Give Me Love
9 ♥ Capítulo 8 ♥
Notas iniciais

Ainda vou me ferrar nessa história. Nunca precisei me preocupar com monstros. O máximo que sei são maneiras de matá-los (lendo, lendo, lendo).
O ser possui uma forma canina, porém, exageradamente grande. Arranco uma adaga presa ao meu cinto, quando, a passos lentos, o ser vai se aproximando. Não espero que Daniel saiba mais do que eu, em seu colar pende apenas a conta de identificação de seu pai.
Minha mente — hiperativa — começa a formular métodos de ataque, defesa, possíveis botes e outros intermináveis pensamentos. Enquanto isso, eu o analiso: músculos contraídos (um possível salto), a boca escancarada — exibindo dentes que eu não tenho a mínima vontade de conhecer a força. Se não fosse pelo tamanho horrendo, eu seria capaz de compará-lo a um labrador precisando de uma boa tosa em um Pet Shop.
O "cão" soltou um latido descomunal, que reverberou por meus tímpanos. O efeito me obrigou a tapar os ouvidos. Com a adaga caída aos meus pés, minha única defesa é Daniel que se postou atrás de mim.
Envolvendo minha cintura com um dos braços, me puxou para trás, assumindo uma posição defensiva. A simples ideia de ter de ser protegida por um garoto me trouxe a sensação de impotência, e eu estou cansada disso. Nada como mais uma pitada de orgulho, não é, Thalia?
De leve, empurro Daniel, que não é nenhum mamute (digamos que ele não é um bambu, também, mas não é hora para isso) e num só movimento pego minha adaga. O garoto me lança um olhar de admiração, junto a um sorrisinho no canto de sua boca. Fico grata por ele não querer ser o príncipe do cavalo branco, sempre salvando semideusas em perigo, e saber de meu potencial.
– Não acha estranho ele não ter nos atacado ainda? — ele me pergunta.
Realmente. Já estávamos envolvidos naquilo há pelo menos cinco minutos. Era típico de meu pai. Como uma criança! Já não me aguentava de tanta raiva. Pregar peças... um lema de vida. Ouvi passos acelerados:
– Sra. O'leary! — chamava, a voz que eu acostumara a ouvir.
– Percy! Ajuda! Socorro! — o som das passadas partindo galhos sessou.
– Aí está você! — o filho de Poseidon surgiu por trás do "cão".
– Percy! — apontei para o montro, mas para meu espanto este nos ignorava voltando toda sua atenção para o garoto e... o lambendo?
– Era esse o problema? — disse livrando-se do... Deuses não sei mais o que pensar.
– Ma... Mas...
– Esta, minha cara — disse cortando minha fala e finalmente reparando em Daniel, um sorrisinho um tanto malicioso desapareceu assim que surgiu. Tive vontade de socá-lo. — é Sra. O'leary!
– É uma honra conhecê-la, senhorita! — Daniel mostrou seu lado satírico.
– Vocês... — preferi conter minhas palavras. Mas a raiva que pus nesta única foi o suficiente para que desgraçadamente eles tentassem conter o riso. Dei meia volta e segui rumo ao chalé de Eros " o bebezinho encapetado do Olimpo".
Depois de tanto nervosismo, preciso mais do que nunca de um bom banho para me acalmar.
♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Tentando espairecer "desmaiei" logo após o banho. O sonho, sempre real, tomou minha mente. Estou de volta ao Olimpo, como sempre observando as vidas abaixo de nós. Meu pai me tira de meus pensamentos com um toque em meu ombro.
– Oi. — digo inexpressiva.
– O que você pensa que está fazendo, Thalia?
– Seguindo minha vida. Sendo independente. Fugindo das regras... Mais algum item, PAPAI?
– Logo você...
– Logo eu? — repito incrédula. — Você aparece uma vez ao ano para me ver e ainda quer impor regras dizendo o que devo ou não fazer? Por que não se contenta em receber apenas minhas oferendas lançadas ao fogo?
– Thalia você tem consciência de que está falando não apenas com seu pai, mas com um Deus? Deveria ser grata por eu ter criado você aqui e não a deixado em um acampamento para ser cuidada por adolescentes.
– Você ter me criado? — ri sarcástica– quem me criou foi Angel e você sabe muito bem disso.
– Criança, você não pode me insultar de tamanha forma.
– Então cumpra seu papel! Já não está destruindo minha vida pouco a pouco? Alguns dias atrás quase me matou fazendo meu pégaso despencar do céu!
– Não sou eu quem impõe as regras! – sua voz ribombou, assustando algumas ninfas.
– Mas foi você quem impôs esta! — lágrimas ameaçavam cair, embaçando minha visão.
– Você me afronta mais uma vez, semideusa. — Ele não me chamava mais pelo nome — Três dias são seu prazo. Não quero ter que tomar nenhuma ação drástica.Meu sangue ainda corre por suas veias.
– Ouça meu clamor Eros! — as lágrimas banhavam meu rosto, eu estou de joelhos encarando o rosto à minha frente — Dê fim à maldição lançada a seus filhos! Sua filha clama por liberdade!
– Três dias — o rosto do Deus permanecendo sem expressão, porém, em meu âmago, eu enxergava através de seus olhos uma batalha interna. A beleza de seu corpo, transmitida por tantas gerações, já não compensava tamanha a maldade existente por trás de décadas de existência.
♥ ♥ ♥ ♥ ♥
– Thália!
Levantei com tamanho impulso que uma tontura tomou meu corpo, fazendo com que eu deitasse novamente esperando os pontos negros desaparecerem. Quando me levantei, numa nova tentativa, dei de cara com um grande par de olhos sobre mim.
– Mia! — há um bom tempo não cruzava com ela, apenas na hora de dormir. Sempre dormindo cedo. — Tudo bem?
– Eu que te pergunto! — uow que resposta. Sinto meu rosto úmido, volto meu olhar para o travesseiro que está encharcado. Não acredito que chorei dormindo!
– Estou bem! — lanço um sorrisinho para confirmar o que digo — Foi só um pesadelo.
– Sabe... — ela se senta ao meu lado — sempre que tenho pesadelos eu penso em coisas boas. As vezes funciona!
– Obrigada! — sinto muito por isso não ter a mínima chance de ter efeito comigo, mas não vou decepcioná-la com uma frustração que ela nem conhece — Vou me lembrar de fazer isso!
– Já está na hora do jantar! Você vem?
– Pode ir. Vou lavar meu rosto.
Mia desceu — orgulhosa de si mesma — e sumiu pela porta da frente. Me dirigi ao banheiro, lavei meu rosto. Por alguns instantes me encarei no espelho, minha roupa amassada e meu rosto com marcas do travesseiro, olhos vermelhos. E apenas uma coisa em minha mente: três dias.
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