Girls in Black

16 I don't know you.


Notas iniciais
eu seeeei que demorei muito para postar, desculpe, sério. Mas enfim, espero que goste.

Denise não acreditou que Rafael não tinha voltado para procura-la. Estava horas lá, o esperando. Pelo menos era o que parecia. Ela resolveu desistir de espera-lo e tentar sair daquela situação sozinha. Suspirou e olhou para seu pé. Estava encaixado perfeitamente naquele buraco fundo, não sabia como tinha acontecido aquilo. Colocou as duas mãos em torno do seu tornozelo direito e usou toda a força que tinha para tirá-lo dali. Mas não conseguia tirá-lo dali nem rezando. Ela suspirou, cansada.

— Acho que o universo conspira contra mim. – ela resmungou.

— Ora, não seja tão pessimista! – alguém exclamou.

Se Denise não estivesse presa naquele buraco com certeza cairia no chão, devido ao susto. Ela olhou em direção à voz e cerrou os olhos, pois já estava de noite. Ela viu uma silhueta de um uma pessoa, um homem, provavelmente.

— Quem é você? – ela perguntou em um tom de voz baixo.

Seus olhos já estavam acostumados com a escuridão então ela viu perfeitamente o sujeito dar um sorriso largo. Ele se aproximou, com passos lentos.

— Você parece estar em apuros. Quer ajuda? – ele perguntou ironicamente.

Denise agora o enxergava claramente. Era um homem de mais ou menos 20 anos, moreno, com um olhar cínico. Ela engoliu em seco. Lembrara novamente que estava sozinha, na chuva, perdida, presa e agora um homem a estava encarando de um jeito bem suspeito. A situação só melhora pelo jeito, ela pensou. Ela fechou a cara e negou com a cabeça.

— É sério? – ele ergueu as sobrancelhas. – Vai sair como daí? – ele riu.

Mari deu de ombros, se sentindo cada vez mais desconfortável.

— Acho que não é da sua conta. – ela deu um sorrido forçado. – E quem disse que eu quero sair daqui, afinal?

— Você parecia querer sair daí há alguns segundos atrás. – ele disse. – Vou ajudar você, não se preocupe.

— Por que você se importa? – ela resmungou.

Ele ergueu as sobrancelhas novamente com um olhar divertido.

— Parece que tem dificuldades em confiar nas pessoas. – Ele se aproximou mais.

Ele não tinha mais aquele olhar cínico nos olhos, agora estava com uma expressão neutra. Denise revirou os olhos, parece que ele não iria embora tão cedo.

— Sim, mas veja bem... Não faço ideia de quem seja você. – ela sorriu ironicamente.

— Tudo bem, então. – ele sorriu. – Sou o Daniel Blake. Tenho 16 anos, prazer.

Apesar de ter ficado surpresa com a idade, afinal, ele parecia ser bem mais velho ela apenas sorriu e ficou em silêncio.

— E o que estava fazendo aqui, senhorita? – ele perguntou.

— Não me chame de senhorita. – ela reclamou. – Vejamos... Não é da sua conta. – ela respondeu ríspida.

— Só estou tentando puxar assunto. Enfim, senhora, você quer ajuda ou não? – ele perguntou sorrindo de orelha à orelha. Isso irritou Denise.

Ela ignorou o fato de ter sido chamada de “senhora”.

— Se me ajudar você some? – ela perguntou. Ele acenou com a cabeça. – Então me ajude.

— Você fala como se não quisesse sair daí. – ele riu.

Sem responder, ele abaixou e segurou a perna da Mari. Ela não esperava esse ato então soltou um gritinho de susto. Revirou os olhos pela segunda vez e esperou. Depois de um tempo seu pé estava solto. O moreno largou as mãos de sua perna e a encarou.

— Obrigada... – ela disse. – Agora é melhor eu ir.

Deu um mini sorriso e se virou para ir embora.

— Espera. – ele murmurou.

Denise continuou andando sem se virar até que ele disse com um tom mais alto:

— Denise!

