Gimme More
70 Capítulo 60
Capítulo sessenta –
O closet do meu quarto na mansão Grace era enorme. Eu tinha coisas ali que sequer havia usado; muitos eram presentes de pessoas desconhecidas e que desconheciam do meu gosto. Não importava. Seriam úteis agora.
Dois dias atrás eu havia mandando um e-mail anônimo para o colégio como se fosse parte daquela ONG responsável pela história dos cachorrinhos que eu vira no noticiário. A escola discutiu com os representantes de cada turma no dia seguinte sobre uma forma participativa de ajudar. Eu e mais alguns alunos sugerimos montar um bazar das mais variadas coisas. Principalmente peças de roupa, sapatos e joias/bijuterias. Alguns meninos iam doar suas bolas de basquetes, futebol... E algumas garrafas de vinho.
Eu estava separando o que eu não queria mais no meu armário para a “doação”, meu filho observava a tudo com interesse, deitado ali na entrada do meu closet; o perfeito guardião, atento a tudo o que me rodeava. Marcos também concordara em ajudar meu plano mirabolante: mandara algumas muitas garrafas como se fosse um fornecedor engajado com o bem que a escola estava disposta a fazer.
As meninas estavam animadas com a ideia, Rachel e Annabeth inclusive queriam praticar o nobre gesto de adotar, por isso já discutiam com seus respectivos responsáveis. Foi tema no intervalo a estupidez das pessoas por quererem apenas cachorros de raças puras e o extremismo daqueles que pregavam que só se devia adotar.
Eu adoraria dar irmãozinhos e irmãzinhas para Moonbean, mas minha família era detestável a ponto de mandá-los para fora a pontapés. Não queria arriscar mais judiação na vida inocente de um anjinho.
Mas apesar dos preparativos rápidos e da empolgação da maior parte da escola – motivo esse da minha alegria, pois estavam indiretamente auxiliando na minha feliz vingança contra Dionísio, além de ser uma boa ação – estava sem notícias de Luke.
À noite, depois de ajudar os meninos e Kate a sumir com mais um quarto do que havia restado do estoque do meu irmão, meu namorado mandara uma mensagem no mínimo esquisita. Não vou ao colégio amanhã. Não me procure, preciso ficar sozinho. Fiquei na dúvida se respondia ou não, mas acabei dizendo que seria como ele queria. Alguma coisa não havia dado certo no dia dele e eu estava preocupada.
—Encontrei as caixas que me pediu – disse Teresa com todo o seu carinho e eficiência trazendo caixas vazias nas quais eu comecei a arrumar o que eu pretendia vender – O que foi, querida? Seus olhos não mentem.
Se a senhora soubesse...
—Não aconteceu nada, Teresa – disse jogando algumas pilhas de blusas e vestidos numa caixa. Estava tão nervosa que as roupas haviam se desdobrado completamente. Teresa retirou-as e dobrou-as à perfeição antes de continuar.
—Foi o namorado?
Instintivamente me joguei no divã logo ao meu lado.
—Não foi a escola tem dois dias. Ele não liga, nem manda mensagem... Pediu para ficar sozinho, para não me preocupar, como se isso adiantasse – joguei o cabelo para o lado tentando esconder a preocupação, o nervosismo do meu rosto, mas eu sabia, e ela também, que somente o ato de desabafar já demonstrava o nível da minha preocupação, do meu nervosismo.
—Isso está te incomodando? A distância dele? – tentou me analisar, me consolar, me entender...
—Não é a distância, Teresa – confessei – Tenho certeza de que ele não está bem.
—Acha que ele sofreu um acidente?
—Não é com o físico dele que estou preocupada, Teresa. Ele sabe se cuidar... Acho que aconteceu alguma coisa que o deixou mal, desestabilizado – minha melhor amiga dentro daquela casa se colocou de joelhos no chão a minha frente e segurou minhas mãos como fazia quando eu era pequena, esperando que eu confessasse tudo o que me afligia o coração – Estou preocupada – sussurrei – Muito...
