Give Up? Never.
1 Atraído por ela.
Notas iniciais
P.o.v Austin
–Bom dia. — Entrei na sala de aula e disse timidamente, querendo em parte, que ninguém me ouvisse. Era o meu primeiro dia de aula na Marino High School, e como sempre, eu estava muito nervoso. Nunca foi meu forte fazer amizades e me acomodar com facilidade em um local, mas a minha mãe não entendeu isso quando decidiu se mudar pela terceira vez em um só mês. Ou seja, estou entrando nesta escola praticamente no meio do ano.
Meu nome é Austin Moon. Tenho dezessete anos, faço dezoito ainda no final desse ano, e falando sério, não vejo a hora deste dia chegar. Sou filho da cobiçada empresária Mimi Moon, dona da maior empresa vendedora de colchões dos Estados Unidos, e esse é um dos motivos pela rara atenção que ela me dá.
–Oh, bom dia Senhor... — Ao me ver, um homem que deveria ter uns trinta e cinco anos, se desconcentrou da turma á sua frente, para mim, fazendo a atenção de todos aqueles alunos que só faltavam tocar fogo na sala de aula, também se voltarem para mim. -Moon, não é? — Ele perguntou e eu apenas assenti. -Seja bem vindo!Eu sou o Sr. Smith, professor de redação! — Me deu um aceno e voltou-se á turma. — Turma, este é Austin Moon, nosso novo aluno! — Falou com um sorriso enorme no rosto, que eu tentei retribuir mas não consegui. -Sente-se ali, atrás do Senhor Desmond! — Apontou para um carteira que ficava atrás da de um ruivo cheio de sardas, um tanto carismático, e que brincava furiosamente com um cubo mágico. Assenti e já ia caminhando para o meu devido lugar, mas de repente eu ouvi um grito, acompanhado de uma grande queda no chão.
–SAI DA FRENTE! — Era uma voz feminina, mas eu não consegui identificar de quem era, e nem quem era, porque a pessoa caiu em cima de mim, e eu só pude ver algo voando pela sala, depois da minha testa ficar grudada ao chão.
–SENHORITA DAWSON! — O professor alternou seu tom de voz, mas eu não conseguia ver nada, já que a minha cara tinha sido esmagada no chão, e tinha uma pessoa deitada em cima de mim.
–Presente? — Ela falou. Pude ouvir risos ecoando pela sala, e já podia imaginar a cara do Sr. Smith em relação a situação.
As risadas ficavam mais altas, e eu já estava ficando cansado de ficar ali no chão, fazendo papel de idiota e de colchão ao mesmo tempo. Virei rápido, fazendo a pessoa que estava em cima de mim cair ao meu lado. Eu não queria que ela caísse, mas eu já estava ficando dolorido ali.
–Desculpa mas é que você é meio... — Acabei olhando para o rosto da pessoa, que obviamente era uma garota. Uma garota linda... Perdi-me na beleza e no infinito de seus olhos. Castanhos escuros, grandes, misteriosos. O rosto daquela garota era perfeito. Suas bochechas rosadas, sua boca pequena e carnuda, num tom rosa fraco. Eu não acreditei no que estava acontecendo. Eu estava hipnotizado. Mas por um ato involuntário, eu acabei completando a minha frase. — ...Pesada. — Ouvi ainda mais risos, e a cara da garota se fechando. Eu acho, apenas acho, que ela não gostou do comentário que eu fiz.
–Está me chamando de gorda? — Se ajeitou no chão e me empurrou, contando que estávamos muito perto, e que eu não fazia ideia nenhuma de quanto tempo tínhamos permanecido naquela distância.
–E-eu? — Gaguejei. -Eu não! Apenas arrumei uma bela justificativa para você sair de cima de mim! — Falei o que poderia ser a verdade. -Sabe, esse não é lá um bom presente de boas vindas! — Admirei os traços do rosto dela. Cara, que garota linda! Eu observei um bico se formando em seus lábios, e o seu rápido movimento para se levantar do chão, enquanto eu ainda continuava ali feito um retardado.
–Foi mal professor, mas você sabe... — Ela tentou se justificar com o Sr. Smith, enquanto arrumava sua roupa.
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–Sei, seu despertador quebrou! Qual vai ser a desculpa de amanhã hein? — Seus braços se cruzaram em seu peito.
–Sei lá, ainda vou pensar! — Passou a mão pela parte de trás da cabeça.
–Anda! Para o seu lugar! — Apontou para uma carteira vazia, claro, ao lado de uma garota que parecia ser baixinha, com os cabelos encaracolados pretos, e que esbanjava um sorriso no rosto. Provavelmente se divertindo com o momento. A morena pegou sua bolsa que estava caída no chão e saiu rapidamente de perto do professor, caminhando até o seu lugar. Mas ela parou abruptamente.
–DEZ! — Ela gritou para o outro lado da sala. O ruivo que sentava em frente ao meu futuro lugar, virou-se para ela.
–Aqui! — Falou e jogou seu skate, que saiu voando pela sala. Ah, deve ter sido isso, que eu vi voar pela sala, antes de bater com a cara no chão! Ela pegou o skate no ar, me fazendo ficar de boca aberta. Ela sorriu para ele e seguiu seu caminho para a carteira.
–Sr. Moon? — Ouvi a voz do professor.
–Hm? — Olhei para ele.
–Vai continuar aí no chão? — Foi aí que eu percebi que ainda estava deitado ali no chão, e tinha mais de vinte pares de olhos direcionados para mim. Inclusive os da morena, que me olhava com um sorrisinho intrigante e um olhar curioso. Senti o meu rosto todo queimar, que vergonha! Me levantei rápido, e catei todas a coisas que tinham caído da minha mochila. Indo direto para a carteira que o professor tinha mandado eu sentar. Ignorei todos os risos e olhares me seguindo, e sentei-me, encolhendo-me na carteira.
O professor pigarreou e começou a falar um monte de coisas que eu mal prestei atenção.
Cometi o incontrolável erro de olhar para o outro lado da sala, onde se sentava a morena. Ela olhou na mesma hora para mim, com um sorriso no rosto. Abriu o seu caderno, pegou uma caneta e escreveu alguma coisa nele. A curiosidade se estabeleceu em mim, mas logo ela foi embora quando a garota arrancou a página do caderno e estendeu a folha para eu ler.
"PESADA É A AVÓ! ACHO QUE A NOSSA CONVERSA AINDA NÃO TERMINOU!"
Li para mim mesmo e não consegui evitar sorrir, além de fazer uma bela cara de indignação. Ela tinha mesmo levado aquilo a sério? Murmurei um ok em minha defesa e ela se voltou para frente.
Incrível, ao mesmo tempo que eu estou com um certo "medo" desta garota, eu estou terrivelmente atraído por ela.
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