Gimme More
23 Capítulo 21
Notas iniciais
Capítulo vinte e um –
Ariadne e Ártemis eram duas beldades. Não sei como aqueles dois otários conquistaram essas duas... A primeira tinha a pele clarinha, olhos e cabelos negros, um corpo pequenino e delicado. Usava um vestido de cor púrpura e saltos medianos. Ártemis era uma beleza totalmente a parte: os cabelos eram de um vermelho vivo e não aquele laranja desbotado que são as ruivas naturais (embora o dela fosse completamente natural, sem qualquer traço de química), eram marcados por ondas sexy e um tanto selvagem. Os olhos eram totalmente perolados, incrivelmente claros e reluzentes como a lua. Trajava um vestido branco simples e curto na medida certa, entre o sexy e o comportado; era a cara da inocência e da perversão ao mesmo tempo.
Katie estava lá também com um vestido que eu ajudei a escolher: verde claro; delicado como ela.
–Não acredito! – exclamei quando encontrei quase toda a família reunida na sala – Se eu soubesse que teríamos visitas tão lindas teria me arrumado mais.
Alguns riram. Ariadne corou. Era realmente muito fofa. Meus irmãos me abraçaram e logo as duas damas também. Apolo estava quase babando em Ártemis...
–É muito bom conhecê-la, Thalia – a voz de Ártemis era sensual sem que ela percebesse; baixa na medida certa e quase rouca – Estava bastante curiosa e ansiosa para conhecê-la.
–Ah é?
–Crescer sendo a única menina na família e ter que aturar ele – ela apontou para um Apolo indignado – Você tem que ser bastante especial.
–Gente! – virei para o indignado que tentava até agora formular uma frase em sua defesa – Você não a merece. O que fez? Ameaçou ela?
Ares se engasgou.
–Ah deus! – a ruiva olhou para todos os irmãos da família demorando-se no loiro – O que você disse para eles?
–E-eee-Eu não disse n-nada. – ele gaguejou. Ai vem coisa boa meu deus!
–Thalia, querida, sei que você não vai mentir – depende muito, querida, do que mais atiçar as chamas desse incêndio – O que Apolo disse que nós somos?
Abri a boca, ergui a sobrancelha e quase engasguei com meu riso.
–Artie querida, entendi tudo. E já te amo! — disse com um sorriso enorme – Ele falou que eram namorados, mas parecia muito artificial. Digo... Olha só para ele. Machista demais para um feminista do seu calibre – Hermes só faltava rolar no chão. Hefesto tinha um sorriso no rosto. E Ares, bom, parecia que ia explodir tamanha a gargalhada.
Encaixei Ariadne em uma conversa mais calma deixando Apolo ser metralhado pelas palavras de Ártemis enquanto o restante dos irmãos gargalhava gostosamente. Conseguir manter uma conversa com a mulher era fácil, complicado era manter uma conversa com Dionísio, mas me esforcei o suficiente.
Zeus e Hera chegaram irradiando importância. Para o inferno, esses dois! Sorrindo para todos, o coroa veio primeiro a mim; abraçou-me brevemente dizendo ter sentido falta da filhinha. O teatro típico de platéia. Ignorei Hera. O jantar decorreu até que agradavelmente. Fizeram perguntas sobre a viagem e eu sobre o que havia ocorrido na minha ausência. Mas a noticia bomba foi...:
–Pai – Dionísio levantou-se – Irmãos e, linda Ártemis – Apolo ficou meio puto, mas segurei sua mão impedindo-o de pular sobre a mesa e atacar o senhor D. – Estou mais do que contente em compartilhar esta noticia com vocês – ele pegou com uma delicadeza monstruosamente inesperada a mão de Ariadne – Vamos nos casar.
–Palmas para a menina – Ares começou – Ela merece o céu!
Gargalhei.
[...]
O som dos meus saltos era o único som a se espalhar por todos os corredores. Estava sendo seguida por um grupo de 20 novos recrutas: pessoas que se diziam estar prontas e ter capacidade e/ou influência para fazer parte, auxiliar a Máfia. Gente que via o quanto o mundo certinho não tinha nada de certo.
– A sala de experimentos, onde nossos cientistas, químicos e físicos se divertem criando, testando e aperfeiçoando protótipos. Aprendemos muito naquela sala – disse apontando para a esquerda – O pessoal da mecânica fica lá embaixo. Acompanhem-me – não olhava para eles apenas andava.
