Notas iniciais
Oi gente, que saudades de vocês. Nem demorei né? Eu já disse que adoro escrever Give me Love? De tudo que eu escrevo, essa é a história que mais flui rapidamente. Espero que gostem do capítulo, quase deu 3 mil palavras, acredito que não tenha ficado cansativo, se não gostarem de capítulos tão grandes assim só me avisarem, vou tentar diminuir. Ah, eu criei um grupo no facebook, onde estarei postando spoilers, conversando mais abertamente com vocês e aproximando os leitores a mim e aos outros leitores. https://www.facebook.com/groups/245441768981964/?ref=ts&fref=ts

Capítulo 04 – Hospício.

Após a confusão da comida na noite anterior acabei realmente pedindo pizza para mim e Calista, ela comeu uns 5 pedaços, acredito que a comida do hospital seja pior do que a sua fama. Depois disso acabamos indo dormir, acho que somente ela dormiu, pois eu só consegui ficar girando de um lado do outro da cama, o que provavelmente deve ter me causado um par de olheiras gigantes embaixo dos meus olhos.

Desisto de tentar pregar os olhos, viro-me na cama e encaro o relógio no criado mudo ao meu lado: 05:47. Suspiro pesadamente e tapo meu rosto com um travesseiro.

– Droga. – Resmungo baixinho e me levantando da cama e indo me encarar de frente ao espelho que fica na porta do meu guarda-roupa completamente branco.

Meu quarto é composto basicamente por duas cores: preto e branco. Desde as paredes, totalmente brancas, a cama também branca com a colcha preta e branca, e assim vai. No meu quarto eu não possuo nenhum objeto colorido, nunca parei muito para pensar qual a razão dessas escolhas, mas acredito ser o meu modo de pensar, ou talvez o meu mundo ainda não seja colorido.

Saio do quarto, ainda somente com uma calça jeans velha e gasta, normalmente circularia em casa apenas de cueca, mas não quero dar o azar de me bater com Calista pelo corredor e gerar uma cena daquelas.

Sigo direto pelo corredor, a porta do quarto de Calista está encostada, pelo visto ela ainda deve estar dormindo, como qualquer pessoa normal. Continuo andando ainda com sono pelo corredor esfregando minhas mãos contra meus cabelos indo para a cozinha, mas paro no meio do caminho, não tem nada comestível na dispensa, então apenas me jogo contra o sofá e ligo a televisão.

– Sebastian. – Alguém me chamou ao longe, mas a voz parecia um sussurro e eu não queria ouvi-la. – Sebastian! – A voz me chama novamente um pouco mais impaciente, sinto um cutucão em algum lugar do meu corpo. – Sebastian! – A voz agora grita de verdade me fazendo acordar e cair do sofá por causa do susto.

Não sabia dizer exatamente quando ou o momento em que eu havia dormido, pois nem havia notado que estava dormindo antes de Calista me acordar. E falando em Calista a loira estava dando risada por eu ter caído no chão me fazendo revirar os olhos e me levantar.

– Isso não tem graça. – Respondo fechando a cara para ela, mas ela não me responde só continua rindo da sua piada particular.

– Você baba quando dorme. – Ela finalmente diz após se recuperar da sua pequena crise de riso.

– Não, eu não babo.

– Sim, você baba. Aliás seu rosto está todo babado. – Ela diz e aponta para o meu queixo.

Passo a mão pelo meu queixo e realmente está babado, mas não respondo nada a ela não quero dar o gostinho para que ela saiba que está falando a verdade, então apenas sigo para a cozinhar para lavar o queixo, sinto que ela me segue sentando-se em um dos banquinhos que circundam a mesa americana.

– Que horas são? – Pergunto depois que termino de lavar meu queixo e estou o enxugando.

– Duas horas. – Ela me responde sutilmente, me deixando surpreso, havia dormido demais.

– Você deve estar morrendo de fome. – Falo mais para mim do que para ela, só então parando para encará-la de verdade. Calista está com os cabelos presos num coque bagunçado preso com um misse que não sei onde ela conseguiu, ainda está usando a camisa preta que contém um par de assas brancas nas costas, só que colocou por cima desta alguns colares pratas, um deles mais chamativo continua uma pedra que parecia diamante bem trabalhada. Ela deveria estar vestido um short jeans preto que viera junto com as suas roupas do hospital e que, por sorte, não estava sujo de sangue. Ou, talvez, ela houvesse o lavado, não sei ao certo.

– Na verdade nem tanto. – Ela me responde desviando o olhar do meu, como se soubesse que estava sendo analisada de cima abaixo.

– Temos que fazer comprar para você. – Digo pegando um copo com água para mim. – Vou tomar um banho e nós saímos para almoçar e depois faremos algumas compras.

