Gimme More

26 Capítulo 23


Notas iniciais
Carnaval seria uma verdadeira perda de tempo se não fosse pela semana maravilhosa de folga da escola, não? Fiquei muito feliz pelo cap passado; nenhuma leitora se incomodou com o ambiente religioso, pelo contrario, gostaram bastante da ideia... Simplesmente consigo respirar agora! Enfim, preparativos para Hera e Zeus e mais um novo submisso a Lia... Hehehehehe, té mais:

Capítulo vinte e três –

Katie não respondia, tive de arrombar sua porta com um grampo. Ela chorava descontroladamente, o rosto escondido contra um travesseiro. Eu abracei seu corpo e ela chorou ainda mais; era óbvio que ela precisava de ajuda feminina, nesse ponto precisava da mãe, mas como a mãe não era algo nem acessível nem compreensivo eu era tudo o que ela tinha.

–Por quê? Por quê? Ele dizia que me amava e... – ela fungou e se aconchegou em meu ombro; dez minutos de conforto e seu celular tocou. Ela gelou; era Travies. – O que eu faço?

–Não atenda.

–Mas... – ela sacudiu a cabeça e rejeitou a ligação; dois segundos depois ele ligava de novo; Katie rejeitou novamente. E repetiram o ciclo sete vezes até ele chamá-la no chat – Lia?

–Termine com ele; Travies não merece você – ela digitou rápido, depois tirou a bateria do celular e o jogou longe.

–Isso dói muito – ela gemeu apertando uma mão no peito; apertei mais meu abraço ao redor de seus ombros. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, o rosto manchado de maquiagem, os cabelos já emaranhados.

–Você precisa de um banho, meu bem – tirei as roupas dela e as minhas ficando apenas com a calcinha e o sutiã. Dei um bom banho nela enquanto a coitada não parava de desperdiçar lágrimas. Vesti-a com um dos pijamas que encontrei e a coloquei na cama; disse que ia colocar uma roupa e já voltava. Pegando minhas coisas saí do quarto dela e fui para o meu. Secava-me em uma toalha felpuda quando meu celular tocou, nem me importei em ver quem era.

–Funcionou? – a voz da ruivinha sensual ultrapassou o aparelho.

–Minha priminha esta inconsolável. Connor gostou da brincadeira?

–Sim; claro eu não deixo as coisas pela metade, tivemos que terminar o serviço – eu ri – Ele parece ter gostado de separar o irmão e sua priminha. Quando eu disse com quem ele estava saindo Connor ficou louco de preocupação com você.

–Que fofo. Eu já tinha falado, mas acho que você expôs de uma forma bem mais dramática.

–Claro! Sem drama não sou eu.

–Katie está inconsolável. Acho que vou ter que arranjar um encontro para ela ver se melhora, mas não acho que vá resolver alguma coisa. – havia outra ligação e essa eu sabia bem quem era – Rachel, é o Travies.

–Ai migs, conte tudo depois, tchau.

–Tchau – respirei fundo e disse – O que quer?

–Está feliz?

–Muito.

–Como você pode ser tão...

–Tão o que Travies? Seja bem claro. – minha voz parecia lixa.

–O que você fez?

Ri com escárnio.

–Eu não precisei fazer nada. Você estragou tudo sozinho – meu tom era bem maldoso; eu já tinha falado com meus dois cúmplices e obviamente Marcos sabia dos meus planos e concordava que os dois deviam ser separados – Ela viu você agarrando outra. Não foi apenas um beijo meu querido, era quase o mesmo desejo que outra noite, se lembra? Quando você trancou a porta do meu quarto e me fodeu junto de seu irmão.

–Não! Eu não...

–Ah, mas ela viu você e eu também vi... A menos que exista outro individuo igualzinho a você – fui conduzindo meu jogo e podia senti-lo tremer de raiva e dor do outro lado da linha; inclinei minha cabeça prendendo o telefone entre minha orelha e o ombro e entrei no closet procurando algo fácil de vestir.

–Connor... Não era eu e...

–Bem feito, Travies. Quem mandou nunca contar sobre o irmão gêmeo? Agora minha prima está chorando por culpa de um ordinário como você. Fique longe dela.

–Não posso... Lia, você não compreende.

–Deus! – praguejei – Você não compreende: fique longe dela. Vá foder outras garotas; peça a Adrian um passe livre para a Boate e se divirta, mas esqueça a Katie. Ela não é para você.

