Give Me Love

1 Tomada única: Give me Love


Notas iniciais
Ohuehuehue... Espero que se contentem com o capítulo último, pois eu tenho outras fanfic pendentes e não dei continuação a essa. Por isso eu espero que gostem... Os nomes que estão 'azul' são os personagens e seus looks... Se quiserem vê-los é só aperta no nome.

Mais um dia havia se passado e a noite já estava chegando mais uma vez. Eu estava um pouco indecisa se iria sair para afogar as mágoas na bebida mais uma vez ou se ficaria em casa. A noite anterior foi bastante cansativa e desgastante... Na verdade, desde o momento em que eu decidi afogar as mágoas em festas e bebidas tem sido desgastante e cansativas. Eu já estava ficando de saco cheio de tanta farra por conta de um relacionamento que não deu certo. Mas a farra está chegando ao fim pra mim.

É como dizem: "Uma hora ou outra a pessoa acaba cansando." Agora eu vejo que é a mais pura verdade.

Meus atuais motivos de me embreagar tem nome, endereço e telefone. Seu nome era Stephania. Eu fazia tudo por ela... Ela era a minha melhor amiga e foi com ela e por ela que virei Homossexual, a primeira mulher que fiquei e namorei. Sempre ficávamos juntas, saíamos juntas, bebíamos juntas e vivíamos juntas. Inseparáveis e completamente incompatíveis... Isso acabou fazendo com que eu me apaixonasse por ela. Eu era completamente uma louca alucinada por ela. Namoramos durante 3 longos anos. Longos três anos me dedicando à uma pessoa. Mas no final ela era só mais uma dentre muitas outras. Não valia o chão que eu pisava... Me entreguei de corpo e alma para uma pessoa que no final não se importava se eu estava viva ou morta. Era tudo fingimento, uma estranha façanha...

Eu nem sempre fui mulher de farra, isso começou a acontecer a partir do momento em que eu vi a minha namorada — atual Ex — transando com dois homens. E um desses homens era o meu ex-namorado e outro era o meu melhor amigo. E já mantiam esse relacionamentos depois que completamos 6 meses de namoro. Mas isso já são águas passadas. Já faz 1 ano que terminei com ela.

Pessoas... chamam isso de estar completamente cega pelo amor. E eu só fui abrir meus olhos quando eu a peguei me traindo. Grande merda... Joguei fora 3 longos anos de minha vida no lixo. Eu ainda não havia superado totalmente todo aquele ocorrido com a mulher que eu amava, mas se eu for comparar o antes e o agora... eu posso dizer que eu mudei muito. Eu só quero sossegar e estabilizar melhor a minha vida me dedicado esse últimos dias na faculdade. E pensar que a amava com todo o meu ser--

A campainha começou a ecoar no apartamento que eu morava, me tirando violentamente dos meus devaneios. Vou de vontade saber quem era a alma abençoada que resolveu me importunar a essa hora do dia. Todos que me conhecem sabem que eu fico cansada a partir do momento em que eu chego da faculdade e não gosto de ser interrompida antes de 19:00 horas. Agora que é 16:36 ... Espero que seja algo importante pois se for alguma besteira... cabeças irão rolar.

Nem me dou ao luxo de olhar no olho mágico, abro logo a porta, e ao fazer isso eu vejo uma figura levemente bronzeada, loira, extremamente sorridente, em pé, parada em frente a minha porta, usando um macacão verde opaco com um cinto marrom em sua cintura. E de brinde ela ainda usava alguns acessórios como brincos, pulseiras, relógios, anéis, cordões e um óculos de sol.

– O que você quer, Danya Kamalov? — Murmurei revirando os olhos. — São exatamente ... 16:37, Pro seu bem eu espero que seja algo importante. — Falei enquanto olhava para o meu relógio que estava em meu pulso.

– Nós iremos sair hoje, tem motivo melhor que esse? -Brincou com um largo sorriso sapeca em seus lábios.

– Pro seu próprio bem eu espero que o motivo de você ter vindo aqui não seja esse! — Falei cruzando os braços abaixo dos seios e batendo o pé freneticamente no chão, demostrando a minha irritação. — Eu não irei sair hoje, eu pretendo ficar em casa!

– Qual é branquela... Vamos sair hoje... — Implorou juntando as mãos em frente ao seu rosto, com os olhinhos azuis-esverdeados suplicando para que eu fosse, estavam ofuscando e emanando um certo brilho na direção dos meus.

Não caía nessa novamente. Se você ceder todas vezes que ela fizer isso vão achar que eu estou ficando mole.

– Não... A gente saiu a semana toda, eu to cansada. A faculdade está ficando cada vez mais puxada. Eu preciso de concentração ou eu não irei passar nas provas finais. E vou logo avisando que eu irei me afastar dessa vida... Meu tempo de farra já passou. — Expliquei.

Atáh... Agora você ficará enfurnada em casa trancafiada pensando nela nos momentos livres que você terá aqui?! — Murmurou irritada. — Mas nem pensar! Você precisa se distrair. — Concluiu.

– Qual é Danya... Dentre todas as pessoas eu pensei que Você seria a única que poderia compreender nesse momento. — Falei dando um longo suspiro. — Eu estou cansada de tudo isso. Eu realmente estou cansada disso...

– Então pretende voltar pra ela? — Disse friamente.

– Meu Deus, mais é óbvio que não! — Exclamei irritada.

– Então está cansada de quê...? — Indagou seriamente enquanto cruzava seus braços, exigindo explicações.

– Estou cansada de ficar descontando tudo na bebida, estou cansada de amaldiçoar, culpar e julgar todo ser humano que passa por mim por causa de um relacionamento meu que, momentaneamente, não deu certo. Estou cansada da minha vida. Ela esta tão incompleta e vazia, Danya, eu me sinto vazia.

Pois, ultimamente, eu tenho desejado um novo amor.

