Gimme More

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Hey amores, desculpem esse pequenino atraso. Semana de provas é um inferno!

Capitulo doze —

Três meses passaram bem rápidos. Minha vida não mudou tanto quanto eu gostaria e minhas saídas tiveram que diminuir já que a policia estava caçando a Máfia com mais força. Coitados. A Máfia está em todo o lugar e em lugar nenhum.

Na mansão as coisas parecem ter piorado. Katie ficará em nossa casa pelos próximos seis meses já que Zeus convenceu Deméter de que faria bem para a menina novos ares e estar em uma escola de verdade com outras pessoas da mesma idade que ela. Graças aos Titãs minha tia foi embora para o seu rancho caipira.

Meus irmãos já quase não paravam em casa; suas profissões os forçavam a ficarem longe. Nisso, normalmente eu ficaria sozinha, já que Hera passa suas tardes gastando dinheiro em roupas que nunca vai chegar a usar. Katie era mais curiosa do que aparentava ser; a cada segundo fazendo perguntas e olhando meus pertences com olhos atentos. Ela ainda não entendia como aquela festa havia acabado e não seria eu a contar.

As aulas com Castellan haviam se tornado constantes. Ele me aparentava sempre confuso e distante, o pensamento forçado como se tentasse se lembrar de algo que havia esquecido. Mais uma vez, não seria eu a contar algo a ele.

Os túneis estavam praticamente prontos, faltavam apenas alguns detalhes, mas já tínhamos tudo pronto para agir. As plantas do cofre, as localizações das câmeras os horários dos funcionários, tínhamos tudo.

A empregada anunciou a chegada de Luke e logo eu estava descendo as escadas. O som do meu salto ecoava pelas paredes. Olhei meu reflexo em uma parede de vidro: além do salto, meias três quartos e um vestido mais curtinho. Tudo preto. Inclusive a maquiagem básica. Encontrei o loiro inquieto na sala de estar. Assim que me viu esboçou um sorriso pequeno. A empregada nos deixou a sós.

–Vamos estudar?

–É só isso o que fazemos. — seu tom era levemente tristonho.

–Então o que quer fazer?

O silencio parecia ser tenso, mas era apenas confuso.

–Vamos dar uma volta? Já estudamos por longos três meses. — seu sorriso era um pouco mais animado, mas ainda havia dúvidas. Olhei para os lados. Katie deveria estar no quarto, mas ela andava sumindo bastante durante as tardes. E Hera, bom, essa dai não se importaria se eu saísse.

Peguei sua mão e sorrindo corremos para fora daquela prisão.

[...]

Deixamos a moto dele na garagem e saímos com o meu carro. Sou muito bondosa, então deixei que ele dirigisse. Paramos em um mercado qualquer, mas eu não tinha a menor idéia do que fazíamos ali.

–Que tal um piquenique de última hora?

–Já estamos aqui, não? — caminhamos pelos setores de comidas e enchemos uma cesta só com coisas gostosas. Pagamos por quase tudo: Luke sorriu marotamente enquanto escondia algumas coisas. Ele tinha mãos bem leves e um ar inocente. Era perfeito... Para a Máfia, lógico!

Chegamos a um parque menor do que o Central Park; ali era mais vazio, aconchegante, quase um refúgio. Surpreendi-me por não reconhecê-lo. Paramos sob a sombra de uma árvore e vi com o canto dos olhos Castellan tirar a jaqueta e a colocando no gramado para mim. Ele era bem fofo quando queria.

–Sabe, achei que você fosse surtar quando roubei algumas coisas.

–Por que surtaria?

–Tipo, sei lá! Você é menina Grace: a filha perfeita protegida pelo pai e irmãos.

–Já parou para pensar que eu não suporto ser protegida? Já parou para pensar no quanto é insuportável ser perfeita? Ser uma Grace?

Ele me olhava quase sem piscar pensando nas palavras e no que elas poderiam significar. Luke nunca entenderia o quão longe aquelas palavras poderiam chegar.

–Você é muito diferente do que Kelli diz que é...

Um "riso" disfarçado de engasgo e cheio de escárnio me escapou.

–Will também pensa que te conhece...

–Ninguém me conhece. Ninguém é capaz de conhecer verdadeiramente outra pessoa... Mas... — suspirei; não acreditava que realmente diria isso — É bem mais fácil me abrir com você.

–Quer dizer que vai me dar a chance de conhecê-la mais do que os outros?

–Não. Quer dizer que você está chegando perto demais de onde eu não admito muitas pessoas. – ele sorriu satisfeito não percebendo o quanto aquilo me incomodava – Não posso deixar você chegar mais longe; também não vou afastá-lo. Mas... Me diz, você não é cleptomaníaco. Então por que roubou?

