Give Me Your Love
23 O Verdadeiro Eu de Cada Um
Notas iniciais
A festa estava fabulosa. Com certeza um festa digna de ser chamada festa na piscina.
A estrutura das piscinas haviam sofrido uma pequena alteração. Entre elas havia uma plataforma enorme com caixas de som e refletores de varias cores. O bar, desta vez, fora colocado ao lado de uma pequena pista de dança no lado oeste.
– Digna – disse Damon.
– O que disse?
– Esta festa está digna de mim. Hoje eu vou me esbaldar.
– Não exagera Damon, a ultima coisa que quero ver é você bêbado e dando em cima de várias garotas – exclamou Elena.
– Querida cunhada, eu não preciso da em cima de várias. Eu só preciso de uma primeira – e sorriu aquele típico sorriso, indo rumo ao bar.
– Caroline, e o Klaus? – perguntou Lexi.
– Não sei. Mas também não vou procurar por ele.
– Então, por favor, cuide do Damon. Mas tenha cuidado – disse Stefan.
– Cuidado? – estranhou Elena.
– Sim.
– Por que ela iria precisar tomar cuidado com Damon?
– Porque ele é imprevisível quando bebe.
Caroline olhou para Stefan de uma forma diferente. Por um segundo ela chegou a pensar que Damon havia contado sobre eles para ele, mas ele não faria isso. Eles tinham um pacto, ela acreditava que ele não iria traí-la daquela forma.
– Eu estou a fim de dar um baita de um mergulho e dançar para comemorar – disse Jeremy.
– Ah, eu concordo com você. Vamos logo – disse Bonnie. – Já ficamos tempo de mais parados aqui.
Então todos se direcionaram às piscinas, mas Stefan segurou Elena onde eles estavam.
– O que foi? – perguntou ela, quando ele não a deixou seguir os outros.
– Estou a fim de comemorar só com você – explicou ele.
– Ah, sim – ela colocou os braços em volta do pescoço de Stefan. – E como exatamente o senhor gostaria de comemorar?
– Eu quero sentir novamente o que senti no dia em que chegamos.
Elena sacou na hora o que ele queria dizer. A primeira coisa que veio em sua mente foi a sala de musica, a sensação de quando eles tocaram juntos. Elena fechou os olhos, ainda com os braços em volta do pescoço de Stefan. Ele a envolveu em um abraço e sussurrou em seu ouvido:
– “Eu aceitaria outra chance, cairia, levaria um tiro por você. Eu preciso de você como um coração precisa bater, mas isso não é novidade”.
– Stefan – os olhos de Elena umedeceram e ela não podia dizer outra coisa. Era como se as palavras as guiassem diretamente para ele. Era aquilo que sentia, aquilo que queria. – Stefan, “Give me Your Love”.
Ele sorriu e lhe beijou os cabelos.
– Vem, vamos cuidar disso.
Stefan a segurou pela mão e a guiou até a sala de música. Ele sabia que etária vazia. Com uma festa na piscina, com certeza todos iriam ficar lá em baixo.
Eles adentraram a sala, Stefan fechou a porta e Elena pegou o violino. Se acomodaram ao piano, Elena observava cada movimento dos dedos de Stefan, enquanto ele os pressionava contra as teclas do piano, para garantir que estava afinado.
– E o que tocaremos hoje? – perguntou ela.
– Eu vou te dar amor hoje, Elena. É isso que vamos tocar: Amor.
E então ele começou a tocar a introdução de “Give Me Love” do Ed Sheeran. Elena sabia o que tinha que fazer, mas sua emoção quase não a deixou acompanhar a melodia. Ela absorveu as primeiras notas, e então posicionou o violino, tocando a parte vocal da música, enquanto Stefan dedilhava sobre o piano a melodia suave e bela. E então mais uma vez aquele inebriável som dos dois instrumentos em sintonia tomou conta da sala e dos ouvidos de ambos, fazendo com que eles fechassem seus olhos e sentissem toda a emoção envolvida. Novamente os lábios de Elena se curvaram em um sorriso e Stefan se sentiu totalmente preenchido com o que estava acontecendo ali. Quando a melodia chegou ao se ápice, Stefan fez algo com o piano, ele alternou o tom da melodia entre dó sustenido e ré sustenido, o que a deixou mais calorosa e significativa. Elena o acompanhou subindo meio tom das notas do violino também. A música terminou com dedilhados simples de Stefan no piano, indo de meio tom as notas agudas do piano, com um pequeno refrão dedilhando a parte cantada.
Quando este abriu os olhos, Elena o observava admirada. Toda a paixão que podia existir dento de um homem, estava ali, nitidamente sendo transmitida através de Stefan direto para aquele piano inerte. Foi uma coisa bela de se ver. Foi mágico aos olhos dela e simples aos olhos humanos, como as ondas invadindo a praia.
