Gimme shelter
1 Just Survive Somehow
Sienna Smith é o que podemos chamar de uma pessoa atlética. Sempre envolvida na liga de esportes da escola, era muito boa no atletismo, soccer e vôlei, ela era alta para idade, e alguns diriam desengonçada, mas qualquer um que tenha visto a garota com uma fita, enquanto ensaiava sua série nas aulas de ginástica, veria não apenas a graciosidade e força dos movimentos, mas também o brilho no olhar de quem sabia seu lugar no mundo.
Correr era divertido, os gols e cortes também, mas nada se comparava a saltar, girar no ar, sentir todos os seus músculos se tensionarem e, ao fim de um movimento cronometrado, ver o objeto cair na palma de sua mão. Era um sentimento avassalador para Sienna. Ainda mais quando, ao fim de sua série, ela olhava para o palco e via o pai, sorrindo, sem surpresa alguma. Apenas orgulho.
Quando ele perguntava como ela conseguia fazer isso, ela dava de ombros e respondia com um sorriso: "Eu apenas preciso acertar um movimento de cada vez. Se eu acerto um, passo para o próximo, e o próximo. É simples."
E era aquilo que fazia naquele momento. Não havia mais séries de ginástica. Ou bolsas em faculdades. Não existia qualquer coisa que para ela, um dia, fora normal. Mas Sienna continuava com o mesmo objetivo: uma coisa de cada vez. Pensar em séries de ginástica parecia uma coisa fútil naquele momento, enquanto mortos vivos te perseguiam esperando te servir como prato principal. Mas era isso o que a mantinha viva, ela apenas precisava realizar um movimento de cada vez.
De hora em hora ela fechava seus olhos castanhos com força, forçando-se a continuar. O objetivo de Sienna era sobreviver durante a próxima hora, um minuto de cada vez. Ela conseguia escutar um ou outro walker enquanto caminhava pela floresta na direção leste, mas isso não a assustava mais, apenas motivava a cobrir uma distância maior em menor tempo.
Outra volta do relógio se completava, talvez sua vigésima nona hora desde que estabelecera sua meta de sobrevivência. O sol do meio dia estava forte, a água escassa. Mas ela chegaria. Não sabia aonde, mas chegaria.
Quando a trigésima sétima hora chegou, Sienna viu uma enorme muralha de madeira. Seu corpo tremia e, apesar de o sol estar se pondo, seus olhos ardiam, sensíveis. O alívio chegou quando sentiu seu corpo desfalecer sobre o chão de terra vermelha. A sensação do chão frio e úmido sobre sua pela ressecada era agradável.
Percebeu passos em sua direção e duas ou três cabeças transmitindo sons que não conseguia compreender. Esperando que não fossem walkers, encontrou forças para sussurrar algo como "me dê abrigo" e permitiu, finalmente, entregar-se.
Notas finais
Espero que continuem acompanhando a jornada dela comigo.
J. Garcia
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