Ghosts
2 Capítulo II - Omsicroxe
Notas iniciais
Capítulo II — Omsicroxe:
“Como se chama aquilo que você tem medo, mas nem sabe o que é?”
Eu via as manchas negras dos meus sonhos. Eu via a cor se destacar no ar frio que rondeava meu quarto.
Eles estavam me matando.
Como? Eu não tinha ideia... Mal sabia o que acontecia, mas sentia meu corpo oscilar, cada vez mais. Eu parecia estar sendo possuído.
Tentei me levantar, mas simplesmente não tinha forças para isso, nem para mais nada.
Revirei meus olhos, envolta do quarto, minha visão estava escurecendo, senti que estava morrendo mais depressa a cada piscar.
Um vulto entrou em meu quarto. Não sabia distingui-lo de um fantasma. A única coisa que via era um vulto negro com um cordão brilhante, que fazia um sereno barulho de corrente enquanto vinha em minha direção, apaguei.
Acordei. Ainda estava em minha cama.
Olhei e percebi que meu quarto tinha se transformado numa espécie de cerimônia ritualística.
Tinham desenhos feitos no chão do quarto, provavelmente feitos com giz. Tinha uma luz vermelha pendurada no teto também, mas ela emitia-me uma sensação desconfortável, como se quisesse me expulsar de meu próprio quarto.
O vulto negro que havia entrado em meu quarto estava de pé sobre minha cama.
Ele dizia coisas sem sentido para mim, parecia uma língua estrangeira. Latim? Eu não sei por que, mas esse foi o 1º nome que me veio à cabeça. Mas, como se eu nunca tinha ouvido nada em Latim? Realmente não sabia. Era bem verdade que mal conseguia pensar, estava com uma forte enxaqueca. Voltei-me para o homem que estava de pé na minha cama.
Ele era alto. Quase conseguia tocar o teto de 2 metros e meio do meu quarto, claro que, encima da cama. Não pude ver seu rosto, algo me impedia de ver detalhes em algumas coisas, como os detalhes do meu guarda-roupa, que eu mal conseguia enxergar.
Seus trajes lembravam a de um Paladino. E, sem sombra de dúvidas ele deveria ser. O cordão brilhante que tinha visto antes se materializava melhor agora, se tratava de um crucifixo dourado.
O homem tirou de uma das bolsas de seu casaco, uma espécie de frasco. Não conseguia notar do que se tratava.
Abriu o pote e houve um barulho ensurdecedor. Vi sombras negras, iguais as que eu via em meus sonhos, saindo dos móveis do meu quarto, tinham muitos.
O barulho continuava e o homem paladino continuava a entoar suas palavras em latim, só que agora gritando.
Em alguns poucos minutos o quarto silenciou-se. Estava tudo tão escuro que não conseguia ver nada do que tinha acontecido ao meu quarto ou ao homem paladino.
Só ouvi uma singela frase, dita por uma voz rouca e forte:
- Amrud, samsatnaf es marof, rop otnauqne. Omsicroxe.
Não consegui entender nada do que havia sido dito. Estava cansado demais para pensar e a minha dor de cabeça tinha piorado, desmaiei mais 1 vez.
Aquela noite acabara e eu esquecera quase tudo que tinha acontecido, para mim era mais 1 sonho bizarro, como todos os que tive essa semana.
Tive certeza de que não era um sonho quando encontrei o cordão brilhante da noite passada.
Não, não era outro cordão. Tinha certeza disso, e a estatura do homem e seus trajes confirmavam que ele era idêntico ao homem da noite passada.
O segui pela multidão de pessoas que havia se formado naquele dia.
Ele tinha uma estatura mais alta que o padrão, era fácil segui-lo, mas tinha que ter certeza de que não seria notado, por isso, me misturei com um pequeno grupo de geeks e gamers que faziam uma convenção por ali.
Parei e analisei seus passos. Ele seguia para um beco sem saída. Minha chance? Não. Não sabia se ele fazia o tipo bonzinho. Não importava, eu tinha que segui-lo, talvez ele soubesse do que aconteceu ontem à noite e, melhor, talvez soubesse o que eram aquelas coisas de ontem à noite e se elas eram ou não reais.
Vi-o se camuflar e desaparecer na multidão. Havia entrado no beco, tinha certeza.
Entrei no beco, com certo interesse em saber o que ele tinha. Não conhecia muito bem a cidade, eu sofria de uma perda de memória constante e isso fazia eu me esquecer de coisas que aconteceram recentemente, assim como as que aconteceram há muito tempo.
Talvez por esse motivo eu não tivesse certeza da noite passada. Mas, agora era hora de investigar aquele pequeno beco, que tinha uma espécie de alçapão no centro.
O beco era escuro e sombrio, não devia ser um lugar agradável para se visitar à noite, e eu não gostava daquilo.
Mas, levado a curiosidade, decidi abrir o alçapão e descer um lance de escadas em completa escuridão. Não via nada, mas ouvia o gracioso som das patas de ratos pelas paredes, além do cheiro de comida podre, um lugar repugnante.
Ao final dos lances de escadas tinha uma porta. Ela não tinha maçaneta e, mesmo estando escuro, eu consegui ler a placa que estava pendurada na porta que dizia “Senha”.
Uma senha? A porta era aberta com uma senha, tipo abre de sésamo?
Aquela porta escondia segredos tão secretos que para entrar era necessário uma senha? Talvez fosse uma seita satânica ou algo do gênero, não sei.
Sei que veio uma palavra em minha mente, e eu a disse em voz alta sem saber por quê. A palavra era:
- Omsicroxe.
A porta se abriu diante dos meus olhos. Estava 1 passo mais perto de encontrar o paladino da noite passada.
Fim do Capítulo II.
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