Girls in Black
13 Hunting Day
Notas iniciais
Denise fitava o chão pensativa. Ela havia acordado há poucos minutos, mas quando olhou em volta, Rafael não estava mais ali.
Observava de relance algumas pessoas sairem de suas celas e irem em direção a cozinha.
Se sentou na cama e balançou a cabeça. Não queria sair dali para encarar pessoas desconhecidas e ouvir a voz de Thomas, então permaneceu ali, admirando o teto.
— Dormiu bem? — Rafael abriu a cela e Denise desviou o olhar para ele.
Ela assentiu. Por algum motivo, a voz dele lhe trazia segurança.
— Imaginei que você não iria querer comer — Ele trazia uma bandeja com o café da manhã — Então eu trouxe para você.
— Obrigada — Ela sorriu — Mas não estou com fome.
Rafael suspirou, colocando a bandeja ao seu lado.
— É melhor você comer. — Ele se sentou ao seu lado — Logo Thomas aparece para te levar para um serviço.
Ela revirou os olhos ao ser lembrada disso.
— Tem razão — Ela se levantou — Acho melhor eu voltar à minha cela.
Ele permaneceu calado. Ela saiu e caminhou lentamente até a sua cela, mas surpreendeu-se ao avistar Thomas lá.
Ele estava deitado na cama de Ashley com o boneco ao seu lado.
Denise hesitou. Teve vontade de voltar a cela de Rafael, ou a de qualquer pessoa aleatória, porém tinha acabado de prometer a si mesma que deixaria de ser medrosa.
Afinal, o que poderia acontecer?
Mesmo receosa, entrou na cela.
— Finalmente apareceu, em? — Thomas provocou, ao perceber a presença da garota. — Estava tentando fugir?
Ela revirou os olhos, mas continuou parada na frente da porta, do lado de dentro da cela.
— O que faz aqui? — Ela balbuciou — O que fez com a Ashley?
Thomas sorriu com os olhos, embora permanecesse sério. Ele estava diferente, já não era tão agressivo como antes, e por incrível que pareça, essa mudança repentina a assustava.
Passaram-se alguns segundos de silêncio. Ele se levantou, a morena deu um passo para trás.
— Você precisa se preparar para a missão. — Ele sorriu.
Ω
Os frágeis raios de sol alcançavam o rosto de Mari, ela abriu os olhos. Deu um suspiro cansado, se sentia debilitada. Pensou na possibilidade de Ashley ter dado algo pra ela dormir.
A porta se abriu e a loira entrou no quarto.
— Bom dia. — Ela sorriu inocentemente.
Péssimo dia — Murmurou Mari, mas Ashley pareceu não escutar, ou apenas a ignorou.
A loira se sentou em uma cadeira próxima a cama de Mari e começou remexer em sua bolsa a procura de algo.
Mari encolheu os ombros, temendo ser mais uma droga. Felizmente, ela retirou apenas um caderno e uma caneta.
Começou a escrever cuidadosamente em uma folha branca. De vez em quando, desviava o olhar do papel para Mari, sem parar de escrever. Mari a encarou confusa, mas decidiu ignorar.
Pensava em sua mãe e que provavelmente ela ja teria acordado e se dado conta de seu sumiço.
Se lembrou de Denise e o quanto estaria sofrendo. Ou quem sabe, morta.
Sentiu seus olhos ficar marejados. Pensar em tudo que ocorrera naquela semana a deixava com um nó na garganta.
— Eu vou morrer. — Mari pensou alto com a voz falha. A loira riu.
— Se não fizer nada de errado, não vai.
Mari respirou fundo, sentindo uma revolta pecorrer seu sangue.
— Você não ficará impune — Murmurou com dificuldade por causa das lagrimas que insistiam em cair, mas ela persistia em segurar — Uma hora ou outra a polícia vai acabar descobrindo tudo. — Ela berrou, embora não tivesse certeza daquilo.
Ashley a encarou com um olhar de reprovação, fazendo-a estremecer.
— Tenho algo que vai te deixar mais calma. — Ela voltou a revirar a bolsa, tirando de lá uma seringa que Mari reconheceu imediatamente.
