Ghost Town

4 Conhecendo a nova vizinhança


Notas iniciais
Oi, gente! Então, pretendo postar todo dia um capítulo novo, mas preciso que comentem para que eu saiba que estão gostando. Leitores fantasmas, apareçam! Boa leitura!

–Bom dia. – acordei com uma voz falando isso e em seguida um travesseiro veio na minha cara.

–Cameron, vai dormir. Tá cedo ainda.

–Cedo?? Já devem ser mais de meio-dia. Levanta logo que seu pai quer falar com você.

–Meio-dia?? Meu Deus, eu dormi muito. Por que não me acordou, idiota?

Sai igual uma doida da cama e fui logo escovar meus dentes para falar com meu pai.

–Deixa de ser grossa, Pearl. Não te acordei antes por que achei que você estava muito cansada. Da próxima vez eu te acordo 6:30 da manhã.

Que Droga, Pearl. Você tinha que ser tão grossa logo com ele?

–Desculpa, Cameron. É que eu fico me sentindo uma inútil aqui, ainda mais acordando tão tarde assim.

–Inútil? Pelo que eu saiba você só fez coisa boa pra essa comunidade e até agora não me parece nem um pouco inútil.

–Valeu, mas melhor parar com a babação de ovo antes que eu dê um jeito em você. — Falei enquanto encovava os dentes, ele riu da minha boca cheia de pasta de dente.

–Fico encantado com essa sua delicadeza de uma dama. Anda rápido que o Jack está te esperando lá em baixo. – Ele deu uma risadinha meio estranha – Adorei esse seu pijama!

Olhei pra baixo e percebi que estava só com uma camiseta velha dos Angels e sem shorts.

–Que droga, Cameron!!! – Gritei com ele e bati a porta do banheiro.

Quando terminei de me arrumar – ou pelo menos tentar – desci e vi meu pai impaciente no fim da escada.

–Bom dia, dorminhoca. Dormiu bem, Pequena Jay??

–Bom dia, Jack! – Lhe dei um abraço – Está mais calminho comigo agora?

–Desculpa, meu amor. Ontem eu estava muito estressado e pensando em um jeito de ajudar o novo pessoal e não chatear nosso grupo. Você entende, eu sei disso. Só está querendo me irritar.

–Tudo bem, pai. Não tem problema. Eu aguento sua chatice por um tempo! Mas e aí, se resolveu com esse pessoal novo?

–Era sobre isso que queria falar com você. Será que poderia conversar com Cooper? Ele tem quase sua idade e acho que você consegue tirar mais coisas dele do que eu.

–Sim, senhor. Estou à suas ordens! – Bati continência como os soldados fazem.

Jack arrumou uma tarefa para Cameron e saiu com ele antes de mim. Saí e fui bater na porta da nova “família”. Jason abriu a porta.

–Desculpa estar atrapalhando alguma coisa, mas gostaria de falar com Cooper. – Tive que começar a falar por que ele abriu a porta e ficou me encarando – Meu nome é Pearl, moro na casa do lado e sou filha do Jack.

–Oi. – Ele foi meio frio comigo – Cooper, vem aqui.

Ontem à noite não consegui notar todos desse novo grupo, então fiquei o encarando um pouco antes de me apresentar. Cooper é bem magrinho, mas alto, cabelos castanhos e uns olhos bem pequenos.

–Oi, eu sou Pearl. Moro aqui do lado. Poderia falar com você por um momento?

–Sim! Sou o Cooper, mas acho que você já sabe disso. Você mora aqui do lado?

–Sim. Podemos conversar mais, mas em outro lugar. – Estava incomodada com o Jason ali encarando.

–Tá bom!

Fomos andando até o pequeno lago em frente a minha casa e conversando um pouco sobre ele.

–Quantos anos você tem, Cooper?

–12, mas dizem que pareço mais velho por causa do meu tamanho.

É pai, quase minha idade mesmo.

–Eu diria que tem 14.

–E você parece ter 14, mas pelo seu tamanho eu diria 10.