Ele bagunçou os cabelos e sorriu nervosamente.

–Posso confiar em você? Digo, para guardar um segredo.

–Claro.

–Eu gosto de roubar. Da sensação de adrenalina que me preenche, do perigo... Foi o único meio que achei de me livrar totalmente do meu pai — seu tom ficou mais perdido; eu o entendia... Como eu entendia aquela sensação — Sabe, esquecer que meus problemas existem...

–Encontrar um mundo novo. Um refúgio.

–Você... Você me entende, Thalia?

–Você não conseguiria imaginar o quanto.

–Então, você rouba?

Sorri.

–Não vou dizer que sim nem direi que não. Descubra sozinho.

A tarde passou rápido e nosso piquenique foi bastante divertido. Luke se mostrou um menino engraçado, encantador e entusiasmado. Desafiou-me a andar de skate, mas o desmotivei. Não dava para andar de salto! Estava começando a pensar que poderíamos nos tornar bons amigos.

Caminhamos bem próximos um do outro de modo que nossos braços se encostavam brevemente; meu corpo se enchia de eletricidade quando ele me tocava, mesmo que indiretamente. Luke comprou um sorvete e continuamos a andar pelo parque.

–Você era muito metida... — indignada, nem deixei que terminasse de falar e fiz com que sujasse o próprio rosto com seu sorvete. Mas eu sorria. Ele abriu a boca tão indignado quanto eu.

–Não acredito que fez isso!

–Não acredito que me chamou de metida!

–Se me deixasse terminar de falar... Você parecia muito metida para mim, mas sei que não é. — ele sorriu, mas logo se fez de vitima — Agora eu vou ter que voltar com o rosto sujo de doce...

Dei um passo para frente e com um gesto lento e delicado, tirei o excesso de creme da bochecha com o dedo. Sem ter uma completa noção dos meus atos, chupei o dedo ainda olhando em seus olhos, o brilho malicioso e desejoso... Mas desviei assim que ouvi um clique.

Havia um fotógrafo escondido entre as moitas! Olhei assustada para lá... Luke percebeu e se atirou sobre a moita agarrando o individuo. Era um aspirante a paparazzi de 21 anos aproximadamente. Luke socou-o e tentou pegar a câmera, mas não conseguiu... Havia outro! Este conseguiu uma boa foto da briga entre os dois e deve ter conseguido uma em que meu rosto apareceu em choque... Mas os dois conseguiram fugir.

Luke voltou até mim furioso e com o punho arroxeado peguei sua mão analisando os machucados. Senti lágrimas de ódio me subirem aos olhos.

–Ótimo! Agora meu rosto vai estar em todas as revistas... Meu deus! Zeus vai me matar, meus irmãos vão surtar, Ares nunca vai me deixar sair de casa... — eu andava para lá e para cá. Luke me segurou pelo cotovelo quase me fazendo cair; ele sorria do meu desespero e da minha falta de equilíbrio.

–Sabe, você precisa se acalmar.

–Mas...

–Thalia, eu peguei o cartão de memória. — suspirei dois segundos depois compreendendo suas palavras. Atirei-me em seus braços apertando seu corpo contra o meu. Luke envolveu minha cintura no ato.

–Luke, eu... — nunca fui muito boa em agradecimentos, mas meus olhos estavam marejados... De alivio, de gratidão.

–Não tem de quê. Vem, vou te levar para casa antes que um deles decida se jogar em cima de você.

[...]

Assim que estacionou e descemos do carro, Luke caminhou até sua moto. Ele ainda me observava assim como eu a ele. Eu ainda não queria que ele fosse embora. Atrás no horizonte o sol se punha com uma lentidão admirável.

–Já vai?

–É — ele deu um sorriso metidinho extremamente irritante — Quer que eu fique?

–Quero. — dei um sorriso muito maroto — Vem comigo.

Correndo, dei a volta na casa entrando pela porta de correr dos fundos. Havia poucas empregadas na casa já que o fim do dia se aproximava. Esgueirei-me pelas paredes tendo Luke em meu encalço. Virei lentamente para ele e pousei um dedo sobre os lábios pedindo silêncio. Sorrindo ele concordou. Demos uma volta por alguns corredores e finalmente achei a porta que procurava.

–Aonde vamos? — ele sussurrou. Com a mão já na maçaneta, me virei lentamente.

–Prometi guardar seu segredo; agora você vai guardar o meu.

