Gintama!
46 Almas inquebráveis
Notas iniciais
O exército de fantas… Stands rodeou então os dois samurais que bravamente empunhavam as suas espadas, apesar de um deles estar a tremer de medo devido à situação.
“Já disse que não estou com medo!” Reclamou Gintoki irritado.
“Agora não temos tempo para isso, moleque.” Advertiu Karasu atrás dele. “Apenas corta tudo o que tiveres pela frente.”
“Não preciso que me digas isso, velhote.” Respondeu o albino acalmando-se e avaliando o inimigo. “Preferiria mil vezes mais estar em casa agora mesmo lendo Jump do que estar aqui lutando com um monte de marionetes velhas.”
“Não podemos fazer nada a respeito, somos os únicos que podemos enfrentar estes caras.” Suspirou o moreno colocando-se em posição. “Por isso a única coisa que nos resta é acabar com isto o mais rápido possível.”
“Sim, parece que não temos escolha.” Falou o Yorozuya fazendo o mesmo.
Foi então que os samurais revividos correram na sua direção empulhando todo o tipo de armas. Assim que ficaram em cima deles, uma enorme rajada os atirou pelos ares como se fossem apenas poeira. Todos os Stand que tinham sido cortados desvaneciam aos poucos com uma expressão de paz no rosto e os autores de tal massacre não eram nem mais nem menos que os dois samurais de olhos vermelhos.
“Vamos acabar com isto de uma vez!” Gritaram os dois.
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“Foi por tua causa…” Murmurou Kurosuke mudando o seu tom e levando o seu dedo ao gatilho. “Foi por tua causa que o Karasu-nii morreu!”
Tokegawa ficou completamente perplexo ao ouvir aquelas palavras, não conseguindo reagir quando o gatilho foi pressionado… Mas nada aconteceu.
“Brincadeira!” Falou Kurosuke voltando para o seu tom animado e amigável. “Não tenho qualquer ressentimento direcionado a si, Tokegawa-san, na verdade não tenho qualquer sentimento como esse. Além disso, o irmão do Corvo da Ruína deixou de existir há muito tempo.”
“Seu maldito!” Rugiu Mamoru em fúria. “Como te atreves a desrespeitar o Sensei de tal forma?”
Tokegawa levantou-se em silêncio e virou-se para o Harusame mascarado.
“O que querias dizer quando falaste que o Karasu morreu por minha causa.” Perguntou o velho Taiyo com uma rara expressão séria no rosto.
“Oh, você não sabe, Tokegawa-san?” Indagou Kurosuke com um tom de espanto, porém com leves doses de sarcasmo. “Você é culpado pela morte do Corvo da Ruína. Foi você que convenceu ele a se juntar ao exército Jouishishi e assim que ele começou a ganhar fama, o Shogun descobriu a sua localização. Se não fosse você, aquela noite nunca teria acontecido.”
“Não digas mais nada!” Gritou Mamoru atacando o samurai de cabelo negro, mas este desviou facilmente e fez o jovem Taiyo tropeçar, que se levantou furioso. “Não posso permitir que insultem dessa forma o meu pai!”
“Podes parar, Mamoru.” Falou Tokegawa pousando a sua mão no ombro do seu filho adotivo. “De certa forma… O que ele diz é verdade. Realmente tenho culpa de o Karasu e a Yamiko-chan terem morrido naquela noite.”
“Isso mesmo, você é o verdadeiro assassino de Sakata Karasu!” Confirmou Kurosuke estendendo os braços. “Mas você já devia estar habituado, Tokegawa-san. Afinal, todos os que se envolvem consigo só encontraram dor e sofrimento, não é mesmo?”
“Sim, eu realmente sou o pior tipo de pessoa com que se deve envolver.” Falou Tokegawa com um sorriso amargo e levando a mão direita até ao punho da katana que transportava às costas. “Mas nunca aprendo a minha lição, por isso estou sempre causando sofrimento.”
“Entendo, então você também planeja acabar comigo.” Respondeu o moreno pegando no punho da sua espada que levava à cintura e que tinha uma pena de corvo um pouco queimada presa na extremidade. “Você é realmente assustador. Especialmente porque usa uma mascara incrivelmente densa. Você tem assim tanto medo de mostrar o seu verdadeiro rosto?”
“Sensei…” Murmurou Mamoru preocupado e apertando fortemente o punho.
“Bem, acho que podemos deixar isto por aqui.” Falou Kurosuke voltando para o seu tom amigável e levantando os seus braços. “Não quero machucar o querido melhor amigo do capitão, pelo menos até me ser ordenado o contrário.”
