Gimme Your Blood

1 Capítulo único


Notas iniciais
Estreia da Valentina *-* * mega feliz *

Valentina estava sentada em um banco acolchoado, num canto qualquer de uma boate do outro lado da cidade. Tomava uma dose de uísque enquanto observava várias pessoas transitando em meio às luzes coloridas, várias delas se entrelaçavam sem pudores, enquanto outras simplesmente dançavam e bebiam até caírem no chão. Sentira falta de toda a liberdade da América, mas neste momento não estava em boas condições para aproveitar. Sentia várias presenças demoníacas, mas pouco se importava, estava ali porque gostava do ambiente. Não tinha percebido, mas quando se deu conta olhava fixamente para um homem no canto oposto. Como não queria companhia, desviou sua atenção e fechou os olhos, deixando-se levar pela música eletrônica. Alguns burburinhos e risos a sua esquerda fizeram-na olhar para trás, e viu que vinham de um casal que lhe prendeu a atenção. Um feixe de luz fixo passava pelo rosto dos dois, deixando seus corpos na escuridão. Ela, que estava encostada na parede, tinha olhos verdes, cabelos curtos e pretos, bem bagunçados. Ele era mais alto, e por isso conseguia ver apenas parte de seu rosto, estava apoiando seu peso sobre a mulher enquanto tinha um sorriso malicioso no rosto. Sussurrou algo em seu ouvido que a fez rir e logo depois começou a distribuir beijos por seu colo e pescoço. A mulher segurou com força seus cabelos castanho-escuros, acompanhando o ritmo. Ela o afastou um pouco, deleitando-se com a visão do corpo grande, viril e definido, mas ele não permitiu uma pausa. Em meio aos beijos, mordeu o pescoço da jovem, fazendo o sangue surgir. Sem perder a empolgação, deu uma lambida no líquido escarlate. Logo após, jogou todo seu peso sobre a moça, que não esboçou reação alguma. O homem não se movia, e em seguida caiu no chão, pálido e já sem vida. Valentina, que olhava atentamente a cena, sentiu a energia demoníaca enfraquecer. Repentinamente começou a perguntar-se o que era aquela mulher, capaz de matar um demônio com seu próprio sangue. Sem pensar duas vezes, resolveu ir e descobrir por si só, com certeza seria uma grande vantagem em sua missão. Levantou-se, arrumou o vestido e foi até a mulher andando categoricamente.


– Aconteceu alguma coisa? Você está bem? – disse com o tom mais virginal que conseguiu fazer.


– Não, estou bem. Foi só... Falta de sorte.


– Mas como aconteceu isso? – apontou para o corpo caído.


– Ah, longa história. Não tem explicação – disfarçou, ainda não tendo sentido sua presença demoníaca.


– Então me permita ajudá-la.


Colocou a mão em seu ombro e a guiou ao banheiro. A música do ambiente externo ainda era audível, mas estava bem mais abafada. O banheiro estava movimentado, provavelmente havia demônios ali, mas isso não as impediu de chegar à frente do espelho.


– Como se chama? – perguntou retirando o lenço que usava de seu pescoço e embebendo-o na água da torneira.


– Lorelai. – estendeu a mão esquerda.


– Valentina – correspondeu ao cumprimento e limpou o ferimento do pescoço da mulher – Então, o que foi que aconteceu com aquele garanhão? – mudou totalmente sua postura; de virgem a vadia em segundos.


– Mexeu onde não devia. Se não, tudo teria dado muito certo. – limpou suas mãos com a água corrente enquanto falava divertidamente.


– Certo – confirmou apenas, pois esperava uma resposta mais concreta.


Em silêncio, continuou limpando o ferimento de Lorelai. Mesmo que seus dedos não estivessem em contato direto com o sangue, os sentiu ardendo como fogo, mas ainda assim continuou com o curativo. Foi então que a única hipótese lhe ocorreu em mente e finalmente assimilou a energia que a mulher emanava.

“Um anjinho. Claro! ”, pensou ironicamente. Sem entender porque um anjo estaria em um ambiente como aquele, ainda mais aos beijos luxuriosos com um demônio, tomou o último gole de seu uísque. Notou que a ferida no pescoço de Lorelai se curava de forma extremamente rápida, já quase cicatrizando.


– Bom, muito obrigada pela ajuda... Valentina, não é? – endireitou-se, com a mão sobre a ferida.


– Isso, Valentina – confirmou.


A mulher anjo acenou com a cabeça e saiu visivelmente preocupada em não deixar transparecer a velocidade de sua cicatrização. Provavelmente, o grande número de energias demoníacas havia confundido seus sentidos, fazendo-a achar que Valentina era uma mera humana.


Valentina sorriu de canto, observando o lenço preto com estampa floral branca, agora ensangüentado demais para tocá-lo. Usando sua eficiência, juntou vários papéis que serviriam para secar as mãos e os envolveu em suas mãos. Torceu o lenço e fez a mistura de água e sangue angelical caírem em seu copo. Percebendo que um demônio ia sair de uma das cabines, correu até a porta e colocou o lenço sobre a maçaneta. Um demônio qualquer de longos cabelos negros saiu e tentou abrir a porta, porém gritou com toda a sua força, segurando a mão que agora estava em carne viva, cheia de bolhas, como se tivesse sido queimada. Lembrou da cicatriz em forma de tigre em seu braço ocasionada por uma queimadura, no caso, uma punição, mas logo se esqueceu; o infortúnio e irritação do demônio que fugira eram mais interessantes.


Olhando através do copo e levantando-o na altura de seus olhos, teve certeza de que mesmo diluído em água, o sangue de anjo era perigosíssimo, mesmo que não fatal. Se precisasse do sangue puro , procuraria por aquela energia, afinal dificilmente haverá algo parecido. Desencostou-se da parede oposta à porta, de onde observara toda a cena, e saiu rindo sarcasticamente, pensando em como usaria o conteúdo daquele copo.



Notas finais
Ok , ok , tem bastante spoiler ai XD
Olha que se eu nem escrevi tudo que eu planejava ... E aí , o que acharam ? =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!