Abri a porta e lhe dei passagem. Só havia degraus pela frente... Todos iam apenas para baixo.

–Onde estamos?

–No porão. — desci as escadas na frente; agora muito mais calma.

O porão havia mudado muito desde aquele ano de tortura com Hera. As paredes ásperas e cinzentas haviam sido rebocadas e pintadas de creme, as escadas de madeira velha haviam sido substituídas por uma madeira escura e cobertas de um carpete (também creme) muito macio que abafava o som dos saltos, e já não era escuro. Assim que descemos as escadas voltei a admirar a mudança: ao lado da escada, depois do corrimão, havia um balcão curvo da mesma madeira que a escada, bancos escuros e algumas garrafas de vinho de enfeite.

–Nossa! — ele exclamou; não o culpo. Aquele lugar era lindo e lembra um barzinho decente, daqueles que universitários ajuizados (conhecidos como nerds) passam as noites conversando e apreciando o sabor do vinho.

–Ainda não chegamos onde eu queria.

Abri a portinha que dava acesso ao interior do "bar" e segui por um corredor estreito. Havia uma porta nos fundos...

–Nós vamos ali?

–Parece, não? — sorri e indiquei a parede ao meu lado. Havia uma pequena rachadura fina quase imperceptível na pintura. Luke ficou de boca aberta. Empurrei a parede para o lado e adentramos no esconderijo de Dionísio: aparentava ser rústico, mas era incrível! Todos os móveis feitos de mogno, uma mesa circular com oito cadeiras para se jogar cartas, um armário ao fundo com taças de cristal, um sofá de couro estava disposto no centro e uma TV de plasma estava pendurada pelo suporte ao teto.

Mas o motivo do pasmo de Luke e deste lugar ser um esconderijo de Dionísio eram as paredes: metros e mais metros de vinhos de variadas marcas, variados anos. Era uma adega linda e muito bem feita.

–Mas... Isso tudo... Como?

Eu ri do seu deslumbramento.

–Dionísio é apaixonado por vinhos do mesmo jeito que a maioria das meninas ama sapatos. Ele é um especialista embora sua verdadeira profissão seja a advocacia. — fiz um gesto indicando que se sentasse no sofá e caminhei para frente de uma das prateleiras, procurei um bom vinho, mas um que Dionísio não que reparasse tão cedo — Ele acha que ninguém sabe deste lugar incrível... Este é meu segredo. — abri o vinho e o deixei respirar enquanto pegava duas taças medianas.

–Este lugar? — ele parecia confuso.

–Sim e não. — lhe entreguei uma taça cheia e tomei um bom gole da minha; eu não podia menosprezar meu irmão: ele tinha um excelente gosto para bebidas — Meu segredo é que conheço todos os segredos desta casa e de todos os que moram nela.

–E como poderia? — seus olhos azuis claros brilhavam em curiosidade.

–Não posso dizer. E se dissesse, teria que te matar. — ele sorriu achando que eram apenas palavras.

–Isso é incrível! Digo o segredo, os vinhos — ele caminhava apreciando cada nome nas garrafas e desfrutando de um gole da taça. Eu ainda sentada no sofá observava todos os seus movimentos — Você é mesmo perfeita!

–Se você diz. Vai guardar meu segredo, não vai?

–Claro... Como você consegue manter segredos guardados tão bem? Digo, seu irmão não saber que você vem aqui...

–Tenho esconderijos pela casa toda: no quintal, na piscina... Não importa o quanto tentem ninguém nunca será capaz de descobrir tudo o que sei.

Ele deu passos firmes até mim.

–Por que é tão misteriosa?

–Por que não eu seria?

Minha taça estava vazia sobre a mesa e meu corpo a centímetros do dele. Um novo calor encheu o ar. Não sei bem como aconteceu, mas Luke caiu sobre mim mais uma vez. Nossos corpos pressionados um contra o outro fizeram aquele calor aumentar. O último gole da sua taça de vinho havia ido parar na curva do meu pescoço escorrendo pelo ombro. Minha respiração era profunda e lenta; os olhos dele não piscavam admirando minha pele branca coberta pelo liquido arroxeado.

Não sei em que segundo ele decidiu, mas seus lábios estavam pressionados ali, chupando o vinho da minha pele. Sua mão abaixou a alça do vestido para que seus lábios chegassem mais fácil a minha pele. Suspirei sentindo uma energia nova percorrer meu corpo. Minha mão foi parar em suas costas subindo até sua nuca apertando-o mais contra mim. Luke gemeu ainda com os lábios sobre mim. Com a outra mão, Luke me prendia pela cintura apertando-a levemente me fazendo gemer baixinho.

