Girls and Blood — Reimagined Twilight
27 Twenty Six
Notas iniciais
Suas mãos grandes acariciaram meu cabelo, descendo pelo meu pescoço e parando em meus quadris onde ela apertou de forma rude. Senti seus lábios buscando os meus com exaspero, sua língua travando uma batalha para adentar minha boca. Ela suspirou em satisfação quando mordeu meu lábio e o puxou, com uma força desnecessária.
Me afastei um pouco e pude ver seus olhos, quentes, opacos, focando-se em mim daquele jeito perigoso.
— Senti sua falta, docinho.
Eu apenas assenti, sentindo minhas bochechas corarem. Ela sorriu de forma branda, os olhos ainda me avaliando e usou o peso de seu corpo para impulsionar-se e me prender contra a parede gelada do vestiário.
— Queria muito prolongar esse momento... — ela correu o nariz pelo meu pescoço, subiu pelo queixo e depois lambeu minha bochecha esquerda.
— Urgh! — fiz uma careta — Victoria!
A ruiva apenas riu e o movimento fez seus cachos pesados balançarem suavemente. Ela me observou com uma expressão que não pude identificar enquanto eu esfregava a minha bochecha úmida.
Ficamos em silêncio por um segundo e ela continuava a me olhar, quase me devorando com aqueles olhos maliciosos. Desviei minha atenção para a tela do meu celular prateado, jogado em cima da minha mochila e do uniforme amarrotado e minha cabeça estalou ao me dar conta do horário.
Tentei me afastar de Victoria, mas ela apenas balançou a cabeça com uma expressão que dizia que eu não sairia dali tão cedo.
— Preciso ir... — eu meio que implorei, ainda tentando empurrá-la.
Ela negou. — Não quero que vá... Na verdade — ela colou os lábios ao meu ouvido — eu estava pensando em te levar pra minha casa...
— Não acho que... — ela me interrompeu, pressionando seu corpo no meu com força e senti cada pedaço de pele do meu corpo se arrepiar com o contato.
— O que dizia?
— Eu... Huh... — ela sorriu, parecendo se divertir com a minha confusão mental — Vou me atrasar para o jantar...
— Pode jantar comigo hoje. — ela propôs, mordendo meu queixo — E depois, eu posso jantar você.
Uma sensação estranha apertou a boca do meu estômago, mas minha mente estava nublada demais com o efeito que ela me causava.
Ela estava perto demais, eu me sentia quente demais.
E eu queria mais e mais.
Victoria se empertigou devagar, mas não desviou o olhar de mim, com as narinas ainda dilatadas. Edythe ficou tensa na minha frente e eu senti vontade de puxá-la para longe da vampira ruiva. Era possível ver que não estava de brincadeira.
Caramba, minha mente deu um pulo.
Qual era a probabilidade daquilo acontecer? Victoria, bem aqui na minha frente, uma vampira completa e ameaçadora.
O destino só podia estar brincando comigo.
A ruiva sibilou novamente e Edythe imitou o gesto. Eu estava congelada, e podia perceber a confusão no olhar de todos os outros vampiros.
Finalmente Laurent falou, seu tom foi tranquilizador, tentando aquietar a súbita hostilidade.
— Parece que temos muito a aprender uns sobre os outros.
— De fato. — A voz de Carine ainda estava fria.
— Mas gostaríamos de aceitar seu convite. — Seus olhos dispararam para mim e de volta a Carine. — E é claro que não faremos mal a garota humana. Não caçaremos em seu território, como eu disse.
Victoria olhou para Laurent com incredulidade e trocou um breve olhar com James, cujos olhos ainda disparavam de um rosto para outro.
Carine avaliou a expressão franca de Laurent por um momento antes de falar.
— Vamos lhes mostrar o caminho. Jess, Royal, Earnest? — chamou ela.
Eles se reuniram, bloqueando-me de vista ao convergirem. Archie apareceu imediatamente ao meu lado, enquanto Eleanor se movia mais devagar, os olhos grudados em Victoria enquanto recuava na nossa direção.
— Vamos, Bella. — disse Edythe, com voz baixa e inexpressiva.
Ela segurou meu cotovelo e me puxou. Archie e Eleanor ficaram perto de nós, me escondendo de quem ainda poderia estar olhando.
Cambaleei ao lado de Edythe, tentando acompanhar o ritmo que ela impôs.
