Gimme More

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Erros, errinhos, errões... perdoem qualquer um desses, amores:

Capitulo sete —

Zeus nunca acreditou nas minhas palavras, nunca se quer duvidou de que Hera me maltratara; fiquei com pneumonia por vários dias e o pulso quebrado para não mencionar cortes. Para o pessoal da casa, eu havia me machucado brincando na grama molhada. Hera continuou por varias semanas a me jogar no escuro e sujo porão, foi quando comecei a sentir ódio em um estado forte demais para uma criança; posso dizer que minha inocência morreu ali. Foi quando também comecei a procurar as coisas da minha mãe.

Abelle nunca passou de um rosto bonito para mim; eu queria, mas já não quero mais uma mãe que acreditasse em mim, para isso eu tinha amigas e Marcos; para guardar meus segredos e confidencias para isso eu tinha diários. Acho que está óbvio minha indecisão em relação aos sentimentos que tenho por essa mulher.

Levantei sentindo o rosto amassado e olhei para a janela; o sol já não era visível, mas eu via as cores do por do sol tingir o céu; não tinha dormido mais de uma hora. Observei o movimento dos seguranças lá embaixo; fechei a janela e peguei meu celular, fui atendida no terceiro toque.

–Hei Lia! — a voz alegre de Bianca me fez relaxar um pouco mais.

–Posso dormir ai?

–Zeus de novo?

–Zeus, Hera, Dionísio, o ar... — sua risada ecoou.

–Claro que pode. Você chega em uns, ah, sei lá, vinte minutos.

–Claro.

–Beijos, linda!

–Até já.

Observei a bagunça que estava a minha cama: os diários abertos, livros também, o baú aberto no chão guardando meus pequenos tesouros. Comecei um processo lento e cuidadoso de organização e não demorou a cada pedaço do segredo voltar a ser escondido. Arrumei a mochila da escola para o dia seguinte (estava com um ou dois livros para fazer lição de casa) e comecei a buscar pela minha bolsa preta Prada. Coloquei nela alguns acessórios básicos, maquiagem, escovas de cabelo e de dente. Fui para dentro do meu amplo closet com o MacBook e me sentei no sofá de couro em frente aos cabides cheios de casacos e vestidos de festa. Passei as informações de Luke para um pendrive e o coloquei na Prada. Abri as gavetas do lado aposto aos cabides e peguei meu pijama de verão, que consistia em uma regata justa e um short que mais parecia uma calcinha; ambos pretos. Ainda precisava de uma roupa para o dia seguinte... Peguei os óculos Gucci e saí do quarto.

Pode se disser que sai na ponta dos pés já que não fui vista por ninguém da casa, mas a verdade é que meu passo é leve e se eu não quiser ser ouvida eu não serei, mesmo de saltos. Chegando ao hall de entrada olhei para o chaveiro e facilmente identifiquei a chave com o prateado incrustado de diamantes formando a letra "T". No mesmo passo manso cheguei à garagem e identifiquei meu carro como sendo um lindo conversível de último modelo prateado. Preso ao pára-brisa estava um bilhete:

"Pensei que seria uma boa idéia mudar do pretinho básico"

Entrei no carro deixando as bolsas no banco do carona e guardando o bilhete. Hefesto acertará no modelo e na cor, mesmo não sendo preto (minha cor básica favorita). Saí dos limites da propriedade Grace e consegui me sentir mais tranquila. Nos minutos seguintes escutei Green Day no volume máximo.

A casa dos DiAngelo era uma mansão em formato geométrico de deixar qualquer grande arquiteto babando. Annabeth ficava encantada toda vez em que íamos lá. Várias paredes de vidro reforçado davam ao ambiente uma iluminação quase 60% natural, as outras paredes tinham cores fortes, como marrom ou vinho dependendo do ponto da casa. O portão foi aberto para mim e observei pelo canto dos olhos o jardim de Perséfone, madrasta da Bia. Elas não se davam bem, mas não no nível Thalia/Hera.

–Seja bem vinda querida! — ouvi a voz de Perséfone na porta assim que desci do carro. Ela me deu um pequeno abraço.

–Como tem passado? — perguntei por pura educação. Perséfone era uma mulher jovem e muito bonita: tinha cabelos longos e ondulados, os olhos pareciam muitas vezes mudar de cor, indecisos entre o castanho avelã ou um verde mais claro. Ela amava roupas floridas e coloridas e sua distração era mexer nos jardins dos fundos.

–Vou muito bem...

–Ora, veja só se não é a nossa Thalia! — Hades chegou com seu costumeiro terno e com sua voz potente do tipo que dá medo em todos os que a escutam; não era surpresa já que ele era um dos melhores (se não o melhor) juiz de NY. Eu vinha tanto ali que já tinha a intimidade de chamá-los de tio e tia.