[...]

Acabou que eu adormeci ao lado de Katie. Quando abri os olhos já era noite e meus irmãos nos olhavam com alivio e interesse. A menina ainda dormia.

–O que foi? – perguntei baixinho e sufocando um bocejo. Hermes me levantou e me deu seu casaco; estava frio e a janela estava aberta. Dionísio fechou-a vendo Katie tremer.

–Vem; vamos deixar a Katie dormir e conversamos lá fora – a voz era de Hefesto. Hermes me levou para fora, abraçando-me o corpo. Bocejei de novo.

–O que aconteceu?

–Pensamos que você tinha sido levada de novo ou algo pior – Apolo tinha alivio em todo o seu rosto e não apenas nos olhos – Você não atendia o celular e temíamos por você e por Katie.

–O que aconteceu com vocês duas? – Ares disse de forma bruta.

–É complicado. – os olhos deles me forçavam a dizer mais – Não posso contar, diz respeito somente a ela.

–E como você sabe?

–É coisa de menina, além disso, ela precisava de conforto.

Fomos todos para a sala de jantar saborear a comida maravilhosa que nossas funcionárias prepararam; cada uma das moças e mulheres que passavam nos servindo tinham o cuidado de me oferecer o melhor de tudo; meu prato era o mais saboroso de todos ali.

–O que aconteceu, Lia? Hera não está em casa e...

–A bruxa má agrediu nossas funcionárias sem qualquer motivo ou prova. Deixei bem claro que isso não iria acontecer de novo. Obrigada – virei sorrindo para a mulher que acabara de colocar o melhor pedaço de costela no meu prato. O sorriso dela era tão grato que eu me senti importante nessa casa, mas pelo motivo certo.

Estava tudo ótimo até ouvirmos a voz de Zeus, mas a voz dele não era a única. Outro homem chegou acompanhado dele. Eu o conhecia bem: era Atlas o pai de uma das vadias do colégio, a Calypson até onde eu sabia a menina tinha uma meio-irmã igualmente detestável: Zoe. Graças aos céus essa última estava em alguma viagem educacional pelo extremo norte da Alemanha. Meu paizinho ficou bem constrangido, afinal, seus filhos estavam todos de pijamas jantando sem ele. Atlas tentava não olhar para o decote da minha camisola, mas ele gostava do que via. Além de ser o paizinho desprezível de uma menina desprezível, ele era um general tremendamente devoto e fiel a Ares... Tão fiel que gostava de ajudar a Máfia anonimamente, mas era meu trabalho saber tudo. Ele não sabia nada sobre mim, mas eu sabia muito sobre ele... Dei um sorriso contido.

–Podia ter avisado que viria jantar, pai – Hermes comunicou tentando aliviar o silencio.

–E que traria visitas; assim não estaríamos tão desleixados – Dionísio continuou com sua voz naturalmente ríspida. Ares foi o único que se levantou para cumprimentar o amigo. Arrumei a blusa que me cobria os braços, mas não a fechei; amava ver a situação constrangedora ao qual aqueles homens se encontravam.

[...]

Fui à escola e voltei e Katie ainda não tinha saído do quarto. Pedi que duas empregadas ficassem atentas aos movimentos dela e que minha prima estava fragilizada com um acontecimento. Peguei meu cãozinho e fui para a Máfia. Havia decidido com Marcos e com outros que seria muito bom que meu cachorrinho recebesse os devidos treinamentos para ser meu cão de guarda.

–Senhorita – um dos homens chamou-me depois que eu deixei Moonbean sobre os cuidados de um adestrador de confiança – O senhor Nakamura se encontra vitorioso: passou no seu teste.

–Que ótimo! Quero vê-lo – fui levada a uma sala clara estilo ala hospitalar. Meu homenzinho estava lá quase encolhido com uma bola de algodão sobre o buraco onde antes estivera seu olho.

–Senhorita – nosso cirurgião me fez uma reverencia e me entregou um saquinho com uma “bola” dentro; comecei a desfazer os nós que o fechavam – Quer mesmo ver isso?

–É sempre bom conferir o que recebemos. – e lá dentro um adorável globo ocular de íris bastante escuras.

–Sim, claro... Não quis ofender.

–De forma alguma – olhei para Nakamura – Como se sente? Já aprendeu a lição?

