Gimme More
41 Capítulo 33
Notas iniciais
Capítulo trinta e três –
Depois daquele encontro incomodo com Hera, tomei um banho longo e vesti um pijama quente e confortável. Teresa esperava ao lado da cama com uma bandeja. Apenas ergui a sobrancelha.
–Você não comeu nada, meu anjo – eu amava o tom de voz calmo daquela mulher que me criara como sua filha. Não, talvez isso seja dizer muito, afilhada se enquadra melhor – Não vou deixá-la passar fome.
–Você é que é um anjo, Teresa – disse sentando-me e pegando o sanduíche feito com carinho – Não precisava se incomodar.
–Continuarei a me preocupar mesmo quando você for embora – olhei de um jeito profundo, intenso; ela sorriu, um sorriso bem tristonho sendo franca – Sim, eu sempre soube que você seria a primeira Grace a sair da mansão. Não posso culpá-la.
Sim, eu seria mesmo a primeira. Dionísio, vocês devem estar pensando nele, mas ele ainda vive na mansão com sua esposa, mas, graças a Deus, eles não dão trabalho e procuram uma casa para viverem juntos; não vão embora tão nunca. Eu estava pronta para ir embora naquele instante e minha empregada era a única que parecia notar.
–Se eu pudesse... – suspirei – Eu queria sumir, Teresa! – disse os olhos enchendo-se de lágrimas. Ela veio para meu lado, me abraçar e me confortar.
–Você merece mais, minha pequenina – suas palavras lembraram-me de Marcos. Eu precisava tanto vê-lo, abraçá-lo... Ele iria compreender esse ódio e me ajudaria a descarregá-lo sem causar dano a inocentes. “Mais... Muito mais dessa família”.
[...]
Era aula de matemática. Três aulas seguidas e não havia passado nem metade da primeira aula eu já estava aérea, adormecida, estressada... Eu não suportava as pessoas respirarem o mesmo ar que eu, odiava a neve caindo, a camada de ozônio. Eu estava com um ódio mortal do mundo, acho que a maioria dos que me viram pensaram que era TPM ou coisa do tipo.
Levei a mão ao pescoço e tirei a corrente fininha de dentro da blusa, havia colocado a chave ali como se fosse um pingente, um colar personificado. Tirei da bolsa o diário mais recente e o abri com cuidado e reverência. Não era como se eu nunca tivesse assistido a esses filmes e séries de TV, eu sabia que era um risco enorme trazer o diário, mas era um risco gigante não trazê-lo: o diário era meu amigo, o melhor que eu jamais teria, ele ouvia em silêncio as palavras que eu jamais diria em voz alta, recebia os meus ataques de fúria e em troca me devolvia à paz.
A professora falava e falava algo que eu sem duvida alguma já sabia, mas eu não ouvia nenhuma palavra. Comecei então a despejar minha raiva, não em palavras, mas rabiscando primeiramente as bordas: desenhava nuvens com a caneta preta e logo esboçava os raios que na minha imaginação cairiam na cabeça daqueles dois hipócritas. Deus! Como eu os odiava! A vida estava tão, tão, mais tão bela...
–Senhorita Grace – levantei a cabeça sem mostrar o menor dos interesses; a professora por outro lado estava irada, os alunos nos observavam com expectativa. Era exatamente como Luke dissera: com meu nome no meio, aquela situação logo estaria na boca do povo – Você prestou atenção em alguma coisa do que eu falei até agora?
–Do que a senhora falava mesmo? – contive um bocejo.
–Pois muito bem – ela tinha o rosto vermelho – Fará o favor de vir aqui na frente explicar o que eu falava.
Fechei o diário, tranquei-o e levantei. Parei na primeira carteira e virei para o lado perguntando para o rapaz estilo nerd chique que ali estava:
–Sobre o que ela estava falando mesmo? – apenas fingi que sussurrava para provocar uma serie de gargalhadas nos colegas e deixar a professora quase roxa. No fim, como eu soubera desde o princípio, era uma matéria a qual eu sabia. Fiquei o restante da primeira aula e a segunda inteira explicando o assunto de maneira facilitada, daquele jeito que os professores não explicam com medo de que os alunos vão bem nas provas ou coisa assim. A galera que antes dormira, pegara o assunto de forma fácil e sem dificuldades todos fizeram as atividades. Tammi inclusive deixou de ser a cadela que era e agradeceu a ajuda. Eu sabia ainda que a professora estava se roendo para me mandar para a direção, mas não poderia me culpar por fazer o que me mandara fazer e de forma alguma poderia negar que a sala estava com um melhor rendimento.