“Realmente, esta não é a melhor situação.” Concordou Tokegawa de novo com a sua expressão relaxada. “Diz a ele que mando cumprimentos e para ele não fazer nada estúpido.”
“Conhecendo o meu capitão, tenho a certeza que ele vai fazer a maior estupidez de todas.” Respondeu Kurosuke dando as costas e indo-se embora. “Por isso é melhor você e também o Shiroyasha estarem vivos até esse dia chegar.”
“É verdade, ele sempre foi um cara problemático.” Falou Tokegawa rindo descontraidamente, enquanto o samurais mascarado desaparecia tão misteriosamente como aparecera.
“Sensei, têm a certeza que devemos deixar o vice-capitão do 13º esquadrão dos Harusame sair ileso desta forma.” Interrogou Mamoru receoso.
“É melhor assim.” Respondeu o Taiyo mais velho. “Um confronto entre nós não seria apropriado de momento. Vais perceber isso quando for altura. Agora vamos ver como as coisas se desenrolam.”
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“Agora virem à esquerda.” Informou Rei que guiava o restante do Yorozuya até onde Oiwa estaria encarcerada.
E assim todos seguiram a indicação da Stand, tirando Mizuki que virou no sentido contrário.
“Mizuki-nee! É por aqui!” Avisou Kagura.
“Desculpem, entendi mal.” Desculpou-se a samurai correndo na direção deles. “Este lugar é como um labirinto.”
“Pergunto-me se ela é a pessoa indicada para este grupo.” Pensou Shinpachi com uma gota de suor atrás da cabeça enquanto corria.
“Ei, vocês! Onde pensam que vão?” Perguntou um Stand acompanhado de outro, provavelmente fazendo o trabalho de guardas.
“Tsc. Não esperava encontrar guardas por aqui.” Murmurou Rei.
“O que fazemos?” Perguntou Shinpachi preocupado. “Nós nem conseguimos tocar no inimigo.”
“Parece que vamos ter usar o plano B.” Concluiu a Stand com um ar pensativo.
“Plano B?” Indagou Mizuki curiosa.
“Sim. O plano B é… Procurar outro caminho mais seguro!” Revelou Rei começando a flutuar na direção contrária, deixando os membros do Yorozuya para trás.
“Isso é apenas fugir!” Reclamou Shinpachi correndo na mesma direção, juntamente com Mizuki e Kagura.
“Oi! Fiquem parados!” Ordenou um dos dois guardas que os começaram a perseguir.
Após algum tempo fugindo dos dois Stands inimigos, Rei e os Yorozuyas entraram num velho e escuro quarto.
“Eles não têm escapatória.” Falou um dos guardas sorrindo.
“Verdade.” Concordou o outro.
Então os dois entraram no quarto sem qualquer iluminação, porém assim que o fizeram foram espancados por algo e chutados para fora do quarto. Mesmo assim, era possível ver nos dois uma expressão de paz, enquanto desapareciam.
“Realmente tivemos sorte.” Comentou Mizuki sorrindo, saindo do quarto juntamente com Kagura, ambas com amuletos de papel presos às suas respetivas armas de combate. “Quem diria que haveriam amuletos de sobra por aqui.”
“Sim, agora também podemos lutar.” Concordou a jovem Yato confiante.
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–-----------------------------------------(Flashback On)-------------------------------------------
Alguns anos atrás, durante a guerra Jouishishi, o monge líder da fação Sohei, Tagima Benkei, a mulher que ele amava e a pequena filha que lhes pertencia escondiam-se numa cabana abandonada.
“Papai, mamãe, tenho fome.” Murmurou a garotinha com um ar enfraquecido.
“Em breve ficaremos bem, Kaori.” Falou a mãe abraçando a sua filha.
“Não acredito que eles dizimaram toda a fação.” Disse Benkei em pânico. “Estes Amanto são realmente monstros, não temos qualquer hipótese, este país está perdido.”
“Querido, calma.” A sua mulher tentou conforta-lo também.
“Como queres que eu tenha calma, Asako?” Gritou o monge assustando a sua filha. “Eles não mataram apenas os meus companheiros, mas também todos relacionados com eles. Eu… Eu não vos quero perder!”
“Vai correr tudo bem.” Respondeu-lhe Asako agarrando na mão do seu amado. “Nós ficaremos sempre ao teu lado, Querido.”
“Sim, papai, nunca te deixaremos.” Confirmou Kaori abraçando-o.
“Asako, Kaori…” Murmurou Benkei soltando algumas lágrimas de felicidade.