Ela ficou cabisbaixa, completamente perdida em seus pensamentos. Danya havia saído de um relacionamento complicado a poucos meses. Atualmente ela é minha companheira de copo. Nos conhecemos em uma festa na qual o seu atual ex-namorado havia deixado-a plantada em pé na boat durante 1 hora e meia, pois havia avisado à ela que iria no banheiro e só voltou a vê-lo no outro dia. Enquanto o babaca sumiu e Danya o esperou por quase 2 horas, deixando-a plantada criando raízes, Danya resolveu se embebedar. E nessa bebedeira eu acabei conhecendo quando ela de repente chegou perto de mim para me apresentar a sua mais nova amiga... Eu nunca havia visto ela em toda a minha vida, eu pensava que era só mais uma bêbada que não aguentava algumas doses. E o estranho disso tudo é que a sua mais nova amiga que ela queria me apresentar era a Pilastra da boat, que ficava próxima ao bar. E por incrível que pareça ela até deu nome a pilastra, que passou a se chamar de Xena, em homenagem a Lucy Lawless, a atriz que fez a série: Xena: A princesa Guerreira. Até hoje eu fresco com ela por causa disso, é algo que eu nunca irei esquecer. Nunca mesmo. Nesse dia da boat por algum motivo desconhecido eu havia bebido pouco, pouco o suficiente para ficar sóbria para poder dirigir. E eu não poderia deixar aquela completa desconhecida andando por aí completamente bêbada falando que a pilastra da boat era a sua mais nova amiga. Sabe-la o que poderia ter acontecido à ela caso ela cometesse algum crime, ou qualquer outra coisa do gênero. Afinal ela estava sozinha pois seu namorado havia abandonado ela naquela festa. Por isso eu a levei para sua casa, e acontece que onde ela morava era no mesmo prédio que eu morava. Só que o meu andar fica na cobertura do 8° andar, o dela fica no 2° andar.

Um encontro completamente estranho.

– Então faremos um trato... — Disse enquanto ergueu seu rosto com um largo sorriso estampado em seus lábios.

Eu apenas franzi o cenho completamente surpresa.

– Que trato? — Indaguei curiosa.

– Hoje será a nossa despedida...

– Despedida? — Exclamei assustada com os olhos arregalados. Despedida... Ela irá se mudar ou coisa do gênero? Olho pra ela com uma expressão supresa e ao mesmo tempo perdida.

Não, Danya não pode ir. Ela é minha companheira de copo, a única pessoa mais próxima que eu posso chamar de amiga. Gosto de sua companhia principalmente quando está completamente bêbada, gosto de conversa com ela, apesar dela ser uma completa desastrada e idiota...

– Calma, não é uma "Despedida" de que nunca mais nos veremos, ou coisa do gênero. Não! — Explicou dando um leve sorriso de lado. — A "Despedida" da qual estou falando é sobre você larga a Farra.

– Ah...táh! Entendi. — Murmurei, soltando um longo suspiro de alivio.

– Não irei te deixar assim tão fácil. — Comentou com um sorriso sapeca em seus lábios. — Sem mim você não conseguiria viver! — Concluiu dando uma piscadela.

Ava... Nem é verdade! — Murmurei desviando meus olhos dos seus.

Ahaaam... — Disse revirando os olhos. — E então, o que acha de fazermos essa despedida? É só por essa noite, depois eu lhe deixarei viver em paz. — Disse com aquele olhinhos brilhando de expectativas e planos.

– Ta certo ... — Assenti e ela começou a dar pulinhos de felicidade. — Mas hoje é a última noite que sairei para beber. Não venha me chamar nas outras noites, entendeu? — Falei seriamente.

– Tá certo, eu entendi. — Assentiu com um largo sorriso em seu rosto. — Estarei aqui ás 19:00 em ponto. — Disse enquanto beijava a minha bochecha e logo em seguida corria na direção do elevador.

Eu apenas revirei os olhos e sorri perante sua alegria contagiante. Assim que a vi adentrar o elevador com um sorriso cativante nos lábios eu fechei a porta do apartamento e me direcionei para o meu quarto. e me deitei na cama.

Estava tudo quieto e vazio. Nada naquele apartamento emitia som. Tudo estava monótono outra vez. Por que sinto isso em momentos como esse? Quer dizer... quando estou sozinha?! É como se tudo não fizesse sentido quando estou sozinha, sinto que está faltando algo crucial em momentos como esse, sinto que eu sei do que eu realmente preciso. Mas o que realmente está faltando para que eu decida logo de uma vez o que eu definitivamente quero?

"Me dê amor. Porque, ultimamente, eu tenho acordado sozinha", Pensei na frase da música de um cantor que ouvi na rádio hoje cedo. Olhei para o teto e vejo que a pintura está machada e nelas tinham algumas rachaduras. Deduzi que meu coração estava daquele jeito, ainda sentia que possuía alguma manchas escuras e rachaduras nele, mas... que aos poucos iam sumindo momentaneamente. Algumas lágrimas desciam por minha face sem mandar qualquer aviso prévio. Eu as deixei escaparem de meus olhos, por alguma razão ela quiseram sair, e quem sou eu para impedi-las?! Estava confusa e perdida em meus pensamentos. Eu apenas as deixei que se esvaziassem nitidamente.

Ouço a campainha tocar novamente, mas antes de abrir a porta e saber quem era, eu enxuguei minhas lágrimas e me direcionei para a porta. E quando eu a abri me deparei com um linda e deslumbrante loira. Engulo a seco e a olho dos pés à cabeça. Estava usando um salto rosa, e um lindo vestido azul com estampa florida, impecavelmente lindo. Usava alguns acessórios como brincos, pulseiras e relógio de pulso, anéis e cordões. E segurava uma bolsinha preta em uma das suas mãos. Estava bem maquiada e não pude deixar de olhar os seus lábios roseados e seus olhos azuis-esverdeados.

– D-Danya? — Indaguei completamente surpresa. Danya sorrio de um forma extremamente sexy e divertida ao perceber que eu estava a secando descaradamente.

Maldita! Estava fazendo aquelas malditas borboletas se agitarem em meu estômago. Não sorria desse jeito, é pecado, um crime!

Está completamente linda.

