Gipsy
4 Capítulo 4 - Supresinha à parte
Notas iniciais
Espero que gostem Pepecudas Liamdas :)
Capítulo 4 – Surpresinha à parte
Uma das coisas que eu busco em um relacionamento amoroso é conforto, segurança e estabilidade. Até hoje, em minha parca lista de relacionamentos fracassados, nenhum deles me passou essa segurança. De acordo com o horóscopo – coisa suspeita, mas tão maldita que acerta em vários pontos! -, as pessoas do signo de peixes são muito sensíveis e frágeis. Eu nunca gostei do “frágeis”, por isso sempre tentei dar uma durona, tanto que em um dos meus relacionamentos eu até fiz o garoto pensar que eu não gostava muito dele. É só que eu... Não gosto de ficar presa emocionalmente. Não gosto dessa minha dependência que eu crio com a pessoa que gosto. Eu realmente fico frágil quando me apaixono. E, acredite, se apaixonar é a coisa mais fácil para um pisciano. Eu que o diga... Por isso estou comemorando essa minha fase “sem laços emocionais”, cinco meses sem ter um interesse mais do que físico por um garoto! Yeah!
Em relação a essa segurança... Tá, eu sou dependente mesmo. Sou uma fracote que adora se sentir confortada, saber que se precisar, aquela pessoa estará ali, ao meu lado. Gosto disso porque, afinal, se a pessoa está ali, me amparando e me ajudando, ela deve gostar de mim. Pronto. Assim eu sei quando aquilo significa algo para o garoto e quando não significa. Para mim, não se preocupar comigo é sinal de que isso não é sério. Sofro de uma carência maldita, eu sei. Mas a minha sensibilidade também não ajuda. Eu sei que não é todo homem que consegue ser romântico, mas se a pessoa não conseguir ser mais gentil comigo eu sofro. Fico magoada mesmo. Sei lá, eu sou um poço de frescura. Por isso eu decidi que é melhor eu ficar sozinha com o meu pato de pelúcia, o Prudêncio. Ele pelo menos sempre canta – quando eu soco a barriga dele, claro – seu “qué-qué” para mim.
É, meu nível de carência está crítico.
O pisciano está sempre buscando alguma coisa. Mas não é como o sagitariano, que é aventureiro e corajoso, louco por viver experiências diferentes e interessantes. O que eu sempre busco e parece que sempre buscarei, não importa o quanto tente mudar, é... Bem, sim, felicidade no campo amoroso. É uma droga ter uma vida regida pelas emoções, sério. Qualquer coisa e eu já saio ferida. Vivo tudo intensamente demais, desde as emoções positivas, como as negativas. Esse é um problema dos signos da água e, se não me engano, do fogo também. Ar e terra são mais leves, enquanto os outros dois são pesados, densos, intensos demais. É difícil lidar conosco.
Enquanto eu matutava sobre aquilo, encarando minha imagem no espelho, escutei um barulho.
– A campainha está tocando! – ouvi Bea cantarolar em voz alta.
Droga, sério que ele já tinha chegado?
Eu tinha começado a me arrumar fazia 20 minutos e foi na base de ameaças de Chloe, dizendo que eu TINHA que ir na droga do encontro. Bem, bem, peguei um vestido qualquer do meu guarda roupa. Não queria parecer sexy demais, nem sem-graça demais, nem que ficasse parecendo que eu queria chamar a atenção dele. Ou seja, só me restava a opção: não ir. Simplesmente era impossível não acabar pegando um look desses, ou era sexy, ou era sem-graça, ou era exagerada. Afs, vida de mulher é um porre mesmo. Tem sempre que estar parecendo alguma coisa. FODA-SE, vou de Eva!
É, eu sou inteligente a esse ponto. MORRA Leen! Porque eu não entrava logo em coma alcoólico com vodka hoje? Isso! Decidi que levaria adiante o meu suicídio naquela noite! Imagina a foto do Harry nos jornais, primeira página, “Encontro de Harry Styles se transforma em tragédia!”. Dramático demais. Saco.
E eu também não poderia beber demais, eu tinha que manter minha consciência; pelos boatos e avisos de Chloe, o tal Styles era um tarado por mulheres e eu definitivamente não gostaria de acordar de manhã, nua, em uma cama estranha.
A campainha continuava tocando enquanto eu passava correndo uma camada de rímel.
– Santa Vodka, ALGUÉM ATENDA ISSO! – berrei, começando a ficar irritada.
– Eu estou ocupada na cozinha, mamãe foi dar uma olhada em umas roupas para a loja lá nos fundos, e a Chloe está com vergonha e medo de ir atender. – Bea avisou lá de baixo.
Grrrrrrrrr... Maldita pirralha! A pessoa já estava fazendo música com a campanhia, um apertão mais forte, depois um aperto fraco, um “pééé” com sininhos insuportável.
Okay, cabelo com cachos mais definidos e arrumados, confere. Vestido de renda branca cuti-cuti, confere. Maquiagem para tentar deixar minha cara mais decente e menos doentia, confere. Sandálias com salto baixo, confere. Cadê a bosta do meu cardigã... Ah, que se dane, a noite estava quente mesmo. Desci as escadas correndo, sem me importar que estava de saltos.