–Não devo desrespeitá-la jamais. Para cada insolência há um preço.

–E então... – seu lindo olinho cintilou em admiração por mim quase oculta por uma onda de orgulho próprio.

–Devo agradecê-la por ensinar-me a lição. É um prazer servi-la. Vou honrá-la, protegê-la e reparar meu erro. Quando for aceito, suplico-lhe que me dê à honra e o prazer de ser seu fiel ajudante.

Sorri vendo sua submissão; era tão lindo e prazeroso ver outros tão dependentes e... Estava ficando bem animadinha com isso tudo.

–Muito bom Nakamura. Passou pela primeira parte com sucesso e me atrevo a dizer que será um bom mafioso.

Deixei o meu mais novo submisso, pois tinha coisa melhor a fazer: as meninas se encontravam a minha espera em um salão vazio. Fomos para os vestiários e nos cobrimos com o manto da noite. Era um banco a nossa frente, estava cheio de gente e a fiscalização policial não era das melhores, observei de cara e tenho certeza que elas também. Apenas nós cinco, entramos e rendemos todos, não havia um ser de pé que não fosse o refém gerente do lugar que levava Annabeth até o cofre. Clarisse fazia nossa defesa enquanto as outras duas ameaçávamos os seguranças que resistiam, atirei em cada câmera, mesmo sabendo que nossos amigos haviam desativado-as. Três homens caíram gravemente feridos depois que Annie e voltou com um enorme saco... As luzes se apagaram transformando tudo em negro e voltaram a se acender. Do outro lado do vidro que nos prendia Marcos e mais uns dois controlavam a nossa simulação. O sorriso dele era tudo o que eu poderia querer; havíamos passado no este. Logo seria real... E não falharíamos.

[...]

Estava organizando o fim de Hera pegando tudo o que meu tão adorado Ramiro tinha para mim. Estava tão animada que meu coração quase não cabia em seu devido lugar, ainda tinha que separar minha roupa para a festinha de Grover. A mansão estava com apenas parte dos seus moradores e a bruxa má ainda não havia voltado com a sua vassoura do oeste, mas eu sabia que ela voltaria; tinha meus contatos, sabia onde estava e quando retornaria; naquela noite estava me preparando para fazê-la sofrer.

Entrei outra vez no quarto do “casal” e fiz meu trabalho: com luvas de plástico e o cabelo bem preso, eu não deixaria marcas minhas. Colei fotos nas paredes, preenchi a cama com outras, colei nos vidros da janela, dei meu jeito e coloquei até no lustre. Sobre a escrivaninha passei o vídeo para o notebook dele e programei para começar a rodar apenas minutos antes de ela entrar em casa. Sabia que eu poderia estar causando uma guerra, mas ela era merecida.

Voltei para o meu quarto para me arrumar: a blusa de tricô branco era toda transparente, deixando meu sutiã bem a mostra, short jeans surrado e curtinho e botas (de cano curto e sem saltos) de couro marrom. A graça dessa produção quase sem graça eram os acessórios: o meu favorito era o brinco gigante de penas, usava um colar com penas também, o cordão bem rústico; ainda alguns anéis e pulseiras. Fechei com um chapéu de tom igual ao das botas. Na bolsa levava um casaco preto, afinal, ia esfriar durante a noite e a ideia era dormir lá sem “confortos”. Fora isso o básico, o que logicamente incluía uma arma.

Sai do quarto me vendo linda, os cabelos entre o cacheado e o ondulado me deixavam ainda mais sexy e misteriosa. Olhei para outra porta e abri-a com receio. Katie continuava deprimida e encolhida na cama.

–Meu bem – chamei-a, ela se limitou a erguer os olhos – Vou a uma festa hippie e pensei que você podia vir comigo.

–Obrigada, mas...

–Katie, você não sai do quarto há muito tempo e se recusa a comer. Talvez uma festa te caísse bem. E só vai o pessoal da escola.

Não consegui convencê-la. Desci encontrando Teresa e outra moça com uma bandeja com suco e bolachas. Elas me sorriram como se garantissem que minha prima fosse comer, mas eu duvidava. Não estava nem um pouco convencida de que ela comeria, duvidava que a menina se dignasse a abrir a porta. Em frente à porta Dionísio me olhava com seu natural descaso.

–Pronto?

