Give Me Love
1 Capítulo 1
Duas amigas caminhavam de mãos dadas pelas ruas escuras da cidade iluminada, sob a luz de postes, desfrutando da companhia uma da outra.
— Isso é um Louboutin? – Apontou a morena para os pés da outra
— Como você sabe, boba?
— Como você nutre essa pavorosa paixão por calçados, andei pesquisando. Calçados podem ser complexos. – Ambas desataram a rir, olhando nas feições uma da outra
Observando-as estava uma loira tingida. Olhos castanhos com um olhar triste e arco nas mãos. Colocou a flecha, apontou e disparou na morena. E é como se o tempo tivesse parado quando ela olha profundamente para a amiga e se aproxima.
A loira sabia o que viria depois. Era o cupido, afinal.
Em tanto tempo, havia visto e vivido muito. E mesmo que tivesse visto tudo ou quase, sempre era diferente e especial atingir o coração de alguém. Os olhares apaixonados eram a melhor parte. Ela nunca mais via as pessoas a quem atingia, o que carregava certa melancolia. Mas a vida não seria melancólica?
Casos e casos. Homens e homens, mulheres e mulheres e mulheres e homens. Trios. Gente de todo jeito com vários tons de paixão. Ela os fazia amarem, mas não era amada. E tudo que queria era que alguém a olhasse como seus alvos se olhavam no instante que a flecha os acertava. Com amor. Era o cupido e estava destinada a carregar a sina de olhar o amor, mas não poder o ter.
Passava o dia afiando flechas e consertando arcos. No seu apartamento, uma peça no lado frio da cidade, fotos de casais enfeitavam as paredes e davam luz a escuridão do imóvel. Colecionava momentos.
Queria amar
Queria amar
Queria amar
Queria amar
Queria AMAR
Foi no lugar de sempre, observar o mesmo garoto. Ele pedia batatas fritas e mexia o canudo no copo vermelho, pensando. Parecia triste como ela. Por isso gostava de o observar.
— Por que sera que você é triste? Sera que também quer amar? -perguntou em voz alta, mesmo que o outro não pudesse a escutar- Ou sera que amou e foi ferido?
Andou pela cidade, observando as luzes e poucas pessoas que passavam. Subiu até o topo de um prédio velho, pois dali a vista era mais bonita. Somente não mais bonita que ela. Era um anjo em decadência, com as asas nas costas e o arco na mão, pronta para voar na penumbra que havia ali.
E em um instante a decisão que já morava em si foi tomada. Caiu como uma folha, buscando a liberdade que ansiava sobre o amor que não tinha. Naquele instante o tempo também parou, porque alguém especial estava partindo. E tudo ficou silencioso por milésimos dolorosos.
— A moça se atirou de quatro andares, estava no topo. Encontramos uma espécie de arco no local, mas não é a arma do crime. Foi tentativa de suicídio. Ela ainda está respirando. – Dizia o paramédico ao policial. Um jovem de cabelos pretos como a escuridão e feição seria.
Ele andou até a ambulância. A loira estava na maca, quase apagando. E quando o detetive pousou os olhos sobre os dela, ela sentiu o que seus alvos sentiam. O mais puro amor. Ele sorriu para ela. E o último instante dela foi feito daquilo que ela sempre buscou e o peito alagado em uma sensação de perda.
E tudo ficou escurou, apesar de estar claro como nunca antes.
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