Só quando abriu os olhos, Stefan percebeu que Elena estava sentada ao seu lado. Ela o olhava de um jeito diferente. Ele sorriu sem graça e então perguntou:
– O que foi?
– Eu aceito – disse ela.
– O quê?
– “Dá-me amor como nunca antes, porque ultimamente eu tenho desejado mais. E faz um tempo, mas eu ainda sinto o mesmo...”. É dessa forma, não é? É assim que eu me sinto. Eu aceito ser amada por você Stefan, e aceito retribuir esse amor. Aceito as consequências. Aceitos os prós e os contras. Aceito um ódio que virou amor. Aceito você inteiramente em mim. Porque tudo que eu quero Stefan é que você me dê amor... – ela colocou o violino em cima do piano e pousou suas mãos no rosto de Stefan, este fechou os olhos com a sensação. — ... Não me decepcione.
Os lábios de Stefan tomaram um sorriso radiante, ele tomou Elena em seus braços e a beijou apaixonadamente, como se aquele simples ato, fosse eternizar qualquer laço que já havia sido formado entre eles.
– Eu quero te mostrar uma coisa – disse ele.
– Que coisa?
– Vem comigo.
Então novamente ele segurou a mão dela e a guiou. Desta vez eles foram em direção ao terraço. Era um lugar meio escondido que Stefan havia descoberto no dia anterior. A ideia de fazer a surpresa para Elena no quarto era boa, mas complementar com aquilo era melhor ainda.
Ele abriu a pequena porta do acesso e revelou uma pequena estufa com plantas variadas. Logo a frente havia uma passagem que dava acesso a área aberta do telhado.
– Ouvi dizer que vai ter fogos daqui há alguns minutos, – informou ele, enquanto ela admirava cada canto do lugar. – e pensei em termos uma vista privilegiada.
– É maravilhoso – exclamou ela. – Eu adorei.
– Sabia que ia gostar – disse dando um selinho nela. – Tem mais uma coisa.
– O que?
– Nós vamos jantar aqui.
– Jura? E cadê a comida?
– Não precisa ser tão apressada – disse ele sorrindo.
Então ele abriu um pequeno armário que havia do lado da caixa de força e tirou de lá um cesta de piquenique média. Dentro dela havia algumas frutas, como um cacho de uvas, uma taça de vinho, dois sanduiches naturais e uma tigela com doritos e nacho derretido.
– Não se preocupe. Eu coloquei isso aqui faz uns vinte minutos, então ainda está tudo fresco.
Elena riu com o comentário dele.
Enquanto Stefan arrumava tudo em uma pequena mesa que havia colocado para fora da estufa, Elena olhou através da cerca de pedra que envolvia o lugar. Dava para enxergar toda a área das piscinas e quadras.
– Está tudo pronto, vem – chamou Stefan.
– Até que é legal isso – exclamou ela se sentando ao lado dele.
– O que?
– Isso. Ter uma pessoa, compartilhar as coisas...
Ele sorriu e a beijou.
Eles conversaram sobre muitas coisas enquanto comiam, uma delas foi sobre o mistério da morte de seus pais. Este era um assunto do qual nenhum dos dois gostava muito de falar, mas de qualquer maneira acabavam chegando nele. Eles não chegaram a fazer todas as pesquisas que queriam com todos os acontecimentos nos últimos dias, mas comentaram que deveriam ligar para a xerife Forbes e pedir informações mais detalhadas sobre o caso.
– Damon não trabalha com assuntos judiciais? Ele é advogado, não pode olhar os arquivos? – perguntou Elena.
– Ele me disse que não havia nada lá. Se ele viu algo, não quis me contar.
– Por que ele não te contaria algo sobre isso? Aliás, são seus pais também. Não são?
– Sim, mas Damon é seletivo quando se trata desse assunto. Quando nossos pais morreram, ele que cuidou de tudo. Cuidou da papelada, reconhecimento do corpo. Ele foi sozinho a todas as reuniões das investigações. Quando chegava em casa tentava me contar o mínimo possível, acho que queria me poupar da dor que ele sentia, mas não adiantava.
– Nunca pensei em Damon como um cara protetor – confessou ela. Stefan riu com isso.
– Bem, ele não demonstra mesmo. Damon é o tipo de cara que tem necessidade de cuidar dos seus entes queridos, mas ele prefere deixar esse lado dele escondido.
– Por quê?
– Porquê ele não gosta de expectativas. Nunca vi Damon tão perturbado com algo, como quando nossos pais morreram. E não foi pela morte deles, foi pelo que todos esperavam dele. Um irmão de quinze anos para cuidar, ter que lidar com tudo...
– Puxa, Damon é um cara sensível...
Stefan a puxou para mais perto e a aconchegou em seu abraço.
– Numa noite eu o encontrei chorando, perguntei o motivo e ele me respondeu que era muita pressão em cima dele. Disse que não gostava daquilo e que sabia que era sua obrigação cuidar de mim. Ele não entrou em detalhes, mas naquele momento percebi quem era o Damon de verdade.