–Para que? – ele revirou os olhos displicentemente. Coloquei as mãos na cintura e assumi uma postura de impaciência e liderança na qual eu me saia melhor que meus irmãos.

–Você prometeu ao pai que me levaria até a escola onde estarão esperando o pessoal da festa. Acho bom que não tenha esquecido e que esse seja apenas mais dos seus casos de loucura.

Resmungando ele pegou a chave do carro. No caminho tentou conversar sobre o casamento sobre o tema das bebidas: ele ainda não estava convencido de que eu podia beber. Fui pela saída clássica: tinha 16 anos, não era mais criança e estava em uma fase em que precisava experimentar para saber o certo do errado e que preferia fazer isso aos olhos da minha família e não às escondidas. Meu discurso foi tão comovente que ele milagrosamente se calou e finalmente chegamos a frente ao colégio. Já tinha bastante gente, mas ainda faltavam alguns. Beijei a bochecha de meu irmão e me despedi.

–Finalmente! Achei que você não ia chegar! – Bianca me cumprimentou primeiro, do nosso “grupinho” faltava apenas Annabeth – Tenho que te contar uma coisa – e me afastou um pouquinho dos outros – Meu irmãozinho anda suspirando muito o seu nome, sabia?

–Não. – fiquei surpresa; realmente não esperava isso. Havia deixado bem claro minha situação para ele e que não teríamos nada. Sexo apenas como amigos e nada mais.

Ela sorriu maliciosamente.

–Acho que ele está se apaixonando...

–Meu deus! – droga Di Angelo! – Não posso acreditar – passei a mão no rosto tomando o cuidado de não estragar a minha produção.

–Mas eu não entendo. Depois daquele dia na escola... Já faz meses...

–Ai Bia, não faz tanto tempo que eu tirei a virgindade do seu irmãozinho, mas ele tinha entendido que era isso e nada mais.

Sua boca abriu.

–Não acredito! – e então fez biquinho – Pensei que eu seria a primeira dele.

Gargalhei; um som suavemente sensual que atraiu alguns olhares.

–Chegou tarde meu bem.

–Suponho que terei que me contentar em me divertir com ele sem o fator surpresa – ela me abraçou de lado e voltamos para as outras. Annabeth chegou junto a um garoto que eu nunca tinha visto antes, beijou-o como se não houvesse ninguém observando (e tinham muitos), um beijo muito provocativo e desceu do carro. Os anfitriões da festa chegaram minutos depois em um ônibus possivelmente alugado. Grover estava bem lúcido dessa vez e mantivemos uma conversa animada e agradável. Perseu tentava conversar com uma Annie dedicada a falar com Rachel, Chris falava com uma Clarisse que não ouvia absolutamente nada e que só fazia observar a janela e Bianca e eu falávamos sobre Nico os atributos e os defeitos. Deixei claro que por ele ser bem tímido ela não teria problemas em fingir que era a primeira vez dele ou algo do tipo. Pelo canto dos olhos podia ver claramente Kelli e Luke juntos: ela desesperada por um beijo e ele virando o rosto.

Muito estranho.

Para a surpresa de todos nós, o mini ônibus saiu da cidade e não parou em nenhuma chácara, fazenda ou algo assim. Afastamo-nos bem da barulhenta NY e fomos parar em um bosque ou algo assim. Sem qualquer fiscalização, sem responsáveis legais, um espaço amplo e aberto, diversos adolescentes... Era perfeito.

Júniper e seu namorado guiaram a todos por entre as árvores até chegarmos a uma adorável clareira recoberta de bexigas, muitas estouradas já no chão e outras estourando por culpa de galhos ou folhas secas; Tammi pulou de susto. Bebezinho. Não sei bem como, mas espalhados pelo lugar diversos tipos de rádios portáteis ou sabe deus como aquilo chamava.

–Galera – Grover chamou enquanto andava por entre as bexigas e tirava de trás de uma moita uma garrafa de tequila – Cada um por sua conta!

Os gritos de alegria foram gerais e muitos saíram pela “caçada as bebidas e drogas”, alguém fez o favor de ligar a música e inexplicavelmente o som era alto. Clarisse e eu corremos para o meio das bexigas, dançando enquanto as jogávamos para cima. Meu humor estava excelente devido à surpresinha que eu sabia que Hera ia encontrar. A grande maioria bebia e fumava sem pudores, nós cinco apenas bebíamos: claro que todos sabem que “traficantes” não usam drogas; não era diferente para nós.