–Sentiu minha falta tio? — perguntei sarcasticamente. Hades não é do tipo brincalhão ou simpático, mas sempre mudava quando o assunto de alguma forma envolvia Bianca. Ele não respondeu já que a própria Bia chegou correndo e me puxando para as escadas, mas parou e se virou para o pai.

–Compra uns dois BigMac's pra nós? — ela inclinou a cabeça de lado e esboçou um pequeno sorriso; Hades não sorria verdadeiramente para ninguém além dela.

–Claro meu bem. — Perséfone fechou a cara. Ambas viviam para disputar a atenção de Hades.

–EU QUERO UM MAC LANCHE FELIZ! — ouvimos o grito de Nico e voltamos a subir as escadas. Paramos em frente à porta do seu quarto.

–Meu deus! O que foi que aconteceu contigo? — ela perguntou me analisando — Mal começou o ano letivo e você já precisa dormir fora! — ela não conseguiu falar sério. Bia sorria de forma orgulhosa. — Me responde depois. Vou pedir pro Nico me ajudar a colocar um colchão no meu quarto, a menos que você não se importe de dividir a cama comigo...

–Claro que não me importo. Não sou fresca!

[...]

Bianca era uma menina linda, do tipo que pode manipular caras toscos apenas com um olhar sedutor. Os cabelos eram negros e pesados, ao contrário da madrasta, suas madeixas eram lisas. Não aquele liso escorrido e sem vida; era natural e sedoso. Os olhos também pretos eram deslumbrantes. Um corpo curvilíneo, pele clara como a minha e lábios rosados. Bianca é a versão melhorada da Branca de Neve. Mas sua conexão com a princesa da Disney morria ali. Ela não tinha nada de princesa em seu comportamento; a menos que fosse princesa da Máfia.

Deixei minhas coisas no canto do quarto da menina e olhei pela janela o céu escuro e estrelado.

–Lia, vou tomar um banho rápido, ok? — ela sumiu na suíte.

Nossos quartos eram parecidos, mas o dela era menor. No que o meu a decoração era branca, vermelha e preta, Bia substituía o vermelho por um rosa forte e nem tanto enjoativo.

O batuque de uma caneta estava me incomodando e vinha do quarto vizinho. Era Nico. Ele olhava atentamente para o caderno a sua frente, com o cenho franzido.

–Lição difícil? — ele deu um pulo de susto a me ver no batente da porta; sorri enquanto ele se recompunha.

–Ah... É... Um pouco, sabe? — sua voz soou baixa e meio depressiva, mas vi seu rosto ficar rosado.

–Você não é de falar muito, né? — Nico só assentiu. Entrei no quarto e observei o exercício de matemática — Olha só, não é difícil. É só você... — expliquei a ele como fazer, deixando uma das mãos em seu ombro; ele estremeceu enquanto eu sorria maldosamente para a minha sombra na parede...

–Te achei, né? — Bianca entrou no quarto do irmão já com o seu pijama tão escandaloso quanto o meu — Nico, nós vamos assistir uns filmes e zoar lá no meu quarto se quiser vir...

–Eu acho melhor n...

–Anda logo, garoto! — Nico nunca foi bom em contrariar a irmã. Coloquei meu pijama sem me importar se Nico admirava ou não meu corpo e prendi meu cabelo em um trança lateral e me joguei na cama junto com os dois irmãos.

–O lanche já chegou? Não como desde ontem à tarde! — confessei.

–Meu deus! Que regime é esse, amiga? — Bianca tirou sarro — Não chegou não.

–Vamos fazer o que? — Nico nos olhava com cara de tédio e não posso culpá-lo por isso. Troquei um olhar significativo com Bia e dando risadinhas corremos para o seu closet. Colocamos acessórios e pegamos nossos lindos IPhones para tirar fotos e ligamos o som bem alto. AC/DC, The Rolling Stones e outras bandas do tipo.

Nico tirou diversas fotos de mim com sua irmã. Fazíamos poses engraçadas, divertidas e algumas mais sexy. Peguei meu celular da mão do menino e o puxei para junto de nós. A cena era bem parecida com a de um filme sobre ladrões amadores: um único menino cercado por duas garotas sexys e sedutoras fazendo poses ao seu lado. Coloquei Nico sentado sobre o sofá de dois lugares e apoiei meu joelho sobre suas pernas, Bianca veio pelo outro lado abraçando o ombro do irmão e beijando sua bochecha próximo aos lábios. Bati a foto.

[...]

Mais tarde o lanche chegou e comemos juntos assistindo a alguma série de comédia. Nico foi embora e nós duas decidimos assistir a um filme da Sofia Coppola. O filme mal havia começado e eu o identifiquei como sendo aquele estrelado por Emma Watson: Bling Ring. A cada pedaço do filme Bia e eu riamos das artimanhas e truques patéticos usados pelos adolescentes. O mais engraçado era ser baseado em fatos reais.