– Ella Hadley Medrado, eu não acredito que a senhorita ainda está com essa roupa! — Murmurou enquanto me olhava áspera, a espera de uma explicação.

– Como assim: "ainda está com essa roupa"? — Perguntei com o cenho franzido.

Ãn?! Ella, são exatamente... — Falou enquanto erguia seu braço esquerdo e olhava as horas em no seu relógio. — 19:01... Por que não está arrumada? Eu avisei que chegaria às 19:00 horas em ponto. — Disse enquanto cruzava os braços, completamente emburrada enquanto fazia um beicinho.

Se eu não estivesse espantada com o horário eu terei falado o quanto fofo aquele beicinho era, mas o momento não me permitiu.

Puta merda, espere só um pouco que irei me arrumar bem rapidinho. — Não esperei que ela respondesse, eu me encaminhei direto para o meu quarto, tirei a roupa rapidamente e adentrei no chuveiro.

Logo em seguida eu já estava no meu guarda-roupa pegando a primeira roupa que eu achasse confortável, ou não, para me usar. Acabou sendo um macacão com mangas longas com um risco em forma de V nas costas, um cinto preto na cintura, uma sapato com salto e por último uma bolsa preta.

Quando faço uma rápida maquiagem eu me direciono para sala de estar, onde a senhorita Danya deve estar me esperando.

– Agora sim... — Ela disse quando se virou para me fitar ao notar minha presença na sala de estar. — Está linda! — Falou enquanto me olhava dos pés à cabeça.

– Eu sei! — Falei com a cabeça erguida, mostrando a minha inferioridade.

– É linda e convencida. — Disse enquanto revirava os olhos. — Vamos logo, princesa Helena falsification– Brincou enquanto se encaminhava em direção a porta.

– Certo, Barbie fake. — Revidei com um sorriso irônico e saímos em direção à uma boat.

Enquanto caminhávamos na rua algumas pessoas ficaram nos olhando por onde quer que passássemos. Eu particularmente não me importo, mas... uma certa loira ao meu lado é um pouco tímida.

– Tudo bem aí? — Indaguei ao perceber que ela estava um pouco encolhida ao meu lado.

Eu sabia o motivo dela estar assim, perguntei só por pergunta mesmo!

– Como assim, "tudo bem aí?"... Sabe muito bem que não gosto quando as pessoas ficam me encarando direto.

– A culpa é sua por estar tão linda. — Falei enquanto erguia meu olhos pra pista logo a frente. — Se tivéssemos carros nós não precisaríamos andar assim no meio da rua.

– Somos pobres, sobrevivemos com o pouco que temos, e o que sobra é pra beber. — Comentou e eu comecei a rir.

– Isso é verdade! — Assenti rindo.

Continuamos caminhando pelas ruas em silêncio. Estava começado a achar que nunca chegaríamos e lugar nenhum. Afinal de contas, qual boat nós estávamos indo mesmo?

– Dany... Qual Boat nós estamos indo? — Perguntei quando voltei a olha-la.

– Não se preocupe, não vamos para uma daquelas agitada... Hoje apenas iremos em um bar famoso e super chique que tem um uma dessas ruas.

– Bar chique? — Indaguei surpresa.

– Sim... É muito legal, você irá gostar do ambiente. É bastante acochegante. — Comentou completamente divertida.

– Espero que não seja um daqueles bares ricos. Como você mesmo disse... Nós somos pobres. — Falei ironicamente.

– Não se preocupe, o pessoal vai bancar.

– Pessoal? — Indaguei com o cenho franzido. — Não me diga que você convidou eles?!

– Claro que convidei... São seus amigos!

WTF? Eu Não tenho amigos.

– Nossa... Obrigado pela parte que me toca. Me sinto excluída agora! — Disse um pouco aflita.

– Não você... São eles... Quero dizer... Argh... — Murmurei irritada. — Você me entendeu.

– Não. Não entendi! — Disse enquanto mangava de mim.

– Vai rindo... — Murmurei irritada.

Ela continuou rindo durante um tempo.

– Vamos... Tem um atalho por aqui. — Disse enquanto drobrava à esquerda, entrando em um beco logo em seguida. Eu apenas a segui. Havia uma grade do meu tamanho com trancadas com correntes e cadiados, tampando a passagem do beco.

– Me ajuda a subir. — Pediu quando viu que a grade era maior que ela. Eu ri da situação.

– Quem mandou ser baixinha. — Brinquei.

– Cala boca e me sobe logo. — Murmurou emburrada.

Eu enlacei minhas mãos e fiz um gesto para que ela colocasse seus pés em cima delas e pegasse impulso para que pudesse atravessa a grade. E ao fazer isso ela conseguiu alcançar a grade, mas o pior vem aí... Ela estava de uma forma que eu conseguia ver sua bunda e a calcinha fio dental toda preta com rendas, estava extremamente sexy. Meu corpo entrou em chamas e minhas respiração falhou no meio tempo. Tive que me segurar mentalmente e fisicamente para não arrancar aquela calcinha fora, enfiar minha língua e sentir o sabor que aquela intimidade me proporcionaria. Apalpar cada canto de sua bunda e abocanhar seus seios. Ela me deixou em um estado completamente crítico. Quando ela finalmente passou pela grade eu respirei fundo e tentei acalmar o meu coração mais breve possível, pois ele estava batendo freneticamente em meu peito.

Quando recupero a o meu raciocínio eu subo na grade e passo pro outro lado. Tento a todo possível não olhar para o seu corpo, ou iria acabar agarrando-a ali mesmo.

Aquele beco estava bastante suspeito. Pois estava escuro e havia neblina que dificultava a nossa visão um pouco. Fiquei atenta a qualquer movimento que surgisse no meio daquela escuridão.

– Você sabe realmente onde esse bar fica? — Indaguei com uma das sobrancelhas franzida.

Meus instintos de convivência com essa Barbie falsificada me diz que ela não sabe onde estamos.

– Puf... Mas é claro que eu sei onde estamos. — Disse enquanto fazia uma careta, demostrando o óbvio que ela não sabia onde estávamos.

