Gimme More
58 Capítulo 48
Notas iniciais
Capítulo quarenta e oito –
Luke reagiu mal, ainda assim melhor do que eu esperava. Quase levou minha partida avisada no último segundo como uma traição, mas entendia que eu estava fazendo isso pelo bem de Mahati, e pela menina indiana ele permaneceria na Máfia o maior tempo possível durante dois ou três dias. Marcos avisara as meninas.
Crio estava comigo no jato particular. Ele ia como guarda-costas, segurança, subordinado. Desembarcamos na Índia e, mesmos cansados, seguiríamos de carro até alguma cidadezinha mais remota. O caminho todo ao telefone, trabalhando, organizando, coordenando para que tudo saísse com perfeição, sem qualquer margem de erro.
Era quase oito da noite quando chegamos ao que seria minha base mafiosa por um tempo; não era luxuoso nem nada disso, uma casa comum. Marcos mandara diversos mafiosos e mafiosas de todos os cantos do mundo para aquela região em particular. Tudo para resgatar Shaline, irmã mais velha de Mahati, do tráfico de órgãos. Ela não tinha muito tempo.
Monitorávamos satélites, celulares, computadores, absolutamente tudo o que se era possível estávamos fazendo. Claro que por sermos a Máfia, conseguíamos os celulares de muitos dos homens no esquema e apenas por esse fato sabíamos onde a menina deveria estar. Vestimo-nos com a cor da noite, coletes a prova de balas, facas, pistolas, rifles... Tinha de tudo no meio daqueles vinte ou trinta mafiosos sob o meu comando. E claro, muitos ali eram médicos.
Um bairro quase comum, numa casa um pouco mais isolada, mas não tanto para não acarretar suspeitas ou algo assim. Meu grupo simplesmente chegou arrasando, como nos filmes, em carros blindados e velozes, descendo um por vez com caras de mal e um andar perigosíssimo; não sobrou um morador na rua. Entramos naquela “casa” derrubando as portas – e quase as paredes – e o cheiro de sangue que subiu era forte, cheiro de carne apodrecendo... Havia cadáveres logo ali na frente! Criancinhas, bebês! Eu estava enojada e aflita, mas muito, muito puta. Atirei em todo homem que estivesse de pé e sã. Fui adentrando o cômodo, então meus homens iam liberando as escadas para que eu subisse andar por andar. Interrompemos cirurgias – deixando os médicos mafiosos assumirem e salvarem aquelas vidas. Abrimos o cativeiro do sótão – onde havia um amontoado de pessoas. Quebramos as correntes e algemas dos que estavam presos nas paredes... Nada da menina.
No penúltimo andar, no corredor mais escuro, na última porta a direita. Shaline... Encontrei a menina dopada, com o corpo nu sobre uma mesa comprida o bastante para cabê-la inteira, apenas o primeiro corte na linha de seu peito, nada tão fundo assim, escorria a cor de seu sangue muito claro indicando uma possível anemia. Sabia que era ela por sua semelhança com a irmã. Atirei nos dois “cirurgiões” e a munição acabou. Pensei que tinha sido o suficiente, mas havia um homem como segurança ali, ou sei lá o que ele fazia lá...
—Vadia! O que está fazendo? – entendi logo de cara; ele estava desarmado e procurava ganhar tempo.
—Posso te perguntar o mesmo. Por que está aqui junto dessa menina se nem um cirurgião é?
Ele nem precisou me responder. Fora ele que a comprara do bordel e com toda certeza, antes de levava ali, ele havia usufruído de seu corpo ignorando que aquela criança era um ser humano com vontades próprias. Realmente, eu estava no limiar do termo puta.
Ele tentou fugir pela janela... E caiu morto no asfalto logo abaixo. Uma faca enterrada até cabo na nuca do infeliz. Esperava que ele se divertisse profundamente em uma das valas mais profundas do inferno, porque eu não tinha mais forças para rir de sua desgraça; não depois de ver toda aquela crueldade contra seres humanos.
[...]
Eu havia perdido a aula de sexta-feira por conta da viagem. E retornava domingo à tarde. Shaline vinha quieta o caminho quase inteiro, e não posso culpá-la por ficar nervosa.
Depois que levamos todos os resgatados para nossa “sede” improvisada, todos foram examinados, tratados, banhados, vestidos em roupas confortáveis, alimentados. Fizemos suas fichas: nome, idade, os dados médicos obtidos e todos tiveram ou teriam suas histórias gravadas. Shaline ouvira parcialmente minha história com sua irmã enrolada em um roupão fofíssimo, enquanto uma médica fechava aquele corte. Eu saíra primeiro, sendo escoltada por Crio – este muito feliz por voltar à ação – levando Shaline; não sem antes deixar claro que todos ali eram livres e que agora tinham proteção: se quisessem sair dali com os próprios pés ou se quisessem uma vida em algum outro país, teriam nosso auxílio.