Você pode se perguntar: mas Thalia, não é perigoso se mostrar para esses recrutas que podem nem ficar aqui na Máfia? Sim, é perigoso. Mas Marcos sabia bem como manter as coisas em ordens: eles não sabiam, mas qualquer um que não passasse nos testes passaria dessa vida para outra. Minha metade boazinha queria dizer a eles que rezassem para passar ou para ter uma morte rápida e limpa.
Descemos as escadas e só então ouvi o som de outros sapatos que não os meus. Com toda a minha superioridade fui andando por entre os carros. Clarisse estava lá também. Deixei que ela falasse para eles como funcionava aquela parte, depois seguimos para o pátio onde treinávamos boxe e outras lutas e fui seguindo o tour até estar exausta. Eu tinha muito mais o que fazer.
Deixei os novatos com Ramiro enquanto ele falava do ramo da espionagem, de se manter na sombra ser discreto ou algo assim. Meu celular tocava sem parar; reconheci o número como sendo o do presídio onde estava meu amiguinho Hyperion.
–Hyperion? – chamei incerta ao atender.
–Princesa – sua voz era abafada e urgente – As coisas andam feias por aqui.
–Feias como? Pior do que o normal?
–É. Os policiais, os homens do seu irmão estão torturando todos, passando-os sobre um interrogatório bruto; um parceiro meu descobriu que estão perguntando sobre a Máfia. – fiquei tensa; acenei para Ramiro com urgência e apenas pela minha expressão ele compreendeu que era algo terrivelmente sério. Comecei a me afastar indo em direção ao escritório de Marcos – Se esses otários descobrirem algo que me ligue...
–Você está completamente encoberto, lembra?
–Tão completamente que vim parar neste lugar. Escute bem, princesa: uma rebelião está sendo armada. Vamos levar no máximo dois anos para nos organizar, isso se conseguirmos pegar a cooperação de todos os presidiários.
Baguncei os cabelos; estava a um corredor de distancia da porta de Marcos.
–E Fobos e Deimos?
–Estão agindo como os superiores mandam. Não podem se arriscar, você sabe bem disso, pequena. Ouça. A cooperação de vocês é importante e... – Marcos abriu a porta olhando-me com surpresa.
–Hyperion, ninguém quer te tirar daí mais do que eu, mas... Uma rebelião? Sério que vai chegar a este ponto?
Fiz essas perguntas apenas para Marcos entender do que se tratava minha ida até sua sala. Deixou-me entrar e pegou meu telefone, assumindo a conversa. Sentei-me na poltrona de frente para sua escrivaninha e esperei.
–As coisas estão ficando feias, Thalia – ele contou a mim sentando-se a minha frente e me devolvendo o telefone – Não digo isso como alguém da Máfia, mas como uma pessoa comum. Este mundo está perdido. As pessoas estão crentes de que estão fazendo o bem quando não fazem nada além do mal. Sua viajem com as meninas até aquele lugar tão carente me fez perceber o quanto temos que nos comprometer mais.
–Aonde quer chegar?
–Em Hyperion. Ele como muitos homens não mereciam estar na cadeia. Você já visitou aquele lugar, mas nunca viveu nele, porque deus é misericordioso, se é que exista um deus. Concordo totalmente com uma rebelião, uma fuga, mas e depois? Sou obrigado a pensar na onda de pânico, na triplicação das rondas militares e dos sistemas de segurança mais complementares. Como ficaremos?
–Nós sempre demos um jeito. O nosso jeito. – sentia o coração pesando; era, do jeito mais fútil e mesquinho de se exemplificar, como se me dissessem que minha loja favorita havia falido e que nem todo o dinheiro do mundo a traria de volta. Estava me sentindo quase vazia – Marcos, você está me assustando dizendo essas coisas. Somos mais espertos! Vejo policiais e investigadores quase todos os dias na minha casa. Janto pelo menos uma vez por mês com políticos sorridentes e corruptos. É como você disse; o mundo está cada vez mais errado e eu vou lutar pelo o que é certo. Aquela viagem foi a melhor coisa que eu já fiz!
Ele respirou fundo e esfregou as têmporas.