– Não acho que seja necessário. – Ela me responde com sua arrogância que já estou quase me acostumando.

Termino de beber a água antes de respondê-la.

– Não foi uma pergunta. – Digo e saio da cozinha seguindo para o primeiro andar para me arrumar, deixando Calista, provavelmente, com ódio para trás.

Meia hora depois estou pronto, tomei um banho e arrumei meu cabelo que estava todo despenteado e vesti roupas limpas. Encontrei Calista sentada no seu quarto mexendo no próprio cabelo ao olhar para o espelho, ela havia o soltado, as pontas deste estavam cacheadas e sua raiz lisa, igual ao dia que eu a encontrei.

– Está pronta?

– Estou. – Ela me responde, ela estava bonita vestido a minha roupa, agora ela complementara a roupa com uma sapatilha preta simples.

Descemos as escadas, e saímos, durante a nossa descida pela escada encontramos a minha vizinha Senhora Hudson.

– Bom dia. – Falo, fazendo-a parar de andar, ela tem um olhar amargo e a expressão de poucos amigos. – Esta é Calista ela irá morar comigo por algum tempo. Calista esta é a Senhora Hudson nossa vizinha.

– Oi. – Calista responde simplesmente sem muita emoção, e a senhora apenas meneia a cabeça para ela enquanto resmunga algo sobre “deve ser prostituta que ele traz para fazer barulho e não me deixar dormir.”.

Eu sei que Calista ouviu assim como eu, não consigo evitar de olhá-la para ver sua reação, mas ela apenas fixou o olhar sobre a senhora que continuava subir as escadas sem se importar de se despedir.

– Desculpe por isso. – Digo enquanto continuamos descendo as escadas.

Já estamos chegando ao fim quando ouvimos a gritaria e paramos surpresos.

– Eu já lhe disse que não quero que traga esse pivete para dentro da minha casa Anne! Já basta aguentar você! – Ouço a voz da senhora bradar fortemente para a neta.

– Eu já lhe disse minha avó que eu não estou nem aí se a senhora gosta dele ou não! Eu gosto e isso que importa! – Reconheço a voz pertinente que grita de volta como sendo a de Anne.

– Você é que nem a sua mãe! Ela nunca soube escolher bem os namorados! – A Senhora Hudson responde ainda brava, consigo ouvir um bater de porta. Só então percebo que mesmo depois de quase seis anos que morro aqui, ainda não sei o primeiro nome da minha vizinha.

– Ei, nós não estamos namorando. – Uma voz desconhecida masculina responde indignada.

– Que pena, porque ela está morta agora! Aposto que é isso que você quer que aconteça comigo, sua velha amarga! – Aquilo não é novidade para mim, já sabia a algum tempo que há dois anos, quando Anne veio morar com a avó, a sua mãe tinha morrido, já seu pai esse nunca quis realmente assumir a garota e saiu pelo mundo a deixando com a irresponsável da sua mãe.

– Anne chega, não aguento mais isso. – A voz masculina grita novamente e ouço outra batida de porta, e poucos minutos depois um menino que deve ter por volta de 20 anos passa correndo pela escada quase me derrubando.

– Anne volte aqui! – A Dona Hudson grita e mais uma batida de porta.

– Patrick volte aqui! – Anne grita e poucos segundos depois ela voa pelas escadas, dessa vez já estava preparado.

– Anne está tudo bem? – Pergunto a seguindo com medo do que pode acontecer.

– Vá se fuder com a loirinha e não me enche! – Ela grita e corre pelo portão a fora a procura do tal Patrick.

– Me desculpe por isso também. – Peço desculpas para Calista que assistiu toda a cena ao meu lado sem falar nada.

– Não se preocupe isso acontece nas melhores famílias. – Ela fala ainda sem expressão definida, seu olhar muito longe dali como se pensasse alguma coisa que eu não pudesse acompanhar na minha inteligência limitada.

Já estamos passando pelas ruas lotadas de New York, tinha estacionado o carro num estacionamento pago. Eu não sabia exatamente o que estava procurando, mas sabia que o que eu quisesse comprar eu encontrarei em New York. Guiei Calista até uma loja chamada Forever 17, minha irmã sempre comprava roupas aqui, provavelmente encontraria alguma coisa que Calista aprovasse.

– Procure algo que você goste e vá experimentar. – Digo, a loja está cheia de garotas de todas as idades, cores e raças e isso parece incomodar um pouco Calista.

– Eu não sei exatamente o que procurar. – Ela me respondeu um pouco zonza por tantas pessoas indo e vindo por ali.

Não demora muito para que uma atendente asiática apareça para nos atender.