Não pude ouvir se o grupo principal já tinha ido. A impaciência de Edythe era quase tangível enquanto seguíamos a um ritmo humano para a margem da floresta.
— Eu sou mais rápida — respondeu ela ao pensamento de alguém.
De repente, estávamos nas árvores, e Edythe botou meu braço ao redor do pescoço dela enquanto ainda estávamos andando rápido. Percebi o que ela queria e subi nas costas dela.
Estávamos correndo antes de eu ter terminado de me acomodar.
Não consegui fechar os olhos, mas a floresta estava bem preta agora mesmo. Não consegui ver nem ouvir Eleanor e Archie correndo ao nosso lado. Como Edythe, eles se moviam pela floresta como se fossem fantasmas.
Chegamos ao Jeep em segundos. Edythe mal reduziu a velocidade, só se virou e me atirou no banco traseiro.
— Prenda-a — ordenou ela a Eleanor, que deslizou para o meu lado.
Archie já estava no banco da frente, e Edythe ligava o motor. Ela deu meia-volta, girando para ficar de frente para a estrada sinuosa.
Edythe grunhia alguma coisa rápido demais para que eu entendesse, mas parecia uma série de obscenidades. A viagem sacolejante dessa vez foi muito pior, na escuridão.
Eleanor e Archie olhavam pela janela.
Chegamos à estrada principal. O Jeep seguia rápido. Estava escuro, mas reconheci a direção para onde estávamos indo. Para o sul, para longe de Forks.
— Aonde estamos indo? — perguntei.
Ninguém respondeu. Ninguém sequer olhou para mim.
— Alguém vai me dizer o que está acontecendo?
Edythe manteve os olhos na estrada enquanto falava. O velocímetro marcava 160 quilômetros por hora.
— Temos que levar você para longe daqui, bem longe, agora.
— O quê? Mas preciso ir para casa.
— Você não pode ir para casa, Bella. — O jeito como ela falou pareceu bem permanente.
— Não estou entendendo. Edythe, o que você quer dizer?
Archie falou pela primeira vez.
— Pare, Edythe.
Ela lhe lançou um olhar severo e acelerou.
— Edythe — disse Archie. — Veja todos os caminhos diferentes que isso pode tomar. Precisamos pensar direito.
Havia um tom de aviso em sua voz, e me perguntei o que se passava em sua mente, o que estava mostrando a Edythe.
— Você não entende. — Edythe quase uivou de frustração. O velocímetro a quase 185. — Ela é rastreadora, Archie! Você viu isso? Ela
é uma maldita rastreadora!
Senti Eleanor se enrijecer a meu lado e me perguntei o que a palavra queria dizer. Significava para os três mais do que para mim. Eu queria entender, mas não havia espaço para eu perguntar.
— Encoste, Edythe. — A voz de Archie estava mais severa agora, firme.
O velocímetro passava um pouco dos 190 por hora.
— Pare — disse ele.
— Archie... escute! Eu vi a mente dela. Bella é a paixão dela, sua obsessão. E ela a quer, Archie. Especificamente a ela, começou essa caçada desde que foi transformada. Ela não vai parar.
— Ela não sabe onde...
— Quanto tempo acha que ela precisará para sentir o cheiro de Bella na cidade? Seus planos já estavam preparados antes que as palavras saíssem da boca de Laurent.
Foi como um soco no estômago. Não consegui respirar por um segundo, enquanto o que ela estava dizendo finalmente fazia sentido. Até o momento, tudo pareceu meio abstrato, como um problema de matemática.
Não parecia ligado a mim de forma real.
Eu sabia aonde meu cheiro a levaria.
— Charlie! — falei, ofegante. E gritei. — Charlie! Temos que voltar. Ela vai achar o Charlie!
Comecei a arrancar as fivelas que me seguravam, até que Eleanor segurou meus pulsos. Tentar soltá-los era como tentar tirar algemas presas em concreto.
— Edythe! Dê meia-volta! — gritei.
— Ela tem razão — disse Archie.
O carro reduziu um pouco.
— Vamos considerar nossas opções por um minuto — disse Archie, tentando persuadi-la.
— Edythe, eu juro que se você não parar essa merda agora... — gritei.
O carro reduziu outra vez, mais perceptivelmente, e depois, de repente, paramos cantando pneus no acostamento da estrada. Eu voei de encontro ao arnês e bati de costas no banco.
— Não temos opções — sibilou Edythe.
Eleanor finalmente falou.
— Precisamos levá-la de volta.
— Não.