Ω
A musica extremamente alta seria capaz de ensurdecer qualquer um, e as luzes seriam capaz de cegar alguém. Denise concluiu que Sr. Lohan não tinha amor a vida.
— Vamos nos separar, qualquer coisa te aviso. — Rafael gritou devido a banda de musica classica com problemas auditivos que estava tocando no momento.
Denise assentiu e foi na direção oposta.
Thomas teria explicado tudo; Ela e o amigo teriam de invadir o aniversário e achar a sala onde Sr. Lohan — Um delegado que cuidava dos sequestros de Thomas — guardava suas investigações, e descobrir até onde ele sabia sobre Thomas, que estava monitorando tudo. Nenhum passo em falso. — Pensou, enquanto passava pela multidão.
Estava nervosa. Temia que algo desse errado, e sua fobia de multidões não ajudava muito. Algumas pessoas a encarava como se dissessem Oque ela faz aqui? ou que guria mal vestida.
Suas roupas não eram uma das melhores. Ela usava um simples vestido roxo e uma jaqueta preta, para esconder o dispositivo em seu braço.
— Denise! — Ela virou-se imediatamente ao escutar seu nome — Eu achei o escritório.
Rafael falava com dificuldade e tinha a respiração ofegante.
Denise arqueeou as sobrancelhas esperançosa, esperando que ele dissesse que já podiam ir embora.
— E você achou alguma coisa? — Ela perguntou.
Ele balançou a cabeça em negação.
— O escritório fica lá encima, mas tem muita gente por perto.
Denise desviou o olhar para o segundo andar, acima das escadas e confirmou com a cabeça. Ele pareceu ter uma ideia.
— Eu distraio eles, você entra lá e investiga tudo. — Ele entregou uma câmera fotográfica para ela, como se dissesse Use isso em seguida se retirou e Denise o observava de longe.
Rafael subiu ao palco aonde a banda tocava há poucos segundos, pareceu pedir licença e pegou o microfone.
— Eu convoco a todos ao salão principal.
As pessoas se entreolhavam, mas mesmo assim o obedeceram.
— Sei que a maioria das pessoas aqui presentes não me conhecem, mas — Ele deu uma pausa — Eu gostaria de apresentar um discurso para o aniversariante. Afinal, não é todo dia que fazemos cinquenta e quatro anos, não é?
Ele falava tudo perfeitamente, não gaguejou uma só vez, e não parecia nervoso. Denise se perguntava se conseguiria o mesmo em seu lugar.
Todos mantinham o olhar fixo no palco, Denise aproveitou para subir as escadas, havia uma pequena porta no final do corredor, que ela julgou ser o escritório.
Sentiu seu estômago revirar ao entrar na sala. Não queria está fazendo aquilo. Não queria prejudicar alguém que poderia ajudar ela e os outros. Mas não tinha escolha.
Não teria muito tempo, então começou a vasculhar as gavetas em busca dos arquivos de Thomas. Entretanto, não encontrou nada.
Havia uma última gaveta, mas precisaria de uma senha de quatro dígitos para abri-la.
1-2-3-4
Erro.
Era obvio que não era.
Ela a praguejou mentalmente. Por que seu cérebro sempre demorava a funcionar nos momentos em que ela mais precisava?
Observou em volta. O escritório, antes arrumado, parecia que um furacão havia passado ali, devido aos documentos espalhados por todo o chão e pela estante de livros.
— 1962 — Ela murmurou incrédula.
Rafael dissera que ele fazia 54 anos. Então essa seria sua data de nascimento.
—1-9-6-2 .
A gaveta abriu.
Sem perder tempo, ela começou a analisar os papeis dentro da pasta.
Retrato falado, nome completo, antiga localização, possíveis vítimas e cúmplices.
Ela pegou a câmera e tirou fotos das páginas, mas franziu a testa ao passar o olho pela ultima pagina.
Cumplices
Lucas Campbell Taylor (Confirmado)
Mari Evans Miller. ( Suspeito).
A sala ficou em silêncio absoluto, seguido pelo barulho de passos.
Sentiu seu coração parar enquanto a maçaneta da porta girava.
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