“Talvez seja melhor mudarmos de lugar, eles não devem demorar muito para procurarem aqui.” Opinou Asako se levantando, mas assim que o fez, um tiro atravessou-lhe o peito, acertando-lhe precisamente no coração, tirando-lhe assim a vida.
“Asako/mamãe!” Gritaram Benkei e Kaori em pânico ao verem o corpo moribundo da mulher que chamavam cair nos seus braços, manchando-os de sangue.
Atrás dela, segurando uma arma, estava um Amanto humanoide de pele verde e orelhas pontiagudas.
“Alvos localizados, proceder à eliminação.” Informou ele através de um intercomunicador.
“Mamãe!” Continuava a gritar a garotinha chorando, tentando inutilmente acordar a sua mãe, enquanto o seu pai simplesmente não conseguia reagir.
“Vocês, humanos, são muito barulhentos. Que irritante.” Falou o Amanto atirando na cabeça de Kaori.
“K-Kaori?” Indagou Benkei num estado mental cada vez pior, ele já nem conseguia raciocinar direito ao ver o estado das duas pessoas mais importantes na sua vida.
“Agora é vo…” O Amanto preparava-se para atirar em Benkei, mas fora interrompido pela lâmina da espada do mesmo atravessando-lhe o estômago, fazendo-o cuspir sangue e largar a arma. “…Des-graçado…”
“Me devolva…” Murmurou o monge com voz trémula retirando a sua espada do corpo de Amanto e cortando-lhe a cabeça enquanto gritava. “Me devolva as pessoas que eu mais amo!”
–----------------------------------------(Flashback Off)--------------------------------------------
“Benkei-sama, os intrusos estão conseguindo avançar e já purificaram mais de metade das nossas tropas.” Informou o Stand entrando de novo na sala do ritual, despertando o seu mestre da sua sessão de meditação que acabou trazendo-lhe memórias perturbadoras do passado.
“Como é que eles conseguem fazer isso?” Questionou o monge limpando o suor da sua testa com um pano. “Pensei que fossem apenas duas pessoas.”
“Sim, senhor. Nós já conseguimos identificar as suas identidades.” Confirmou o Stand fazendo continência. “Ao que parece são os samurais que já foram temidos na guerra como Corvo da Ruína e Shiroyasha.”
“Entendo.” Murmurou Benkei levantando-se com alguma dificuldade e pegando no seu cajado. “Acho que vou ter de fazer isto pessoalmente.”
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“Droga, eles não acabam nunca.” Reclamou Gintoki cortando um conjunto deles de uma vez com a sua bokuto.
“Já estás a ficar cansado, garoto?” Indagou Karasu com respiração ofegante, desviando de um corte inimigo e cortando-o de volta. “Não te esqueças que o nosso objetivo é distrair o inimigo.”
“Tu é que pareces estar nas últimas, velhote.” Comentou o albino chutando a cara de um Stand enquanto cortava um que lhe tentara atacar pelas costas.
“Não digas estupidezes.” Respondeu o moreno usando um Stand para bloquear o ataque de outro e perfurando os dois. “Estou apenas começando.”
“Eles realmente merecem a sua má fama, são como dois demônios sanguinários.” Comentou Benkei chegando ao exterior acompanhado pelo tal Stand. “Até parece que nasceram para o campo de batalha.”
“O que fará, Benkei-sama?” Perguntou o Stand.
“Parem já com isso, samurais!” Ordenou Benkei batendo com o seu cajado, chamando a atenção dos dois, assim como dos outros Stands. “Eu preciso dessas almas.”
“Parece que o chefão resolveu aparecer.” Comentou Gintoki com um ar sério, empunhando a sua bokuto.
“Ele parece que está tramando algo.” Pensou Karasu cautelosamente, colocando-se em guarda.
“O que vocês pretendem invadindo este lugar?” Questionou Benkei com um ar imponente.
“Estávamos apenas de passagem e decidimos relaxar num banho quente, mas parece que este Onsen está com sérios problemas de infestação.” Respondeu Gintoki apoiando a sua espada no ombro.
“E você? Qual é o seu objetivo com isto tudo?” Interrogou Karasu apontando a sua katana na direção do monge.
“Estou apenas querendo reencontrar alguém.” Respondeu Benkei levantando o seu cajado, enquanto pensava. “Não pensei que teria de começar tão cedo, mas tenho de me livrar o mais rápido possível destes dois.”
