Notas iniciais
A Denise escreveu esse cap a um tempão - quase 5 meses - mas por algum motivo ainda não postou aqui... resolvi postar por ela

Ao ouvir aquelas palavras, Denise entrou em estado de choque. Seus lábios se entreabriram e as sobrancelhas franziram. Aquela frase não fazia sentido para ela. Não é possível que sua mãe estivesse morta. Ela negou com a cabeça, olhando atônita para o senhor que mantinha sua expressão séria.

Aos poucos a palavra "morta" que ecoava em sua cabeça começara a fazer sentido. Thomas a matara. Sem saber como reagir, ela levantou da cadeira com as pernas fraquejando, determinada em sair dali. Ela ouviu alguém chamando o seu nome, mas ela apenas ignorou. E saiu correndo desesperada da lanchonete. Precisava de ar fresco, seus pulmões pareciam estar sem oxigênio.

Quando chegou ao lado de fora, sentiu gotas geladas e grossas caírem em seu corpo. Estava chovendo como nunca. Seus ossos doíam por conta do rigoroso frio, mas ela realmente não se importava.

Ela caiu de joelhos no chão e abaixou a cabeça. E lá estava aquela dor tão familiar. A dor que sentira inúmeras vezes desde que Thomas a capturou, mas multiplicada por mil. Como se alguém estivesse apunhalado uma faca em seu coração repetidas vezes.

— Shh — ela sentiu alguém a envolver com os braços.

Ela manteu os olhos fechados e deixou escapar um soluço. Daniel a apertou mais forte.

Ela não sabe quanto tempo ficou ali na chuva chorando aninhada ao Daniel, pois não se importava. Talvez se ficasse tempo suficiente conseguisse pegar uma pneumonia e morrer. Como se Daniel tivesse lido seu pensamentos, ele afagou o cabelo molhado de Denise e disse em um tom reconfortante:

— Ei, pequena... — ele se soltou dela e segurou o seu rosto, a forçando olhar para ele.

Ela grunhiu.

— Eu sei que é difícil — ele olhou tristemente para ela. — Eu também já perdi alguém que eu amava...

— Não. — ela o calou com a voz firme.

Ela não queria o ouvir. Não queria ouvir frases de consolo e conforto, só queria ficar na dela. E morrer.

Ele suspirou.

— Temos que sair daqui, pequena. — ele segurou na cintura de Denise e a levantou.

Denise estava tão exausta e depremida que não protestou. Não poderia ficar ali para sempre, afinal. Tinha que ser forte. Pelos seus amigos.

Daniel a soltou e as pernas de Denise ficaram bambas e ela quase caiu novamente, se não fosse pelo Daniel.

— Estou muito fraca. — ela lamentou.

— Não se preocupe, Denise — ele disse suavemente.

E então se abaixou e com um braço levantou as pernas de Denise enquanto a mesma enlaçava seus braços no pescoço de Daniel. Ser carregada no colo assim só fez com que ela se sentisse mais fraca e impotente. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço de Daniel e fechou os olhos.

Ela decidiu parar de pensar nos problemas então se concentrou apenas em ouvir a respiração de Daniel. E aos poucos os olhos começaram a pesar.


***


Mari cobriu a boca com as mãos, abafando um grito. Arfando, ela correu até à beira do penhasco e pôde ver o corpo de Milan no chão, torto e coberto de sangue. Ela caiu de tão, tão alto.

— Está morta — ela sussurrou.

Ele bufou, como se isso não fosse nada demais.

— Por que você fez isso? — ela perguntou sentindo seus olhos marejarem.

Ela se virou para encara-lo. Ele estava com uma postura indiferente, a expressão vazia. Ele deu de ombros.

— Nunca fui com a cara dessa pirralha.

Ela levantou com horror. Olhou mais uma vez para a garota morta no chão, atordoada. Ela acabou de assistir uma garotinha sendo assassinada.

— Ela tentou te enganar, sabia? — ele disse se aproximando dela com um olhar ameaçador.

Mari recuou, receosa com a aproximação dele. Ele vai me empurrar desse penhasco, ela pensou.

— Denise não está nessa cabana — ele explicou. — É uma armadilha.

Ela ergueu as sobrancelhas, desacreditada. Rafael esperou que ela dissesse alguma coisa. Ela permaneceu em silêncio. Ele bufou.

— Thomas está. — ele declarou. — E está te esperando na cabana.

Mari sentiu o estômago dar um nó. Olhou por reflexo para a cabana, como se pudesse ver Thomas lá dentro.

— Ele não sabe que estou aqui? — ela perguntou.

O canto do lábio de Rafael se curvou.

— Ainda não — ele sorriu. — Mas Thomas não é idiota, daqui a pouco ele vai descobrir.

O pulso de Mari acelerou. Ela agora só conseguia pensar em correr, correr e correr daquele lugar. Desesperadamente.

Só de pensar que Thomas estava a alguns metros de distancia dela, um calafrio de medo se alastrava em seu corpo.

— Se eu fosse você corria.

Mari olhou confusa para ele. Bateu o pé no chão.

— E por que eu deveria acreditar em você? Você acabou de matar uma criancinha. Como vou saber que você não está inventando isso para que eu não ache Denise?

O maxilar dele cerrou.

— Se eu não quisesse que você achasse Denise eu simplesmente te jogaria da ponte, igual Milan. — ele sorriu sadicamente.