–Preciso me lembrar de mantê-la sempre por perto. – seus olhos faiscavam – Você vê um motivo, um motivo belo e inspirador. Você pode não acreditar meu bem, mas é a pessoa mais pura de toda essa cidade. – abri a boca para retorquir – Pureza não significa ser virgem ou nunca ter ferido ou matado alguém; ser puro é saber diferenciar o bem do mal com clareza e lutar do lado certo. – ele fez uma pausa olhando fundo em meus olhos – Foi por isso que desde muito cedo eu decidi que a liderança do nosso mundo passaria para você. E não me arrependo.
Senti que meus olhos poderiam marejar então tratei de não me denunciar.
–Então vai permitir a revolta?
–Sim e não. Se ela vier, ajudaremos.
–Se, não. Quando. – corrigi e ele sorriu.
–Acho que você tem alguns novatos para intimidar.
Eu mal retornei quando um dos imbecis recrutas começou a elevar a voz falando sobre a minha falta de compromisso por largá-los simplesmente ali. O eco do tapa foi estridente e todos, desde mafiosos até os novato olharam para a minha pessoa com medo. O golpe foi tão forte que o menino caiu no chão.
–Se tem uma coisa que eu não admito é que gritem comigo. – sibilei baixinho. Acenei para dois seguranças que ergueram o coitado. Na prancheta que Ramiro me devolveu a foto e o nome do infeliz – Então Nakamura... Levem ele para o primeiro teste. Se ele suportar bem o devolvam para mim.
Seus dois olhos reluziram em medo. Sua insolência teria um preço e eu sabia bem o que queria dele.
[...]
–Onde você está? – Hefesto ligou; estava tentando respirar sozinha queria responder, mas Hefesto era quase adorável.
–Em alguma praça, não sei qual, estou tomando milk-shake de coco, não estou de baixo do sol e sim estou bem.
–Thalia não brinque com essas coisas – a cada um hora um irmão diferente ligava para mim para saber meu estado: se eu estava respirando, se tinha dinheiro, celular, minhas companhias, onde estava. Nunca Zeus. O velho nunca se dignou a ligar.
–É sobre os preparativos? – estava uma loucura a organização da festa no vinhedo do meu maninho; o problema era eu ser arrastada para participar disso tudo, como se eu não tivesse nada melhor para fazer. – Eu não sei bem se me agrada deixar Dionísio escolher a roupa que eu vou usar.
Sua risada ecoou do outro lado da linha.
–Claro; como se isso fosse agradar alguém. Meu bem... Espere um minuto – senti uma mão me envolvendo a cintura e um reflexo de cabelos cor de areia se inclinando para tomar do meu milk-shake! – Lia, Dionísio disse que quer discutir com você sua vestimenta e sobre o que podemos ou não deixar você tomar – ingênuos.
–Claro; não devo demorar – tentei não gemer quando Castellan colocou os lábios frios no meu pescoço. Virei tentando controlar minha surpresa. – O que foi isso?
–Um beijo, talvez um chupão – sorriu malignamente – Você me deve uma explicação, é claro que se lembra disso.
Suspirei; lembrava, não tinha como esquecer, mas eu já tinha minhas desculpas boladas. Luke tentou pegar mais uma vez a minha bebida, mas desviei.
–Você escolhe sempre os piores lugares para me abordar.
–E você parece não querer contar.
–E não quero. Você não devia ter percebido.
–Não consigo entender a ordem das coisas. Principalmente dizerem que você era filha do dono...
–Luke! Você por favor, com mil coraçãozinhos quer calar a boca? – disse de forma rude – Você não pode me expor desse jeito. Eu preciso estar completamente isolada do mundo e de qualquer outra pessoa para poder te contar. Não pode ficar me pressionando achando que eu vou revelar meus segredos quando você bem quiser e onde estivermos. Não é assim que funciona.
Dei-lhe as costas e sai andando; tinha que voltar e discutir seriamente com meus irmãos. O menino não desistiu, segurou-me pela cintura e beijou a curva do meu pescoço.
–Quero te ver, princesa – o modo como ele me chamou me causou arrepios; a voz rouca e sensual, mas... Tinha algo naquela palavra, no modo como ele pronunciou princesa que me fez lembrar Marcos, Ramiro, Adrian e todos os outros... Ele soou tão respeitoso e submisso que não pude evitar virar meu rosto para o seu. Se expressava qualquer coisa no meu rosto ou nos meus olhos não sei – Precisamos voltar a ter nossas aulas e você tem que me contar tudo...