Então de repente o cajado começou a brilhar e a absorver todos os Stands no Onsen sem o consentimento dos mesmos. À medida que as almas eram absorvidas, uma aura obscura começava a rodear Benkei e o mesmo ficava cada vez maior, enquanto a sua pele se tingia num tom roxeado e um kanji dizendo “Amaldiçoado” aparecia na sua testa.
“Oi, oi! O que raio está acontecendo?” Indagou Karasu espantado.
“Sinto que já estive numa situação semelhante.” Comentou Gintoki com um ar pensativo. “Quando é que foi mesmo?”
“Não é altura para isso!” Reclamou o moreno.
“Oh, parece que as coisas ficaram interessantes.” Opinou Tokegawa que continuava a observar a situação juntamente com Mamoru.
“Droga! Eu também estou sendo sugado!” Reparou Karasu agarrado a uma árvore, enquanto metade do seu corpo estava a ser sugada.
“Resistir é inútil.” Avisou Benkei com uma voz distorcida, começando a ficar da altura do Onsen, sem parar de crescer. “Não serão apenas as almas que consegui trazer de volta neste Onsen. Eu vou absorver todas as almas de Edo!”
“O quê?!” Exclamou Gintoki.
“Quando enviei os meus servos para Edo, não foi apenas para capturar a Rei.” Revelou Benkei, enquanto se transformava praticamente num monstro. “No meio do caos, eles espalharam selos amaldiçoados por toda a cidade. Esses selos farão com que as almas abandonem os seus corpos e venham até mim.”
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Enquanto isso, em Edo, as pessoas começaram a desmaiar de repente, tendo as suas almas retiradas dos corpos e viajando sob a forma de Stands em direção ao Senboukyou.
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“Sim, agora poderei voltar a vê-las.” Pensou Benkei. “Segundo o ritual, se eu sacrificar todas estas almas, poderei trazê-las de volta, não só as suas almas como também os seus corpos.”
“Isto está mesmo difícil.” Murmurou Karasu não conseguindo aguentar e soltando a árvore.
“Vê se te recompões, velhote!” Gritou Gintoki conseguindo agarrar-lhe a mão. “Já nem te aguentas com um ventinho de nada?”
“Não quero ouvir isso de um preguiçoso como tu.” Respondeu Karasu com um sorriso de canto.
“Não resistas, Corvo da Ruína.” Ordenou Benkei apontando-lhe o cajado. “Se me deres a tua força, poderei trazer-te de volta à vida e a quem desejes.”
“Não estou interessado em viver de novo, a única coisa que quero é descansar em paz.” Respondeu o moreno, enquanto Gintoki se esforçava para que ele não fosse sugado. “E se decidisse trazê-la de volta, tenho a certeza de que ela acabaria comigo por ter feito tal estupidez. Portanto acho que não temos acordo.”
Dizendo isto, o samurai jogou a sua espada com a mão livre e atingiu o ombro de Benkei.
“Maldito.” Murmurou o monge monstruoso retirando a espada e jogando-a fora. “Vão arrepender-se disto.”
“Ei velhote, possui-me!” Pediu Gintoki já no seu limite.
“Porquê?” Inquiriu Karasu não entendendo.
“Se o inimigo vai utilizar Stands, eu também.” Respondeu ele com uma expressão confiante.
“Entendi.” Disse o Stand de olhos vermelhos deixando-se ser absorvido por Gintoki.
Então surgiu na testa do Yorozuya o kanji para corvo e metade do seu cabelo prateado ganhou uma coloração negra.
“Então ele também é um usuário de Stands.” Murmurou Benkei avaliando a situação. “Mas apenas um não será o suficiente.”
O monstruoso monge partiu então para o ataque, tentando socar Gintoki com o seu gigantesco punho, mas ao atingir o lugar onde o samurai se encontrava, reparou que o mesmo desaparecera. Poucos segundos depois, o seu antebraço foi cortado antes mesmo que notasse, purificando uma parcela dos Stands absorvidos.
“Esta foi mesmo por pouco.” Comento Gintoki segurando na espada de Karasu.
“Como é que fez algo assim tão rápido?” Pensou Benkei receoso, levando a mão ao seu ferimento. “Não me posso arriscar a prolongar esta luta. Vou ter de utilizar o meu último trunfo, mesmo que isso signifique perder algumas almas que consegui.”
“Parece que se o cortarmos as almas serão liberadas.” Reparou Karasu no interior de Gintoki. “Já sabes o que tens de fazer, não estragues tudo.”
“Para de me dar ordens, eu é que estou no controle!” Reclamou o albino, reparando depois que Benkei tinha parado de se mexer e que parecia estar a rezar. “O que ele está fazendo agora?”