Quando voltei para o meu lugar no fundo da classe voltei a abrir o diário. Agora ainda não era tempo de escrever, mas só por estar aberto, esperando por mim, no meu tempo, me senti mais calma. Quando finamente fomo liberados para o intervalo segui na direção contrária a multidão: eles iam para o pátio e eu para a estufa. Eu sabia que hoje era o dia de folga dos professores de biologia e os botânicos não vinham nos visitar no inverno. Entrei naquela gigantesca caixa de vidro a procura do canto mais isolado possível. Sentei-me no chão ao lado de diversas flores a minha direita e ervas a esquerda: um perfume agradável e tranquilizante.
Finalmente ali isolada, deixei-me escrever:
“Sou incapaz de expressar o quanto os odeio. Finalmente a casa estava livre daquela vadia e meu pai melancólico demais para se importar com cada detalhe do que eu fazia. Agora estão planejando o casamento. Renovar os votos. Em uma igreja. Com diversas outras pessoas falsas e hipócritas como eles. Com fotógrafos e jornalistas e políticos e nomes importantes. Mas eu faço questão de não aparecer. Nem sei quando isso será realizado, mas não importa. Sou incapaz de ir testemunhar o que não concordo, o que eu repudio com minha alma!
Estou vendo o mesmo ciclo de novo e de novo. Hera, Abelle e todas as outras. Por que fazer isso com elas mesmas? Não faz sentido, não para mim. Esse amor doentio... Não sei o que mais pode ser. Depois de tudo o que Zeus fez ela ainda volta para junto desse infeliz...! Talvez assim ele desista de mim. E isso ao menos seria algo bom.”
–Não sabia que era adepta a matar aula – ergui os olhos assustada. Era Luke. Menos mal, relaxei e o escutei rir – Te assustei? – assenti – Desculpe, não foi por mal.
–Eu sei.
–Está melhor? – ele sentou-se a minha direita. Ergui os olhos e vislumbrei sua preocupação comigo, acho que meus olhos responderam por mim, pois vi sua preocupação, sua tristeza em seus olhos – Ah Lia... Eu sinto muito – ele me abraçou, puxando-me pelos meus ombros, encostei-me nele olhando de relance para as paredes de vidro completamente cobertas de neve, deixando-nos escondidos do restante da escola.
–Não precisa sentir. Não é um problema seu, na realidade.
–Preciso. Qualquer problema seu, é um problema ainda maior para mim.
–Por quê? – havia algo na firmeza da sua voz que me fazia estremecer. Lá estava aquela sensação esquisita na minha barriga de novo...
–Você que é o gênio, não? – escutei seu sorriso mais do que vi – Descubra sozinha, leve o tempo que precisar. – ele estendeu a mão para mim; segurava a flor mais bonita nos dedos, uma gérbera vermelha. Quando nossos dedos se tocaram ele transferiu o caule da flor para minha mão e envolveu seus dedos em minha pele – Eu não tenho qualquer intenção de sair de perto de você.
Era a primeira vez naquele dia que eu me senti mais calma. O diário ainda aberto em meu colo...
[...]
–Ah meu bem – o suspiro de Marcos demonstrava o quanto estava preocupado com minha sanidade mental – O que quer fazer?
–Eu não sei, não sei... – baguncei meus cabelos em desespero – Eu to desesperada! É como se eu fosse explodir se não liberar minha raiva.
–Vamos aos ringues?
–Não sei se será o suficiente – sussurrei apoiando o cotovelo em sua escrivaninha e apoiando o queixo nas mãos. Meu corpo tremia em tanta fúria...
–Venha. Nós vamos, nunca foi o suficiente, mas sempre foi o começo. – ele puxou-me pela mão até a área de treinos e expulsou um pequeno grupo com um gesto simples de mão, mas sem ser grosso ou algo assim. Levou-me até a porta do vestiário e esperou pacientemente eu me trocar. Lutamos boxe por horas até meu corpo pingar em suor e cair em cansaço, exaustão. Respirei fundo três vezes e dei cinco minutos ao meu amado pai. E começamos tudo de novo.
