Gipsy

1 Capítulo 1 - Derramando tudo em um astro teen


Notas iniciais
Primeiro capítulo saindo! Estou escrevendo uma outra fic de 1D, ou seja, a frequência de postagem vai ser meio irregular, okay Pepecudas

Capítulo 1 – Derramando tudo em um astro teen



– Rosaleen! – escutei Cosette me chamar, com aquela voz de taquara rachada dela.

Afs, sério, eu deveria de ter tacado bosta na cruz para merecer uma chefe daquelas! Nunca odiei tanto os franceses! A mãe dela tinha se mudado para cá fazia uns cinco anos, mas aquela loira burra nunca aprendeu a falar um inglês decente e ainda por cima tinha aquele sotaque de vadia oferecida que ela sempre usava para conseguir um namorado entre os clientes. Oh, sim, ela falava o meu nome de um jeito nojento, puxando o ‘r’ e dando ênfase no ‘een’ do final. Sem contar que ela adorava posar de tirana e me tratar mal. Agora ela só fazia isso comigo. Porque, vai saber, Santa Vodka!

Eu tinha aceitado aquele trabalho durante o verão apenas para conseguir um dinheiro e alugar uma quitinete, pelo menos, para mim. Eu teria a minha tão sonhada liberdade! Oh, yes! Agora, porque uma garota como eu, com seus 17 anos, recém formada da escola, iria querer largar o conforto de viver com a tia sem pagar nada? Ah, não contei que minha tia é uma maluca esotérica que tem um lojinha de coisas indianas, que tem uma filha que é igualzinha a ela, sendo apenas um ano mais nova do que eu. E tinha a Chloe, minha irmã mais nova que estava sendo influenciada demais pelas duas, o que era perigoso demais. Mas, se bem que qualquer outra coisa que a fizer largar esse vício por aquela banda de garotos ingleses e por moda francesa seria bom. Eu já disse que a simples menção da palavra “França” ou qualquer outra derivada me deixava super zangada?

Eu era meio maluca. Estranha. Então eu deveria achar o máximo viver com aquelas três desequilibradas também. Mas acontece que a minha loucura não batia muito com a delas, e sem contar que eu sonhava logo em viver sozinha, longe de tudo isso, tentar uma faculdade de música e lutar para sobreviver cantando em pubs e bares de Londres. Romântico e idealista, não? Mas, eu era diferente e muito propensa a aceitar o que quer que eu visse como vantajoso, nem que fosso por cinco minutos. E toda essa vida poderia dar muito errada. Mas era legal correr o risco.

Minha tia adorava dizer que eu era como uma cigana, louca para correr pelo mundo, para conhecer coisas novas, uma nômade em busca de aventuras e novos amores, apaixonada pela vida e por coisas extravagantes... Minha tia era piradinha mesmo, mas isso até que combinava comigo. E o fato de eu ter um cabelo castanho escuro, meio cacheado, olhos verdes, daqueles que nunca se sabe se é realmente verde ou se é azul, combinava com o apelido que ela dera para mim, “Gipsy”. Afs, minha tia pode ser uma maluca, mas eu gosto dela às vezes. E até que o apelido caia bem em mim. Um dia eu, sendo obrigada pela minha tia, claro, vesti aquelas roupas indianas dela e saí na rua para comprar alguns mantimentos. Sério, teve gente que tirou foto de mim, pensando que eu era uma cigana ou coisa parecida. Sério, só turistas ignorantes mesmo para tal idiotice. Internamente – embora eu nunca irei admitir em voz alta – eu até fiquei feliz, pois as pessoas não me julgaram pela minha personalidade, como sempre fizeram. Era duro ser mais excêntrica que os outros e todo vem te julgar como uma louca. Já ouvi muito “volta para o hospício” de coleginhas gentis. Mas eu batia em todo mundo, como forma de vingança. Hehe. E isso fazia eles terem medo mais medo de mim, mais do que receio de eu preparar alguma magia de cigano para assusta-los. Ai, sério, já pensei muita vezes em ser assassina profissional, pois, com tantos babacas ignorantes no mundo, eu nunca ficaria desempregada!

Mas acabei aceitando esse emprego de verão da Starbucks, ou seja, ter que passar junho, julho e agosto aturando minha chefe Cosette, tentando lidar com a minha falta de coordenação motora em segurar bandejas, enfrentar clientes mais sinistros do que eu e finalmente receber um pagamento mais decente para compensar tudo isso. E só aceitei o emprego porque o pagamento final era melhor do que os outros oferecidos em outras lojas. Acho que a filial da Starbucks quase em frente à London Eye deveria de estar desesperada mesmo para conseguir empregados para aceitar uma guria de 17 anos, recém formada e sem nenhuma experiência. Claro, era verão, férias, milhares de pessoas visitando Londres, tráfego intenso de turistas. Ora, bom para mim!

