Ghouls Também Tem Sentimentos
7 Os três pontos
Notas iniciais
Mal amanheceu, e Naki já tinha ido me buscar. Deixei um bilhete dizendo a Uta que iria passar na casa do representante de sala antes de ir à escola. Entramos no carro, e vamos até. .. Bem, não sei pra onde vamos. Ficamos em silêncio, até chegarmos numa velha fábrica. Naki andava no meio de dois homens grandes mascarados, me pergunto o porque de estarem daquele jeito, mas eles pareciam bem chegados a ele. Entramos dentro da fábrica. Dentro, ela estava em muito bom estado. Não duvido que alguém more aqui. Em seguida, chegamos a um corredor extenso. Ele tinha sangue escorrendo pelas paredes e utensílios pelo chão, algodão e coisas que não consegui identificar .
— Doutor ? — diz um dos homens mascarados de Naki.
— Hum ? — a sala havia um grande eco, em seguida, um homem alto de óculos e rabo de cavalo e roupa de médico sai de uma das salas do corredor. — Ah, Naki.
— Oi professor. Anda ocupado ? — responde Naki, um tanto indiferente.
— Sim, mas sempre tenho um pouco de tempo pra você. O que quer ?
— Trouxe alguém que gostará de conhecer. — ele aponta descaradamente para mim. O homem olha pra mim um tanto surpreso.
— Esta é... — ele anda até mim e pega no meu queixo. — qual o seu nome?
— Kuryo Mizani — digo, meio desconfortável. Ele estava muito perto.
— KURYO? — ele grita de repente igual ao Naki,será que são parentes ? — Você não deveria estar viva...
Ele corre até uma das portas do corredor, e corro á mesma.
— Conheceu meus pais ? — digo, um tanto surpresa também. Ele pega uma das pastas numa velha estante, e retira rapidamente todas as folhas de dentro dela. Até que pega a que procurava.
— Isso. — ele me mostra a folha em suas mãos. — Esse aqui é seu pai. — tiro a folha de suas mãos.
— O que quer dizer com isso ? Está brincando comigo ? Esse com certeza não é meu pai !
— Deixe eu explicar melhor... Esse é seu pai de sangue.
— SANGUE ? — grito.
— Aquela pessoa que te criou não é... Ou melhor, não era seu pai.
— Como quer que eu acredite nisso ? E porque diabos você teria um documento com uma foto do meu pai de sangue ?
— Leia o documento.
Olho para o documento em minhas mãos.
" Nome : Kuryo Sawada
Idade : 28
Tipo sanguíneo : O negativo
Caso : falecimento
Relatório : Antes de morrer , pediu pra que reutilizassemos o seu corpo. Mas com uma excessão. Poderíamos utilizar todo o seu corpo, exceto seu órgão de reprodução, que deve ser utilizado em sua mulher ainda viva, Misako de 24 anos. Também pediu que ela fosse mantida no laboratório até o nascimento do bebê."
Quando paro de ler, me viro para o doutor, que já está procurando outro documento.
— Encontrei. — ele me entrega o outro documento.
" Nome : Misako Nanase
Idade : 24
Caso : Procedimento de fertilização
Relatório : Conforme o pedido de Kuryo, foi realizado o procedimento de extração de espermatozóides e também realizado a fertilização da paciente. Infelizmente, a paciente Misako Nanase não suportou as dores do parto e faleceu em seguida. O bebê, é saudável e será levado por uma família anônima. Como pedido da mãe, batizei o bebê de Kuryo Mizani."
Olho para Naki, que estava na frente da porta. O doutor não estava mais na sala.
— Onde está o doutor ? — digo, me recusando à acreditar em tal história.
— Ele saiu, disse que era melhor você ficar um pouco sozinha, mas não acho que precise.
— Você sabia disso ? -digo para Naki.
— Não. Mas Uta conheceu seus pais, então deve saber da história.
— Hum... — sento em uma cadeira a frente da mesa coberta de papéis. — Ele poderia ter me dito.