–Sabe, acho que vou comprar esse livro. — comentei.

–Deve ser incrível saber o que o povo realmente pensa dos adolescentes.

Assim que minha amiga dormiu pequei seu notebook e abri os arquivos do meu pendrive. Nome completo, endereço, pais, não tinha alergias. Diagnosticado com cleptomania. Sorri pensando na Máfia. Aquele era um fato muito interessante. Mais interessante ainda, era o fato de serem apenas palavras da mãe e do próprio Luke; não havia nada vindo de algum especialista ou hospital, clinica ou algo do gênero confirmando a doença.

Mordisquei o lábio inferior me sentindo animada com o pensamento que me ocorreu. Luke não tinha doença nenhuma; só roubava por prazer.

...Mas eu queria provas disso.

–Lia, fecha a janela e liga o ar condicionado. Ta muito quente aqui! – uma Bianca sonolenta pediu se virando no colchão. Fiz o que ela pediu e dei mais uma olhada nos documentos. Não havia mais nada interessante; teria que descobrir por mim mesma. Desliguei o aparelho e fui para a cama já com dois edredons. Cada uma ficou com um (o ar era bem potente e era maravilhoso dormir com o peso do edredom) e pegamos no sono, enquanto eu ignorava o meu celular vibrar.

[...]

–Garotas.

A voz vinha de trás da porta, de algum lugar no corredor. Bianca murmurou algo desconexo.

–Vamos meninas! Levantem-se!

Um gemido de protesto me escapou.

–Já!

–Meu deus, esse inferno de ter hora pra acordar é uma droga.

–É muito estranho você juntar a palavra Deus e Inferno na mesma frase. – minha voz soou grogue de sono e eu mais senti do que vi ela se levantar.

–Aquelas fotos ficaram muito top.

–Estávamos fora de controle. – retruquei me levantando também.

–Ai! Você precisava se soltar; o Nico bem que gostou daquela atenção toda – nós rimos – Mas ele prefere ser sozinho e fechado.

–Não podemos mudá-lo.

–Não mesmo – começamos a separar nossas roupas para o terceiro dia de aula.

[...]

–Esses caras foram presos há um mês. Roubo a mão armada e sequestro. Eles têm uma boa base. — Marcos contava a mim as mais novas novidades e seus novos planos.

–Eles já tinham um contato com o nosso pessoal ou era um trabalho independente e pessoal? — perguntei me acomodando na cadeira a frente da dele. O escritório de Marcos era perfeito em todos os detalhes e até a posição do sol parecia favorecer o prédio de certa forma.

–Não. Eles eram independentes, mas já planejavam se juntar a nós. — ele me passou as folhas com os "currículos" dos criminosos. Havia muita coisa interessante ali. Furtos, roubos, estelionato...

–Se fossem nossos homens nunca teriam sido pegos. — disse com desdém, mas com um pequeno sorriso — Você pretende soltá-los, não é? Acho interessante; vamos ter que treiná-los para fazerem roubos melhores e eles devem ter algumas coisas novas para contar e ensinar.

–E assim vamos continuar evoluindo. Você continua com o senso perfeito, pequena.

–Ai elogios; eles marcam o começo de interrogatórios, sabia? Mas voltando a eles, pretende soltá-los de forma pacífica ou vamos arrombar a penitenciaria?

–Sei que você e as meninas adorariam a segunda opção, mas ainda não é tempo de deixarmos nossas forças a vista dos "certinhos".

Parei para pensar. Se começássemos a mostrar a verdadeira força da Máfia, toda a população entraria em pânico, as rondas da policia seriam dobradas e eles tentariam obter mais informações, novos recursos para pensar como um de nós. Além disso, pensei em mim mesma; Ares mais do que todos iria me proibir de sair de casa sem uma verdadeira escolta escolhida a dedo por ele, ou dele próprio.

Suspirei e olhei mais uma vez para as folhas em minhas mãos.

–Você está certo. Muitas vezes eu tenho pensado nisso; quero mostrar a meu pai, irmãos e madrasta o quanto eles são fracos, ingênuos e a certo modo burros. Mas isso são apenas vontades motivadas por raiva quando não estou pensando.

Marcos ouviu tudo atentamente, não interrompeu e entendeu cada palavra, cada vontade minha.

–Precisamos distrair você um pouco mais. Acho que já está na hora de inaugurarmos a temporada de assaltos por NY.

–Vamos planejar? — perguntei empolgada.

–Vamos planejar.

Mais papéis foram colocados sobre a mesa enquanto minha raiva e problemas sumiam na presença daquele homem tão incrível. Não havia dúvidas de que eu me divertiria muito no que dependesse dele.