— Ela não é páreo para nós, Edy. Não vai poder botar um dedo nela.
— Ela vai esperar. O tempo que for preciso.
Eleanor deu um sorriso frio e estranhamente ansioso.
— Eu também posso esperar.
Edythe bufou de exasperação. — Vocês não viram! Vocês não entendem! Ela se comprometeu a encontrar a Bella, sua obsessão é inabalável.
— Controle seus ciúmes...
— Teríamos que matá-la. — Edythe interrompeu.
Eleanor não pareceu se incomodar com a ideia.
— Sim.
— E tem o homem. Está com ela. Se houver uma luta, James vai ficar do lado dela também.
— Nós estamos em número suficiente.
— Há outra opção — disse Archie em voz baixa.
Edythe virou-se para ele, furiosa, a voz rosnando ferozmente.
— Não... há... outra... opção!
Eleanor e eu a olhamos chocados, mas Archie não pareceu se surpreender.
O silêncio perdurou um longo minuto enquanto Edythe e Archie se encaravam.
— Alguém quer ouvir minha ideia? — perguntei.
— Não — grunhiu Edythe.
Archie a encarou com raiva.
— Ouça — pedi. — Me leve de volta.
— Não!
— Sim! Você me leva de volta. Eu digo a meu pai que quero voltar para Phoenix. Faço minhas malas. Esperamos até que... Victoria... esteja observando e depois corremos. Ela vai nos seguir e deixar Charlie em paz. Aí, você pode me levar para a droga do lugar que quiser. — falei de uma vez.
Eles me encararam com olhos arregalados.
— Na verdade, não é má ideia. — A surpresa de Eleanor foi tanta que chegou a ser um insulto.
— Pode dar certo, e não podemos deixar o pai dela desprotegido — disse Archie. — Você sabe disso.
Todos olharam para Edythe.
— É perigoso demais. Não quero que ela chegue nem a cento e cinquenta quilômetros da Bella.
— Ela não vai passar por nós — Eleanor estava muito confiante.
Archie fechou os olhos por um segundo.
— Não a vejo atacando. Ela é do tipo que contorna, não vai direto. Vai esperar que a deixemos desprotegida.
— Ela logo vai perceber que isso não vai acontecer — disse Edythe.
— Eu tenho que ir para casa, Edy.
Ela colocou os dedos nas têmporas e fechou os olhos por um segundo. Em seguida, olhou para mim com cara feia.
— Seu plano é muito demorado. Não temos tempo para essa história de fazer malas.
— Se eu não der algum tipo de desculpa, ele vai causar problemas para sua família. Talvez chame o FBI se achar que vocês... sei lá, me sequestraram.
— Isso não importa.
— Sim. Importa. Tem um jeito de todo mundo ficar bem, e é isso que vamos fazer.
O Jeep ganhou vida, e ela deu meia-volta, cantando pneus. O mostrador do velocímetro começou a subir.
— Você vai embora esta noite — disse Edythe, e sua voz soou cansada. — Quer a maldita Victoria veja ou não. Diga para Charlie o que quiser, desde que seja rápido. Pegue o que estiver à mão e entre no Tracker. Não me importo com o que Charlie disser. Você terá quinze minutos. Ouviu? Quinze minutos a partir do momento em que passar pela porta, senão carrego você embora.
O Jeep rugiu e ela fez a volta, os pneus cantando. O ponteiro do velocímetro começou a disparar pelo mostrador.
Alguns minutos se passaram em silêncio, a não ser pelo rugido do motor.
— Eleanor? — perguntei, olhando sugestivamente para minhas mãos.
— Ah, desculpe. — Ela me soltou. Acariciei os pulsos doloridos.
— É assim que vai acontecer — disse Edythe. — Quando chegarmos à casa, se a ruiva não estiver lá, vou levar Bella até a porta. Ela terá quinze minutos. — Ela olhou para mim pelo retrovisor. — Eleanor, você fica na lateral da casa. Archie, você fica no carro. Eu vou ficar lá dentro pelo tempo que ela estiver. Depois que ela sair, vocês dois podem levar o Jeep para casa e contar a Carine.
— De jeito nenhum — interrompeu Eleanor. — Eu vou com você.
— Pense bem, Eleanor. Não sei quanto tempo vou ficar fora.
— Enquanto não soubermos até que ponto isso vai chegar, eu vou com você.
Edythe suspirou.
— Se a rastreadora estiver lá — continuou ela, de mau humor — vamos continuar dirigindo.
