Gift Of A Friend
1 "You're not alone..."
Notas iniciais
A preocupação tinha afligido Freddieward durante todo o dia. Mensagens não respondidas, ligações não atendidas... Onde diabos sua namorada havia se enfiado? Ela não veio à escola e nem estava em casa. Ele ficou todo o dia sem vê-la, e até mesmo havia incomodado Carly Shay na Itália perguntando por noticias da loira. A morena desesperou-se ao saber do sumiço, mas sabendo quem sua amiga era, sabia que ela apareceria logo. Talvez só quisesse ficar sozinha.
- Maldição... Jogou a mochila no sofá depois de xingar e logo recebeu um tapa bem na orelha vindo de sua mãe. Ela falou pouco sobre o assunto, nem mesmo reparando na aflição de seu filho. O atraso para seu trabalho a distraia, e ela saiu corrida depois de dar as ultimas recomendações sobre não abrir a porta para estranhos ou sair do apartamento até que ela voltasse, finalmente deixando o garoto sozinho.
Ele tinha tanto sono, fome e coisas para estudar... Mas não saber onde Sam havia estado o dia todo estava começando a deixa-lo maluco. Ele pensava até mesmo em chamar a policia, quem liga se estava sendo exagerado? Ele não ligava. E estava prestes a fazer isso, quando a campainha tocou. “Não abra a porta para ninguém, nem mesmo o Spencer!” Escutava a voz nervosa de sua mãe repetir. E nessas horas, ele agradecia por ter o olho mágico. A primeira olhada lhe fez abrir a porta mais rápido do que Samantha abria um pacote de bacon.
Sim, era ela. Molhada dos pés a cabeça pela chuva que caia agora pela noite, o rosto vermelho e tenso. Queria chacoalhar os ombros dela, perguntar que direitos ela tinha de fazer aquilo com ele. Mas antes que ele pudesse ter alguma atitude sobre tudo, ela jogou-se em seus braços, deixando-o perceber que não só seu corpo estava molhado, mas também seus olhos, e não era pela água da chuva. Ela tremia, mas não era de frio. Respirava alto, mas não era pelo cansaço da caminhada até a casa do moreno. Sam estava chorando e sendo fraca junto a ele pela primeira vez em seu relacionamento com ela. Só conseguia abraça-lá, afagar sua cabeça e sussurrar alguns “tudo bem, tudo bem...” enquanto tentava entender porque sua pequena chorava tanto.
- Ela morreu, Freddie... Soltou-se dele, passando as mãos nos olhos e levantando o rosto quando ele tocou seu queixo.
- Quem morreu, meu anjo?
Sam abaixou o rosto e chorou outra vez, e aquilo lhe partia o coração. Ele a pegou pelas mãos e a trouxe para dentro, sentando-a no sofá enquanto pegava alguns cobertores e um chocolate quente que tinha acabado de fazer, mas a garota recusou.
- A Mia morreu... Ontem de madrugada. Disse, depois de quase quinze minutos em silencio.
Mia era a gatinha que Sam criava desde muito pequena. Era a companheira, a amiga e parceira de comilança. Aquele pequeno animalzinho importava muito à garota, e Freddie sabia disso. Sabia da importância que ela tinha para Sam. E sabia que nada que ele fizesse ou dissesse substituiria a dor que ela estava sentindo agora.
- O que... Como aconteceu?
- Bom... Ela estava muito velha e... Tinha alguns problemas de saúde. Simplesmente aconteceu. Eu vi suas ligações e mensagens, mas eu queria ficar sozinha e...
- Eu entendo, Sam. Segurou sua mão e ela encostou-se em seu peito, abraçando-o e derramando alguns lágrimas em silencio. Ela só precisava ficar ali, quietinha, junto a seu namorado, mesmo que em silencio, e ele respeitava isso. Um longo tempo se seguiu enquanto Freddieward pensava em algo que pudesse dizer para acalmar sua melancolia. – Sammy...