Para os mais curiosos e detalhistas: sim, tratamos dos mortos e sim, também tratamos dos órgãos já retirados. Estes foram doados a um hospital, sem custos, sem identificação. Vidas já haviam sido tiradas; podíamos pelo menos salvar outras.
A moça estava profundamente assustada, mas passiva, o que me levava a acreditar que ela deveria ter sofrido muito para chegar naquele ponto de seguir cegamente um estranho. Mas vi seus olhos brilharem toda vez que pronunciava o nome de sua irmã. Pude sentir que ela confiaria em mim ou queria confiar, afinal, havia salvado-a de perder tudo, seja lá o que fora tudo que ela possuía naquele instante. Em Nova Deli, antes de pegarmos nosso vôo, deixei que ela escolhesse um sári e jóias à vontade, disse que não precisava olhar o preço, que era um presente meu; ela só aceitou depois de eu confirmar que tinha mais dinheiro do que podia gastar. Fiquei imensamente feliz quando ela optou por cores fortes e alegres: um lindo e vibrante tom de laranja.
Quando chegamos aos Túneis, não seguimos pelo caminho convencional que daria no Grande Salão, como eu gostava de chamar. Mas sim para outra área da Máfia, num quartinho bem aconchegante, com suíte e mudas de roupa para mim. Shaline seguiu para o banho e vestia as roupas ganhadas enquanto eu seguia para debaixo d’água. Vesti as mesmas roupas que usara na boate naquele especial: a saia imaculadamente branca e o top, nem tão curtinho, naquele tom de índigo, e os saltos finíssimos. Shaline estava linda. Os olhos amendoados carregados de kajal, adornada em jóias douradas e com uma esperança radiante, embora eu ainda visse seu medo.
—Está assustada? – perguntei.
—Eu não sei... Quero confiar em você. Quero muito. Mas já fui enganada antes.
—Não se preocupe. Estamos nos vestindo para celebrar o reencontro entre as irmãs. Você não precisa fazer nada que não queira.
Um pouco mais calma, ela ajudou-me a vestir meu véu quase translúcido e recém comprado em Nova Deli, no tom exato do top, mas em dégradé, chegando ao mesmo tom branco de minha saia, cheio de diamantes tão igualmente sem cor como as pedrinhas que escorriam pela cintura. Parecia que eu havia mandado fazer. Meus cachos caíam soltos logo abaixo ao véu que inclusive me cobria os braços.
Seguimos então de mãos dadas, escoltadas até o salão. Tal como a boate um dia estivera, aquele enorme espaço estava belíssimo, bem decorado, comes e bebes, todos em trajes típicos, a música ao fundo... O mundo pareceu parar quando as irmãs finalmente se prenderam em um abraço forte e quase íntimo demais para os olhares presentes; houve diversos aplausos. A surpresa e a alegria no rosto de Mahati será uma imagem que vai viver comigo para sempre.
Marcos abraçou-me e sorriu minimamente mostrando seu orgulho por mim e por mais uma missão bem sucedida. Então ele girou-me até que eu me visse presa nos braços de Luke, ele que mais me parecia um príncipe indiano todo de branco e prata, os olhos brilhantes só para mim... Ele não disse nada, nem parecia conseguir.
—Você está muito lindo – consegui dizer, um pouco ofegante até, pela proximidade, pelo perfume amadeirado, por toda aquela beleza...
—Acho que você nunca disse algo assim para mim.
—Um elogio? – ri – Se quiser, essa pode ser a última vez.
Ele apertou suavemente minha cintura, a pele nua, exposta... Então me soltou.
—Não existe última vez para nós dois, Lia – fiquei quase abalada com a confiança e a firmeza naquela pequena frase. Porque era naqueles momentos nos quais eu o colocava a prova, porque eram nesses instantes nos quais Luke sempre me parecera, agora mais do que nunca, um mafioso – Alguma coisa errada?
—Um mafioso – sussurrei e continuei devido a indagação em seus olhos – Você me parece um mafioso – a surpresa e alegria dele estavam quase no mesmo patamar que Mahati, com a diferença que Luke se mostrava profundamente orgulhoso – Era isso o que eu teria dito na festa do Grover, mas não consegui e nem poderia.
—Você já... Você já me via como um mafioso?
Eu consegui rever cada uma e todas às vezes nas quais Castellan me lembrara a Máfia, e não eram poucas.
—É engraçado – sorri, aceitando o drinque que ele oferecia – Você se parece com um mafioso, um mafioso genuíno nascido e forjado nos nossos ideais, toda a vez em que me passa confiança, firmeza. Toda a vez em que não sente medo de se impor, de impor aquilo que pensa, sente, acredita. Sinto o mafioso em você sempre que me faz uma promessa, explícita ou não – Luke estava muito mais do que meramente emocionado, havia algo mais intenso e profundo ali naqueles olhos cor de aço – Não consigo entender porquê, mas... Mas são justamente nos momentos em que me sinto mais frágil e distante de mim que você surge com esse olhar tão exclusivo de alguém bem colocado na elite.