– Olá boa tarde no que posso ser útil? Meu nome é Cristina. – Ela sorri gostosamente enquanto nos guia pela loja. – Acabaram de chegar novos lançamentos de camisas neons bem chamativas que estão chamando a atenção das garotas, se quiser dar uma olhada.

– Chamativo? Não obrigada. Quero algo que beire o confortável e as cores mais neutras. – Calista falou fazendo cara de dor ao ver as camisas neons de todos os jeitos que Cristina estava apontando.

– Sei exatamente o que você quer. – Ela segura a mão de Calista, esta recua um pouco ao toque, mas me encara e eu aceno para que ela a acompanhe, ela logo o faz.

Fico observando as pessoas ao meu redor e andando pela loja quando o meu telefone toca. Amélia.

– Oi Amy.

– Oi Bass. – Ela me responde, sua voz parece animada do outro lado do telefone.

– Tudo bem com você?

– Tudo sim, onde você está? – Ela me pergunta ainda com o tom alegre, algo deveria ter acontecido de tão bom para que ela estivesse assim.

– Na Forever 21 com Calista.

– Queria jantar com vocês hoje, na minha casa às 21h, eu irei cozinhar. – Assim que ela termina de fazer o convite já fico animado, Amélia sempre cozinhou muito bem, as vezes até mais do que eu.

– Estarei lá. – Desligo na mesma hora que Calista aparece segurando vários cabides.

– Venha conosco, Calista irá experimentar algumas roupas. – Cristina me chama, sempre me surpreendo com essas vendedoras que conseguem ser sociáveis com qualquer pessoas que encontram.

Nós seguimos pela loja gigantesca, a sessão feminina era gigantesca, provavelmente aquela loja era 10x maior que a minha casa. A vendedora asiática nos levou até a parte dos provadores, de frente para eles estavam algumas puffs e bancos acolchoados, sentei-me num puff azul enquanto Cristina e Calista entraram no provador para experimentar as roupas.

Alguns minutos depois Calista saiu vestindo bata azul marinho em formato de camadas as suas costas tinham um decote em formato de U. O vestido realmente ficara muito bom nela, chamava atenção para as suas coxas, desviei rapidamente meu olhar dali por respeito a ela.

– Belíssimo! – A vendedora aplaudiu, mas Calista apenas lhe deu um sorriso amarelo e voltou o olhar azul da cor do mar para mim em forma de questionamento.

– Ficou realmente muito bom. Leve-o. – Respondi fazendo as bochechas pálidas se avermelharem, o que me fez sorrir. Às vezes, Calista era tão inocente. Não consigo evitar, acabo me lembrando da noite passada, quando ela apareceu totalmente despida na minha frente, continuo a rir com a lembrança, e mal percebo que as duas mulheres voltaram a entrar no provador.

Quando elas saem dessa vez, a loira está usando um top de alcinha bem costurado branco e uma saia de cintura alta um pouco rodada preta e branca florida.

– Dê uma voltinha. – Brinco com ela, ainda sem tirar o sorriso dos lábios. Assim que ela termina de dar a volta, coloco uma das minhas mãos no queixo e desfaço o sorrindo, parecendo que estou analisando se a roupa realmente ficou boa nela. – Está perfeita. – Digo quando finalmente canso de ver a expressão de insegurança e ansiedade no rosto de Calista.

Ela me dá língua provocando algumas risadinhas baixas da vendedora. Percebo algumas garotas ao nosso redor observando a gente, acredito que Calista também percebeu, pois logo puxou Cristina e entrou novamente no provador.

Tinha achado que seria menos divertido fazer compras, mas estava enganado, ela conseguia fazer algo totalmente entediante em algo divertido.

Assim que ela saí do provador não consigo segurar a risada, ela está usando um vestido azul tribal até o joelho todo apertadinho e um sapato plataforma muito alto preto, aquilo não era para ela. Ao perceber que eu estava rindo dela, ela deu alguns passos em minha direção provavelmente para me bater, mas o sapato era muito alto e provavelmente ela não estivesse acostumada a andar com aquele tipo de sapato, pois acabou tropeçando nos próprios pés. Acabaria caindo de cara no chão se eu não tivesse levantado correndo e pegasse antes que ela chegasse ao chão.

– Obrigada Sebastian. – Ela falou baixinho vermelha, nossos rostos estavam bastante próximas, então eu pude ouvi-la com bastante clareza.

– Acho que essa roupa não é para você. – Sussurro no seu ouvido gentilmente, tentando me desculpar por ter rido antes dela.