Ela ergueu as sobrancelhas, o desafiando.

— A não ser que Thomas o tenha dito para me manter viva.

Rafael revirou os olhos.

— Já que tem tanta dúvida assim... — ele deu uma pausa. — Por que não entra e vê com os próprios olhos?


***


Ashley cerrou os olhos para que conseguisse enxergar melhor. Ela sorriu vitoriosa.

Bingo!, pensou.

Denise estava dormindo no colo de algum garoto aleatório. Parecia tão indefesa que Ashley teve vontade de rir. Fora tão fácil acha-la. Denise sabia que estava sendo procurada por um serial killer, como ela não tinha saído da cidade ainda? Ashley pensou em como essa gente era burra.

Eles entraram dentro de uma casinha e Ashley foi atrás. Daniel entrou e colocou com cuidado Denise no sofá, dando um beijo em sua testa. Ashley revirou os olhos, com nojo. Ele pegou um cobertor no chão e colocou nela, que se encolheu no sofá de frio. Ashley estava olhando pela janela, esperando que o Romeu saísse de perto para completar sua missão. Ele pousou sua mão na testa de Denise e em seguida saiu do local. Ashley sorriu diabolicamente.

Com sorte, ela conseguiu abrir a janela que estava um pouco emperrada. Ela saltou silenciosamente e rápido, antes que Daniel voltasse. O que era improvável, o garoto parecia não querer sair perto dela. Ela chegou perto o suficiente para toca-la quando ele apareceu.

A expressão de surpresa de Daniel logo mudou para raiva. Ele rosnou. Ashley rosnou de volta. Antes que ele se aproximasse, ela pegou um canivete no bolso e encostou no pescoço de Denise. Daniel arregalou os olhos, ficando imóvel no lugar.

— Muito bem, docinho — ela disse para ele. — Paradinho aí.

Ele respirou fundo, como se controlasse.

— Ashley — ele praticamente cuspiu a palavra.

Ela riu suavemente, quase surpresa.

— Nossa, estou ficando famosa. — ela olhou para Denise. — Como ela está pálida.

— O que você quer? — ele berrou. — Se você machucar ela eu quebro o seu pescoço.

Ela voltou o olhar para ele com desprezo. Como se ameaças a assustasse.

— Ah, eu não vou machuca-la, meu bem — ela disse com sarcasmo na voz. — Se você cooperar.

Ele rosnou.

— O que quer de mim? — ele perguntou secamente.

Ela sorriu.

— Só quero que você fique exatamente onde está, paradinho. — ela respondeu. — Eu a levarei comigo.

— Não. — ele disse rudemente. — Você não vai mata-la. Se quisesse, já teria feito. Thomas pediu para que você buscasse ela, não é?

Ela cerrou os olhos.

— Ashley? — uma voz extremamente fraca disse.

A loira olhou para baixo. Denise estava com os olhos abertos, confusos encarando ela. E em seguida encarando o canivete que ela segurava. Mas não teve reação alguma, continuou estática no sofá, encarando Ashley.

— Denise — Daniel disse. — Não se preocupe, ela não vai machuca-la.

— Cale a boca, romeu — ela apontou o canivete para ele e em seguida voltou o olhar para Denise.

— O Thomas te pediu para me buscar não é? — ela sussurrou sentindo os olhos marejarem.

Ashley ignorou uma pontada de culpa que sentiu. Foi embora tão rápido quanto chegou. Ela assentiu com a cabeça.

— Eu não quero ir, Ashley — ela disse.

Ashley afagou o cabelo dela cinicamente.

— Eu sei que não, docinho — ela respondeu.

Agora as lágrimas caiam sem parar.

— Ele vai me matar alguma hora, Ashley — ela disse e a loira assentiu com a cabeça.

— Então me mate logo — ela implorou. — Me mate agora.

Sem esperar por resposta, Denise agarrou o canivete e com toda força que tinha empurrou para o próprio pescoço. Pela surpresa, Ashley soltou um gritinho e puxou o canivete de volta. Daniel gritou de horror e correu para perto delas.

— Sua retardada! — Ashley gritou com raiva na voz. — Não é pra você morrer. Thomas a quer viva!

Denise emitia uns sons estranhos enquanto sangrava, e Daniel parecia desesperado, sem saber o que fazer. Ashley revirou os olhos e limpou o canivete sujo de sangue na calça jeans.

Ele retirou o celular do bolso para provavelmente ligar para a ambulância e Ashley o tomou. Daniel olhou para ela furioso.

— Ei! O que está fazendo? — ele tentou pegar de volta.

Ashley pegou o canivete e enterrou no braço de Daniel enquanto digitava alguns números no celular para que tivesse tempo. Ele recuou, exclamando de dor.

— Deixa que eu ligo — ela disse para ele. — Cuide da Denise antes que ela morra.

Thomas atendeu alguns segundos depois.

— Você a encontrou? — ele perguntou em um tom sério.

Ashley olhou de relance para Daniel e Denise. Daniel estava tentando estacar o sangue. Ela revirou os olhos.

— Sim, e está morrendo, chame o doutor para cá, estamos numa casinha aqui perto do...

Thomas então encerrou a ligação. Ela franziu o cenho. O que significava isso? Ele deixaria Denise morrer? Ela deveria se importar?

Notas finais
sdds dessa fic