–Querida, acho que já está na hora de você conferir a lista de novos membros. Temos alguns nomes bem conhecidos esse ano.
–Superamos as baixas do ano passado?
–Sim, mas não é esse o ponto.
–Eu conheço algum dos novatos?
–Querida, é um assunto complicado. Estou me apressando, podemos vê-lo depois.
–Claro.
Mas aquilo tinha me deixado inquieta. Voltei para a mansão Grace, mas ignorei completamente minha família: nenhum olhar, nenhuma palavra, nenhum gesto. Era como se nenhum deles existisse. Tudo bem que quando passei por eles eu estava no celular resolvendo a questão “Nico” com Bianca. Ela ainda não havia encontrado o local perfeito e isso era uma questão importante. Enquanto subia as escadas, ainda ao celular, sabia ser seguida; não sabia qual dos meus homens, mas um deles com certeza, devido os passos fortes e sonoros. Fechei a porta do quarto sem nem olhar para trás e passei a chave.
–Thalia! – as batinas na porta eram insistentes e os chamados infindáveis; encerrei a ligação, peguei minha guitarra e liguei-a sem pressa ao amplificador deixando o volume razoavelmente alto – Thalia! – joguei-me em minha cama e comecei com alguns acordes inofensivos – Thalia! – conforme os chamados de Zeus se tornavam mais insistentes, meus solos aumentavam de tamanho – THALIA! – era oficial: meu paizinho estava irado. Deixei escapar um risinho, mas contive a gargalhada – Filha, precisamos conversar seriamente! – não consegui: gargalhei e de repente me vi tocando AC/DC sem descanso ignorando a vida do lado de fora do meu quartinho.
–Thalia! – parei de tocar de forma repentina; deixei a guitarra sobre a cama e levantei de um pulo para abrir a porta – Eu voltei, querida! – senti o tom divertido em sua voz suave.
–Katie! – dei um forte abraço nela e puxei-a para dentro do meu quarto antes que um dos chatonildos viesse interromper minha paz. Katie parecia diferente, ainda estava bonita do jeito que aquele dia de SPA a messes a havia transformado. Parecia... Bom, parecia traumatizada – Está tudo bem?
–Por que a pergunta? – ela vacilou.
–Katie, a essa altura da vida você deveria saber que eu sou perceptiva – ela suspirou – Conte do começo. Temos todo o tempo do mundo.
Ela contou em prantos que não podia mais voltar para a fazenda, que se recusava terminantemente a regressar a mãe e a vida naquele mundinho fechado que Deméter criara. Ela contara a mãe sobre o namorado e foi quando eu descobri que nesse ponto tudo estava certo, nada de anormalidades.
–Katie, mas nós duas sabíamos que sua mãe reagiria mal ao saber de um garoto na sua vida. O que mais pode impedi-la de voltar?
–Ah Lia... É horrível! – e despejou lágrimas em meus ombros enquanto dizia em meio a soluços que não era mais virgem. Claro que se eu não parasse para pensar teria rido, mas senti que não era esse o ponto ao qual ela queria chegar.
–Foi o Travies? – perguntei – Ele te machucou? Forçou-te quando você não queria? Se for isso, Katie, ele vai se arrepender de ter brincado com você!
–Não. Quer dizer, eu dormi com ele, mas – suas bochechas estavam vermelhinhas de um jeito quase adorável – Eu nunca contei isso a ninguém!
À medida que ela narrava os eventos em voz baixa percebi que há muitos anos ela precisava colocar aquela “história” para fora; de forma automática eu passei a vislumbrar tudo com clareza da mesma forma que eu via em meus sonhos. Era tudo cada vez mais real e concreto à medida que Katie contava, o rosto escondido em meu ombro enquanto nos abraçávamos uma a outra já há muito deitadas em minha cama.
Katie definitivamente sempre fora protegida e vigiada pela mãe. Não era segredo, não era anormal, não era novidade. O interessante era que, quando eu pensava que isso era feito por minha tia, a menina era educada pelo vizinho. Um homem jovem e bem culto que vivia apenas com a esposa igualmente jovem e culta. O casal era conhecido na região por serem de aparência deleitosa. Então minha prima com seus 14 anos atravessava “o muro”, que na verdade consistia a uma fileira de enormes carvalhos, e então a fazenda indescritivelmente grande de cevada.O vestido era claro e simples de alcinhas, ela já tinha seios e a cintura definida, era inocente, era uma enorme tentação.