“Tomem! Recebam o sofrimento que todas estas almas perdidas na guerra sofreram quando vivas!” Gritou Benkei estendendo o seu cajado e atirando uma espécie de onda de Stands contra Gintoki, que ficou preso ao chão devido à pressão da mesma. “Agora as vossas almas irão passar por todo o tipo de sofrimento que estas passaram, de uma vez só!”
“Isto…” Murmuraram as vozes de Karasu e Gintoki em simultâneo, enquanto o albino se levantava com extrema dificuldade daquele monte de almas penadas. “Isto não é nada!”
“Não pode ser.” Falou o monge monstruoso suando frio. “Como? Como é que as almas deles não quebram perante tanto sofrimento e tragédia?”
“Dizem que por quanto mais sofrimento se passa, mais fortes ficam as almas de quem o supera.” Comentou Kurosuke solitariamente assistindo a tudo de um ponto alto. “Esses dois já passaram por tanto que se pode dizer que as suas almas são inquebráveis. Este é o fim.”
“Não! O que são eles?” Indagou Benkei em pânico recuando alguns passos.
“A vida…” Falou Gintoki empunhando a sua bokuto numa mão.
“E a morte…” Continuou a voz de Karasu com o corpo de Gintoki empunhando a sua katana na outra mão e começando a correr em direção a Benkei.
“Não são algo com que se deva brincar!” Gritaram as duas vozes, enquanto Gintoki perfurava o peito do antigo líder da fação Sohei com as duas espadas, causando uma enorme fuga de almas.
“Asako… Kaori… Realmente cometi muitos pecados.” Pensou Benkei ao ver todas as almas abandonarem o seu corpo e a sentir a sua vida desvanecer. “Mas espero poder voltar a ver-vos mais uma vez.”
“Papai idiota.” Falou uma voz familiar.
“Kaori?” Indagou o monge surpreso.
“Nós prometemos, não foi?” Proferiu a figura de Asako, acompanhada por Kaori, estendendo a mão para o seu amado. “Nós sempre estaremos contigo, Querido.”
“A-Asako…” Murmurou Benkei derramando várias lágrimas e alcançando a mão da sua amada.
“Vamos juntos, papai.” Falou Kaori agarrando também não mão de seu pai.
“Sim.” Assentiu Benkei com um sorriso que mostrava uma completa paz interior. “Vamos ficar juntos para sempre.”
“Parece que tudo terminou.” Falou Karasu já fora do corpo de Gintoki observando o corpo original do monge, que apesar de já não mostrar sinais de vida, tinha um cálido sorriso no rosto. “Agora todas as almas que ele forçou a voltar devem estar indo de novo para o céu ou o inferno.”
“Então parece que esta é a nossa despedida.” Concluiu Gintoki com a sombra da franja lhe cobrindo os olhos e virando-se de costas.
“É verdade.” Concordou Karasu ao ver o seu corpo começando a desaparecer aos poucos. “Parece que vou finalmente descansar em paz. Adeus, garoto.”
“Adeus.” Disse Gintoki começando a ir-se embora, mas parando a meio. “Já agora, diz à mãe que eu mando cumprimentos, pai idiota.”
Aquelas palavras chocaram por momentos Karasu, mas rapidamente a sua expressão se tornou num sorriso cálido.
“Podes deixar, eles serão entregues, filho imbecil.” Respondeu-lhe com uma pequena lágrima escorrendo-lhe pelo rosto e desaparecendo no momento que a mesma tocou o solo.
“Gin-san! O que aconteceu aqui?” Perguntou Shinpachi preocupado, carregando Oiwa juntamente com Kagura e chegando juntamente com Rei e Mizuki, porém estranhou algo no seu líder. “O que se passa, Gin-san?”
“Nada.” Respondeu ele esfregando os olhos com a manga do seu kimono. “Era apenas um cisco no meu olho.”
“Está na hora de voltarmos.” Falou Tokegawa levantando-se e com os olhos cobertos pela sombra do seu gorro.
“Sensei, está tudo bem?” Questionou Mamoru preocupado.
“Sim, apenas entrou um cisco no meu olho.” Respondeu o Taiyo mais velho caminhando sem olhar para trás, enquanto o seu discípulo o seguia silenciosamente.
Enquanto isso, Kurosuke agarrava fortemente a pena de corvo que carregava na sua espada e a observava intensamente.
“Continua sendo difícil, nii-sama.” Murmurou ele com voz trémula, dirigindo o seu olhar para a bela Lua que iluminava o céu noturno.
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