Gift
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
“O amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro”. Nada lhe parecia mais certo, quando era uma pessoa com tão poucos contatos e necessidade de ocultar a fragilidade que carregava.
Dessa forma, fazia o que era possível e impossível para fazer as pessoas ao seu redor felizes, criar um status quo, em que estaria guardada para ela a tarefa de ser a irmã mais velha que todos poderiam depender.
Por gosto, uma vez que nunca tinha tido irmãos e, apesar dos amigos que tinha, antes de tudo, cuidar de outra pessoa lhe parecia uma boa visão; por necessidade, pois havia aquele medo interior daquele abandono certo. Porque ela tinha pensando nela, apenas nela, naquele acidente o que terminou em apenas sua sobrevivência. Isso era um peso que lhe fazia sentir desmerecedora.
Caso não fosse por aquelas garotas, que conheceu por um acaso de destino, provavelmente a morte lenta diária seria mais avassaladora. Era, pelo menos, mais oculto, sutil. Ela não poderia negar que “a mocidade é inimiga de si mesma”, em sua luta interminável contra pensamentos. Invariavelmente refletia a respeito disso durante o dia, quando tinha a visão da pressa nelas e a extravagância no mostrar de seus sentimentos.
Se via em suas amigas, em seus erros, tanto, ainda que a colocassem em um pedestal. Não poderia julgá-las, quando montou essa imagem para o próprio reflexo, escondendo-se por traz de uma muralha de vidro em que seus contornos se moldam incertos.
Perto de perfeita, se presumiria, mas, no fim, eram todas crianças diante daquele mal amplo que podia ser o mundo, quando parecem estar “gastas todas as palavras de ouro”.
“Firme, firme, coração”, algo que repetia para si em dias, semanas, meses, anos como eterna veterana de seu grupo de amigas, mas, seriamente, preferia por poupá-las daquelas observações.
Contudo, Akemi Homura era diferente, mais por ser uma intrometida do que pela habilidade de Mami de ser mais honesta. Sabia desde que tinham se conhecido, mas, como tudo de mal e erro, Mami guardou essas ideias que a perturbavam, lhe faziam perder a cabeça. “De bem para melhor, de mal para pior”, ela via o peso da presença, do olhar daquela menina que acabava com o status quo que desenhava com alguns borrões na margem.
Homura fazia aquelas observações afiadas, que faziam de seu espelho estilhaços que a feriam, a verdade doendo mais do que qualquer ferimento de arma. Homura via através dela, a confrontava, e realmente não esperava nenhum resultado próspero daqueles embates entre as duas.
— Ah, mas Mami-san, tenho certeza que se você deixar ela se explicar, coisas boas podem vir a acontecer! — Madoka, em seu eterno otimismo, lhe disse com aquele sorriso mais doce do que qualquer açúcar.
Mami suspirou para a amiga, procurando palavras que ela esperaria de seu espelho, já mais que rachado. Depois, em certa desistência, a veterana apenas teve o cuidado de dizer aquelas palavras, como uma prece:
— Espero que sim.
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“Estes amores-perfeitos são para o pensamento” Mami girava uma das flores roxas do buquê que tinha recebido em uma das mãos, e repetindo aquele encontro em um loop em sua cabeça para decifrar aquela situação que se apresentava diante dela.
A garota de cabelos dourados deu apenas uma pequena risada.
— Esse foi o golpe mais desonesto que ela já me deu, me pergunto porque eu não estou tão irritada.
“Onde o prazer se exalta a dor se encolhe; um nada a dor extingue e o riso tolhe”.
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