No meio da plantação dourada um homem a esperava. Era jovem, forte, bronzeado, muito bonito. 26, 27 anos talvez? Com certeza ainda não havia chegado à casa dos 30. Os cabelos igualmente dourados voavam junto ao vento. A pura e inocente Katie não conseguia ver, principalmente por estar longe, por sua ingenuidade, os olhares famintos daquele homem “confiável”.
–Katie, não? – ele sorriu para ela. A mocinha retribuiu com um sorriso doce e educado, a mãe lhe contara coisas muito boas e favoráveis sobra aquele homem que a partir dali seria seu professor. – Sou Lee. Lee Fletcher. Vou ensinar sobre tudo o que sei, não vamos nos ater a livros e fórmulas, nossas aulas serão – ele levou a mão ao queixo e lambeu discretamente os lábios; os olhos brilhavam – serão mais práticas, compreende?
–Sim – a empolgação suave na voz dela o atiçava.
–Então você se importa se começarmos a falar da cevada? – ela indicou com os braços a infinidade que os cercava. E assim a aula começou; meia hora depois aquele homem já havia lambido e mordiscado o lábio incontáveis vezes. A inocência dela o seduzia como os olhares mais pervertidos não conseguiam fazer. – Olhe aqui – estavam ajoelhados analisando o caule; não eram, nem podiam ser vistos... Aquilo era excelente para ele. Com rapidez e pouca delicadeza deitou Katie no chão de terra, amassando eventualmente algumas flores dispostas em espigas. A menina, surpresa e nervosa, olhava para o instrutor – Você tem que ficar bem quietinha, entendeu? – Katie com todo o seu jeito pueril assentiu – Quero que sinta tudo, mas qualquer falha sua acarretará em uma punição, compreende? – ele não esperou uma resposta: já tinha arriado as calças, o membro rijo e ereto pulsava da mesma forma que seu desejo doentio pela menina. Ela tentou esquivar-se quando sentiu que aquilo não era exatamente uma aula. Pedia que a soltasse e parasse; tudo o que conseguiu foi que ele rasgasse sua calcinha depois de erguer a barra do vestido, e ter os dois braços imobilizados por aquele homem bruto. Fletcher ergueu uma das pernas da moçinha expondo bem sua intimidade e sem escrúpulos penetrou de uma só vez, com força em movimentos violentos. Seu quadril chocava-se com o dela machucando-a. O medo e a vergonha tomavam conta da mente de Katie, não permitindo que pensasse, as mãos afundavam no solo enquanto seus dedos espremiam a terra com força devido a dor que ela não conseguia expressar, a boca estava sendo igualmente invadida pela língua daquele homem odioso.
–Pare, por favor, pare! – ele gemia em intervalos irregulares, quando a boca dele soltava a dela permitindo-a respirar; o nó em sua garganta a impedia de gritar, mas de que isso adiantaria? Estava longe da casa dele, estava longe de sua casa, estava distante de tudo...
–Quieta! – ele não parava de se mexer embora a intensidade tivesse diminuído para que pudesse falar – Fique calada ou farei pior! – disse esmagando um pequeno seio em suas mãos; o rosto bonito contorceu-se em dor e um gemido alto demais escapou dos lábios dela; o som do tapa desapareceu tão rapidamente quanto o próprio gemido.
Katie dissera à mãe que não queria mais aulas, que não precisava estudar e inventara mil desculpas para não passar os próximos das na companhia de Lee Fletcher. Não dera em nada.
Era quase impossível de acreditar!
Minha prima. Minha priminha doce e inocente, casta e pura... Fora destruída pela estupidez da mãe. Os Grace eram uma praga. Estava pensando em tirar a vida de todos inclusive a minha para acabar com essa “raça” tão desprezível.
–Katie! Por Deus! – apertei-a mais contra mim enquanto ela soluçava e chorava; ela contara tudo em sussurros como se sentisse vergonha ao falar disso. Não podia permitir... Fechei meu punho com força – E a esposa dele? Ela não...
–Ah Lia... Ela era muito pior! – fungou a menina – Quando ele me levou para a casa dele... Ela era pior! Muito pior! Era cruel, perversa, ela... – e desabou a chorar.
