Ghosts
7 Mountains
Notas iniciais
A respiração de Fleur se tornava cada vez mais lenta e forçada, o tiro tinha acertado o braço esquerdo dela, muito perto do ombro e saia uma quantidade enorme de sangue, então Charlie falou assustado, mas ao mesmo tempo queria passar segurança para todos nós:
— Vamos levar ela para dentro, é melhor ter um kit de primeiros socorros lá dentro, Joseph.
— Deve ter não só um kit, mas muita coisa que nos ajude a tirar essa bala daqui, minha vó trabalhou como enfermeira há muito tempo atrás. — Falei tentando não demonstrar o pânico que insistia em tomar conta de mim, então comecei a correr com Fleur em meus braços, seus olhos estavam cheio de lágrimas e ela tentava me dizer algo, mas lancei um olhar que indicava que ela não precisava dizer absolutamente nada, então ela tranquilizou-se.
Ela devia poupar forças, tinha que tentar resistir ao máximo, porque eu não queria perdê-la, não podia deixar ela ir logo agora.
— Charlie, eu achei isso aqui no guarda-roupa da minha avó. — Entreguei para ele uma caixa cheia de gases, agulhas de todos os tamanhos e tipos, tinha algumas linhas que eu julgava ser o que usavam para dar pontos, e um tipo de "pinça" mas muito maior, Charlie olhou para a caixa e não pensou duas vezes em pegar aquele instrumento estranho extremamente parecido com uma pinça.
Fleur estava deitada no sofá, não falava nada, mas diversas lágrimas caíam insistentemente, me sentei num pequeno espaço que ela deixou vazio, segurei sua mão direita, porque Charlie nos alertou para não tocar no braço esquerdo dela, ela apertava tanto a minha mão e eu entendi que a dor estava tão grande que a mesma não conseguia dizer nada, me dava pena ver ela naquele estado.
— Eu acho melhor você se segurar, Fleur. — Ao dizer isso, Charlie colocou um pano enrolado entre os dentes dela. — Não sei como isso aconteceu, mas a bala não entrou muito, mas isso não significa que vai ser fácil retirar.
— Você sabe o que está fazendo, não é? — Perguntou Sophie que apertava fortemente o braço de Zach ao qual a mesma estava abraçada, todos olhavam diretamente para Fleur que suava horrores e tentava segurar os gritos que agora se transformavam em pequenos gemidos.
O buraco que a bala havia feito, era curiosamente pequeno, Charlie tinha pegado outro instrumento que eu também desconhecia, e colocou no buraco e começou a ajustar e o buraco abriu consideravelmente, e posso jurar que ouvi alguém vomitando, muitos tinham se virado para não presenciar aquela cena um tanto desagradável e Fleur apertava minha mão com mais frequência e seu rosto estava muito vermelho, e ela suava mais do que antes e seus dentes contraiam e ela apertava cada vez mais o pano que estava entre os mesmos.
Passou alguns minutos e Charlie continuava a tentar tirar a bala do braço de Fleur, e ela tentava gritar mas o pano apenas se contraia mais, seu rosto estava vermelho e muito molhado, ela chorava amargamente, passei minha mão por seu rosto e limpei suas lágrimas, mas foi em vão, seu rosto inundou-se com novas lágrimas e foi quando eu me desesperei, seu rosto se encheu de uma expressão de dor e pânico e senti uma dor forte no peito, tudo que eu não queria era ver ela sofrer nem mais um segundo, foi quando Charlie puxou levemente a "pinça" do buraco na onde a mesma tinha permanecido por tanto tempo, e Fleur se livrou do pano que estava na sua boca e gritou, era um grito ensurdecedor como se ela tivesse guardando o mesmo por tanto tempo.
Charlie pressionava a pinça que segurava uma pequena bala e era muito curiosa, era realmente coisa de outro mundo.
— Zach, você acha que devemos partir hoje? Fleur está muito sensível e tenho medo que ela possa piorar? — Ele olhou para mim com uma expressão triste e eu soube, não podíamos ficar na casa da minha avó por nem mais um segundo.
Entrei no quarto onde Fleur dormia depois de tanto sofrimento, um curativo tomava conta de uma pequena parte de seu braço esquerdo e você pode me perguntar, como ela conseguiu dormir depois de tudo aquilo? Há uma explicação muito simples, Charlie tinha dado uma três comprimidos brancos e grandes e disse "Isso vai te apagar por muito tempo, mas pelo menos não vai sentir dor."
Ela dormia tranquilamente mas em seu rosto preservava uma expressão de tristeza e dor, ainda continuava perfeitamente linda, seus cabelos loiros estavam presos em um pequeno coque, seus lábios rosados estavam contraídos, o que devia significar que ela iria passar por uma noite difícil.
Me sentei ao lado dela e a observei dormir por longos minutos, então fui interrompido por alguém que bateu na porta, entrou no quarto e senti a pessoa sentar-se ao meu lado, alguém tocou meu rosto levemente e o virou e eu consegui ver uma Louise, um sentimento que ela nunca tinha me permitido ver, tristeza.
— Ela vai ficar melhor? — Ela observava seus pés calçados em um tênis, então ergui segurei seu queixo e ela levantou o rosto e nossos olhares se encontraram, mas dessa vez foi diferente, porque desta vez eu tinha certeza que o meu lugar não era ao lado da garota com longos cabelos negros e olhos escuros, meu lugar era ao lado da garota que tinha sofrido tanto hoje, Fleur, eu tinha escolhido ela desta vez.
— Sim, ela vai ficar bem, vou cuidar muito bem dela. — Desviei meu olhar dos olhos profundos de Louise e eu acariciei o rosto inexpressivo de Fleur.
— James, você acha que já estamos chegando? — Perguntou Pearl, que estava sentada na frente junto com James.
Optamos por não encher o carro que íamos levar Fleur, e a mesma ainda continuava a dormir profundamente.
— Eu não sei, Pearl, eu só estou seguindo Zach. — Ele estava impaciente, James era do tipo que odiava ser interrompido ou questionado sobre algo que ele não sabia.
Estávamos numa estrada desconhecida e começava a ficar frio e eu abraçava cuidadosamente Fleur, sem apertar o braço dela, ela dormia e eu podia jurar que ouvi ela estava resmungando alguma coisa, acho que ela estava alucinando, pelo menos ela não estava com febre e eu agradecia muito por isso.
Zach encostou o carro logo a nossa frente e James parou logo atrás, então uma porta bateu e Zach veio em nossa direção e informou:
— Agora vamos entrar dentro dessa mata, mas só tem mato mesmo, não tem nenhuma árvore, mas o mato está muito alto, vamos conseguir entrar com os carros, mas você deve ficar atento James, porque não podemos nós perder, ou seja, iremos ir devagar para você conseguir acompanhar a gente sem nos perder de vista.
James apenas assentiu e Zach se afastou e entrou novamente no carro parado a nossa frente, e rapidamente já estávamos dentro daquele monte de mato.
Demorou muito, mas conseguimos chegar, em um lugar cheio de montanhas, e no meio de uma montanha tinha um buraco pequeno no solo, então desci do carro com Fleur em meus braços, James e Pearl desceram em seguida, então Zach se aproximou e alertou:
— Não tinha aquele buraco ali no solo, a caverna tinha uma entrada por dentro da montanha e assim conseguíamos alcançar o subsolo, eu não entendo.
Olhei ao redor e vi o quanto tínhamos nos distanciado da estrada e foi quando senti alguém me cutucar insistentemente e Pearl apontava desesperada e então ouvimos uma voz desconfiada perguntar:
— Quem são vocês?
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