre o nosso passado tentar se desculpar do que ela fez, como toda vez que nos vemos. Eu realmente não estava afim de ouvir todo aquele discurso preparado que Jessica tem, mas como você não chegava, ela não largou do meu pé. Depois ela começou a contar da sua vida; estava trabalhando em um hospital pediátrico novo aqui perto da cidade e tinha planos de abrir alguma ong que ajudasse crianças carentes, o que logo acabou prendendo a minha atenção, porque você sabe que eu tenho um fraco por ações sociais e crianças. — Ele parou e fez uma expressão de criança que conta aos pais que quebrou alguma coisa. Simplesmente encantador — Ela perguntou se eu não queria ajuda-la nisso e eu respondi que "sim, claro!" e logo eu estava distraído na conversa e nem vi o tempo passar.
– Que vadia filantrópica ela. Que idiota você. — Eu disse.
– Eu sei! Sou um imbecil completo! Só reparei em como o tempo tinha passado quando vi você me olhando, e naquele momento eu quis chutar a mim mesmo por ser tão estupido. — Klaus pegou minha mão. — E quando eu te vi com o Tyler, tudo em mim escureceu. Nunca tinha sentido ciúmes daquele jeito. Te ver toda linda com aquele sujeito me deixou com instinto assassino, Caroline. E saber que aquilo estava acontecendo por minha culpa, não ajudava em nada. — Ele parou e respirou fundo fechando os olhos. — Quis matar ele, quis me matar, quis matar a Jessica, quis matar até você naquele momento.
– A mim? — Ri surpresa e irritada. — Você é mais idiota e sem noção do que eu pensava.
Meu estômago estava girando cada vez mais rápido e eu já estava começando a ficar tonta.
– Acredite Car, eu sei. E ninguém mais do que eu me odiou naquele momento e também agora. Mas eu te amo Caroline Forbes, e eu já não consigo mais viver sem ter seus beijos, sentir sua pele, seu cheiro, seu jeito espontâneo, seus carinhos... Você é tão preciosa para mim e eu puno a mim mesmo por não ter te dado valor e a atenção que você merecia ontem e sempre. Eu estou perdido sem você meu amor! Volta para mim!
Meu coração começou a bater mais rápido enquanto eu assimilava suas palavras. Klaus colocou suas mãos em meu rosto e assim ficamos nos encarando pelo que pareceu ser horas e horas. Sua boca foi vagarosamente da minha.
– Eu preciso de um tempo. — Respondi com a voz rouca, me livrando de suas mãos e levantando em um pulo.
O mundo pareceu girar mais depressa naquele instante e quando eu fui dar o primeiro passo para sair dali, consegui tropeçar no meu próprio pé e bater violentamente a testa contra um poste que eu nem tinha reparado que estava ali. Meu corpo foi caindo para trás enquanto eu ouvia a voz de Klaus gritando por mim, mas ele parecia estar muito longe. Senti suas mãos fortes me segurarem antes que eu caísse no chão e me envolvendo em seu colo.
Meu Deus! Eu poderia ser mais desastrada e burra?
– Deixe-me, eu consigo andar! — Reclamei.
– Estou vendo que sim. — Sua voz era séria. — Vou te levar para minha casa e te examinar.
Klaus me levava no seu colo em direção ao seu carro.
– Eu não quero ir! — Protestei.
– Nesse momento você não tem vontade nenhuma querida.
Ele abriu a porta do carona do seu carro e me sentou no banco, afivelando meu cinto de segurança.
– Auuuu. — Choraminguei tocando o lugar onde doía como o inferno na minha cabeça. Sentindo algo molhado, olhei para os meus dedos. — Isso é sangue. — Respirei com dificuldade e meu estômago se agitou de novo.
– Não vá me dizer que você é daquelas que tem problema com sangue? — Klaus riu baixinho já ao meu lado do banco do motorista, enquanto tirava sua camiseta azul. — Aqui, deixe-me ver isto.
Ele se aproximou e passou a camiseta com carinho pelo meu novo machucado. Deixei um gemido escapar, mas eu não sabia se era pela dor que estava sentindo, pelo cheiro de Klaus tão perto de mim, ou se pela visão de seu belo físico a minha frente.
– Segure firme enquanto eu dirijo, amor. — Disse me tirando de meus devaneios.
Deitei no banco e comecei a pensar no que ele havia me dito antes de eu resolver enfiar a cara no poste. Esse homem realmente me amava ou então fingia bem. Talvez eu tenha sido muito dura com ele... Ou talvez não...
– Ei querida, mantenha os olhos abertos! Você pode ter uma convulsão.
– Sim senhor, Dr. — Revirei os olhos.
– Chegamos. Nem pense em sair desse carro. — Me advertiu dando a volta no carro para me pegar em seu colo.
Ele subiu comigo as escadas sem nenhuma dificuldade. Me sentou em sua cama enquanto me avaliava com seu ar e cara de médico sério. Depois de verificar minhas pupilas, meu pulso e higienizar meu machucado com meus gemidos, protestos, me deu um remédio para aliviar a dor.
– Pronto? Já posso ir para casa? — Perguntei azeda.
– Não senhorita. — Klaus forçou meu ombro para que eu sentasse de novo e começou a tirar meus sapatos. — Esse analgésico que te dei é de efeito rápido e te da sono. Não se preocupe, você pode dormir aqui no meu quarto e eu durmo em qualquer outro lugar. — Levantou-se, tirou minha jaqueta, meus acessórios e me deitou em sua cama em uma posição que ficasse confortável para mim. — O que importa é que você fique bem.
Sorri já sonolenta enquanto ele dava um beijo em minha bochecha e depois caminhou até a porta de seu quarto.
– Klaus?
– Sim, querida? — Ele virou de volta para me olhar.
– Que bom que eu tenho um namorado médico, né? — Murmurei estendendo a mão, chamando-o de volta para a cama.
Um lindo e grande sorriso surgiu em seu rosto enquanto ele caminhava de volta e se deitava cuidadosamente ao meu lado me puxando para deitar sobre o seu peito, aonde eu me aninhei sorrindo feito uma idiota.
– Você é imprevisível, Caroline Forbes! — Disse e beijou meu cabelo e me abraçando forte — Eu te amo, minha vida.
– Eu também te amo meu amor. — Beijei seu peito e me deixei levar por um sono tranquilo.
Não importa o que tinha acontecido.
Ele estava arrependido.
Ele se preocupava comigo.
Ele me amava.
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