—Thalia...
—Eu continuo sem saber o motivo de você ter entrado na minha vida esse ano, e, sim, você fez muitos estragos irreparáveis – eu estava repetindo quase as mesmas palavras que eu dissera na boate, com aquele mesmo traje, mas agora a entonação era diferente – Mas eu estou muito feliz por ter você nesse mundo, Luke.
Acariciei sua bochecha com afeto, seus olhos e os meus estavam brilhantes de lágrimas que nós não derramaríamos, marquei sua bochecha com um beijo singelo e fui cumprimentar minhas amigas.
Ficamos vendo a alegria das meninas, das duas irmãs, fiquei feliz com a comoção que aquela história havia causado na Máfia, nas princesas – também com os mesmos trajes da boate – na elite, em todos. Reuni-me com Marcos tendo Luke logo do outro lado; ele discretamente entrelaçara seus dedos nos meus, apertando-os com carinho e então os soltando. Depois do que poderia ter sido um tempo longo demais, as duas se aproximaram e colocaram-se de joelhos no chão para tocar nos meus pés e nos de Luke.
—Vocês são nossos irmãos agora – disseram muito emocionadas, com muito respeito e admiração olhavam para nós – Nunca vamos poder retribuir.
Mas aquela felicidade, aquele carinho que elas tinham uma com a outra era impagável. Elas jamais saberiam o quanto eu desejava aquele carinho com meus irmãos. Cheguei a pensar em Hefesto, mas logo afastei esses pensamentos. Afastei inclusive a inveja e pude ver o óbvio: estava muito grata por conhecê-las, muito grata por poder ajudá-las, grata por saber que irmãos podem ter uma ligação tão linda assim.
—Já retribuíram.
Meu sorriso e meus olhos lacrimejados lhes deram paz.
Entre perguntas e respostas e risos e músicas, todos foram incluídos, todos se divertiram. Podíamos deixar para falar com seriedade para a manhã seguinte.
[...]
Evidentemente eu tinha que retornar para casa, para a mansão Grace. Não sei de onde tirei energia para dirigir, mas cheguei intacta, porém exausta. Mesmo sendo tarde, Zeus, Hera e o comboio de filhos estavam ali, reunidos na sala, incluindo Dionísio e sua esposa belíssima.
—Ora, ora – Hera havia sido a primeira a me ver – O bom filho a casa torna – comentou com ironia.
Zeus virou-se me olhando com preocupação e raiva. Ignorei as olheiras fundas de Apolo e o rosto tristonho de Hefesto.
—Oi pai – comentei cansada, ajeitando a alça da mochila. Ele notou que eu estava esgotada, percebi isso em seus olhos. Não podia ser mal educada, não com Ariadne ali; acenei para os demais, não me incomodando com a madrasta má.
—Seu irmão disse – prendi a respiração discretamente e estava pronta para fuzilar Hefesto – que foi ajudar uma amiga. Verdade?
—Sim.
—Não foi se encontrar com nenhum namoradinho? Com Castellan?
Sorri de sua preocupação; quase parecia uma situação típica de uma família normal. Eu sabia que Ares tinha investigado Luke durante esses três dias de sumiço, Luke também havia confirmado esse fato; meu boy-magia negara, mas meu paizinho queria uma confirmação.
—Não, papai – não havia ironia na minha voz quando o chamei de papai e o sorriso também não era agressivo. Era a primeira vez em messes ou anos que eu estava “confortável’ na presença do meu pai biológico.
Zeus também sentiu a diferença; não só ele como todos os presentes. Ele estava desconcertado com minha atitude, mas... Mas eu não podia evitar estar contente. As irmãs estavam reunidas, Marcos me recebera bem e Luke... Estava realmente muito grata por tudo que havia acontecido, muito satisfeita... Não conseguiria nem se quisesse ser grossa com aquela família de aparência impecável.
—Você deve estar cansada – assenti lentamente – Então, vá dormir. Conversaremos amanhã de manhã.
-Boa noite – desejei olhando para todos; enquanto seguia para meu quarto mantive os olhos fixos em Hefesto e ele manteve os olhos fixos nos meus. Ele pareça pedir perdão... E eu não sabia como reagir.
À noite, demorei muito para conseguir dormir, mas fingi. Alguém entrara em meus aposentos e se sentara ao meu lado, uma mão grande de pele grossa me acariciou o rosto por muito tempo, até que eu finalmente adormecesse; não sem antes ouvi-lo murmurar “boa noite, minha querida”.