— Acho que não quis te dizer, com medo de como você poderia reagir.
— Hum, talvez... — estou um pouco hesitante sobre essa história. — Mas... Porque ele me mostrou esses documentos? E aliás, como Kuryo Sawada morreu ?
— Ele foi morto pelos agentes da CCG. Pelos pombos.
— Mas, eles não podem matar pessoas, certo ? Somente ghouls, não é?
Naki dá um pequeno sorriso.
— Não podem não. E sim, eles só podem matar ghouls.
— Então. .. — Naki passa o indicador em meus lábios, e aproxima o rosto pouco a pouco do meu.
— Ele era um ghoul. — diz ele. — Seu pai foi uma das pessoas mais gentis que já havia visto. Sua mãe também, mas não quanto ele.
— Por isso, ela também. ..
— É. Uta já deve ter te dito como é o nascimento de um meio ghoul, não? Pra falar a verdade, eles quase desistiram de ter você, sabia ? Você só está viva, bem. Tudo isso, foi por causa do seu pai.
— Isso é muita coisa pra minha cabeça. Mas... Espera ! Se o meu pai era um ghoul... Então. ..
— Você já é um ghoul, boba. Só te trouxe aqui, pra que soubesse a verdade.
— Mas... Eu consigo comer comida humana !
— E daí? O que eu tenho a ver com isso ?
— Ghouls não conseguem comer comida humana, só carne, certo ?
— Seu estômago deve ter se acostumado, ou algo assim. Afinal, você foi criada por humanos, né? Desde nascida comeu comida humana. Mas me diga... Quanto tempo você suporta comer carne ? — diz Naki, um pouco frustrado.
— Não sei, Uta prepara carne todos os dias, praticamente.
— Hum... Seria bom investir nisso.
— Hein ?
— Tente passar alguns dias sem comer carne, depois, me diga o que aconteceu. Não me entenda mal, isso é pra ajudar na pesquisa do doutor.
— Não sei se isso é o certo.
— Não a estou obrigando, se não quiser fazer isso, tudo bem.
— Senhor... — chega um dos guardas de Naki na frente da porta.
— Diga.
— Teremos que ir.
— Ah, vamos Kuryo.
— Okay.
Entramos no carro, e Naki me deixou um pouco perto de casa. Fui caminhando até lá. Abri a porta, e vi Uta deitado no sofá. Estava com grandes olheiras debaixo dos olhos, com uma bochecha vermelha com marca de dedos e parecia cansado.
— Cheguei ! — digo, disfarçadamente.
— Aonde você estava... — ele disse, com uma voz longínqua.
— Fui para a casa de ... — ele me interrompe.
— Quero saber aonde você ESTAVA, não onde você diz estar. — nunca dava certo mentir pra ele.
— Naki.
— O que tem ele ? — ele diz, um tanto desinteressado.
— Ele me convidou para ir pra uma... — sou interrompida.
— Velha fábrica ?
— Como sabe... — odeio quando ele faz isso.
— Hum, você é teimosa. Não sei como deixo você ir a escola sozinha. Então, o que houve por lá?
— Eu conheci um doutor.
— Como ele era ? — ele pareceu curioso, e um pouco perturbado.
— Usava óculos e tinha um rabo de cavalo. — ele senta no sofá, e leva as mãos à cabeça. Deve estar com dor de cabeça.
— O que houve de interessante lá? — ele diz.
— Bom, ele me mostrou alguns documentos, que poderiam ser dos meus pais de sangue. E agora, eu sei que sou um meio ghoul. — Digo ironicamente. Ao ouvir isso, ele levanta bruscamente.
— Você não acreditou nisso, não é? — ele diz.
— Não sei o que pensar...
— Ah, bem, se não se incomodar, irei pro meu quarto.
— Okay.
Ele pareceu muito perturbado com aquilo que eu disse. Será que ele fugiu do que eu poderia perguntar futuramente?
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