Ela apenas assente e pega no braço de Cristina para voltar pro provador. Quando ela saí novamente me faz perder o ar e ficar de queixo caído. Ela está vestindo um vestido comprido vermelho com estampas árabes, ele é cortado na altura da sua coxa, deixando sua perna totalmente exposta, dando um ar sexy ao vestido, ele é mais folgado na parte superior. Na sua cabeça, estava uma espécie de colar dourado próprio para a cabeça. Ela estava calçando um sapato gladiador que ia um palmo abaixo dos seus joelhos, algo que deveria ser muito comum na Grécia Antiga. Aquela era realmente Calista.

– Feche a boca Bass. – A loira me tirou dos meus pensamentos, dando risada da minha reação.

– Esse vestido é ótimo para o jantar de hoje. – Digo ignorando o comentário dela.

O resultado da nossa pequena grande compra foram 500 dólares a menos na minha conta, mas fiquei muito feliz com o resultado conseguido, compramos uns cinco vestidos, incluindo o vermelho árabe, compramos uns dez shorts e um número que não faço ideia de quantas camisas. Alguns acessórios que ganhamos de presente por ter feito uma grande compra.

Parei no McDonalds para que comprássemos dois sorvetes de casquinhas para comermos no caminho, mas Calista reclamou de comer sorvete no carro não tinha graça, então acabei parando a beira do Rio Hudson.

– Esse sorvete é uma delícia. – Ela me disse após um tempo, a mulher conseguira sujar seu rosto todo de sorvete.

– Seu rosto está sujo. – A avisei, já tinha terminado a minha casquinha a algum tempo.

– Aonde?

– Aqui. – Toquei no seu rosto limpando os lugares com o dedão.

– Obrigada. – Ela agradeceu me encarando com as grandes bolas azuis. – Por tudo.

– Só fiz o que tinha que fazer. – Respondo, afinal ela era meu trabalho no momento.

Ficamos em silêncio novamente, não um silêncio que incomodava, era apenas como se estivéssemos conversando sem falar nada um para o outro e aquilo era uma das coisas que somente Calista conseguia fazer.

– Você uma hora vai ter que me contar, o porquê de ter feito aquilo, você sabe né? – Perguntei num impulso de um modo vago, mas pelo olhar que Calista me lançou tinha certeza que ela havia entendido o que eu queria dizer.

– Você não iria querer saber a verdade. – Ela me respondeu encarando o horizonte com um olhar perdido.

– Tente me contar a verdade.

– Você me colocaria num hospício se eu lhe dissesse. – Ela continuou negando, dando uma de teimosa, o que aquela mulher escondia de tão importante que não poderia me contar. Talvez ela estivesse envolvida com a máfia grega ou italiana, sempre falaram que eles eram os mais cruéis com os que “saíam” das suas organizações, talvez alguma delas estivesse atrás de Calista.

– Eu entrarei num hospício se você não me explicar porque estava querendo se matar. – Murmurei desviando o olhar dela e observando o horizonte, estava anoitecendo, o céu se pondo, tínhamos parado para descansar em frente ao Rio Hudson.

– Eu estava tentando me apaixonar. – Ela me disse enquanto tentava fazer uma pedrinha quicar sobre a água, mas só conseguiu fazer esta afundar.

– A maioria das pessoas vão para uma balada quando querem se apaixonar em vez de atirarem uma flecha no próprio peito. – Respondo a ela, achando que ela está brincando comigo.

– Eu não sou como a maioria das pessoas. – Ela me responde jogando outra pedrinha ainda tentando fazer com que ela quique, mas novamente, a pedra afunda. – Eu disse que você não entenderia.

– Me explique.

– Quando você estiver pronto, eu prometo que explicarei. – Ela me responde sem ser ríspida, encostando a cabeça contra o meu ombro terminando de tomar o seu sorvete que começava a derreter. Aquilo ainda não estava completamente claro para mim, mas pelo pouco que sabia de Calista ela cumpria suas promessas, se ela prometeu me explicar, ela explicaria. Suspiro pegando uma pedrinha fazendo com que essa quique como Calista estava tentando. Aquela mulher conseguia realmente me enlouquecer, se eu não tivesse cuidado ela realmente me faria acabar num hospício.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? A Calista acordando o Bass foi legal? A Calista é daquele tipo "come come não engorda" vocês também são? Eles tem cara de que vão brigar muito ou não? E a Senhora Hudson, gostaram dela? O que acharam da relação da avó com a Anne? A mãe da Anne ter morrido pode ter alguma razão para a Anne ser assim? E a Amélia porque ela está tão feliz? Como será esse jantar? E a Calista provando roupas foi legal? E o final o que ela quis dizer com aquilo? Estarei esperando todas essas respostas nos comentários que vocês me mandaram, já estou ansiosa para ler eles. Beijos e até o próximo capítulo, estarei esperando por vocês,