—Ah, minha menina... – ela acariciou meu rosto e... Moonbean latiu de forma quase agressiva. Estava, por enquanto, sentado, olhando para a porta do closet onde um Hermes sabia não conseguir fugir sem ser visto.
—Estava me espionando? – rosnei, já sabendo da resposta.
—Como... Claro que eu não... Não preciso fazer esse tipo de coisa – estava nervoso o suficiente para se entregar ali.
—Desgraçado! O que acha que está fazendo no meu quarto?
—Quero saber o que seu namoradinho de quinta andou fazendo para que você...
—Fora! – expulsei – Fora do meu quarto – o cachorro imediatamente começou a rosnar e foi rosnando até que Hermes sumisse pela porta do quarto. Moonbean ficou de guarda, em posição de ataque, como se esperasse que Hermes abrisse a porta novamente – Eu os odeio! Odeio todos eles! Todos os estúpidos e medíocres e falsos Grace’s – rosnei com lágrimas furiosas em meus olhos.
Ficou claro que Teresa não sabia como me acalmar.
—Shhh, minha querida –tentava me acalmar, mas estava estampado na minha cara o desprezo, o nojo, o ódio pela família que eu tinha, pelo nome e pelo sangue que eu levava.
[...]
Eu não quis dirigir; sabia que estava nervosa o suficiente para causar um acidente. O motorista me deixou, com alguma dificuldade, no estacionamento lotado do colégio. Já haviam diversas barracas e mesas organizadas cheias de roupas e objetos à venda, mas de longe percebi que a venda de vinhos estava bombando!
Pelo menos uma coisa está saindo certo...
—Trabalhar, vagabunda! – gritou Rachel.
Dei risada, mas me apressei a ir para trás do balcão arrumando as coisas que havia levado. Assim que abri as caixas já vendi dois colares e um vestido. Um cache alto nas minhas mãos. Annabeth me mostrou onde estavam guardando o dinheiro e explicou que estava rolando uma espécie de competição.
—O diretor decidiu isso assim que começamos a erguer as barracas – contou – Uma competição amistosa entre as salas para ver quem arrecada mais dinheiro. Cada sala está representando uma ONG diferente. A sala que arrecadar mais dinheiro vai ganhar pontos extras em todas as matérias.
—Nossa – fiquei alguns segundos sem palavras – Parecesse que tudo está saindo melhor do que eu esperava, não? – Annie abraçou-me rapidamente, captando uma mentira sutil.
—Sei que está preocupada, não precisa ser forte o tempo todo...
—Porque você não sabe o que me aconteceu minutos antes de sair de casa – respirei fundo e contei para ela, embalando uma garrafa de vinho para um velho tarado que piscou para nós duas.
—Que barra – disse ela igualmente chocada com a atitude de Hermes – Parece que sua família surtou mesmo por causa do namoro.
—E você? Como anda sua vida? Por favor, me diga que está melhor do que a minha – quase implorei por boas notícias.
—Meu pai está insistindo em lutar pela minha guarda – ela bufou fazendo os cachinhos dourados moverem-se graciosamente – Não chega a ser ruim, minha mãe está lutando por mim também. Caiu a luz sobre Atena e agora ela percebeu que minha madrasta e meu pai só me fazem mal.
—Então uma notícia boa – sorri. Atena sempre tratara a filha como último caso. O trabalho é mais importante, o pai vai cuidar bem dela, e outras ladainhas do gênero. Finalmente percebeu que o professor Chase não era assim tão bom para sua filha.
—Não que ela esteja carinhosa ou acessível, mas só de saber que não volto para meu pai e para os detestáveis pestinhas já estou feliz.
Eu ri da felicidade quase plena de Annabeth. Vi seus olhos brilharem conforme um moreno de olhos verdes descia do carro, a gravata do uniforme frouxa.
—Cuidado para não babar – brinquei; ela me deu um empurrãozinho e se afastou para receber o namorado.
Não consegui conter um suspiro, mas não deixei que mais nada revelasse a verdadeira face do meu humor. Continuei atendendo a todos os que vinham, mostrando peças de roupas, acessórias para menininhas sorridentes, garrafas de vinho para homens de meia idade e bolas de basquete para um garotinho ansioso.