Suspirei fundo. Parei e peguei meu celular para localizar logo essa boat.

– Ei loira, me diz logo o nome desse bar que estamos indo. — Ordenei.

– Nós não precisamos saber a localização. Eu sei onde fica. — Disse quando viu que eu estava com o celular na mão pronta para saber a localização daquele bendito bar.

– Diz logo, loira. — Exigi revirando os olhos.

– Se não me engano o nome da bar se chama... Wristbands.

– Soletra...

– Era só o que me faltava. — Disse enquanto revirava os olhos e logo em seguida me encarava. No mesmo instante eu desviei os meus olhos dos seus. Olhei diretamente para o celular em minhas mãos. — Tem certeza que está tudo indo bem na faculdade?

– Ãn?? Eu não estudo línguas estrangeiras, eu faço faculdade de dança.

– Ahaam... — Disse mordendo o lábio inferior enquanto semicerrava os olhos.

– Não olha pra mim assim... Você é quem faz curso de inglês aqui, então não faça hora e a soletre logo essa parada aí.

– Tá legal, tá legal... Estressadinha. — Disse suspirando. — W_R_I_S_T_B_A_N_D_S--

– Só isso? — Perguntei enquanto terminava de digitar as duas últimas letras no celular. Ela não me respondeu por isso eu deduzi que era apenas só aquilo mesmo.

Ella... — Ela chamou-me com um voz embargada. Eu continuava fixa olhando o meu celular enquanto procurava aquele bendito bar. — Ella... — Chamou-me mais uma vez.

– Danya, se não for ajudar então não me atrapalhe.

– Mas--

– Se contente... estou quase achando... — Falei já ficando impaciente com aquela situação.

– Ella... — Chamou-me enquanto segurava firmemente o o meu braço.

– O que foi mulher? Estou tentando procurar a porra do barra. Se continuar me atrapalhando então eu irei voltar pra cas--

Calei-me na mesma hora em que vi um enorme cachorro de pelagem negra parado enquanto rosnava em nossa direção. Meu corpo paralisou na mesma hora. Dany agarrou com força o meu braço a medida que o cachorro dava pequenos passos em nossa direção enquanto rosnava. Ele não estava com uma cara muito amigável. Que animal em sã consciência ficaria feliz quando alguém invade seu espaço.

– Ele parece um lobo. — Danya sossurrou com a voz trêmula e exasperada.

– Não existe lobos no Brasil, Loira. — Murmurei entre dentes tentando arranjar um jeito de sair daquela situação sem que aquele cachorro não arranque nossos ossos fora. — É um pastor belga completamente raivoso. — Conclui. — Me pergunto como você conseguiu passar de ano no colegial.

– Tá me chamando de burra? — Disse entre dentes.

– Não... Argh... Não é hora pra brincadeira. — Falei seriamente.

– Você que começou! — Acusou-me.

– Deixa pra lá. Eu to pensando em como sairemos dessa. — Murmurei irritada.

– Aquilo saindo da boca dele é espuma? — Disse com uma voz embargada de medo.

– Olha nós iremos caminhar vagarosamente pra trás até chegar na grade, Ok? — Sussurrei.

– Ok.

Começamos a dar pequenos passos para trás. E a medida que nos afastávamos aos poucos, o cachorro dava passos em nossa direção. Ela soltou um alto e aterrorizante latido que fez eu tremer até os ossos. Eu e Danya nos abraçamos trêmulas, completamente assustadas com o latido que ele havia soltado.

Ouvimos alguns barulhos de correntes e quando ele deu um se aproximou mais um pouco eu consegui avistar algumas correntes em seu pescoço e todo o meu corpo se aliviou.

– E-Ele está preso. — Falei enquanto me afastava dos braços de Dany. Um suspiro de alivio preencheu o ambiente. Danya parecia um pouco insegura, mas logo em seguida ela relaxou. Começamos a rir feito uma idiota. Olhamos pra cara uma da outra parecendo duas idiotas enquanto ríamos.

– Você estava morrendo de medo. — Danya disse enquanto mangava de mim.

– Você estava pior que eu. — Revidei. — Espero que não tenha se mijado. — Brinquei enquanto gargalhava dela. Olhei pro cachorro enquanto ainda estava rindo e, momentaneamente, o meu sorriso se desfez completamente quando vi que a corrente do cachorro não estava presa em nenhum lugar. Pelo contrário. Estava solta se arrastando no chão a medida que o cachorro dava mais passos em nossa direção.

Danya parou de rir também quando olhou para o cachorro e viu as correntes soltas. O cachorro começou a dar passos mais rápidos em nossa direção.

– Dany... Corre... — Sussurrei.

– O quê?

– EU DISSE CORRE PORRA!

Comecei a correr quando o cachorro veio ferozmente atrás da gente latindo, fui na direção da grade que havíamos pulado e Dany fez a mesma coisa. Quando chegamos na grade eu juntei a mãos e me abaixei um pouco para que Dany colocasse o pé e pulasse pro outro lado da grade. Dany sacou na mesma hora o que tinha que fazer e fez, pôs um dos pés e ergueu seu corpo para que conseguisse pular logo de uma vez pro outro lado da grade.

Ela caiu com tudo no chão por conta do medo e eu não demorei pra subir logo na porra daquela grade e pular com tudo pro outro lado. Quando eu já estava em cima da grade o cachorro morde o meu pé e começa a puxa-lo pra baixo.

– PUTA QUE PARIU. DANY ME PUXA. ME PUXA RÁPIDO. — Gritei extericamente. Estava completamente desesperada.

– PUTA MERDA...– Dany gritou assustada e começou a me puxar para o seu lado.

– ME PUXA COM MAIS FORÇA, RÁPIDO.

– EU TO TENTANDO. — Gritou enquanto fazia força ao me puxar.

– TENTA MAIS. ESSE CACHORRO VAI ACABAR ARRANCANDO O MEU PÉ FORA.– Me exaltei.