– E quem ele é?
– É como eu disse, ele cuida dos outros, mas não transparece seu lado protetor. Ele me disse que quando as pessoas veem bondade, esperam bondade, e a ultima coisa que ele quer é ter que viver pra atender a expectativa das pessoas.
– É algo bem difícil de se fazer.
– Eu sei.
Ela virou para ele e lhe depositou um beijo na bochecha, o que acabou virando um beijo bem mais intenso.
– Eu nunca pensei que você e Damon fossem próximos desse jeito – disse ela.
– Bem, nós somos. Mas somos diferentes – explicou ele. – É como você e Jeremy. Vocês não parecem compartilhar o mesmo universo.
– Tem razão, não compartilhamos. Mas eu me preocupo com ele, quero sempre estar por dentro do que acontece na vida dele. Sei lá... por mais que Jenna e Alaric estejam lá para nós, eu sinto que é minha função protege-lo do mundo e prepara-lo para tudo.
– Damon se sente assim em relação a mim. Acho que foi por isso que ele me mandou para cá. Ele tinha esperança de que eu me aproximasse de você.
– Ele estava certo.
Ambos riram.
– Os fogos já vão começar – Stefan avisou.
– Acho que o pessoal deveria vir aqui para vê-los também.
– Eles virão. Já devem estar subindo – disse ele se levantando. – Vem, vamos pegar o melhor lugar.
Eles então foram para o parapeito, Elena encostou na cerca de pedra e Stefan a abraçou por trás. O resto do pessoal chegou alguns instantes antes dos fogos começarem. Caroline estava sem Klaus, o que todos acharam estranho. Elena até chegou a procura-lo lá de cima, mas não o encontrou. Damon estava um pouco tonto já, consequência da garrafa de Whisky que ele tomou. Lexi e Ryan estavam mais para casal risos do que para casal vinte, o que Jeremy e Bonnie eram perfeitamente.
Os fogos começaram e todos aplaudiram. Damon estava sentado na mureta onde Stefan e Elena jantaram, provavelmente porque estava muito tonto para olhar para baixo. Caroline olhou para trás, todos estavam distraídos com os fogos e ela se aproximou de Damon, sentou-se ao lado dele.
– Eu fiz bem – disse Damon para ela.
– O que? – perguntou sem entender.
– Fiz bem em mandar Stefan para cá.
– Você só colocou eles no ringue. Fui eu quem servi de cupido – disse ela rindo.
– Eu fui o portador da profecia.
– Enfim... acho que eles estão bem. Não vão mais se matar.
– Eu sei.
Silencio.
– E quanto ao assunto da investigação – perguntou ela.
– Eu ainda não liguei para sua mãe. Mas acho que ela vai descobrir tudo.
– Sinto muito por você ter que lidar com tudo isso.
– Tudo bem.
Caroline olhou para Damon e conseguiu captar algo inédito. O olhar de Damon para Elena e Stefan era um olhar diferente. Um olhar terno e maduro. Caroline pode sentir o peso daquele olhar em si mesma, queria poder perguntar a ele varias coisas, mas tinha medo de ser rejeitada e de acabar se afastando dele. Por algum motivo ela não queria isso.
– Damon... eu...
– Sim? — ele transferiu o olhar de Stefan para ela.
– Por que não deixa as pessoas verem isso?
– Isso o que?
– Esse seu ultimo olhar para Stefan e Elena. Foi diferente.
– Você não deveria fazer esses comentários, deveria? – ele sorriu torto para ela.
– Você é um cara legal Damon Salvatore, devia deixar as pessoas verem isso.
– Não, obrigada.
Ele olhou para os fogos e não virou a cabeça novamente. Caroline pensou ter visto algo a mais naquele olhar. Ela viu, mas por algum motivo ele não queria deixar que ela soubesse mais sobre isso. Uma tremenda curiosidade foi despertada em Caroline naquele momento. Ela queria saber mais sobre aquele Damon que se mostrava protetor, que queria descobrir tudo sobre seus pais, que se importava com sua família. De repente aquele dilema entre ela e Klaus estava desaparecendo. Ele não a procurou mais e ela não estava mais tão preocupada com aquilo. De repente ela não se viu preocupada por ter dormido com Damon, não foi tão ruim assim, nem o fim do mundo. Ela queria saber, queria fazer parte da vida daquele bad boy. Não sabia bem o porquê, mas ela queria.
– Hey, você dois – Elena os chamou.
Os dois se dissiparam de seus pensamentos e olharam para ela.
– Vamos descer. Ainda tem festa para curtimos.
Então todos desceram para a piscina.
Ao chegar na área do píer, Caroline sentiu um puxão pela mão. Ela olhou fundo naqueles olhos verdes, pertencentes ao homem que a puxara.
– Precisamos conversar – falou ele.
– Tudo bem – concordou ela.
E os dois sumiram na escuridão do jardim.
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