—Já está em crise, princesa? – o desprezo no pronome de tratamento, a voz debochada, me deram certeza de que aquela voz pertencia a Kelli. Foi, por falta de uma lembrança, a primeira vez que ser chamada de princesa me incomodou.
—O que você quer? – curta e seca, grossa? Talvez. Não me dignei a olhá-la, sabia que estava ali para me provocar e meu humor estava péssimo a ponto da mafiosa dentro de mim irromper sem esforço algum.
—O seu namoro com Luke não está dando certo, né? – ela riu – O cara já sumiu e vocês tem o que? Uma semana de namoro? Acho que eu estou jogando alto...
—O que você quer, Kelli?
—Onde Luke está? – ela ficou mais séria de repente – Onde ele foi? Por que sumiu?
Ficou claro, claríssimo. Kelli não esquecera Luke nem tinha intensão, ainda o queria demais para esquecê-lo. O que eu vira na viagem fora o reconhecimento de derrota em uma batalha; a guerra para ela ainda não havia terminado. E, contra a minha vontade, percebi que ela estava quase tão preocupada quanto eu.
Cheguei a sorrir com escárnio, controlando toda a minha vontade de atirar no pé daquela menina desprezível.
—Eu sou a namorada. Não sou mãe, nem dona dele – sorri; nunca seria o tipo de pessoa que controlava os passos do namorado.
—Viu só o que acontece quando se dá liberdade demais a um cara? Ele some, querida. – Kelli aproximou-se mais – Luke não é para o seu bico, garota. Esqueça-o.
As palavras eram cruéis e machucaram. Que droga! Eu não queria estar tão sensível. Sabia que as palavras dela eram reflexos de inveja, de ciúme. Sabia que não era verdade. Mas a preocupação estava ali, latente em meu peito. Sabia, de uma forma inexplicável, que Luke não estava bem. Desconfiava que tivesse algo relacionado a May Castellan. Nem sabia se o motivo era importante. Não era a distância, não era a falta de notícias, era saber que ele não estava bem; isso me destruía.
—Os vinhos já foram mais da metade; acabei de vender três garrafas – sorriu Jackson, abraçando meus ombros tentando me animar – Connor comentou o que você andou tramando. Achei genial!
—Obrigada – sorri seguindo com ele até o lugar dos vinhos, mas Percy me conduzia discretamente por outro caminho, quase me levando para dentro do colégio; um cantinho à sombra, distante da maioria dos alunos e professores – O que foi?
—Só fazendo um favor...
Senti os braços ao redor da minha cintura, puxando-me delicadamente para trás. O rosto escondido em meu pescoço, respirando meu perfume. Minhas costas em seu peito, minhas mãos sobre as suas, impedindo-o de me soltar. Não consegui impedir meus olhos de se fecharem. Foi automático. Precisava senti-lo com todos os meus sentidos, somente a visão não me bastaria. O perfume amadeirado, o hálito quente, o toque firme, o suave suspiro...
Luke estava de volta.
Inclinei meu corpo para o lado; o movimento sutil, apenas para vê-lo. Seus olhos nos meus. Havia tanta dor naquele tom claro de azul, seu rosto estava abatido, apesar de haver uma rígida e sólida máscara pronta para cair sobre seu rosto assim que as demais pessoas se aproximassem. Me senti honrada por poder ver aquele seu lado sensível e machucado. Não que esse sentimento tivesse diminuído a dor no meu peito.
Sim, ele estava ali, estava de volta. E seus olhos só confirmavam que eu estava certa. Ele não estava bem, estava machucado.
[...]
Seguíamos de taxi para minha casa. O caminho inteiro calados, sem uma única palavra ou suspiro. O caminho inteiro com as mãos juntas, os dedos entrelaçados, seu corpo apoiado no meu, meu corpo apoiado no dele.
Luke havia levado uma das minhas caixas para vender pela sua turma, isso depois de algum esforço para convencê-lo. Ele havia beijado minha bochecha, sorrido para os amigos e vestido o blazer de Chris às pressas já que era necessário uniforme e ele estava sem.