Sacudi o meu pé, fazendo com que o cachorro largasse. Dany me puxou na mesma hora e acabei caindo com tudo no chão. O cachorro se atracou na grade enquanto latia, fazendo com que eu me alevantasse de uma só vez e saísse correndo daquele lugar. Dany fez a mesma coisa.

Corremos até chegar na pista. Não pensei duas vezes antes de chamar um táxi e adentra-lo. Dany apenas me seguiu ofegante.

Dei o maldito nome do bar para o motorista e ela disse que ficava próximo dali. Eu apenas pedi para que ele nos levássemos logo para aquele maldito lugar antes que eu me arrependesse.

Não demorou muito para que chegássemos ao local. Não havia dito nada uma para a outra. Ainda estávamos imersas no que tinha acabado de acontecer com a gente. A adrenalina e o medo ainda se fazia inerente aquele momento.

Paguei o táxi e Dany tomou a frente indo na direção do bar. Quando chegamos na porta do bar nós soltamos um longo suspiro.

Adentramos no bar e eu corpo relaxou na mesma hora. Agora eu só pensava em beber.

– Ei... eu ainda quero voltar sóbria pra casa. Por isso não vá exagerar na bebida.

– Há, claro... Depois que meu sangue estiver dominado pelo álcool eu paro, com certeza, não tenha dúvidas enquanto a isso! — Ironizei completamente irritada com aquela situação. — Ainda bem que hoje é apenas a despedida. — Conclui.

Olhei para o meu sapato e ao fazer isso a minha boca se abriu um um perfeito "O"...

– Vamos... — Disse Dany quando se virou para mim.

– Puta que pariu Dany. Olha só o estrago que está o meu sapato. — Murmurei indignada enquanto apontava para ele. Dany gargalhou, mas... assim que lhe lancei o meu olhar mortal o seu sorriso se desfez completamente.

Serrei os dentes e corri atrás dela, ela começou a correr indo em direção à uma mesa fazia. Ela foi mais rápida ficando do outro lado da mesa, enquanto eu ficava ao lado oposto do seu.

– Se eu não tivesse saído de casa nada disso teria acontecido... — Murmurei entre dentes.

– Mas você aceitou e não adianta me culpar por o seu sapato está desse estado aí.

– Mas é claro que adianta colocar a culpa em você. Você disse que sabia onde ficava a porra de bar.

– E eu sabia. — Disse enquanto se mantia na guarda.

– Sério? — Murmurei séria, nenhum pouco surpresa. — Nem parecia. — Conclui indo dando a volta na mesa para tentar alcança-la, mas foi um movimento inútil, pois ela deu a volta também.

– Vejo que a Barbie e a Princesa estão na lua de mel no momento, espero não estar atrapalhando o ninho de amor de vocês duas. — Disse Karmen com uma voz irônica enquanto passava seus braços em volta do meu pescoço. Karmen é uma colega minha e da Dany. Conheço ela à alguns anos, pois fazemos faculdade juntas de dança.

Olho pro lado e vejo que há algumas pessoas nos encarando. Quem não ficaria olhando aquele mico?

Apenas respirei fundo.

– Deixa as duas em paz, Karmen. — Disse Victoria, a caçula do nosso grupo. É a prima de Karmen. E por fim o Diogo, Ele faz advocacia na mesma faculdade que eu E Karmen, e foi lá que nos conhecemos, ele é o único homem do grupo, que aparece logo ao lado de Victoria e Dany.

– Você tinha que convidar essas praga né, Danya?! — Murmurei irritada.

– IIIhhh... Chupou limão? — Indagou Karmen.

– Liga não Karmen, é o amor. — Disse Diogo e todos, exceto eu e Dany, começaram a rir.

Revirei os olhos e nos encaminhamos direto para uma mesa vazia para 5 pessoas. Começaram a frescar durante todo aquele tempo comigo e Dany. Ficavam dizem que queriam ser os padrinhos do nosso casamento e que nossos filhos iriam parecer todos com a barbie e a princesa Helena.

Era muita merda para o meu ouvido. Porque diabos eu ainda estou aqui?!

– Por que demoraram tanto hein? — Perguntou Diogo.

– A anta da Barbie fake não sabia onde ficava a bosta desse bar.

– Eu sabia. — Ponderou-se.

– Não, meu bem, você não sabia! — Murmurei serrando os dentes.

– Eu só queria pegar uma atalho. — Explicou-se.

– O seu "atalho" havia um enorme cachorro raivoso. — Revirei os olhos.Todos nos encarávamos com o cenho franzido, fazendo com que eu e Dany nos fitar-mos. — Tão olhando o quê? — Exclamei.

– Vocês duas formam um lindo casal. — Diego, Karmen e Victoria falaram aos mesmo tempo.

Ah dá um tempo.– Eu e Dany falamos aos mesmo tempo. Nos fitamos incrédulas. — Para de falar.– Dissemos juntas aos mesmo tempo mais uma vez. — Para você... Argh...

Todos começaram a rir ao ver aquela cena.

Todos começaram a conversa aleatoriamente enquanto bebíamos e brindávamos. Eu e Dany nos encarávamos uma vez ou outro. E nessa troca de olhares continuou até que senti um par te olhos cinzas chamada Karmen nos fitando. Logo em seguida começou a tocar a música que eu adorava. A música de Mario : Skippin

Nosso grupo começou a aplaudir e a olhar para mim.

– AAAÊÊÊ... Sua música, Ella! — Disse Karmen animadamente enquanto dava pequenos palmas.

– Dança, vai... — Disse Diogo.

– É... Dança, Ella. — Disse Victoria.

– Não gente... Fica pra próxima.

– Óbvio que não. Dança... vai! — Dany implorou, eu sorri de lado e me levantei me afastando um pouco da mesa. Eles viraram as cadeiras em minha direção e me fitaram com sorrisos divertidos em seus lábios.

