Give Me Love.
1 Don't speak
Notas iniciais
Oliver e Tommy estavam em mais uma noite de farra, tinham escolhido o bar das smolks.
E o velho bar estava apinhado de bêbados chorões, Donna com os bolsos cheios e Felicity uma suicida ou assassina em potencial se recebesse mais uma cantada ruim.
- Cara, é o que estou te dizendo – disse Oliver após um gole de seu whisky, continuando a longa discussão inútil que tinha começado com Tommy, após esse o censurar mais uma vez por ser tão volúvel com as mulheres – elas são todas iguais, podem dizer dez vezes que não mais no fundo querem dizer sim.
- Com certeza! – exclamou o outro carregado de ironia — É o que todos os estupradores dizem.
- Eu nunca fiz nada que elas não tivessem concordado antes. E elas sempre concordam Tommy. – ele sorriu e piscou para seu amigo que somente devolveu um olhar enojado.
- Então significa que você consegue dormir com qualquer mulher? Qualquer uma? – Tommy levantou as sobrancelhas indagadoramente.
- Claro que sim Tommy! — Provocou – Meu charme é infalível, e as mulheres são todas iguais, dizem que não, faço com que elas não se sintam importantes e elas vêem pulando para mim como coelhinhas da playboy. Pode apontar qualquer uma se quer testar.
Tommy trocou a expressão enjoada pelo tamanho cafajeste que o amigo era por um sorriso maroto quase imperceptível.
- Até a Donna?
Oliver engasgou com a bebida.
- Deus! Não Thomas! Credo! Ela é como minha mãe, só que mais mandona! – ele limpou a boca com a manga da camisa por baixo da jaqueta de couro e tomou mais um gole do líquido dourado.
- Então a Felicity seria sua irmãzinha? – perguntou com ar de riso, Ollie engasgou de novo e o olhou irritado.
- Não. – ele respondeu somente, revirando os olhos.
Tommy quase caiu na gargalhada li mesmo, Oliver tinha mordido a isca.
- Então porque você nunca "traçou" ela Ollie? – o outro nada respondeu os olhos azuis observando a moça loira servir as mesas do bar de um modo nada agradável, ela quase mandara para um lugar onde o sol não bate um homem corpulento com estatura próximo a de Tommy – Ahh, eu quase me esqueci – ele fez uma pausa dramática, Oliver ergueu a cabeça para olhar para o amigo o achando a mais irritante das criaturas – ela vive te dando foras não é mesmo?
Marilyn sorriu sob a caneca de cerveja, quando Oliver voltou a observar Felicity, desde que eram pirralhos para Tommy, Oliver sempre foi fácil de influenciar, se uma boa lábia não resolvesse a velha carinha de cachorrinho caído do caminhão de mudança numa tempestade fazia seu trabalho, mas agora com seu orgulho de pegador dolorido e umas doses de whisky deixando a cabeça loira mais leve do que o normal, ele ficava mais maleável ainda.
- Não hoje Tommy. Não hoje. – Oliver colocou o copo vazio sob a mesa do bar e já ia andando em direção ao salão.
- O que você vai fazer Oliver?! – Ok, esperava apenas que ele ficasse com a cara emburrada até o final da noite, afinal Donna estava logo ali, e qualquer pessoa com juízo – até mesmo Oliver – tinha medo dela, mas agora não sabia o que Ollie ia fazer, com um pouco de sorte, talvez só colecionasse mais um fora.
- Vou provar minha teoria a você Tommy! Olhe e aprenda. – Oh não! Aquele sorriso não! Ollie ia arrumar uma confusão das cabeludas!
- Ollie... Não acho isso uma boa idéia... – "A Donna pode te castrar sabia?" pensou alarmado.
Oliver revirou os olhos como de costume e passando por Donna que batia um papo animado com Dig, indo em direção a Felicity, ou melhor, a mulher morena ao lado dela.
Oliver tomou cuidado em fazer parecer para a loira que era com ela com quem ia falar mudando de rumo no ultimo instante, deixando ambos, Tommy e Felicity com a maior expressão de descrença já vista.
Ele ao que parecia tinha convidado a outra para um drink que ela obviamente aceitou, o orgulho de pegador doeu um pouco menos, devia ser alguns anos mais velha que Felicity e tinha o maior decote que Tommy já tinha visto. Os três Oliver, a moça e o decote dela foram se sentar numa parte de balcão mais iluminada, um pouco distante do canto escuro onde Tommy estava, de onde Felicity e o resto do bar poderiam os ver de camarote.
Quanta infantilidade.
Tommy olhou para Felicity, procurando ressentimento ou qualquer sentimento de ciúme que provasse que a teoria machista de seu irmão idiota estava certa, afinal que a moça tinha uma queda pelo idiota que era o primogênito dos Queen isso ele já sabia há tempos, porém não achou nada disso, só uma faísca de malicia nos olhos azuis. Ele quase cuspiu seu ultimo gole de cerveja quando o olhar de moça o encontrou. E ele podia contar muito mais que duas intenções naquele olhar.
Desabotoou mais um botão de seu colarinho, aquilo não estava prestando, não mesmo, e o pior, ia sobrar pra ele.
Os olhos dela se voltaram para Oliver, bem na hora em que ele com a mão na cintura da moça, mas olhando sugestivamente para Felicity disse algo no ouvido da mulher decotada.
"Oh droga!" pensou Tommy indo em direção a Felicity, se ele não impedisse algo, haveria sangue, não precisava de instintos "especiais" para prever isso.
- E aí Fel. – chamou sem jeito tentando desviar a atenção do espetáculo que Oliver estava dando.