–Você só quer uma resposta ou...
–Quero você agora. Preciso terminar o que começamos.
Não sei como foi, mas estávamos dentro do meu carro no banco traseiro. Como eu estava usando um vestido facilitava bem a nossa situação desesperada. Os vidros escuros nos ajudavam a manter a privacidade. Eu me encontrava já sem a calcinha e ele com as calças arriadas, era realmente o maior membro que eu já vira. Quando me sentei sobre ele gememos, os dois, muito alto.
–Deus! Como você... Como é apertadinha. – ele apertava minha cintura e eu seu pescoço, escondendo o rosto em seu ombro, arranhando suas costas. Inacreditavelmente, apenas daquele jeito, ele dentro de mim sem precisar de movimentos nem lentos nem rápidos já era perfeito de tão satisfatório. Ficamos minutos assim, apenas agarrados e suspirando.
Eu tomei a iniciativa. Sem deixar de arranhar suas costas e me segurar em seu ombro, me mexia devagar, tão devagar que com qualquer outro cara poderia ter sido uma enorme tortura, mas com ele não. A surpresa também foi que ele não me forçou a ir mais rápido como qualquer outro faria. Ajudava-me a me mexer, mas devagar como se soubesse que doía; cheguei a pensar que doía para ele também. Mas eu gostava da dor. Nem quando transei com os gêmeos senti o que sentia agora. E eu queria mais. Comecei a rebolar e a aumentar o ritmo, os gemidos não cabiam mais dentro de nós. Precisávamos gritar, eu sentia isso. Luke me deitou sobre o banco ainda me ajudando a me mexer agora em um ritmo (ainda muito lento) satisfatório.
–Dói? – ele perguntou.
–Bastante. Mas nunca senti nada igual.
–Você gosta da dor – ele sorria perversamente; foi um pouco mais forte, o suficiente para eu me contorcer debaixo dele.
–Como se você não gostasse.
Luke chupou meu pescoço e sussurrou em meu ouvido:
–Quer tentar mais rápido?
–Pensei que não ia perguntar.
Seu riso rouco e baixo era bem sedutor e envolvente. O espaço era limitado, mas não importava. Sei que foi tremendamente prazeroso cada segundo das duas horas que passei com ele. Claro que queríamos repetir a dose, mas teria que ser uma próxima vez.
Quando cheguei Moonbean foi o primeiro a me dar as boas vindas. Meus irmãos não gostaram nem um pouco do meu atraso; eu nunca diria o motivo, mas isso não importa. Meu irmão tentava me persuadir a usar um determinado vestido, depois que neguei por muito tempo insistiu em uma combinação de cores. Já sobre a bebida eu disse que podia beber o que eles bebiam desde que com moderação. Claro, houve as discussões do tipo minha irmãzinha não vai tomar álcool de jeito nenhum, mas convenci.
Estava falando com Ramiro pelo celular a caminho de um quarto quando esbarrei em alguém; estava distraída que nem notaria, mas o ser quis se alojar no chão a minha frente.
–Desculpe! Eu... – olhei bem para minha vítima caída – Hera? Então foi bem feito.
–Menininha mimada – ela rosnou, contive minha vontade de rir – Acha que é inatingível, não? Você vai descobrir o quanto eu...
–Deus! Quer calar a boca?
Passei reto por ela e me joguei em minha cama. Só então me lembrei que estava falando com o meu espião preferido.
–Thalia – ele chamava meu nome repetidas vezes.
–Voltei Ramiro.
–Lia meu bem, ouvi sua conversa com sua madrasta e era sobre isso que eu queria alertá-la – podia ouvir seu alarme de perigo soando na voz – alertei a Marcos e...
–Por deus! Fale logo!
–Hera está mandando te seguirem. Você tem que ter muito cuidado agora.
Vadia!
Aquela vaca ia se ver comigo... Eu tinha tudo preparado desde muito tempo atrás.
–Ramiro, quero todas as fotos, todos os vídeos, tudo o que você tiver.
–Está fazendo um jogo perigoso, mocinha – sentia o riso e a maldade transbordarem dele como uma banheira cheia.
–Ela começou. E já passou da hora de Zeus sofrer um pouquinho.
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