Revirei os olhos e me concentrei na música, assim que o cantor começou a cantar eu comecei a mexer o meu corpo. Fazia movimentos com o meu braço e meu quadril se rebolava no ritmo da música. Todos em volta começaram a aplaudir e a assoviar ao me ver dançar ali. Comecei a acelerar um pouco o ritmo. Andei na direção de algumas pessoas próximas à nossa mesa enquanto dançava. Peguei o boné do cara enquanto dançava e o coloquei na cabeça, ele começou a rir. Eu dançava sensualmente enquanto pegava a mão de uma garota e depositava um rápido beijo em sua mão. Logo em seguida me afastei e me direcionei para o balcão do bar, subi em cima e continuei dançando e uma forma lenta. Rebolava meu traseiro de um lado para o outro conforme o canto dizia "Boom, Boom, Boom..." Eu me rebolava de uma lado para o outro. Escondi o meu rosto com o boné e comecei a rebolar até o chão. Depois pulei de cima do balcão até o chão e me encaminhei para a mesa dos meus amigos enquanto ainda dançava movimentando meus pés de uma forma lenta enquanto passava minhas mãos em meus cabelo.

Me aproximei dançando do grupo de amigos e segurei firme a mão de Dany e a puxei para que viesse dançar comigo. E a fazer isso os meus colegas se entreolhavam de uma divertida e ao mesmo tempo maliciosa. Dany hesitou um pouco em vir mas acabei insistindo, fazendo-a não ter escolha anão ser vir dançar comigo. O canto havia diminuído um pouco o ritmo. Dany ficou em pé em minha frente com um sorriso tímido. Eu comecei a dançar sensualmente em sua frente. De um modo lento e sedutor conforme o ritmo da música ecoava dentro de mim. Dancei com todo o meu ser na frente dela. E quando assim cantor começou a cantar a parti do "Boom, boom, boom..." ela começou a rebolar o seu quadril e a mexer um pouco suas mãos, enquanto o seu cabelo loiro também se balançava de um lado paro o outro. Ela estava linda dançando. Não resistir a me aproxima de seu corpo, pegar seus braços gentilmente e os colocar em meus ombros enquanto ainda dançávamos conforme o ritmo. Segurei firmemente em sua cintura e começamos a dançar com o corpo colado um no outro. Todos começaram a aplaudir e assoviar conforme ficávamos cada vez mais próximas uma da outra. Quando nossos corpos estavam colados me arrepiei por inteira quando senti o seu corpo roçar no meu de uma forma lenta. Me fazendo fazer uma leve pressão em sua cintura. Conforme nosso corpo se entregava à música ficava mais quente a medida que eu sentia o seu corpo roçar ao meu, e percebi que ela estava do mesmo jeito, pois aquela atmosfera que se formou naquela dança não poderia ser quebrada tão facilmente. Quando a música estava chegando ao fim eu segurei firmemente a cintura de Dany, de uma forma que seu rosto ficou centímetros do meu, eu sorri e começamos a descer lentamente até o chão, de uma forma completamente sedutora.

Todos aplaudiram loucamente, assim como nossos amigos. Uma completa chuva de aplausos e assovios. ecoando de todos os lados. Estávamos próximas, perigosamente próximas. Eu podia sentir o cheiro do perfume dela invadindo meu corpo. Eu sentia o hálito fresco de Danya próximo aos meus lábios, me fazendo ter uma vontade enorme de morder e chupar seus lábios convidaivos com toda a minha força. Fitei profundamente os olhos de Danya, que por sua vez me encarava profundamente, havia algo à mais naqueles olhos.

Danya quebrou o contato quando se afastou bruscamente de mim. Eu fiquei completamente paralisada e perplexa com seu afastamento repentino. Me recompus e voltei para a mesa onde estavam nossos amigos.

– Vocês mandaram bem. — Karmen parabenizou, E em seguida Victoria e Diogo fizeram o mesmo.

Antes de sentar eu me afastei e fui direto para a mesa ao lado devolver o boné do rapaz que eu havia pegado enquanto dançava. Todos que estavam em sua mesa perguntaram o meu nome e elogiaram a minha dança. Eu os agradeci e voltei para a mesa onde estavam as pragas que falavam alto.

Sentei-me e começaram a tagarelar, falando da dança. E Karmen dizia que se fosse ela teria dançado melhor. Não é totalmente verdade, mas também não é mentira. Karmen dança bem... Mas não tira o fato que eu sou a melhor da turma.

Toda oportunidade eu olhava pra Dany. Eu sentia que de alguma forma ela hesitava em me olhar, e até mesmo a falar comigo. Aquilo definitivamente estava me incomodando. Eu fiz algo de errado... algo que não devia?! Eu preciso me desculpar mesmo que eu não tenha feito nada, talvez eu tivesse sido muito rude com ela enquanto dançava, afinal... eu quase que a beijava na frente de todos.

Coisa que ela odiaria pelo resto de sua vida, pois ela é hetero, e ainda por cima ela me considera como sua amiga. Quando eu tiver a chance de me desculpar eu me desculparei adequadamente.

A conversa ficava cada vez mais animada a partir do momento em que Victoria ficava bêbada. Ela definitivamente é muito fraca pra bebida.

– E então, Danya... Você já se decidiu se vai mesmo se mudar amanhã? — Victoria disse e todos franziram o cenho enquanto olhavam para mim. Eu arregalei os olhos surpresa e fitei Danya.

Eu não sabia que ela iria se mudar. Por que ela não havia me dito nada?

– E-Eu ainda estou vendo... — Disse enquanto hesitava em olhar para mim.

– Você irá se mudar? — Perguntei a ela.

Ela me olhou de lado, um pouco sem jeito enquanto alisava seu pequeno queixo.

– Talvez eu não vá... — Disse enquanto desviava seus olhos dos meus.

Ela estava mentindo. Por que ela mentiria para mim?

Eu apenas fiquei calada, imersa em um turbilhão de pensamentos. Karmen e Victoria começaram a conversa e Diego entrou na conversa para amenizar aquele clima estranho e tenso.

Já era 1:00 hora da manhã, Diogo e Victoria estavam completamente bêbados, Karmen e eu ainda estávamos sóbrias. Dany estava estava quase ficando bêbada. Não havia bebido muito, pois eu não deixei. Estava tarde e teríamos que continuar conscientes na volta pra casa.