- Eu não quero conversar...
- Por favor... Ela arrumou-se para longe dele, sentando a seu lado no sofá, e ele pegou suas mãos carinhosamente, fazendo-a olhar para ele. Os olhos azuis dela brilhavam em lagrimas transparentes, que começavam no canto dos olhos e lhe corriam da bochecha até o queixo. Ele as secava cuidadosamente, mas elas pareciam não ter fim. – Sei que não quer conversar, mas... Minha mãe costumava me dizer que nós somos presentes de Deus. Ele nos cria, e presenteia nossos pais com a alegria de serem nossos guardiões. A Mia não teve uma mãe... Você a achou. Você é a mãe dela. Foi você que a cuidou, alimentou e deu amor. Mas inicialmente, ela sempre foi de Deus. O tempo que ela passou com você foi o tempo suficiente para fazê-la forte. Para que ela conhecesse a felicidade de ter uma mãe que realmente a amasse. E então, Deus precisou dela outra vez. Ele também sentiu falta dela. A Mia foi um presente único e será sempre sua. Você salvou a vida dela. Não sinta como se você nunca tivesse feito nada por ela, porque sem sua atenção e paciência, ela nunca teria sido feliz e tão amada por outro alguém. Deus escolheu você, e apenas você para ama-lá. E você é especial por isso... Tá?
Ela acenou positivamente e mordeu os lábios, abraçando-o com amor enquanto ele estalava beijinhos em seu ombro.
- Sinto falta dela...
- Eu sei que sente, Pucks. Mas um dia você a verá outra vez. Se o presente era seu, ele sempre será seu. Talvez Deus tenha tido piedade pelas dores e dificuldades que ela estava sentindo. E por isso, a guardou até que vocês se encontrassem outra vez. Você fez algo que apenas você poderia fazer. Cuidar dela.
- Acha que ela ficará bem?
- Com certeza, ela está bem. Ela nunca estaria bem agora se você não a tivesse amado antes.
Samantha deixou um pequeno sorriso curvar seus lábios. Ainda triste, porém acalentada pelas doces palavras de seu amor. Aquilo lhe fez refletir sobre como nossa vida é passageira aqui na terra, mas eterna no reino dos Céus. Mia estava em segurança, e Sam continuava a jogar o tão complexo jogo da vida. Às vezes seria extremamente difícil. Ela perderia pessoas e animais queridos... Se magoaria. Mas observou que assim como Mia, Freddie, Spencer, Carly, Gibby e muitos outros eram presentes para ela. E sentiu que era o mesmo para todos eles. Aquilo a fez sentir especial. A fez sentir como Mia deveria se sentir sobre ela. Ela havia dado amor e afeto a sua gatinha assim como seu namorado a estava dando agora. No fim das contas, éramos todos presentes de Deus, uns aos outros. E estávamos aqui para ajudar uns aos outros com as adversidades da vida. Ele determinava o tempo que ficaríamos aqui, porque todos nós temos uma missão a ser cumprida, e a de Mia foi devolver algo tão precioso a Sam, e tão inocente. O amor. E mesmo que viesse de alguém tão pequeno, conseguia ser algo tão grande a ponto de amolecer o coração da garota e deixa-la dar o braço a torcer de vez em quando. Ela havia sido o único presente de Mia, enquanto tinha mais alguns que continuaram cuidando dela. Ela havia sido única para aquele animalzinho. E isso, mas ninguém poderia ter feito.
Freddie a fazia se sentir um pouco melhor, mesmo que com suas piadas horríveis e sua desafinação quanto cantarolava para ela. Também era um de seus presentes, e ela o amaria mesmo com todos os seus defeitos... Assim como Mia a amou. Sem julgamentos. E ela foi a prova de que as grandes lições, vem dos que menos pretendem nos ensinar aos que mais têm que aprender.
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