– O que foi Cosette? – eu gostava de pronunciar o nome dela errado de propósito, como forma de vingança.

– Vai atender a mesa 17. Já são nove da manhã e as pessoas não param de chegar! Vá, vá, mexa sua bundinha de inglesa do lugar! – ela fez gestos com a mão, indicando o salão.

Bundinha... Como um quadril de 100 centímetros vai ter uma bundinha? É, ela deveria morrer de inveja de mim! Só pode! E eu nem parecia inglesa. Normalmente, era para eu ser uma branquela meio loira, com o rosto que vive corado, corpo meio quadrado e sem grandes atrativos. Mas, como não conheci meu pai, e minha tia dizia que ele era de algum lugar aí da América do Sul, acho que puxei ele. Hum, pelo menos uma coisa que eu tinha até uma segurança: eu chamava atenção pela, como minha tia dizia, beleza exótica. Ou seja, poderiam até não me achar uma beleza fatal, mas que eu chamava atenção, eu chamava. Mas naquele momento, com aquele uniforme triste, com os cabelos presos em um coque desfiado e bem bagunçado, nem dava para ver direito.

Fui me arrastando pelas mesas. É, lá estava bem cheio mesmo. Mais cheio do que o normal. Em uma semana trabalhando ali, já tinha pegado todas as manhas de como conseguir gorjetas. Era a coisa mais fácil de conseguir, quando o cliente era homem, claro. Era só sorrir e eles já abanavam o rabinho. Eu não tinha um tipo preferido de homem, pouco importava se era loiro, moreno, negro, contanto que ele tivesse uma coisa que eu acho fundamental, eu me interessava: personalidade forte. Como eu tinha preguiça de garotos moles, sem ambição, em que eu comando de olhos fechados e ele me obedece sem contestar... Saco, eu era muito imperiosa e com certeza não aguentava quem fosse um capacho meu, mas quando o cara me desafiava, sem ser grosso ou violento, eu era conquistada. Que se dane uma aparência de Deus Grego, se ele fosse um cara interessante, com uma personalidade também interessante... A Rosaleen aqui mordia a isca e era fisgada mesmo.

Finalmente cheguei na mesa 17, onde se encontravam um garoto loiro, um moreno, um outro moreno e um de cabelos cacheados. Peguei meu bloquinho. Quatro caras? Hum, hora de tentar uma boa gorjeta. Dei o meu melhor sorriso.

– Bom dia, o que irão querer? – perguntei, olhando para o moreno de olhos escuros. Ele parecia ser o mais sérios deles.

– Bom dia. Eu gostaria de...

– Pão de BATATA! – o loiro interrompeu ele, agitado. – Um milk-shake de chocolate tamanho família, algumas rosquinhas e muito pão de batata! – ele quase implorou.

– Niall, por favor, não nos faça passar mais vergonha. – moreno que parecia ser o mais sério balançou a cabeça, em reprovação.

– Mas eu estou com fome! – ele choramingou.

– Novidade. – o de cabelos cacheados falou, folheando o menu.

– Harry, para de ser mau! – o outro moreno bateu o seu menu nele.

– Ei! – o tal Harry reclamou. – E cadê o Zayn?

– Ah, como ele foi arrastado da cama “muito cedo” e não teve tempo de se arrumar, é óbvio que agora ele vai demorar meia hora no banheiro. – o outro moreno revirou os olhos.

– Hum... O pedido. – falei, tentando chamar a atenção para mim.

– Louis? – Harry perguntou ao outro moreno.

– Não sei... – ele disse, indeciso.

– A mesma coisa do esfomeado aqui. Pode trazer porções para cinco. – o moreno sério falou.

– Liam, eu não tenho um estômago do tamanho do estômago do Niall não. – Harry disse, sério.

– Eu aguento. – Louis sorriu.

– Eu aposto que não. – Harry falou.

– Apostado. – Louis estendeu a mão e apertou a de Harry.

– Okay. – anotei o que o loirinho pediu em fiz um “(5x)”, indicando que era para fazer para um quinteto. – Já volto. – me virei para sair.

– Nossa, ela é bonita! – ouvi – pela voz deveria ser o tal Harry – um deles comentar.

– Controle sua cabeça de baixo Harold. – Louis brigou.

Espera... Eu acho que já ouvi aqueles nomes antes. Tenho essa leve impressão.

Entreguei o papel ao Carl, o principal cozinheiro e me encostei na parede, pensando. Então lembrei. Harry, Niall, Louis, Zayn... ou outro deveria ser o tal Liam. Oh, droga, eles eram daquela banda que a Chloe é fã! Puta merda, e agora? Se eu for lá e pedir um autógrafo vou ficar parecendo aquelas fãs retardadas, mas se eu mencionar o assunto à Chloe e falar que eu não peguei um autógrafo, ela vai querer me matar. Maldita dúvida!