Um som de passos interrompeu meu prazer. Eram passos curtos e lentos quase tontos. Dionísio estava ali. Luke se levantou junto a mim sem deixar de me tocar em instante algum. Peguei as taças e as deixei na pequena pia.

–Vem — puxei Luke para o fundo da adega. Ali nem mesmo meu irmãozinho sabia o que existia. Um pequeno buraco na parede estava escondido por uma caixa de sabe-se lá-o-que. Empurrei-a devagar para não fazer muito ruído e Luke passou por ela; fui logo atrás, mas voltei para fechar o túnel. Seguimos de quatro por alguns metros; seis no máximo. Assim que voltamos a nos erguer Luke voltou a prender sua boca em minha pele já sensível. Seus lábios macios deslizavam pelo meu pescoço me arrepiando. Ele se permitiu mordiscar minha pele e todo o meu esforço de não gemer se foi. Acariciei seus cabelos, mas o afastei.

O túnel era escuro e simples; praticamente apenas um buraco. Não havia muita luz, mas não podia me arriscar. Rasguei a barra do meu vestido tornando-o mais curto do que já era. Envolvi o tecido negro ao redor dos olhos do garoto a minha frente.

–Mas o que...?

–Outro segredo, mas esse eu não vou arriscar.

–Como eu vou...?

–Confie em mim por alguns minutos.

Nossos sussurros foram interrompidos pela voz de bêbado do meu irmão cantarolando uma música italiana que aprendera com um amigo. Segurei suas mãos e o guiei por parte do caminho, mas em certo ponto conduzi suas mãos para minha cintura, sendo que a passagem se estreitava. Luke não se conteve: apertava, traçava circulos com os dedos, ele dava um jeito de me provocar. Aqueles túneis eram todo e exclusivamente meus; eu não podia permitir que Luke tomasse conhecimento de algo que nem minhas amigas haviam vislumbrado. Eu sabia cada metro de cor desde os doze anos quando me aliei a Marcos. Alguns dos seguranças dessa casa na verdade são seguranças de Marcos e não de Zeus. Ainda me recordo da dificuldade e do sigilo que foi a construção dos túneis abaixo da mansão e com diversas opções de saídas.

Escolhi a opção mais segura: o galpão da minha mãe.

Vazio. Ninguém por perto. Seguro.

Como Abelle era para mim.

Luke foi um bom menino: não reclamou, relutou ou falou. Foi completamente obediente e eu adoro obediência. "Escondi" a entrada do túnel e afastei Luke do galpão, guiando-o para o jardim logo em frente.

–Não tire a faixa dos olhos — sussurrei em seu ouvido e corri para o galpão. Peguei um caderno e uma caneta e voltei. Sabia que logo começariam a procurar por mim e pelo dono da moto. — Senta no chão.

Luke obedeceu cada uma das minhas ordens sussurradas e isso provocava meu corpo muito mais do que o toque de Will Solace. Sentei a sua frente e joguei o caderno em seu colo junto da caneta. Tirei-lhe o pano dos olhos.

–Escreva qualquer coisa — ele rabiscava palavras bonitas das aulas de inglês avançado — Quando um dos meus irmãos chegar aqui vou mentir e você vai confirmar.

Não deu nem dois segundos e Hefesto apareceu andando em passos firmes até nós. Ele raramente invadia um espaço tão ligado a nossa mãe; ele era de longe o irmão que eu mais invejava: teve anos com uma mãe e um falso pai; ele era centrado, nunca se perdeu... Mas duvido que tenha se encontrado.

Hefesto não tinha um rosto tão bonito quanto se espera de um Grace. Seus olhos são castanhos e gentis como os de Abelle e tinha o mesmo cabelo castanho ondulado de Zeus. Trajava um macacão sujo de graxa e vinha banhado em suor. Apesar de não entrar no padrão de beleza, eu o achava bonito em sua singularidade.

–O que exatamente... — não o deixei continuar.

–Estamos estudando, Festo. — apelei para um pequeno sorriso e o apelido; Luke continuou escrevendo — Fazemos isso há três meses.

–Pensei que o pai...

–Zeus deixou claro que não queria nenhum garoto no meu quarto. Sou uma boa menina; sei obedecer ordens.

–E por que decidiu estudar aqui?

–Pensei que fosse óbvio. Queria ficar aqui porque é o que tenho de mais perto da mamãe — fiz uma pausa admirando a grama e as ervas daninhas; os dois olhavam atentamente para mim — Achei que ela gostaria de conhecer o garoto a quem eu venho ajudando.