– Está diferente. Você fica estranha quando se veste de forma romântica. Não combina muito com sua cara... Você tem um ar mais sensual.- Bea disse, apoiada no balcão da pequena cozinha americana, com uma colher enorme na mão.
– Hum, tanto faz. Estava sem idéias. Cadê a idiota da Chloe? Eu mato aquela menina por não ter atendido a porcaria até agora. – fui em direção a porta quando a dita cuja apareceu na minha frente, roendo as unhas e toda afobada, prestes a ter uma crise de fã idiota.
– Ai... Meu... Deus! Ele... Aqui...! – ela ficou dizendo, sem fôlego. Dei um empurrão nela.
– Sai da minha frente praga! Já não basta não ter atendido a droga? – rosnei.
Antes de atender respirei, neutralizando a expressão. Então finalmente abri a porta.
Por um instante fiquei com medo de ele já ter ido embora, pois não tinha ninguém ali. A campanhia tinha tocado durante uns três minutos, por favor, será que ele era tão impaciente assim? Santa Vodka, fui para fora, só para conferir se não tinha nenhum carro além do velho da minha tia.
Errrrr... Eu não esperava aquilo. Fiquei observando ele dar uma tragada e assoprar a fumaça. Fumante? Hum, isso eu não sabia. Topete perfeito, com a devida mecha loira ali, calça jeans preta, blusa branca por baixo de uma camisa vermelha xadrez. Ele ficou observando o gramado vizinho, ainda em cima da nossa grama. Fiquei encarando-o, aproveitando que ele ainda não tinha me percebido ali. Hum, droga, tinha que admitir que a pinta de bad boy dele era sexy. Ele finalmente deu uma última tragada, apagando o cigarro com o pé.
– Você? – dei uma tossida forçada. Ele se virou, surpreso.
– Oi para você também. – ele deu um sorriso torto quase forçado.
– Oh, vamos entrar! – minha tia apareceu no gramado, voltando da loja dela. – Você deve ser o tão falado Harry! – minha tia apertou a mão de um Zayn ainda surpreso pela repentina aparição dela.
– Na verdade...
– Vamos entrar rapidinho, gostaria de conhecê-lo um pouco! – minha tia praticamente o empurrou porta adentro, sem nem deixar ele desfazer o mal entendido.
– Tia May... – Chloe apareceu na sala e paralisou ao ver Zayn.
– Meu nome é Maybelle. Essa é a irmã mais nova de Leen, Chloe. – minha tia começou as apresentações, com aquele jeitinho sereno, e mesmo assim animado, dela.
– Hum, tia... – tentei, mas ela não deixou eu dizer nada.
– Então Harry, você é um cantor, não? – ela sorriu, acenando o sofá para ele se sentar, que ele fez desajeitadamente.
– Acorda. – estalei os dedos na frente de Chloe, assustando-a.
– Za-Zayn Malik? – ela gaguejou.
– Zayn? Seu companheiro de grupo? – minha tia perguntou a ele.
– Na verdade... eu sou o Zayn. – ele sorriu, tentando desfazer a bagunça.
– Leen, você não disse que iria sair com o Zayn. Não era o Harry? – minha tia virou para mim, sem mudar seu jeito “sereno e animadinho”.
– Ela tinha perdido a aposta para o Harry. Mas...
– Oh, tanto faz. Não importa! – minha tia riu suavemente, acenando com a mão como se não fosse nada de mais, e interrompendo Zayn de novo. – Bem, foi bom conhece-lo Zayn. Só não apague o cigarro na minha grama de novo. – ela falou com um sorriso gentil. Ele ficou boiando, sem saber se era um conselho ou ameaça, mas apertou a mão dela de novo.
– Zayn Malik? – Chloe sussurrou, ainda encarando ele como se tivesse um Deus diante de si.
– Chloe, não? – ele sorriu, apertando a mão dela. Ela olhou as mãos deles, abobada.
– Sim, sim. – ela repetiu.
– Bem, vamos. – peguei o braço dele, arrastando-o até a porta. – Tchau tia! Tchau Bea, pirralha! – fechei a porta enquanto escutava as duas darem um animado “tchau” e Bea apenas gritar um “bye, bye” da cozinha. Soltei o ar com força, finalmente livre daquela sessão sinistra.
– Sua tia é bem... Prática. – ele falou, ainda se recuperando daquela cena toda.
– Se isso quer dizer que ela é de tirar o fôlego, bem, tenho que concordar. – então lembrei.
– Tudo bem, ainda não entendi muito bem Zayn. – me virei para ele, com as sobrancelhas franzidas. – O que você está fazendo aqui? Cadê aquele garoto estranho, sacana, aproveitador de pessoas que não têm sorte, com um capacete de cachos na cabeça e um sorriso sedutor? – hum, acabei falando coisa que não devia.
Atração física, plenamente sexual, pelo Harry? Talvez. Argh, ele tinha um imã nele que me atraía. Grrrr, malditos garotos com sex appeal compatível ao meu gosto!
– Bem, você acreditaria se eu dissesse que ganhei uma aposta? – ele sorriu levemente.
Hã?
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