Cosette me pegou naquela posição.

– Ah, mas você está aqui! Não foi atender a mesa 17? – ela pos as mãos com unhas gigantes pintadas de vermelho na cintura, me olhando com aqueles olhos azuis estrábicos.

Oh, sim, ela era estrábica! Isso era a glória para mim! Ela tinha aquele defeito cômico! Um olho te observava, mas o outro estava observando a parede! HAHAHAHAHA! Como eu curtia com ela quando estava com a Chloe e com a Beatrice, minha prima! Era nessas horas que eu me sentia aquelas garotas malvadas de algum seriado de vadiazinhas riquinhas e fofoqueiras! Muahuahuahuahua!

– Já atendi e já entreguei o pedido ao Carl. Estou esperando ficar pronto. – resmunguei.

– Ora, vai atender outras mesas enquanto isso! – ela insistiu.

– As outras garotas já estão fazendo isso e os clientes da mesa 17 são, bem, especiais. – dei de ombros.

– Especiais? – ela perguntou, desconfiada de que eu estava mentindo.

– Sim, é a One Direction. – falei, como se não fosse nada de mais.

– One Direction? – ela arregalou os olhos, me fazendo perceber que o estrabismo dela era forte mesmo. Blergh.

– Sim. Conhece? – ai, que pergunta óbvia.

– Claro! Mas eles estão aqui mesmo? – ela esticou a cabeça loira para fora, observando o salão. – Mon Dieu! Trate-os como se fossem reis! Não faça desfeitas e... Oh, porque eu mandei você para atende-los? É óbvio que vai fazer besteira! – ela falou, desesperada.

– Afs, eu consigo Cosette. – falei, zangada, pegando aquela quantidade de comida e tendo que por em duas bandejas, uma em cada mão.

Droga, EU NÃO CONSIGO! Era coisa demais e eu, com meu equilíbrio maravilhoso, iria dar dois passos e deixaria tudo cair. Sabe aquelas pessoas que está segurando um copo cheio de refrigerante e vai tombando ele sem perceber? Essa era eu, com certeza! Agora imagine uma pessoa dessas trabalhando como garçonete. O FIM DO MUNDO! Toda a catástrofe iria acontecer quando eu levantasse o pé para dar o primeiro passo! BOSTA! Porque eu falei aquilo! Por favor, manda a Lizzie, ou a Mary no meu lugar! Santa Vodka, eu estava FERRADA!

Ela deve ter percebido minha expressão de desespero e fez uma cara feia.

– Se derrubar alguma coisa será imediatamente despedida. – ela falou, com um sorriso malvado.

VADIA! Ela conseguiria me despedir daquela vez! Cosette saiu de perto de mim, indo para o balcão, para observar tudo de camarote. Santa Mãe, eu estava na merda mesmo! Não acredito que já seria despedida com apenas 8 dias, duas horas e quarenta e sete minutos de trabalho! Quantas libras dá para conseguir com isso? Cocô, teria que sair procurando malucos que aceitassem me contratar de novo.

Com todo aquele pessimismo, criei coragem para dar o primeiro passo. Olha, foi bom. Muito bom! O segundo foi tranquilo. Continuei, dando um passo a cada trinta segundos, para ter certeza de onde pisaria, e fiquei com o olhar em cima das bandejas, observando se não tinha nada tombando. Sério, tinha, no mínimo, dois quilos ali. De vez em quando eu olhava para mesa 17, só para ter certeza de que estava indo no caminho certo. Uma hora Harry percebeu aquela pessoas se arrastando com uma pilha de comidas na sua frente e chamou a atenção dos outros. Todo mundo ficou me observando, só faltava torcerem “vai, você consegue!”. É, não tinha cavalheiros mais nesse mundo. Afs.

Faltava apenas cinco metros para chegar na mesa, eu já estava comemorando, morrendo de vontade de olhar para a cara de bosta da Cosette, quando um muro bateu em mim.

Foi fenomenal. Desequilibrei legal, indo para a direita, deixando tudo cair. Ainda tomei impulso para jogar algumas coisas no ar e elas caíram no muro que bateu em mim. Foi um estrago. Milk-shake, rosquinhas, pãezinhos de batata, tudo amassado, encharcado, bagunçado. Antes de chegar no chão eu já gritei um “não!” mentalmente, amaldiçoando o infeliz que bateu em mim com toda força. Como se o uniforme já fosse bonito, agora ele estava sujo de chocolate e granulados de rosquinhas. Olhei para cima, pronta para xingar o infeliz de todos os palavrões conhecidos no mundo, quando o vejo me observando, surpreso.

– Meu Deus, sinto muito! – ele falou, estendendo a mão.

PUTA MERDA, eu tinha esbarrado com o Zayn!



Notas finais
REVIEWSSSSS??? Senão não vou me sentir estimulada o bastante para continuar u.u!