Ele teve um sobressalto quando ela o respondeu com sorriso radiante.
- Oi Tommy! Aproveitando a noite?
"Mas ein?" pensou confuso.
- Se eu estou aproveitando a noite? Hum... – ele pirragueou de um jeito bem estranho – Relativamente.
- A fim de aproveitar mais do que só relativamente? – ela havia virado o corpo para ele passou uma das mãozinhas alvas por seu pescoço, com certa dificuldade, ele era muito alto.
- Fel o que você...? – ele olhou nervosamente com os cantos dos olhos para o irmão que tinha a boca aberta em choque, checou Donna, ela não estava mais com Dig tinha sumido do salão, voltou a olhar para Fel, se arrependeu disso, aliais se arrependeu de ter começado tudo aquilo, quando ela lhe beijou, não que o beijo tenha sido ruim, só que... ELA TINHA LHE BEIJADO DO NADA CARAMBA!
A mão de Oliver colocada propositalmente na cintura da moça morena escorregou nada propositalmente para nádegas dela ao ver seu amigo e Felicity Smolk protagonizarem uma cena de beijo no meio de um bar cheio, a mão da decotada morena voou bem propositalmente para sua face trazendo para realidade cruel de cinco dedos marcando seu rosto em vermelho.
- Me desculpe doçura eu... – mas a mulher já tinha ido revoltada. – Filho da... mãe!
Fel descolou os lábios dos de Tommy.
- Merda... Desculpa aí Tommy...
- Não... – ele colocou as mãos nos bolsos e a olhou com as sobrancelhas erguidas, se ela tinha agido daquele jeito a culpa também era dele, e beijar Felicity não era o que se podia chamar de pior coisa da Terra não é mesmo? – Sem problemas.
- Então... Eu vou... Hum... Pegar um ar. – e sem olhar para ninguém ela saiu do bar com paços apressados.
Tommy sentiu um empurrão conhecido no ombro.
- Cara o que foi aquilo?! – Seu amigo estapeado lhe perguntou.
- Er... – ele deixou escapar um som rouco e indeciso – Não faço a menor.
Oliver o olhou desconfiado.
Ele lhe mandou um olhar de "Sério cara, eu não sei!".
Ollie mordiscou o lábio inferior.
- Vou lá falar com ela.
- Cuidado... Se eu fosse você teria medo dela... Eu tenho.
Oliver revirou os olhos para o amigo, mas foi atrás da loira, bem apreensivo.
O vento noturno balançava os cabelos loiros da moça de braços cruzados encostada numa das pilastras de madeira que sustentavam a marquise do bar.
- Que é Ollie? – perguntou a depois de um suspiro cansado.
- Como você sabia que era eu? – não havia humor na voz dele, ela o olhou por cima do ombro, e lá estava ele, com seu casaco de couro,seu olhos de uma azul inigualável e cara de bad boy. Irresistível.
- Palpite. Vou ter que perguntar de novo? Que é Oliver?
- Que foi? Agora não posso ficar aqui? – perguntou ele com cara de "Então me processe!".
- Faça o que quiser... – respondeu amuada voltando a olhar para frente.
- O que eu quiser mesmo? – em segundos ele estava perigosamente atrás dela.
- Não, se for o que você está pensando. – ela girou o corpo de forma que ficasse de frente pare ele — E chega pra lá. – mas ele não se afastou. – Oliver... – disse com tom de aviso na voz e um canivete que sempre carregava presente de seu pai antes de partir muito perto de um lugar bem sensível dele, mas o loiro agora ostentando uma expressão aborrecida, continuou a onde estava.
O Queen suspirou cansado.
- Quando, afinal vamos parar com isso?
- Isso o que? E por que você ainda não se afastou?
-Isso! Essa brincadeira de gato e rato! – Ele chegou mais perto dela e a ponta da faca roçou nele fazendo-o engolir em seco – Felicity, eu quero você e eu sei que você também me quer então qual é o problema?!
- Mas como você é prepotente Queen! Eu não...! – mas ele não a deixou terminar os múltiplos protestos, aproveitando que ela havia aberto a guarda para xingá-lo para se livrar do canivete prendendo as mãos dela por cima da cabeça prensando-a contra a pilastra.
Felicity ofegou.
O rosto dele se aproximou do pescoço dela, sem tocá-la, apenas sentindo seu perfume.
- Oliver eu...
- Shiiiii... Eu sei o que está pensando, que eu estou brincando com você e aquelas bobagens todas... — ele parou para olhá-la, ela sentiu vontade de rir da expressão dele, estava uma graça com um cinco dedos carimbado no rosto e toda aquela dificuldade para falar o que sentia – eu gosto mesmo de você Fel, ou você acha que eu gosto de estar correndo perigo enorme desses? – ela olhou confusa – É porque estar assim com você com a sua mãe tão perto é um perigo enorme, não só de vida! – eles riram — Então... Sem canivete?
- Sem canivete. – concordou ela guardando o canivete na bota após ele soltar seus braços, um arrepio passou por seu corpo quando ele envolveu sua cintura, não ficou para trás colocando os braços em volta de seu pescoço e sorrindo marotamente – Mas, não pense você que eu...
Então ele a beijou finalmente, já tava de saco cheio de tanta conversa.
- Você faz elas se sentirem pouco importantes e então elas vem pulando para você como coelhinhas não é Oliver? – Tommy gargalhou após se sentar e fechar a porta de carona do carro. – O que eu vi foi você provando sua teoria às avessas... coelhinha. – alfinetou.
- Ah cale essa boca Tommy! – mas Oliver sorria quando arrancou com o carro com a certeza de que ela o amava assim como ele a amava e que tudo iria mudar.
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