Não perguntei nada, não precisava. Ele contaria quando sentisse que era a hora.
Ficamos até o final daquela feira. Vendemos tudo. Desmontamos as barracas junto com os professores e só viemos embora quando o pôr do sol se mostrou e os professores nos dispensaram assumindo o pouco que restava para ser feito.
Já na mansão, o clima sempre gelado, parecia deserta, sem nenhuma alma viva: nem irmãos, nem pai, nem madrasta, nem empregados.
Assim que a porta da sala fechou, seus braços me envolveram com força e eu correspondi com a mesma intensidade. Entrelacei meus dedos em seu cabelo, puxando-o para mais perto de mim. Abraços assim, apertados, gostosos, saudosos... podia contar nos dedos quantos desses eu já recebera.
—Não é mais um problema psicológico – ele sussurrou agoniado; sabia que falava da mãe – Foi por um tempo e eu não me importei... Isso levou a um problema na tireoide. É sério...
—E onde ela está agora? – perguntei ainda o confortando.
—Em casa. Estou usando o dinheiro do meu pai para pagar uma enfermeira – ele se afastou um pouco, para olhar nos meus olhos – Não quero ficar com ela, mas não suportei deixá-la sozinha.
Acariciei seu rosto e atenuei ainda mais minha expressão.
Com o passar dos minutos Castellan se acalmou, desceu seus lábios delicadamente para os meus. Um beijo suave, calmo, sem segundas intenções.
—Eu te preocupei? – ele perguntou segurando minha nuca, seu dedão deslizando pela minha bochecha – Você não ligou, nem mandou mensagem.
—Um pouco – confessei – Tinha certeza de que você não estava bem – ele me deu vários beijinhos – Mas eu sabia que você precisava ficar só.
—Você é incrível – ele sussurrou.
—Por quê?
—Você me esperou – seu hálito quente acariciou meus lábios, mas suas palavras colidiram com meu peito – Eu quero esquecer dos problemas hoje. Só por hoje – disse baixinho, confidenciando a mim um segredo, sua fragilidade.
Prendi-o em meus braços, num beijo mais intenso do que o anterior. Sua língua desbravava minha boca, minhas mãos traziam-no para mais perto. A mão de Luke desceu, escorregou da cintura e segurou firme minha bunda, amassando a saia e me arrancando um suspiro. Arranquei o blazer de Chris e...
—É melhor a gente sair da sala – disse quase ofegante depois daquele beijo maravilhoso.
—É... – disse com os olhos famintos de desejo – Não tivemos muito tempo para nós desde a viagem.
Segurava o blazer numa mão e a mão de Castellan na outra. Subimos as escadas ouvindo apenas nossos passos e nossas respirações. Dentro de mim senti algo se corroer, como se um bichinho se contorcesse tentando se esconder, me alertar de algo errado... Assim que abri a porta do quarto senti minha pele toda se arrepiar. Tinha algo muito errado ali.
Meus olhos treinados varreram meu quarto num segundo. Havia no mínimo duas câmeras ali. Fiquei pasma com o quão longe minha família havia chegado para me vigiar. O quão paranóicos eles estavam com a minha vida amorosa para não perceber que aquilo era um crime? Como eles ousavam invadir a minha privacidade àquele ponto?
Eu só via duas opções: encarnar a mafiosa e destruir tudo com um bom e limpo tiro ou fazer exatamente o que eu viera fazer e dar um show apimentado para os insuportáveis Grace’s.
—O que foi? – Luke perguntou beijando meu pescoço, apertando minha cintura.
—Tem duas câmeras aqui – sussurrei em seu ouvido, os cabelos jogados evitando que qualquer uma das câmeras pegassem meus lábios.
—O que quer fazer? – ele disse baixinho; seus olhos estavam tão safados quanto os meus, tão mafiosos quanto os meus. Ele também estava furioso com aquela atitude patética e invasiva, também queria encarnar o mafioso.
