Ghosts

1 Capítulo I - Inquieto Pesadelo


Notas iniciais
Bem, 1º Capítulo da fic... Espero que gostem.

Capítulo I — Inquieto Pesadelo:

“E naquela noite, meus demônios foram libertados.”

Mais 1 pesadelo horrível, que não era diferente de todos os outros que vinha tendo nas últimas semanas.

Fantasmas, demônios, monstros. É provável que muitas pessoas não acreditem nessas tolices de filmes de ficção, mas em meus sonhos, ou melhor, em meus pesadelos, essas coisas pareciam reais, e criavam de certa forma, vida própria.

Eles eram diferentes nos meus sonhos, diferentes em relação às ficções. Sobretudo os fantasmas. Eles não eram invisíveis e nem tinham uma cor aproximada a isso, não. Eles eram negros, manchas escuras que mais pareciam fumaça saindo do escapamento de um Fusca velho.

Eles sabiam falar nossa língua, mas de forma diferente. Era como um sotaque indígena, mas ainda assim era possível entender.

Durante toda essa semana eu sonhei com fantasmas. Eles balbuciavam frases sem nexo durante meus sonhos. “Hei de ver a verdade”; “Mas é que”; “Viver não é um sonho”; “Tudo é real”; “Vamos ouvir e vamos pegar”; “Não adianta olhar no espelho, não é você”.

Incrivelmente essas frases fincavam em minha cabeça, todavia que eu não possuía uma boa memória. Na verdade, me esqueci do que aconteceu nos últimos anos. Só me lembro de acordar em um hospital, com um buquê de flores ao lado da minha cama, escrito “Bem-vindo de volta” e mais nada...

Não me lembro do passado e tampouco sabia qual seria meu futuro, estava tentando me encontrar.

Sem família, sem amigos, procurei um lugar comum para morar. Uma velhinha, chamada Elizabeth, me providenciou uma cama e um lugar para comer, em troca de serviços domésticos. As coisas iam bem, mas nessas últimas semanas as situações mudaram.

A Sra. Elizabeth tinha sido internada com uma febre forte e suspeita. Sua temperatura não baixava há 6 dias e seu estado piorava cada dia mais.

Seu corpo se recusava a movimentar-se a sua vontade, de vez em quando, pareciam espasmos, mas outras vezes, não pareciam.

Era tolice para os médicos. Diagnosticavam como uma febre nova vinda de algum país africano ou alguma espécie de mosquito novo, que transmitia uma nova doença, mas a verdade é que ninguém tinha uma resposta.

Toda vez que eu ia visita-la, sentia que seu corpo morria aos poucos. E, de alguma maneira, as frases sem nexo dos meus pesadelos vinham a minha mente... É verdade que desde que ela foi internada eu vinha tendo esses sonhos estranhos. E eles só pioravam...

Estava anoitecendo. O horário de visitar a Sra. Elizabeth havia terminado, era hora de voltar e cuidar das coisas em sua casa, iria fazer 1 semana que ela não voltava para lá (E 1 semana que meus sonhos bizarros começaram), que não era a mesma coisa sem ela.

Voltei. Acendi as luzes. Elas vagarosamente iluminaram aquele local escuro e frio, um clima pesado e sombrio. Tentei não me importar com isso, fui à cozinha preparar o jantar...

Desde que Elizabeth fora para o hospital, eu só comia miojo, que era fácil de fazer.

Não tinha jeito para cozinhar, nem sequer amolar uma faca eu era capaz, me cortara diversas vezes tentando aprender a cozinhar e manter a cozinha em ordem.

Não tinha jeito para muitas coisas. No máximo me limitava a malhar e correr diariamente. Mas tinha 1 coisa que eu era bom, em mirar.

Na pequena ruela onde vivíamos, tinha um concurso semanal de dardos.

A distância era de 7 metros e cada participante tinha 2 tentativas. Depois os pontos eram somados e decidia-se o vencedor.

Eu nunca errara o alvo, nem sequer 1 vez. Consegui sempre o máximo de pontos, 200. Elizabeth dizia que era um dom, já que não tinha habilidade em quase nada.

Estava escurecendo depressa naquele dia. A televisão não me dava mais nenhum prazer àquela hora. Programações repetidas e sem nenhum tipo de intuito, apenas glamorização de futilidade. Limitei-me a desliga-la e ir dormir.

Dormir não era mais tão normal quanto era na semana passada.

A cama tornava-se uma espécie de “portal”, que me levava a um mundo diferente do nosso, um mundo abaixo do nosso, o mundo dos sonhos, mas, infelizmente, esses sonhos não eram bons e me apavoravam cada vez mais.

Deitei-me, mas algo em mim se elevou. Como se minha alma se desprendesse aos poucos do meu corpo... Eu estava sonhando?

Não. Tive certeza disso ao olhar no teto. Eu estava em meu quarto, parecia óbvio. Mas, algo se mexeu no teto, e as frases que antes vieram em meus sonhos, foram reescritas no teto e reagrupadas, formando uma nova frase:

“Hei de ver a verdade...

Mas é que...

Viver não é um sonho...

Tudo é real...

Vamos ouvir e vamos pegar...

Não adianta olhar no espelho, não é você...”

“A verdade é que um sonho é real e vamos pegar você”.

Fim do Capítulo I.