— Vamos chegar lá antes dela — disse Archie, confiante.
Edythe pareceu aceitar isso. Qualquer que fosse seu problema com Archie, ela agora não duvidava dele.
— O que vamos fazer com o Jeep? — perguntou ele.
A voz de Edythe soou tensa.
— Você vai levá-lo para casa.
— Não vou, não — disse ele calmamente.
O fluxo ininteligível de blasfêmias recomeçou.
— Cabemos todos no meu carro — sussurrei. Edythe não pareceu me ouvir
— Acho que devem me deixar ir sozinha — falei, num tom ainda mais baixo.
Ela ouviu.
— Bella, não seja burra — disse ela, entre os dentes trincados.
— Olhe, Charlie não é um imbecil — protestei. — Se você não estiver na cidade amanhã, ele vai ficar desconfiado.
— Isso é irrelevante. Vamos nos certificar de que ele esteja seguro, e é só o que importa.
— E Victoria viu como você agiu esta noite. Vai pensar que está comigo, aonde quer que você vá.
Eleanor olhou para mim, ofensivamente surpresa de novo.
— Edythe, ouça o que ela diz — pediu ela. — Acho que ela tem razão.
— Tem mesmo — concordou Archie. — Não posso fazer isso.
— A voz de Edythe estava gelada.
— Eleanor deve ficar também — continuei. — Ela viu Eleanor muito bem.
— Como é? — Eleanor se virou para mim, parecendo traída.
— Você terá uma oportunidade melhor com ela se ficar — concordou Archie.
Edythe olhou para ele, incrédula.
— Acha que devo deixá-la sozinha?
— É claro que não — disse Archie. — Jess e eu vamos levá-la.
— Não posso fazer isso — repetiu Edythe, mas dessa vez pareceu derrotada. A lógica estava tendo seu efeito nela.
Tentei persuadi-la.
— Fique aqui por uma semana. — Vi a expressão dela no espelho e me corrigi — Alguns dias. Deixe que Charlie veja você e leve Victoria em uma perseguição inútil. Cuide para que vá para o lado errado. Depois, vá me encontrar. Pegue um atalho, é claro, e então Jessamine e Archie poderão ir para casa.
Pude ver que ela começava a pensar no assunto.
— Onde encontro você?
— Em Phoenix.
— Não — disse ela com impaciência. — Ela vai ouvir que é para lá que você vai.
— E você vai fazer com que pareça um ardil, obviamente. Ela vai saber que você vai saber que ela está ouvindo. E não vai acreditar que realmente fui aonde disse que vou. — expliquei o óbvio.
— Ela é diabólica. — Eleanor riu.
— E se não der certo?
— Há vários milhões de pessoas em Phoenix — informei-a.
— Não é tão difícil encontrar uma lista telefônica.
— Eu vou para um hotel, Edythe.
— Edythe, vamos estar com ela — lembrou-lhe Archie.
— O que você vai fazer em Phoenix? — perguntou-lhe ela com aspereza.
— Ficar entre quatro paredes.
— Eu até gosto disso. — Eleanor estava pensando em encurralar Victoria, sem dúvida.
— Cale a boca, Eleanor.
— Olhe, se tentarmos pegá-la enquanto Bella ainda estiver por perto, há uma probabilidade muito maior de que alguém se machuque. Ela vai se machucar, ou você, tentando protegê-la. Agora, se a pegarmos sozinha... — Ela se interrompeu com um sorriso baixo.
Eu tinha razão.
O Jeep se arrastava lentamente agora, ao entrarmos na cidade. Pude sentir os pelos em meus braços se eriçando.
Pensei em Charlie, sozinho em casa, e balancei o joelho com impaciência.
— Bella — disse Edythe com voz muito suave. Archie e Eleanor olharam pela janela. — Se alguma coisa acontecer com você, qualquer coisa, vou considerar você a responsável. Entende isso?
Olhei nos olhos dela pelo espelho.
— Idem, Edy.
Ela se virou para Archie.
— Jessamine pode lidar com isso?
— Dê algum crédito a ela, Edythe. Ela tem se saído muito, muito bem, considerando todas as coisas.
— Você pode lidar com isso?
Archie repuxou os lábios em uma careta apavorante e soltou um rosnado gutural que me fez me encolher no banco.
Edythe sorriu para ele.
— Mas guarde suas opiniões para si mesmo — murmurou ela de repente.
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