Por que ele não podia ser gentil e amável de manhã? Na frente de todos? Por que eu sempre seria a última mulher a ter importância em sua vida?
Pela manhã, depois de um bom banho e de vestir o uniforme, dispensei a maquiagem vendo que meu rosto ainda tinha o traço resplandecente de uma profunda alegria. Estava tranquila, penteando os cabelos, mecha por mecha, quando bateram na porta.
—Permiso? – era a voz de Hefesto; por que raios ele estava falando em espanhol?
—Adelante – comuniquei no mesmo idioma.
—Lia... Eu queria... – voltou a falar em inglês.
—Obrigada – disse sem expressão – Por acalmá-lo.
—Então estamos bem?
—Não. Voltamos a ser indiferentes – deixei a escova sobre a penteadeira e saí do quarto deixando-o chateado.
Na mesa sentei-me ao lado de Zeus depois dele indicar que eu me sentasse ali ao seu lado, de frete para a megera. Serviu meu copo de suco e passou o prato cheio de ovos, bacon e muito mais. Tentei não pensar na noite passada, mas ele estava tendo um cuidado a mais comigo...
—Quinta à noite, Hefesto comunicou que você queria fazer uma viagem de longa distância e que pedira a companhia dele. Por que fez isso?
—Não queria que você se preocupasse.
A resposta chocou-o.
—Mas ele negou e você foi assim mesmo. Sua resposta não parece muito cabível – ele contra-atacou.
—Uma amiga precisava de ajuda, papai, eu não queria perturbá-lo, mas ajudá-la era meu único objetivo. Não foi uma pirraça adolescente nem nada do tipo.
—Não? E como posso confiar nas suas respostas?
—Não posso fazer nada quanto a isso. Você acredita no que quiser acreditar – levei o garfo à boca – É triste não termos confiança um no outro, mas é tarde demais para tentarmos mudar esse fato.
—O que quer dizer com isso?
—Muitas coisas nos separam. Existe um abismo enorme entre os Grace e você continua sendo o mais distante de mim.
—Thalia, isso...
—Não foi uma crítica. Foi uma constatação, apenas.
—Não vejo como isso...
—Não importa – sussurrei voltando a me sentir melancólica; “boa noite, minha querida” por quê?
Milagrosamente Hera estava quieta...
—Começou finalmente o teatrinho – falei cedo demais— Vamos, querida, continue a se fazer de vítima; estava parecidíssima com sua mãe.
Não estava preparada para respondê-la, mas não precisei. Um empregado entrou e anunciou um visitante: lá estava Luke sussurrando “licença” com um sorriso pequeno e muito lindo. Trazia um capacete em mãos e eu sabia que aquele era um extra, que era para mim. Ele viera me salvar do enorme castelo, do enorme dragão que era meu sobrenome.
Meu sorriso foi inevitável e eu não me lembrava de mais nada. Pude sentir meus olhos faiscarem.
—O que faz aqui? – Zeus foi bem ríspido; Luke não perdeu a postura.
—Vim buscar sua filha – comunicou desviando seus olhos novamente para mim.
Zeus ia soltar outra resposta grossa quando um braço envolveu os ombros de Luke. Hefesto estava ali cumprimentando-o e colocando o capacete sobre a mesinha da sala.
—Vamos, sente, rapaz – dizia meu irmão – Tome café conosco.
—Não, não precisa se incomodar – Luke dizia meio perdido com a inesperada cortesia.
—Não é incomodo nenhum. Thalia adoraria sua presença. Só por isso, já é um gosto para nós.
Eu só sabia sorrir, não aquele sorriso enorme, mas um pequeno e muito feliz, muito satisfeito. Luke deixou-se ser guiado por meu irmão e acabou sentado ao meu lado, Teresa gentilmente colocou um prato na frente de Luke, sorrindo para ele como sorria para mim. Hefesto ainda conduzia uma conversa com Luke sobre motos e motores. Apolo, que chegou depois, tinha a expressão fechada para Luke. Ares queria revistá-lo e interrogá-lo, mas Hefesto novamente interveio.
Na sala de estar esperávamos que Teresa retornasse com minha jaqueta; meu pai e irmãos ali assistindo o cavalheirismo, a gentileza do adolescente que me ajudava a vestir a jaqueta, ignorando os olhares rancorosos de Hera. Realmente aquela mulher tinha um brilho estranho nos olhos, algo como ciúmes... Mas eu não conseguia me importar, não mais.
Antes de sair, beijei o rosto de Hefesto e agradeci pelo que havia feito por mim e por Luke. Assim que a mansão sumiu da minha vista, já bem agarrada ao meu boy magia, tive certeza de que meus novos planos seriam dolorosos para dois irmãos. Ares e Hefesto que me aguardassem. Nem seria difícil, afinal, tinham o mesmo ponto fraco.
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