Mordisquei sua orelha e senti suas mãos em minha bunda, descendo e então subindo por debaixo da saia. Soltei um risinho baixinho e senti-o se arrepiar inteiro. Beijei seu maxilar e segui nessa trilha de beijinhos até encontrar seus lábios, mas cruelmente não o beijei ali; apenas meu hálito sobre eles.
Luke me pegou no colo e me deixou confortavelmente em minha cama, seu corpo sobre o meu numa pressão deliciosa. Os sapatos dos dois já caídos no chão. Ele afastou meu cabelo do rosto, do pescoço e encaixou nossos lábios. Mantendo o beijo, ele ia soltando botão a botão da minha camisa. No intervalo de tempo que paramos para respirar, a camiseta de Castellan parou no chão ao lado da cama; ele me ajudando a tirar a camisa.
Adorava o corpo dele, do meu namorado. Forte e sarado sem exageros, a pele suavemente bronzeada, em contraste com a minha tão pálida. Descia minha mão por seu peito e seu abdômen, arranhando sutilmente, soltei o botão do jeans, logo pressionando minha mão no começo da região da virilha, mas subindo pelo “caminho de volta” até seu pescoço. Seus olhos pareciam mais escuros, enevoados de desejo. Luke deu sustentação as minhas costas enquanto minha boca buscava pela sua.
Seu corpo agora estava ao lado do meu; os dois voltados um por o outro. Deus! Como aquele beijo era bom... Consegui descer o zíper, mas com bastante esforço. Estava ótimo aqueles carinhos, como se não importasse se chegássemos a transar ou não. Se sim, ótimo; se não, ótimo também. Nos bastávamos. Agora, imaginar a reação dos meus seis queridos familiares era excitante demais.
Castellan lutou por alguns segundos com os jeans, contudo a visão dele só de cueca era fantástica demais, apagava quase todos os meus problemas e compensava os longos segundos de espera.
—E esse olhar? – ele perguntou voltando para juntinho de mim, dando vários beijinhos, provocando-me para que eu respondesse.
—Que olhar? – mordisquei seu lábio, puxando-o para mim.
—Olhar de quem quer me devorar – brincou.
—E eu quero... Uhmm – gemi quando senti seus lábios em meu pescoço num chupão forte e delicioso; com certeza ficaria uma marca. Ao mesmo tempo, sua mão encontrava a saia e a puxava para baixo.
—Eu também quero te devorar – sussurrou – Eu também quero te ver assim... – disse ajoelhado sobre o colchão comtemplando a imagem que eu era só de calcinha e sutiã – Linda! – seus olhos pareciam em chamas.
—Lindo! – disse de volta, sentindo meus olhos brilharem.
Novamente juntos. Corpos colados, presos nos braços um do outro, as bocas num beijo intenso. Era tão gostoso! As pernas entrelaçadas, os apertos na bunda e nos seios, as mordidas e os chupões... Novamente: se rolasse sexo, ótimo; se não rolasse, ótimo também. Sentia na pele o calor do corpo de Luke, sentia na alma todo aquele carinho.
Eu sabia que grande parte daquele prazer vinha dos longos beijos. Sabia que era um momento especial... Apesar de não ser nosso primeiro grande amasso/transa, e de não ser a primeira vez que nos beijávamos, era a primeira vez que nós uníamos os dois: o amasso safado e o beijo românico. Era como energia pura circulando em meu corpo, inesgotável... Aquilo podia ter acontecido muito antes se não fossemos orgulhosos, podíamos ter facilitado as coisas.
Seus dedos, já bem habilidosos, soltaram o fecho do sutiã, mas não puxaram a peça com pressa; o beijo era importante, inquebrável. Forte, porém, romântico. Conforme o beijo diminuía o ritmo, os lábios de Luke desciam por meu queixo e pescoço, sempre devagarzinho; seus dedos acompanhavam: sutilmente iam puxando as alças do sutiã para baixo. A peça voou pelo quarto. Nem tive tempo de senti-los “livres”: Castellan já massageava minha pele, já chupava o mamilo, tão sedento e tão sutilmente que eu sequer compreendia. Fechando os olhos, suspirando baixinho, entrelaçando os dedos nos fios cor de areia em sua nuca, incentivando-o a continuar.