–HAHA, engraçadinho. Tenho 18. Mas então, mudando um pouco de assunto, como foi que vocês chegaram aqui?

–Nós estávamos fugindo dos Walkers – que nome interessante para essas coisas – e então Jason viu os portões e as luzes. Começamos a gritar com esperança de que alguém abrisse.

–Pelo visto você não é da família deles. Como te acharam?

Eu sei que é uma forma muito curta e grossa de perguntar, mas eu queria saber logo por que estava curiosa.

–Bom, Jason era meu vizinho. Meus pais viajaram para a Europa e me deixaram na casa dele. Isso tudo começou a acontecer quando eles já estavam lá, então acabei ficando com o Jason e mesmo e ele já me salvou de muita coisa. Na verdade, eu o considero um irmão e acho que também me considera.

–Isso é bom. Muito bom. Me parece que vocês não são tão maus quanto pensei.

–Maus? Por que seríamos?

–Sei lá, mas tem muito tempo que não lido com gente nova. Então estava com um pouco de medo. Mas agora sei que não preciso, certo?

–Sim. Somos boas pessoas. E vocês, são? Será que podemos confiar em vocês? Será que eu posso confiar em você?

–Claro que sim, Cooper. Se vocês quiserem ficar aqui, seremos um grupo. E essa comunidade tem muitas coisas boas para oferecer a quem se arrisca por nós assim como nos arriscamos por todos aqui.

Ele deu um sorriso, e pareceu um sorriso de alívio. Fiquei bem feliz em ver aquele sorriso, fiquei feliz em ver que estávamos ajudando tantos outros.

– Pearl? – uma voz familiar me chama — Posso falar com você um instante?

Quando me viro é Jason.

–Sim. – Deixei Cooper sentado no lago – Estava falando um pouco com ele, ordens do meu pai.

–Tudo bem. Eu queria primeiro me desculpar pelos meus maus modos com você. Eu não sou assim, só estou me acostumando com uma casa e uma vizinha. Faz cinco anos que não tenho nada disso.

–Não tem problema. Na verdade eu nem reparei nisso – claro que reparei –, só estava curiosa para falar com Cooper. Pelo visto vocês são boa gente.

–Claro que sim. Falei com seu pai hoje de manhã e percebi que vocês também são do bem.

–Bom, vou indo agora. Oficialmente, pelo que parece, sejam bem-vindos! Qualquer coisa que precisarem, sabem onde moro.

–Obrigado, Pearl. Gostei do seu nome, por falar nele. Achei original!

Dei uma risada de leve e fui para casa. Depois de conversar com Cooper consegui perceber a essência do grupo dele e gostei. Gostei também do Jason, parece um cara legal. Ele é bem maior do que eu pensei ontem de noite e bem mais educado do que pareceu também. E notei também os olhos dele, que por sinal são lindos. Azuis, da cor do mar e ele tem um olhar um tanto quanto misterioso, e posso dizer que quase empata com o do Cameron. Indo pra casa, tive uma ideia de fazer uma pequena festa de boas vindas. Só fizemos uma há dois anos e acho que todos aqui gostariam disso.

Antes de entrar em casa senti um cheiro ótimo vindo da cozinha. Era Cameron fazendo o almoço e tentando fazer com que minha rotina voltasse ao normal. Entrei em casa e fui para a cozinha pedir ajuda dele para fazer essa festa. Expliquei o que eu queria para ele e pedi que ele tentasse fazer alguma comida boa.

Eu e ele fomos até a despensa pegar algumas bebidas e algumas comidas também. A festa seria na minha casa, claro, com Jack já sabendo disso. Organizei tudo, Cameron ficou cozinhando e quando terminei minha parte saí para convidar todos, até por que uma festa sem pessoas não é uma festa. Depois que informei todos sobre o horário e chamei os principais disso, voltei para casa para me arrumar.

8:00 da noite, hora da festa. Todos começaram a chegar de uma vez, mas nada do grupo novo. Então quando quase todos estavam lá, meus mais novos vizinhos chegaram. Fui abrir a porta.