Faltava ainda meia hora para o pôr do sol e já tinha dois ou três desmaiados. Podia ver Luke e Kelli em um beijo do tipo “desentupidor de pia”, Clarisse e Bianca carregando Rachel e Annabeth nas costas e Perseu vomitando, depois de ter beijado Tammi; não posso negar que gargalhei perante isso. Dei as costas aquela baderna e me afastei rumo a oeste andando sem rumo apenas pensando. Sentia-me estranha de um jeito ruim. Não era o álcool, pois eu bebera bem pouco e não havia fumado nada. Talvez fosse a ansiedade para ver o sofrimento do meu “pai e madrasta”. Sim, estava inegavelmente ansiosa, mas não era isso que me fazia sentir desconforto.

O sol praticamente sumiu quando ouvi passos atrás de mim; alguém me seguia. Parei de andar sem me importar se era ou não um alvo fácil, afinal, eu tinha meus meios de me defender mesmo sem minha arma esquecida no fundo da bolsa jogada próxima a uma árvore frondosa. Não demorou em que eu sentisse um corpo perto do meu, mesmo que não me tocasse eu sabia quem era.

–Não se cansa de me perseguir?

–Nunca. Ainda preciso que me dê uma explicação. – era notável sua embriaguez apenas pela voz, sua raiva e sua carência refletidas e misturadas as drogas de Grover.

–Não te devo nada, Solace.

–Me abandonou sem qualquer explicação.

–Você queria ficar. Eu queria ficar. Ficamos. E a vontade passou. Ponto. – disse devagar e dando ênfase nas pausas; Will não gostou da resposta.

–Vai ser minha. Vai sim! – ele tentou me esbofetear, mas sem sucesso: segurei-lhe o pulso pressionado os dois ossinhos até que ele gemesse. Com a outra mão ele tentou de novo, mas simplesmente inclinei a cabeça para trás e apertei mais meus dedos em seu pulso. Quando dei por mim sua mão estava ficando arroxeada devido o impedimento da circulação do sangue, mas nem por isso o soltei. Will ainda gemendo foi “caindo”, se colocando de joelhos, o rosto contorcido em uma expressão de dor. Soquei-lhe o nariz e soltei seu punho deixando com que caísse e batesse a cabeça na terra coberta por folhas. A perda de sangue (pelo nariz) e o uso exagerado de drogas causaram nele um desmaio, mas (infelizmente) quando acordasse estaria bem.

–Meu deus! – a voz era pura surpresa; rangi os dentes para conter a expressão de surpresa e desagrado como quando uma criança é pega no meio de uma nova travessura – Isso foi incrível!

–Que droga Luke! O que faz aqui? Você não devia estar aqui!

–Você também não. – ele se aproximou ignorando o moribundo – Preciso das respostas e preciso já!

–Não tenho nada...

–Te chamaram de princesa. Você estava dançando em... Você sabe. E agora isso? Duvido que tenha sido sequestrada. – sua expressão era dura.

–Eu já te disse: eles me permitiram dançar apenas para que eu não me entediasse; também devia ser para me manter longe enquanto eles negociavam o resgate com meu pai. – disse fria e com desprezo perante sua inesperada ousadia – Se me chamaram de princesa é por que eu sou a única Grace.

Ele refletiu por alguns instantes; sua expressão dura e ousada começava a dar espaço para vergonha e compreensão, porém tudo mudou drasticamente.

–E como explica o estado do vagabundo?

Sorri com escárnio.

–Eu fui sequestrada estúpido! Meu irmão é o melhor que as forças armadas têm: ele me ensinou alguns truques de defesa pessoal para que tivesse tempo de conseguir ligar para ele em uma emergência.

–Por que então eu não consigo acreditar em você mesmo fazendo sentido? – o sussurro me arrepiou toda.

O silêncio pesava entre nós eu quase não percebi o instante em que ele estava frente a mim; milímetros nos separavam. Por reflexo entreabri os lábios e passei a respirar de forma um tanto ofegante; ele se encontrava do mesmo modo. Era uma sensação esquisita e nova que dançava por todo o meu corpo, meu peito gritava por um tipo diferente de ar e meu coração parecia eletrizado...

Notas finais
Tenho quase certeza de que, daqui em diante os caps ficaram em um nível de drama altíssimo!