Permiti que minhas mãos passeassem por suas costas, que minhas unhas o arrepiassem por onde eu tocava. Seus suspiros abafados pela minha própria pele eram a comprovação de seu prazer.
Luke ficou tanto tempo nos meus seios, oferecendo um prazer tão intenso que eu não precisava de mais nenhum incentivo para recebê-lo em mim. Mesmo assim, uma de suas mãos desceu por minha barriga e adentrou o último pedaço de pano.
—Tão quentinha – suspirou soltando um seio da boca – Tão molhadinha – voltou a abocanhar o mamilo chupando com gosto.
Meus gemidos escapavam irrefreavelmente. Castellan tentava deslizar seus dedos por toda minha intimidade, tentando ignorar o clitóris, mas não teve como: ele já conhecia meu corpo, seus dedos buscaram quase que automaticamente por aquele ponto tão erógeno. Se ele continuasse daquela forma, naquela intensidade...
—Luke... – chamei tentando conter meu ar entre tantos gemidos baixinhos – Se você continuar assim... Eu vou... – suspirei e gemi sentindo-o se esforçar mais para manter o ritmo. Minha mente estava enevoada, meu corpo estava tão tenso, tão cheio de prazer...
—Goza pra mim, Lia – pediu com a voz rouca, seu hálito açoitando meu seio – Goze...
Não era de forma alguma o que eu tinha esperado para aquela tarde. Me apertava contra ele e o apertava contra mim, gemendo o mais baixinho que conseguia... O orgasmo veio encharcando minha calcinha e me deixando por alguns segundos mais leve... Mal senti quando Luke arrancou minha calcinha, novamente de joelhos.
Assim que meus olhos se desembaçaram minimamente, consegui enxergar o seu membro bem ereto mostrando seu nível de excitação por me ver tão desejosa. A última peça desapareceu. Estávamos, ambos, nus. Antes que que fizéssemos algo mais, entreguei-lhe uma das camisinhas que eu tinha no criado-mudo.
Deitando sobre mim, novamente voltamos para os longos beijos, paras mãos que passeavam gostosamente pelos corpos, sem barreira, sem limite. Luke voltava a me excitar, mas aos pouquinhos, sem pressa alguma... Segundos, minutos ou horas depois senti seu pênis roçando em minha intimidade, procurando minha entrada.
Seus olhos fixaram-se nos meus, os dois evitando piscar, tentando desvendar o que aquela penetração causava... A ar escapou por meus lábios e meus cílios tremularam de prazer; seu membro era grande, mas eu o comportava bem... talvez bem até demais. Nós dois gememos juntos.
Abracei-o pelo pescoço enquanto ele firmava suas mãos em minha cintura, os braços colocados na lateral do meu corpo, apoiados no colchão. Seus lábios buscaram pelos meus conforme ele começava a se mexer em movimentos de entra e sai.
Aquela era a melhor posição, pelo menos naquele momento, a clássica papai-mamãe. O melhor do sexo e o melhor dos lábios de Luke em pausas esporádicas para suspirar e gemer. Castellan aguentou por muito tempo sem parar, como se seu corpo estivesse extremamente carente do meu, necessitado demais e...
—Tudo bem? – perguntei assim que ele fez sua primeira pausa; sua respiração tão ofegante quanto a minha.
—Eu não quero... eu não trouxe... – começou com a mente enevoada, mas o interrompi.
—Tenha mais camisinhas se for isso – disse puxando discretamente sua orelha; pedi assim como ele pedira tempo atrás – Goza pra mim, Luke – sussurrei de encontro aos seus lábios.
Ele não precisou ouvir de novo. Voltou a meter forte e rápido até que seus gemidos viessem mais altos anunciando seu prazer. Ele deu um nó na camisinha usada e perguntou baixinho:
—Aguenta outra rodada? – joguei a camisinha. Já vestido, Luke deitou-se e eu me coloquei sobre ele; era a minha vez de brincar... Papai Zeus e irmãos Grace que enlouquecessem ao me ver cavalgar.
Fale com o autor