–Desculpa a demora, Pearl. Estava tentando convencer Chloe a vir – Vi Chole com uma cara meio feia.

–Oi, gente. Fiquem a vontade!

Eles entraram, mas Chloe parecia a única com vontade de se enforcar.

–Vou te apresentar todos. Este é Jeff, Leila e Chloe. Eu e Cooper você já conhece.

Falei com todos e só agora consegui ver suas características mesmo. Jeff era um cara de no máximo 35 anos, meio baixo, forte, careca e tem algumas tatuagens no braço. Leila é noiva dele e é a magricela com a perna quebrada que Jeff levou na noite passada. Ela é ruiva e tem os olhos azuis. Chloe é calada, não abriu a boca direito desde que chegou à festa. Cara fechada o tempo todo, mas não a culpo. Loira, tem altura de modelo, bem magra e os olhos são castanhos quase pretos. Achei que fosse namorada do Jason quando vi eles dois na festa, mas não são. Na verdade eles são irmãos. Leila deve ter a mesma idade que Jeff, talvez mais nova, e Chloe é irmã mais velha, então deve ter uns 30 anos.

A festa foi normal, nada de mais aconteceu. Cameron bebeu muito e acabou indo pra casa por que a mãe dele já estava irritada com ele. O último a ir embora foi Jason e John, que ficaram conversando com meu pai até tarde.

Quando John foi embora, Jack subiu para usar o banheiro e Jason ficou esperando. Quando percebeu que talvez meu pai não voltasse, – a situação de embriaguez dele estava meio crítica – veio até mim e começou a conversar comigo.

–Então...

–Então?... – Fiquei um tempinho esperando ele falar alguma coisa.

–Pearl, você pelo visto é a mais sóbria da festa então acho que dá pra conversar com você numa boa. Certo?

–É, eu não bebo e nem gosto. Então sempre estou à disposição para um papo super civilizado e super educativo!

Eu achei que ele não entenderia muito bem esse meu tom de sarcasmo, mas me enganei. Ele riu, o que é um bom sinal. Acho.

–Você é bem mais legal do que pensei.

–E como pensou que eu seria?

–Não sei, talvez uma garotinha meio mimada e metida. Achei que não conseguiria conversar com você sem que você não parasse de falar sobre VOCÊ e o quanto VOCÊ é demais e blábláblá.

–Olha, me senti ofendida com sua impressão sobre mim. E acho que pessoas assim, hoje em dia, não existem. O mundo virou uma merda e ninguém tem tempo nem motivo para se achar tanto e tentar ser melhor em tudo. Em pelo menos alguma coisa as pessoas têm que mudar.

–É, tem razão. Me desculpa por isso.

–Sem problemas.

Ficamos conversando bastante até ele começar a ficar muito calado, não tinha muitas respostas para mim.

–Então, o gato comeu sua língua? – Perguntei com um tom de brincadeira e ironia.

–Desculpa, é que não tenho muito que falar com você.

–Assunto é o que não falta nesse mundo de hoje.

–Não é isso. É que... Sei lá, eu só...

–O que? É tímido?

–Não costumo ser, mas acho que fiquei meio nervoso perto de você. Deve ser por que me surpreendi com sua personalidade. E... a aparência também conta...

–...

Fiquei sem ter o que dizer para ele.

–Olha, desculpa por isso Pearl. Acho que vou indo. Boa noite e obrigado pela festa de boas vindas.

Antes que eu pudesse falar algo, ele fechou a porta. Eu não esperava que um cara que mal me conheceu falasse que ficou nervoso com minha presença. Na verdade eu nunca lidei com isso, então meio que para mim ainda era uma coisa nova. Depois disso, não consegui pensar em mais nada a não ser ir dormir e tentar não pensar mais em nada mesmo.

A propósito, a horda de Walkers – vou passar a chamá-los assim agora – não era tão grande, então meu pai foi com alguns outros moradores afastá-los o suficiente para que não conseguissem voltar mais aqui. Tudo estava sob controle. Até agora.

Notas finais
Gostou? Deixa aí seu comentário, quero saber sua opinião! Beijos!!