Queria fazer diário,
Mas não pude,
Bem que eu queria,
Mas nada deu certo.
Tentei expressar o fundo inóspito que há em meu peito,
E cada vez mais fundo. Cada olhar que me parece desprezo, afunda mais
E a desesperança desgraçada que me encolhe
Faz-me oca por dentro e por fora
Magra e gorda
Idiota e política...
Sempre me fazendo de tonta
Dizendo Sim e
Não para o que eu jamais poderia fazer som

Daquele fundo
Um universo infinito dentro de mim mesma
Achei as curvas de uma galáxia inteira
E nela vi o Girassol, aquele que dá luz e calor para meu mundo
Aquele no canto superior esquerdo
Todo vermelho
Despontado de dores,
mais remendado que “roupa presente de vó”
Mais estúpido que regador de dias de chuva
Mais pesado que eu dentro de mim mesma
Mais forte que a doce delicadeza
Dos fortes planetas, outros...
Grande buraco negro
Cava fundo, fundo
E farfalha, na maior algazarra, a falta de zelo
E se torna aquele defunto delicado de dias de chuva
Morto e abandonado no deserto molhado da angústia
Mais absurdo que vida de gente desamada
Mais infinito que o amor que sinto pela noite gelada
Perdi a simplicidade de dizer com palavras pequenas
Queria crescer só pra ter desamado o amor do desalmado dissabor
E foi assim que errei
Errei por querer mais que bem querer
Errei por ser eu mesma sem querer Fria?
Fria é a mão gelada que encostou-se à minha Fria?
Fria são as palavras que acreditei que diria
Faça tudo pelo avesso, ame o desamor e despreze o dissabor do bem-amado
Essa é solução do distúrbio mental que sofremos
Depois de dias sem ouvir a voz de quem precisa
Clamamos pelo que não temos e desprezamos o que não sabemos
Arrependo-me por ter sido inocente
Eu não te vi
E mesmo quanto te vi não te percebi
Só quando entendi
Que perdi o que não vivi
Bem ali, senti o desgosto de amarelo
Não peço perdão, eu pedi o que não tive
E Você só perdeu sua própria razão
Não peço que me queira.
Exista onde existir...
Exista, e onde existir eu jamais estarei por aqui.

Notas finais
Espero que tenham gostado!