Hefesto me olhava de maneira profunda. Ele não fazia idéia da falta que Abelle fez na minha vida, mas respeitava a minha "dor". Passou as mãos sobre a testa, enxugando o suor e desceu os olhos pelo meu corpo... E foi embora.

Graças ao cabelo longo! Se não fosse por ele meu irmão teria visto o avermelhado no meu pescoço descendo pelo ombro.

Quase suspirei. Luke sorria.

[...]

Mandar Luke embora foi difícil, primeiro porque ele queria saber sobre meus segredos, sobre meus túneis e segundo, bom, parte de mim queria terminar o que começamos na adega secreta.

Tomei um banho e me vesti de maneira simples: short jeans bem surrado uma camiseta do Bob Esponja e tênis nos pés. Salvei as fotos do cartão de memória: havia ao todo cinco fotos; todas em que mostrava o desejo em nossos olhos. Ainda planejava sair, mas antes jantaria em família: só meus irmãos e eu. Hera estava com alguma amiga em um restaurante frances e Zeus nunca se deu ao trabalho de se importar com o horário de jantar. Katie continuava desaparecida, mas como ela era "ajuizada" ninguém se importou.

–Ares, preciso de um favor — atrai a atenção dele.

–O que você quer? — mal consegui decifrar as palavras já que falou de boca cheia.

–Hoje de tarde dois universitários de publicidade, ah, me atacaram.

–COMO? — Ares cuspiu as palavras junto com comida, mas não foi o único: meus irmãos pareciam espumar pela boca.

–Saí pra dar uma volta e eles me assediaram. Conseguiram algumas fotos, eu recuperei outras.

–Você quer que eu os prenda?

–Se possível, mas estou satisfeita com uma repreensão. — ele sorri cruelmente. Amava esse lado violento do meu irmão... Embora ele ainda precisasse descobrir como controlá-lo.

[...]

Passamos por uma fumaça fabricada pelos nossos mais competentes cientistas. Ela já havia sido testada e aperfeiçoada milhões e milhões de vezes. Esse gases permitiam que nossos odores se tornassem, por um intervalo de 12 horas, igual. Um cheiro neutro, mas forte que encobria nossos perfumes, xampus, cremes e outras cosméticos pessoais.

Todos sem exceção estavam vestidos para a noite: calças e moletons largos, luvas de couro, coturnos. Tudo preto. Cada menina com o cabelo preso em um coque envolto por uma redinha de cabelo como a de bailarinas. Puxamos o capuz e pulamos para dentro dos túneis.

Corríamos por debaixo das ruas de New York em direção ao banco. Se fosse um roubo em que teríamos de lidar com testemunhas a céu aberto, nossas precauções seriam bem maiores. O som uniforme dos coturnos batendo em sincronia no cimento era agradável; desconsiderando que me concentrar neles era a única forma de não entrar em pânico resumido em uma palavra: claustrofobia.

–Acham mesmo que o Estado vai repor esses roubos? -uma voz masculina e fina adentrou meus ouvidos, interrompendo a sincronia dos passos.

–Você acredita mesmo que os políticos são anjos caídos do céu? — ri com desdém sem parar de me movimentar rapidamente — Eles desviam milhões em dólares para a América Central. Estão roubando do nosso Estado, da nossa cidade e nós vamos roubar de volta.

Muito insensato, mas gritos de concordância ecoaram.

Os túneis eram bem mais largos do que os da mansão. Enquanto os meus passavam no máximo duas pessoas lado a lado, aqui passavam cinco. Os três meses foram muito bem gastos e trabalhados. Annabeth projetou câmaras de ar sabendo do meu probleminha com lugares fechados. Haviam ainda ar condicionado a cada meio quilometro; o ar frio e fino entrava em meus pulmões me lembrando que eu ainda respirava.

Invadimos o cofre do banco com facilidade. A maioria trazia bolsas grandes e nos túneis haviam carrinhos feitos para o transporte de grandes quantidades de dinheiro. Com cuidado para não sermos pegos por alguma surpresinha indesejável, enchemos bolsas, mochilas e os carrinhos. O banco ficou totalmente vazio.

Mais de 50 carrinhos foram usados. Corríamos como nunca, agora mais animados do que antes. Os caminhos tinham diversas bifurcações prontas e outras para serem feitas. O caminho não era apenas até o banco; era toda uma extensão que crescia sobre a cidade e que, logo mais, seguiria sobre o Estado e o país.

Demolimos três paredes e enquanto nossos pedreiros já esperavam com tijolos e cimento; não facilitaríamos para a policia chegar até nós.

Notas finais
Até mais ;)