Lee. Lee Fletcher. Era um nome que eu não podia esquecer de forma alguma... Aliás...
–Katie, meu bem – levantei seu queixo delicadamente – Eles fizeram isso de novo? Nessa viagem, quando você voltou para casa...
–Eu consegui... Consegui escapar dele por uma semana inteira, mas...
–Você se reconciliou com o Travies? – perguntei de forma firme. Uma ideia rodava minha mente... Deus! Seria tão divertido...
–Como? O que isso tem a ver com nossa conversa? – ela fungou, não podia culpá-la pela confusão causada pela minha rápida mudança de assunto.
–Isso é muito importante. Só responda.
–Bom, sim, acredito que sim – disse inclinando a cabeça.
[...]
Estava ansiosa, animada, mas, sobretudo, estava infinitamente temerosa. Como ela reagiria? Claro que a o acerto de contas para quem descobria o segredo era a morte, mas eu não tinha qualquer vontade de matá-la. Ela era a única família de sangue que me importava. A única que eu aprendera a amar e proteger. Ela era tudo o que eu tinha... Como eu sabia ser o mesmo para ela.
Estava no meu quarto do edifício mafioso, analisava mais uma vez os papéis com os planos, o planejamento daquele dia. O próprio Marcos se comprometera em ajudar, pois, mais do que tudo, o estupro era uma coisa que ele repudiava e não admitia de forma alguma de seus “súditos”, acredito que seja porque tem cinco princesas como filhas, somado ainda uma consciência civilizada muito além da que vemos hoje em dia.
–Senhorita – virei-me em direção a porta; a pequena fresta aberta onde uma mulher entrara. Ela curvou-se e levantou a cabeça olhando-me nos olhos – Peço perdão senhorita por essa invasão, mas o rei a chama em seu escritório.
–Sabe se ele está acompanhado? – disse erguendo-me.
–Um mafioso e uma desconhecida, senhorita.
–Muito obrigada por me avisar – saímos juntas, mas seguimos caminhos diferentes. O nervosismo, embora pulsasse em meu sangue, não era evidente em meu rosto. Quando em frente à porta parei e tentei inutilmente ouvir a conversa. Simplesmente abri a porta e entrei.
Marcos sorria para mim. Travies curvou-se respeitosamente. Katie abriu a boca chocada demais para falar. Pisquei para ela.
–Requisitou minha presença, papai? – sorri para Marcos.
–Meu bem, tudo está correndo como o planejado. Katie concordou em manter sigilo e agora suponho que tenha percebido que caberá a você vigiá-la de perto.
–Eu já sabia.
–Thalia? Mas como...?
Olhei fundo nos olhos esverdeados da menina. Ela não estava assustada, decepcionada, estava apenas surpresa. Gostei mais dela depois disso.
–Como não importa, Katie. O porquê talvez seja uma pergunta mais cabível – sorri de novo – Eu encontrei na Máfia minha casa, minha família. A Máfia encontrou você, Katie – os olhos dela cintilavam, eu consegui vislumbrar a honra que ela sentia por saber do meu maior segredo, por fazer parte daquele mundo secreto – Vai aceitá-la?
–Aceitei antes mesmo de aprender a falar – sua expressão mudou, sua postura se transformou e eu não fui a única a notar, embora os olhos dela estivessem cravados nos meus e vice-versa. Marcos e Travies sorriam abertamente em sinal de cumplicidade: aquilo, aquele mundinho não era para qualquer um. Katie deixara bem claro em suas palavras: éramos escolhidos, destinados no momento em que nascemos, estava embutido na pele, corria pelo sangue e era atiçado, forçado a vir à tona devido o tipo de vida, devido às provações que passamos até o amadurecimento. Era para poucos. Era exclusivo. Era a elite no quesito caráter, força e inteligência. – Como vamos começar a brincar, prima? – o sorriso dela, o novo jeito dela me deixou mostrar a mafiosa que havia em mim.
–Lee Fletcher tem sido muito malvado, Katie – um brilho insano passou naqueles lindos olhinhos – E nós três vamos puni-lo.
O sorriso veio devagar e foi crescendo até se tornar uma gargalhada. Era oficial: Katie Gardner não era mais inocente, pueril, ingênua. Ela mudara. Eu a mudara.
Bem vinda a Máfia, Katie!
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