Logo em seguida nos despedimos dos outros e nos direcionamos para casa.

Conversávamos animadamente para passar o tempo. Dany não havia mais tocado no assunto da mudança... E só agora eu percebo... A despedida então... Era sobre isso que ela estava escondendo de mim.

– Então... Loira, Você vai mesmo se mudar? — Perguntei enquanto andávamos com os braços entrelaçados um no outro.

– Ainda não sei... Mas provavelmente eu acabe indo mesmo.

– Pra onde?

– Brasília.

– Irá morar definitivamente lá?

– Provavelmente sim. Surgiu uma proposta de emprego em um dos colégio de lá. Irei ser professora de inglês.

Meu coração se apertou na mesma hora. Ela irá mesmo ir embora?! Ficarei sozinha novamente?

– Mas... por que justamente lá? Não pode arranjar um emprego de professora por aqui não?

– Boom... Acho que será melhor pra mim. — Disse com um fraco sorriso.

Ela ficará bem mesmo sozinha? Sabe, as vezes ela precisará de uma pessoas pra desabafar e confiar. Com quem ela irá continuar saindo a noite para beber, e fazer novas amizades com as pilastras das boats? Quem irá me perturbar todas as noites para ir à uma festa beber até cair e se divertir até o amanhecer?

– Espero que dê tudo certo pra você. — Falei com um sorriso de lado. Adentrávamos em um túnel espaçoso e completamente iluminada. Havia apenas algumas pessoas ao longe conversando animadamente enquanto andavam.

Não posso demostrar o meu resseio sobre essa sua mudança repentina. Não posso pedi-la para ficar aqui... comigo. Não posso me dar ao luxo de fazer isso com ela. Talvez eu deveria deixa-la ir.

– Você irá se forma logo, não é? — Perguntou com um largo sorriso nos lábios.

– Ah, sim... Será no mês que vem.

– Pois eu irei vir só pra assistir sua formatura. — Disse com seus olhinhos brilhando de emoção.

– Não precisa. — Falei enquanto revirava os olhos.

– Preciso sim... Não irei perdê-la por nada desse mundo. — Disse animadamente enquanto olhava ao longe.

– Irei cobrar viu. — Ponderei.

– Sim, senhora. — Disse ironicamente.

– Seu passado. — Revidei e começamos a rir. — Tenho pena das crianças que irão aprender com você!

– Como assim?

– Espero que elas não peguem sua burrice psicológica. — Brinquei.

– Isso é preconceito. — Disse enquanto me dava uma cotovelada em meu braço. — Só porque sou loira não significa que sou burra. — Disse completamente emburrada enquanto fazia um beicinho.

Own meu Deus, olha como ela fica fofa fazendo beicinho.

– Fico nada! — Disse enquanto virava a cara para o lado oposto da minha com uma cara de quem não estava gostando de ser tratada como uma criança.

Eu comecei a mangar dela. Ela estava começando ficar vermelha de raiva, creio.

Naquele momento eu percebi que eu nunca me cansaria de vê-la daquele jeito. Vê-la fazendo aquelas caras e bocas quando está perto de mim. Ou quando eu fiquei extremamente doente e ela quem ficou ao meu lado, cuidando pacientemente de mim. Ou quando eu estava com dificuldades em resolver alguns assuntos pendentes na minha vida. Ou quando ela teve que vestir a fantasia do pica-pau por causa que eu estava passando mal antes da apresentação de uma festa de aniversário para arrecadar dinheiro. Ela estava sempre ao meu lado, mesmo tendo que passar por micos atrás do outro, ou até mesmo discussões.

Eu não quero que ela vá. Algo dentro de mim me fez abrir os olhos e ver o que eu realmente quero. Eu a quero comigo em todos os momentos. Eu a quero perto para compartilhar cada momento de minha vida. Eu quero que ela se torna parte da minha vida, pois eu só me sinto completa quando ela está ao meu lado, pois a única coisa que eu necessito nesse momento é de seu corpo junto ao meu.

Paro bruscamente de andar e a fitei. Dany parou para me olhar, ela ainda estava com um sorriso no rosto, mas... que aos poucos ia sumindo a medida que eu me aproximava de seu corpo. Me aproximei do seu corpo vagarosamente, e a medida que eu me aproximava dela ela dava passos para trás. Fitei a imensidão daqueles olhos azuis-esverdeados. Estavam brilhantes e tão ofuscantes que eu fiquei completamente hipnotizada por eles.

Ela já estava encostada na parede do túnel quando eu a alcancei e segurei firmemente sua cintura. Minha respiração ficou pesada enquanto um friozinho se fazia presente em minha barriga. Sabia que bastaria um passo para que eu estivesse com o corpo colado ao dela. Nossos olhos estavam travados, os dela demostrava o quão surpresa, confusa e encantada ela estava. Ocupei o espaço que faltava para que nossos corpos estivessem colados um no outro e a ouvi arfar com o contato. Me aproximava cada vez mais de seu rosto enquanto fitava aquelas lindas safiras. Nossas respirações se mesclavam um com a outra. Dany me fitava de uma maneira diferente, de um jeito que me aquecia por dentro e me deixava feliz.

