Girls Division

1 Self-desctruction


Notas iniciais
Como eu amo demais esse ship e eu não tenho absolutamente nada das duas, resolvi escrever esta fic! Até porque eu não consigo parar de escutar Boys Division e eu tinha que fazer alguma coisa.

Seus passos eram pesados e ecoavam no estúdio agora completamente vazio e iluminado por alguns holofotes. Com um suspiro pesado, andou até a cadeira do diretor e passou a mão levemente pelo tecido e pela textura das letras impressas nele. Perguntou-se mais uma vez o que estava fazendo ali e decidiu apenas sair daquele lugar de uma vez por todas sem olhar para trás.

- Que engraçado vê-la aqui mais uma vez. – Era aquela voz que ela estava tentando evitar a todo custo. – Achei que tinha dito que nunca mais voltaria.

Virou os pés nas botas de couro preto e olhou para a mulher a alguns metros dela. O cabelo longo e pesado estava preso em uma trança lateral que ia até sua cintura e seu olhar já apresentava o cansaço de um dia inteiro, mas mesmo assim não perdia o sarcasmo.

Ela não era assim, disse a si mesma, estava apenas se fazendo de forte para evitar encarar seus próprios sentimentos. Uma mecha negra bloqueou sua visão quando deixou sua cabeça cair e seu olhar encontrou o chão. Sabia que ela usaria aquilo para mostrar como estava errada, mas Marceline não era o tipo de mulher que apenas aceita insultos.

- Cala a boca, princesinha. – Seu tom definitivamente não condizia com a realidade de seus sentimentos. Sentia-se quebrada por dentro e tudo o que queria era poder se jogar nos braços dela. Estava com saudades. – Vim aqui dar um último adeus para esta espelunca.

- Espelunca? – Deu um riso curto e meio incrédulo. – Para chamar o estúdio do maior programa da maior rede de televisão deste país, você deve com certeza estar desesperada.

Revirou os olhos e olhou para os spikes da manga da sua jaqueta de couro. Pensando em como as coisas tinham chegado até aquele ponto, Marceline recusou-se a sentir qualquer tipo de arrependimento. Era uma cantora de respeito e sabia muito bem o que queria e quando queria, não seria uma diretorazinha que a tiraria de seu pedestal.

- A desesperada aqui é você, cupcake. – Usou um dos inúmeros apelidos que Bonnibel, a mente criadora e diretora de milhares programas de sucesso em todos os canais do país, detestava. Vendo a sua expressão se fechar um pouco, sorriu de lado. – Não dou uma semana para vir correndo implorando para que eu volte para cá.

- Pelo amor – disse colocando as mãos com unhas devidamente pintadas de rosa claro na cintura. – Você realmente é convencida. Já deveria ter voltado para aqueles palcos há muito tempo, não preciso de suas ideias idiotas no meu estúdio.

- Ideias idiotas? Desculpe, mas acho que você não viu os milhões de tweets dizendo como minha ideia caiu como uma luva nesse programa de merda.

- Não se atreva a chamar meu programa assim, sua... – Deu um passo a frente e as duas ficaram a centímetros uma da hora. Apenas se encarando e provavelmente tentando achar uma forma de acabar com a outra, continuaram em silêncio.

Enquanto isso na mente da tão dita gênio da nova geração de produtores e diretores, a única coisa que passava era o sentimento das mãos da morena noites atrás correndo por todo o seu corpo. O jeito que a respiração dela batia irregular em sua nuca e o calor que tomava toda a sua cintura e muito mais, era boa parte do que estava pensando enquanto tentava focar em mais insultos.

A grande verdade é que tudo o que queria era relaxar e descobriu que a cantora de voz limpa e grave conseguia fazer com quem todo o estresse de seu corpo saísse com apenas alguns toques. Daria tudo para ter os dedos longos dela novamente em seu corpo, mas era orgulhosa demais para admitir isso.

- Eu vou embora. – Marceline disse finalmente e pegou a bolsa preta que tinha deixado em cima da mesa de apoio. Passou por ela desejando bem no fundo de sua mente que fosse impedida, mas isso não aconteceu.

Atravessou com passos tão pesados e irritados quanto os que tinha quando chegara e bateu a porta com força atrás de si.

- Dumm. – Bonnibel resmungou para si mesma e teve vontade de pegar a caneca com o logo do programa e jogar no chão com força. Fechou os olhos e engoliu a raiva e o cansaço entalados em sua garganta. – Tenho mais o que fazer de qualquer jeito.

Claro que tinha, mas sabia que estava em seu limite e que não aguentaria gerenciar nem por mais cinco minutos três estagiários filhinhos de uma elite qualquer que não sabiam nem mesmo o que era o botão reset.

Com um suspiro voltou para a sala de edição e desejou por apenas um segundo que não fosse tão cabeça dura.

∞

Na verdade, Marceline estava bem desapontada quando percebeu que a princesinha tinha não só resistido há uma semana como tão não havia a ligado durante o mês inteiro. Dedilhou no violão algumas notas e cantou baixinho as frases “I’m not laughing, you’re not joking. I’m not dead, I only dress that way” e as repetiu por algum tempo adicionando com o tempo “Way out nowhere, Take me out there. Far away and save me away from my self-destruction”.

Lembrou que em pouco tempo uma nova turnê se iniciaria e aí que seria impossível de ter os lábios rosados dela encostados aos seus novamente.