Ela franziu o cenho e parou na hora. Virou-se aos poucos para ele, um pouco confusa. Ele suspirou como se já previsse essa reação.

— Como sabe meu nome? – ela perguntou.

Ele suspirou e revirou os olhos.

— Eu te conto se você vir comigo... – ele começou. – até a minha casa. Lá não está chovendo e se quiser eu faço um chazinho para você.

Ela ficou de boca aberta e respondeu:

— Se acha que vou com você está muito enganado. – ela bateu o pé direito, mostrando irritação.

— Fala logo. Você trabalha para o Thomas? – ela perguntou. – É isso? Você veio me buscar?

Ele negou com a cabeça e se aproximou.

— Não se aproxime. – ela recuou.

Denise hesitou. Não sabia se ficava para ouvi-lo falando ou se saía correndo. Parecia loucura, ela sabia, mas foi a pessoa mais gentil que falara com ela desde que fora sequestrada por Thomas.

— Estou aqui para ajuda-la. – ele murmurou. Percebendo sua desconfiança completou: — que opção você tem? Se você fugir o Thomas vai atrás de você. E você não acha que eu trabalho para ele? Que diferença faria?

Ela permaneceu quieta, sem saber o que fazer ainda. Se ela fugisse provavelmente iria atrás dela, ou pior, da mãe dela.

— É porque você não acha isso. – ele sorriu. – Você acredita em mim. Que bom.

— Não seja tão convencido. – ela rebateu. – Me diga um motivo para confiar em você.

Ele pareceu pensar um pouco e então respondeu:

— Sou amigo do Lucas. – ele murmurou. – estou ajudando ele a encontrar você e a Mari.

Denise arregalou os olhos e ergueu a sobrancelha. De repente ela lembrara: Aquele garoto realmente não estava mentido; Ela se lembrava dele, era amigo de Lucas, mas parara de andar com ele, há muito tempo. Percebendo isso, o sorriso dele alargou.

— Que bom que se lembra de mim. – ele disse. – Mas então, a chuva está piorando, você vem ou não?

Denise bufou e revirou os olhos, ela já sabia o que iria com ele.

— Tudo bem. – ela suspirou. O garoto deu um sorriso vitorioso.

— Mas espera! – ela exclamou. – Meu amigo, Rafael. Eu me perdi dele aqui, temos que acha-lo.

O moreno revirou os olhos, como se esperasse aquilo.

— Vamos encontrar todos. Inclusive a Mari. Mas por favor, agora não. – ele suplicou com os olhos. – Ele provavelmente se perdeu na floresta.

Mari continuou negando com a cabeça, não sairia dali sem Rafael.

— Olha, é inútil procura-lo à noite... – ele tentou, sem sucesso. Suspirou. – Tudo bem. Vamos logo. Mas se eu pegar um resfriado a culpa é sua.

Denise deu um pequeno sorriso vitorioso e os dois começaram a andar em busca do Rafael.

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Mari acordou naquela maca novamente e esperou ver o Doutor na cadeira em frente à ela. Mas na verdade era bem pior. Thomas a encarava de um jeito bem psicopata. Num impulso ela tentou fugir dali, em vão.

— Que bom que acordou. – ele sorriu. – Já estava cansado de esperar.

— O que você quer? – ela rosnou.

O seu sorriso ficou ainda maior e ele se levantou da cadeira, sentando na cama que a Mari estava.

— Queria trocar uma ideia com você. – ele respondeu. – sabe, sobre sua amiga.

— Denise? – ela perguntou. – fala logo.

— Eu posso soltá-la. Com uma condição.

Mari franziu as sobrancelhas. Ele realmente soltaria a Denise? Mesmo ela sabendo demais? Como poderia confiar nele?

— Que condição? – ela perguntou.

— Isso você saberá na hora. Você aceita ou não? – ele pergunta.

Mari respira fundo e pensa bem. Teria que fazer um trabalho para Thomas. Mas ela sabia que se arrependeria se não aceitasse. Afinal, Denise já sofrera o suficiente.

— Tudo bem. – ela respondeu.

Notas finais
^^