Depois daquela intensa troca de olhares eu Inclinei meu rosto e selei nossas bocas, apenas um encontro, e pressionar de lábios. Pedi espaço para que aprofundasse mais o beijo e a passagem foi concebida. Aquilo era demais para a minha fraca resistência! Finalmente encaixei nossas bocas, selando um beijo suave e preciso. Movimentei meus lábios sobre os dela devagar, com uma delicadeza que nem mesmo sabia possuir. Meu corpo se esquentou rapidamente quando senti as mãos dela irem de encontro com minha nuca. E naquele momento ambos precisávamos de mais. Eu invadi sua boca com minha língua e colei ainda mais contra seu corpo, ansiando por mais. Precisando de mais. Danya gemeu contra a minha boca, fazendo algo me dominar por completo. Minha mãos percorreram por suas costas, subindo até chegar em seus cabelos. Eu segurei de maneira firme, fazendo-a inclinar um pouco a cabeça para trás. Então eu a beijei com mais vontade, acariciando sua língua e explorando cada canto daquela boca, de um jeito intenso que a obrigava a ser totalmente submissa, seguindo os meus movimentos sem ter chance de brigar. Era tão gostoso, era tão diferente e envolvente que eu não queria parar. Soltei um leve gemido ainda a beijando, quando sua mão subiu até a parte detrás de meu pescoço, causando-me ainda mais arrepios, se é que isso é possível. Minha mente ficou em branco por alguns milésimos de segundo e quando menos percebi não tinha mais o controle do beijo. Sentir as batidas do seu coração, e perceber que meu estava no mesmo estado que o dela, fazendo o meu corpo inteiro se arrepiar. Mas a falta de ar já estava persistindo. Separei nossos lábios e a olhei temerosa com sua reação. Ela estava completamente ruborizada e extasiada ao me fitar. Ficamos nessa troca de olhares durante um tempo. A única coisa que eu conseguia ouvir era a sua respiração se mesclando com a minha.

– Só Deus sabe o quanto eu desejei esse beijo depois que te conheci. — Disse em um sussurro.

Aquilo foi um verdadeiro choque para mim. Isso quer dizer que ela queria isso a mais tempo que eu?! Ela queria isso desde o dia em que me conheceu?

– Espero não ter decepcionado suas fantasias, Barbie. — Brinquei, enquanto tentava acalmar meu coração.

– Nenhum pouco, princesa fake. — Ironizou enquanto revirava os olhos.

– Não revire os olhos assim pra mim ou eu terei que chamar a sua amiga pilastra para dar um jeito em você.

– Hahaha... Não tem graça.

– Tem sim... Ah... eu tive uma ideia também. — Falei com um sorriso sapeca em meu lábios. Ela me olhou de lado completamente desconfiada. — Irei espalhar por toda a cidade a sua foto de quando estava fantasiada de pica-pau.

– Você não é nem louca. — Disse fazendo uma careta ao lembrar da fantasia. — Ok... Se você fizer isso eu postarei no Facebook e marcarei todos os seus amigos o vídeo de você se declarando para uma barra de chocolate no meio do mercantil.

Credo... eu mandei você apagar esse vídeo. — Falei enquanto me lembrava desse dia.

Eu estava tendo um momento único com aquele chocolate extremamente delicioso. Eu havia comido ela apenas uma vez e já havia me apaixonado por ela. Eu estava sem grana no dia e o chocolate era caro, então eu tive que me declarar e me despedi naquele momento.

– Eu mandei você apagar essas foto da fantasia também. — Revidou.

– Isso é... — Dei um selinho. — Golpe... — Mordi o seu lábio inferior. — Baixo. — Em seguida, em uma fração de segundos eu a empurrei para trás de novo, tornando a escorar suas costas na parede e a beijando como se o mundo estivesse acabando, e para ser sincera... Ele pode acabar agorinha mesmo que eu não estou nem ai. Eu a beijei com mais vontade. A língua quente dela roçando a minha. Segurei sua nuca de maneira firme. E não resisti muito pra minha língua começar a explorar a boca da loira com suavidade e lentidão. Sua língua tentava acompanhar meus movimentos e no mesmo instante nossas línguas travaram um disputa na qual ninguém sairia vencedor. Nossas línguas começaram uma carícia tentadora e provocativa, me fazendo ir a loucura. Sua língua estava bastante sensual enquanto brincava com a minha, mas eu não a deixaria ficar no comando da situação, não mesmo. Dessa vez eu estou descontando toda a minha vontade de beija-la. Enquanto minha língua acariciou a sua de uma forma lenta, fazendo-a se arrepiar por completo, e no mesmo instante eu enlacei sua língua e a chupei com força, fazendo-nos ficar completamente sem ar. Afastamos nossas bocas, completamente ofegantes tentando a todo custo recuperar nosso fôlego.

Nos afastei e a encarei com um sorriso bobo no rosto. Fico feliz em pensar que depois desses beijos nós continuamos as mesmas.

– Por que logo agora? — Indagou enquanto me olhava completamente ruborizada. Seus lábios estavam vermelhos por conta dos beijos, fazendo-a ficar extremamente sexy enquanto me olhava com uma expressão completamente confusa.

– Porque só agora eu percebo o que eu realmente quero. — Falei seriamente enquanto fixava seus olhos.

– E o que você quer? — Indagou curiosa.

Sorri com sua pergunta.

– Tudo que quero é o sabor que seus lábios permitem. Só quero que me dê amor, o amor que só você pode me dar. — Seus olhos de arregalaram, demostrando sua serpresa. — Fique aqui comigo. Eu sei que é um pedido egoísta mas--

Fui interrompida quando ela enlaçou seus braços em meu pescoço e suas mãos se alinhando em meus cabelos, me abraçando como nunca havia me abraçado antes.

– É o que eu mais quero. — Sussurrou em meu ouvido.

Eu sorri e retribui o abraço, enlaçando meus braços em sua cintura. Tê-la ao meu lado me fazia sentir-me completa novamente, como se mais nada estivesse faltando, ela estava ali comigo já era mais que suficiente em tê-la se entregando. Estava tudo perfeito tê-la para mim daquele jeito. E se depender de mim aquilo irá duraria para sempre.

Me dê amor como nunca deu antes, porque ultimamente eu tenho desejado mais!

Notas finais
Consegui escrever esse capítulo único graças ao vídeo que encontrei na internet do Ed Sheeraan : Give me Love. Eu vi a tradução da música e pensei: "Poxa, eu gostei dessa música e com ela eu pensei em tantas histórias", e eu só vim sossegar quando eu fiz esse único capítulo.E me desculpem se algo estiver errado na escrita... não tive paciência de revisar, mas se estiver qualquer coisa errada é só me dizer.É isso aí eu espero que tenham gostado.Quem tiver interesse em ouvir e ler a tradução da música, vou deixar no link:https://www.youtube.com/watch?v=l1vR97ZccA8
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!