Cansada da mesma música, a morena colocou o violão de lado e prendeu os longos cabelos negros em um rabo de cavalo alto e frouxo. Andou até a janela e abriu um pouco da cortina vendo que a chuva que tinha se iniciado de madrugada ainda não tinha parado.

A ideia de ser a primeira a dar o braço a torcer não lhe agradava em nada, mas sabia que Bonnibel nem mesmo iria cogitar a ideia de pedir desculpas pelas coisas que disse. Tão idiota, pensou tirando a camiseta velha e preta para colocar uma regata cavada vermelha. Colocou a jaqueta de couro por cima e tudo e colocou uma bota de cano curto mesmo.

- Marceline? – Seu empresário a chamou. – Onde está indo neste temporal?

- Vou dar um jeito nessa merda.

Demorou um pouco para que ele entendesse o que estava acontecendo e esperou Marceline sair para sorrir levemente.

Tirando o carro da garagem, dirigiu até o set e já começou se irritando com o trânsito desnecessariamente causado por um imbecil que estava dirigindo bêbado e foi parado no meio da pista.

Quando finalmente chegou lá, estacionou o carro no único lugar que tinha que para sua sorte era longe do estúdio onde estava o que a fez ir correndo e ficar completamente encharcada. Mas quando achou que tudo estava uma bosta e que nada daria certo, subiu para a sala dela ignorando a secretária e todo mundo mais.

Para que? Para encontrá-la apagada sobre sua mesa.

- Bonnie...? – A chamou achando que ela estivesse apenas dormindo e se aproximou com passos hesitantes. – Ei.

Tocou seu braço, mas nenhuma reação. A balançou com força e quando viu, já estava gritando por ajuda. Olhou para a lixeira no canto da mesa e era impossível contar a quantidade de latas de energético que estavam ali.

- Puta merda. – Foi a única coisa que repetiu até que a ambulância chegou e a levou para o Hospital. Seu empresário ligou e Marceline simplesmente disse que não tinha tempo para falar.

Teve que acompanhar a ambulância com seu carro e durante o caminho inteiro a música que estava tocando momentos antes ecoava em sua mente como um ruído ensurdecedor e assustador. Mordia sua bochecha ansiosamente e quando chegou ao Hospital, as coisas não ficaram melhores.

Foi uma tortura até liberarem a visitação e assim que Marceline entrou no quarto e a viu com soro no braço e a pele pálida, conteve um suspiro de alívio ao ver que estava ao menos viva. Exagero? Sinceramente, ela não estava ligando para isso.

- Parece que você passou do limite – falou com a voz um pouco baixa e com passos lentos foi se aproximando da cama.

- Quem perguntou sua opinião? – Perguntou e apenas ganhou um suspiro cansado. Alguns segundos de silêncio se seguiram até que ela mordesse o lábio inferior e se pronunciasse. – O que estava fazendo na minha sala?

- Eu... – Marceline começou e apenas balançou a cabeça. – Não era nada importante.

- Não faz sentido você sair da sua casa debaixo de uma puta chuva para algo nada importante. – Era claro que essa desculpa não colaria com a mini gênio ali, ela era mais esperta do que isso e a morena sabia disso muito bem.

- Sinceramente, eu estou mais preocupada com o seu estado do que com isso. – Revirou os olhos quando Bonnibel deu um sorrisinho de lado. – Não me dê esse sorrisinho, você desmaiou lá e acha que eu não vi o tanto de energético que você tomou?

Ela desviou o olhar e fitou suas mãos por um instante. Sabia que Marceline estava certa e em seu coração estava realmente feliz que havia sido ela e não outra pessoa que a encontrou. Pegou o copo de água que estava ao seu lado e tomou um curto gole.

- Nós temos um prazo, Marceline.

- Eu sei da porra dos prazos. – A morena se sentou na beirada da cama. – Sei o quanto você liga para eles, mas você sabe que nada naquele estúdio funciona sem você e você tem noção de que para você poder dar ordens naquilo você tem que...

- Estar apta. Com boa saúde. Eu sei Marceline. – Ela revirou os olhos e suspirou. – Mais fácil falar do que fazer.

- Você parecia estar indo muito bem quando eu entrei – disse e um leve rubor se apossou das bochechas dela. – O que foi?

- Cala a boca. – Seu tom era irritado e não tinha nada que indicasse vergonha, mas Marceline sabia que ela tinha atingido um ponto sensível.

- O que foi Bonnie? Quer que eu cuide de você? – Perguntou com um sorriso irônico e quase soltou uma risada quando viu a expressão dela se irritar ainda mais.

Para a sua surpresa, Marceline não obteve uma resposta rápida e sarcástica. Bonnibel ao invés disso continuou encarando suas próprias mãos até que suspirou e olhou levemente corada para a morena.

- E se eu quiser?

Oh. Por essa eu definitivamente não esperava. Marceline não percebeu que estava com os olhos levemente arregalados até que ela revirou os olhos. Ela estava dando o braço a torcer não era? Desta vez era ela quem estava cedendo, certo?

Sendo assim, não tinha mais que se segurar.

- Se for assim... Tudo o que eu posso fazer é cuidar muito bem de você.

Mesmo pálidos, os lábios dela continuavam tão macios quanto da primeira vez.

Notas finais
Espero que tenham gostado!

Deixem um feedback para eu saber se devo fazer mais assim ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!